Confira as datas das provas anteriores de Achan e Ofchan [2002 – 2016]

Foi publicado o edital para o concurso 2023 para Oficial de Chancelaria. A prova acontecerá no dia 10 de dezembro e as inscrições vão do dia 22 de setembro até o dia 11 de outubro. Fizemos uma análise completa do edital aqui.

Você quer saber quando foram realizadas as edições anteriores das provas do concurso de Assistente e de Oficial de Chancelaria? 

Confira neste post se é possível realizar as duas provas, se as datas delas coincidem e quais são as perspectivas de datas para o concurso de 2023.

Se você quiser saber mais sobre as carreiras de Achan e Ofchan, confira o post abaixo: 

+Saiba quais as diferenças entre Oficial de Chancelaria e Assistente de Chancelaria

Grande chance de novos concursos em 2023!

No momento atual, estamos há 07 anos sem um novo edital para o concurso de Oficial de Chancelaria e há 15 anos sem um novo edital para o concurso de Assistente de Chancelaria.

Cada vez mais, o concurso de Ofchan e Achan se aproximam dos milhares de candidatos no ano de 2023.

Foram passados vários anos desde a realização das últimas edições.

Apesar de parecer um cenário frustrante para os candidatos, existe uma perspectiva de que os concursos para o provimento de vagas no Ministério das Relações Exteriores (MRE) a partir de 2023. 

Existe um notável déficit dentro do Ministério, que em última análise, pode comprometer sua atividade fim. 

+O que um dos sindicatos do Itamaraty diz sobre o concurso para Oficial de Chancelaria?

Quando foram os últimos concursos de Achan e Ofchan?

Confira abaixo as principais informações sobre as últimas edições do concurso de Achan e Ofchan:

CONCURSO DE OFICIAL DE CHANCELARIA
Edital200220042006200820152023
Banca OrganizadoraESAFESAFCESPEFCCFGV🕐
Valor das InscriçõesR$ 45,00R$ 65,00R$ 65,00R$ 111,25R$ 120,00🕐
Total de Inscritos5.74521.8445.72210.89315.458🕐
Total de Vagas501356615060🕐
Relaçãocandidato por vaga1151618672257🕐
Vagas para PNE37483🕐
Vagas Ampla Concorrência471286214245🕐
Salário Inicial1.781,612.633,412.633,414.818,387.292,029.330,06
CONCURSO DE ASSISTENTE DE CHANCELARIA
Edital2002200420082023
Banca OrganizadoraESAFESAFCESPE🕐
Valor das InscriçõesR$ 12,00R$ 65,00R$ 111,25🕐
Total de Inscritos🕐
Total de Vagas5072100🕐
Relaçãocandidato por vaga🕐
Vagas para PNE345🕐
Vagas Ampla Concorrência476895🕐
Salário Inicial520,00681,401.542,234.642,71

Como a edição de 2002 foi feita há mais de 20 anos atrás, existem poucas informações disponíveis sobre a data de realização.

Em 2004, o Edital determinou que as provas fossem aplicadas em Brasília-DF, nos dias 22/05 (turno da tarde) e 23/05 (turno da manhã), para o cargo de Oficial de Chancelaria e no dia 23 (turno da tarde), para o cargo de Assistente de Chancelaria.

Ou seja, existia a possibilidade de prestar o certame para as duas carreiras.

Em 2008, a prova para o cargo de Assistente de Chancelaria aconteceu em 01/04 e a prova para o cargo de Oficial de Chancelaria aconteceu apenas no ano seguinte, em 2009, no dia 08/02.

Vai ser possível fazer as provas para as duas carreiras em 2023?

Por enquanto, não há como saber.

Entretanto, existe a possibilidade de que o MRE permita que os candidatos prestem a prova tanto para Oficial quanto para Assistente.

Ficaremos atentos ao que estará previsto nos novos editais. 

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Série Diplomacia & Relações Internacionais: A Revolta dos Malês

A Revolta dos Malês foi uma revolta de negros escravizados e libertos ocorrida em Salvador, na Bahia, em janeiro de 1835, durante o período regencial brasileiro.

A revolta foi liderada pelos africanos muçulmanos conhecidos como Malês, que tinham sido trazidos ao país da África Ocidental, principalmente da atual Nigéria. Eram majoritariamente das etnias nagô (iorubás) e haussá, e mantinham sua religião mesmo após a chegada ao Brasil. 

Influenciados pelas ideias da Revolução Haitiana, que levou à independência do Haiti em 1804, os Malês se organizaram e planejaram a revolta, que tinha como objetivo tomar o controle de Salvador, libertar os escravos da cidade e criar uma república islâmica no Nordeste do Brasil.

Cerca de 600 negros, entre escravizados e libertos, participaram da revolta, que foi descoberta pelas autoridades antes que pudesse ser colocada em prática e muitos líderes e participantes da rebelião foram presos e executados.

A Revolta dos Malês foi um dos maiores levantes de escravizados na história do Brasil e teve um impacto significativo na sociedade brasileira da época.

Índice

  1. O que motivou a Revolta dos Malês?
  2. Onde e quando aconteceu a Revolta dos Malês?
  3. Qual era o objetivo da Revolta dos Malês?
  4. Quais as principais características da Revolta dos Malês?
  5. Quem foram os líderes da Revolta dos Malês?
  6. Quais foram os atores sociais envolvidos na Revolta dos Malês?
  7. Quais foram os principais acontecimentos em torno da Revolta dos Malês?
  8. Como se sucedeu a Revolta dos Malês? Quanto tempo durou?
  9. Desfecho
  10. Quais foram as consequências do levante?
  11. Como a  Revolta dos Malês pode ser cobrada em provas do CACD?

O que motivou a Revolta dos Malês?

Além da privação da liberdade e das condições de trabalho extremamente exaustivas e das punições violentas, os escravizados eram proibidos de praticar suas culturas e professar sua fé.

Os Malês, em particular, eram proibidos de realizar suas orações e rituais e por isso eram duplamente perseguidos pelas autoridades locais.

A revolta foi influenciada por movimentos políticos e sociais que estavam ocorrendo em outros lugares do mundo: na época, muitos países africanos lutavam pela sua independência e pela sua liberdade do domínio europeu, que inspirou os africanos escravizados em Salvador a se rebelarem contra seus opressores e lutarem pela sua liberdade.

Onde e quando aconteceu a Revolta?

Essa noite é de paz, até o romper do dia.

Alcorão (97:15).

A Revolta dos Malês ocorreu em Salvador, capital da província da Bahia, na madrugada do dia 25 de janeiro de 1835 – final do período do Ramadã, mês sagrado para os muçulmanos.

A data foi escolhida por ser o dia do Lailat al-Qadar, festividade islâmica que comemora o dia em que o Corão foi revelado para Maomé. Em árabe o nome significa Noite da Glória.

Qual era o objetivo da Revolta dos Malês?

Para além do objetivo principal de derrubar a escravidão, a revolta almejava:

  • Poder professar o Islamismo livremente;
  • O direito de expressar sua cultura;
  • Destruir o Catolicismo e suas imagens;
  • Derrubar o poder e executar as elites brancas;
  • Tomar a cidade de Salvador;
  • Fundar uma república islâmica na região.

Quais as principais características da Revolta?

Na primeira metade do século XIX, a capital da Bahia possuía cerca de 65 mil habitantes, sendo que 40% destes eram negros escravizados. Os Malês – palavra cuja origem vem de imalê, do iorubá muçulmano, compunham grande parte dessa população.

Os Malês possuíam um nível de instrução mais alto: sabiam fazer contas, além de ler e escrever em árabe. Por esse motivo, trabalhavam no comércio urbano como vendedores de frutas, sapateiros, ferreiros, pedreiros e afins, transitando mais livremente pela cidade .

A junção desses pontos permitiu que os Malês se comunicassem, organizassem reuniões e se mobilizassem para dar início à revolução, que teve como principais características uma liderança forte, um planejamento cuidadoso e objetivos claros.

Os líderes da revolta planejaram o levante, estabeleceram autoridades e organizaram grupos de combate. Eles também criaram estratégias de comunicação, como panfletos escritos em árabe, e uma lista de alvos prioritários;

Quem foram os líderes da Revolta dos Malês?

Os líderes do levante foram principalmente escravos africanos muçulmanos que tinham um papel importante na organização do movimento. Alguns dos líderes mais conhecidos da revolta foram:

  • Manoel Calafate: escravizado que se tornou líder da revolta e foi preso pelas autoridades após a revolta ser reprimida;
  • Luís Sanim: outro líder importante da revolta, que foi capturado e executado pelas autoridades locais;
  • Ahuna: líder malê que foi preso antes da revolta e acabou sendo executado em público como exemplo para os outros escravos;
  • Pacífico Licutan: escravizado africano que foi preso sob suspeita de estar envolvido na revolta, mas posteriormente foi absolvido por falta de provas.

Quais foram os atores sociais envolvidos na Revolta dos Malês?

O levante envolveu vários atores sociais, incluindo:

  • Escravizados africanos: os Malês, negros muçulmanos vindos principalmente da região da atual Nigéria;
  • Africanos libertos: africanos libertos que compartilhavam a insatisfação com a situação dos escravizados no Brasil;
  • Autoridades locais: ao governador da Bahia, o juiz de paz, os militares e a polícia, que desempenharam um papel fundamental na repressão da revolta. 

Quais foram os principais acontecimentos em torno da Revolta dos Malês?

Os principais acontecimentos em torno da Revolta dos Malês foram:

  • Planejamento da Revolta: foi iniciada secretamente pelos escravizados africanos muçulmanos que viviam na Bahia. Eles escolheram o dia 25 de janeiro de 1835 para realizar a revolta, pois era uma data importante no calendário islâmico;
  • Início da Revolta: na noite de 24 de janeiro de 1835, os escravizados africanos se reuniram em diversos pontos da cidade de Salvador, capital da Bahia, e se prepararam para a revolta;
  • Ataques aos brancos: os escravos africanos atacaram várias casas de brancos em Salvador, matando e ferindo várias pessoas. Eles também incendiaram algumas casas e lojas, causando pânico e confusão.

Como se sucedeu a Revolta dos Malês? Quanto tempo durou?

A revolta aconteceu na madrugada do dia 25 de janeiro de 1835 e durou cerca de 48 horas. Os Malês planejaram secretamente a revolta por vários meses, porém foram denunciados às autoridades na véspera do levante.

Os negros africanos se reuniram em vários pontos da cidade de Salvador, armados com facas, machados e outros instrumentos. Saíram às ruas no início da manhã do dia 25 em ataques à casa de brancos e militares, e as batalhas se estenderam em diversos pontos da cidade: desde o centro da cidade até o Bonfim.

No início da revolta, os escravizados conseguiram conquistar algumas vitórias, matando e ferindo várias pessoas e incendiando algumas casas e lojas. 

No entanto, as autoridades locais logo organizaram uma resposta efetiva, dando fim à revolta na região conhecida como Água de Meninos, onde o levante dos Malês encontrou tropas da cavalaria do governo que reprimiu os revoltosos num contra-ataque violento. A batalha durou até cerca das 04h da manhã. 

O resultado deste embate foi a morte de 70 escravizados. Após a revolta, os envolvidos foram presos, julgados e executados. As penas variavam entre prisão simples, prisão com trabalho, açoite, morte e deportação para a África.

Desfecho

O resultado da Revolta dos Malês foi a derrota dos escravos africanos muçulmanos e a repressão violenta que se seguiu.

Estima-se que cerca de 70 escravos foram mortos durante a batalha, outros 4 foram executados em praça pública após o julgamento e mais de 500 foram punidos de alguma forma, seja através da prisão, do exílio ou da venda para outras partes do país.

Além da repressão violenta, a levante também teve um impacto significativo na maneira como os escravizados africanos eram vistos e tratados no Brasil. 

Quais foram as consequências do levante?

A rebelião foi reprimida violentamente pelas autoridades locais e resultou na execução de muitos escravos africanos muçulmanos. A repressão ajudou a consolidar o poder das elites brancas sobre os escravizados e aumentar a repressão contra eles.

Além disso, o levante também influenciou a maneira como o Estado lidava com a religião islâmica, que era praticada pelos escravos envolvidos na revolta, e ajudou a estigmatizá-la como uma religião “perigosa” e “subversiva”.

Como a Revolta dos Malês pode ser cobrada em prova no CACD?

A Revolta dos Malês é um evento importante na história do Brasil e pode ser cobrada em diversas áreas do concurso CACD (Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata). Algumas possibilidades de abordagem são: História do Brasil, Literatura, Antropologia e Relações Internacionais. 

Veja como foi a prova de primeira fase de História I CACD 2024!

Em geral, é importante estar preparado para abordagens interdisciplinares e contextualizadas, que relacionem a revolta a outros temas relevantes para o contexto brasileiro e mundial.

Conheça a plataforma do Clipping CACD e revolucione a sua forma de estudar!

Referências:

REIS, João José. Rebelião escrava no Brasil: a história do levante dos malês (1835). São Paulo: Editora Brasiliense. Disponível em: https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/6878517/mod_resource/content/1/Joao%20Jose%20Reis%20-%20Rebeliao%20Escrava%20no%20Brasil_%20A%20Historia%20do%20Levante%20dos%20Males%20em%201835-Companhia%20das%20Letras%20%282004%29.pdf

REIS, João José. A revolta dos malês em 1835. Universidade Federal da Bahia. Disponível em: http://educacao3.salvador.ba.gov.br/adm/wp-content/uploads/2015/05/a-revolta-dos-males.pdf

JUNIOR, Jair Messias Ferreira. Revolta dos Malês. PrePara Enem, 2024. Disponível em: https://www.preparaenem.com/historia-do-brasil/insurgencia-islamica-na-revolta-dos-males-1835.htm

Mulher 500 anos atrás dos panos. Guilhermina Rosa de Sousa (séc XIX). Mulher 500 anos atrás dos panos, 2024. Disponível em: http://www.mulher500.org.br/guilhermina-rosa-de-sousa-sec-xix/

SILVA, Bruno Izaías da. Revolta dos Malês. InfoEscola, 2024. Disponível em: https://www.infoescola.com/historia/revolta-dos-males/

Publicada Portaria CACD 2023: 30 vagas no total!

Acaba de ser publicada a Portaria do CACD 2023.

A PORTARIA Nº 440, DE 3 DE MARÇO DE 2023 estabelece as linhas gerais do Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata de 2023.

O documento é bem resumido, mas já traz a estrutura básica do concurso e confirma o número de vagas desse ano.

1. Número de Vagas do CACD 2023

Teremos 30 vagas no CACD 2023!

Isso representa 4 vagas a menos do que a quantidade do último concurso.

Entretanto, ainda é uma boa notícia, pois antes de 2022, a última vez que tivemos um CACD com mais de 30 vagas foi há mais de uma década, lá em 2010. Que baita oportunidade para os CACDistas de plantão!

Apesar da Portaria do CACD 2023 não indicar a distribuição de vagas entre ampla concorrência, candidatos negros e candidatos com deficiência, podemos esperar que, das 30 vagas, 20% serão providas na forma da lei nº 12.990/2014, e 5%, na forma do § 2º, do art. 5º, da lei nº 8.112/1990, e suas alterações, e do decreto nº 9.508/2018.

Isso significa que, provavelmente, teremos:

  • 22 vagas reservadas à ampla concorrência.
  • 6 vagas reservadas a candidatos negros.
  • 2 vagas reservadas a candidatos com deficiência

2. Prova objetiva (TPS)

Não tivemos novidades na prova de primeira fase do CACD.

Também conhecida como TPS (teste de pré-seleção), a prova será composta por questões de:

  • Língua portuguesa;
  • História do Brasil; 
  • História mundial; 
  • Geografia; 
  • Língua inglesa; 
  • Política internacional; 
  • Economia; 
  • Direito

Como nos últimos concursos, a prova objetiva não será classificatória, apenas eliminatória.

Mas, Clipping, o que quer dizer isso? 🤔

Significa que sua nota no TPS não será somada à nota final do concurso

Após a primeira fase, os que alcançarem a nota de corte competirão em pé de igualdade. Desde 2017, esse vem sendo o padrão adotado. 

Muitos candidatos consideram que a primeira fase é a maior barreira do CACD. É comum demorar anos para ser aprovado nessa prova de questões objetivas. Mas as 30 vagas de 2023 podem facilitar essa aprovação!

Quanto maior o número de vagas, maior o número de candidatos que são selecionados para fazer a segunda e a terceira fases. Em 2019, quando tivemos 20 vagas, 200 candidatos passaram para as últimas fases do CACD. Já em 2020, com 25 vagas, foram 250 vencedores que superaram a barreira do TPS. 

Quantos candidatos serão aprovados na primeira fase do concurso de diplomata? Isso só o edital responderá.

Também ainda não sabemos se o conteúdo cobrado no CACD 2023 será o mesmo do concurso de 2022, ou se teremos alterações. Para saber se teremos novos tópicos, precisamos aguardar o Edital, que pode ser publicado a qualquer momento.

3. Provas discursivas do CACD

Como em 2022, teremos as provas discursivas divididas em duas fases.

Segunda Fase

  • Língua portuguesa
  • Língua inglesa

Terceira Fase

  • História do Brasil; 
  • Política internacional; 
  • Geografia; 
  • Economia; 
  • Direito; 
  • Língua espanhola 
  • Língua francesa

Diferentemente da primeira fase, as provas de segunda e de terceira fases terão caráter eliminatório e classificatório. Isso significa que, após a aprovação no TPS, sua aprovação dependerá do somatório das notas das últimas duas fases.

E tem nota mínima viu! A portaria ainda não definiu isso, mas, em 2022, as notas mínimas em português e em inglês foram 60 e 50 pontos, respectivamente. Na terceira fase, você tinha de alcançar ao menos 360 pontos, para não ser eliminado. 

Atenção agora…

Em 2019, tivemos uma segunda fase que unificou todas as provas discursivas. Naquele ano não tivemos a terceira fase. Todas as provas aconteceram em dois finais de semana seguidos. 

No CACD 2022, assim como no 2020, isso foi alterado. Tivemos segunda e terceira fases, exatamente como indica a portaria de 2022, com um mês entre as duas. Há quem prefira o calendário mais apertado de 2019, mas muitos CACDistas agradecem ter 30 dias para focar nas matérias de terceira fase..

Em 2023, voltaremos a ter esse intervalo de um mês? Só o Edital vai responder isso 🤔

Ainda que a portaria do CACD 2023 faça uma separação entre as duas últimas fases, é possível que essa seja uma divisão meramente nominal, com as provas acontecendo em finais de semana simultâneos. 

Outro ponto que depende do Edital é a estrutura das provas discursivas. Teremos resumo de português, como em 2022? Teremos limites de número de palavras ou linhas? A portaria não responde essas perguntas.

4. Intervalo entre o Edital e a Primeira Fase

No CACD 2023, teremos, uma vez publicado o Edital, dois meses até a prova de primeira fase do concurso.

O Art. 41, I, do decreto 9.739/2019 prevê que “o edital do concurso público será publicado integralmente no Diário Oficial da União, com antecedência mínima de quatro meses da realização da primeira prova.

Conteúdo…

O § 2º do mesmo decreto prevê que “o prazo de que trata o inciso I do caput poderá ser reduzido por meio de ato motivado do Ministro de Estado, permitida a subdelegação para o Secretário Especial de Desburocratização, Gestão e Governo Digital do Ministério da Economia.”

Ou seja, nossa Ministra de Estado, substituta, Maria Laura da Rocha, autorizou a redução do prazo para dois meses.

Já houve anos de mais correria. No CACD 2018, esse prazo foi reduzido para 45 dias… Olhando por esse lado, teremos 15 dias a mais para usar sabiamente antes da prova. 😉

Daqui para frente, é modo revisão on.

5. Revisão mode on

Lembrete clássico.

Como já é tradição, o Clipping inicia de agora em diante a estruturação de uma série de conteúdos extremamente objetivos e diretos ao ponto, visando acelerar e otimizar sua revisão

O Clipping é a plataforma mais completa de estudos para quem quer ser diplomata, independentemente do nível. Temos uma seleção diária de notícias, um plano de estudos completo que te permite estudar de forma autodidata, uma plataforma com mais de 8 mil questões comentadas, resumos da matéria, videoaulas e muito mais.

Além disso, teremos também novas melhorias na plataforma para tornar seu estudo ainda mais efetivo. Esses conteúdos estarão acessíveis na plataforma do Clipping e serão restritos a assinantes.

Acreditamos na democratização do acesso ao CACD e, por isso, buscamos auxiliar todos a estudar, com autonomia e gastando muito pouco.

Quem ainda não assinou a plataforma, a hora é essa e as instruções estão abaixo:

1. Crie sua conta 

2. Escolha um plano

3. Tenha acesso irrestrito a tudo que o Clipping oferece na reta final 

Curtiu a portaria nesses moldes? Deixa um comment aí.  😉

6. Resumo da Portaria do CACD 2023

ConcursoConcurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD ) 
Banca?
CargoTerceiro-Secretário (diplomata)
EscolaridadeNível superior
Vagas30 vagas
RemuneraçãoA ver no Edital nos próximos dias
DataA ver no Edital nos próximos dias
InscriçãoA ver no Edital nos próximos dias

Despotismo: o que você precisa saber

O despotismo é uma forma de governo na qual todo o poder se concentra em um único governante, que controla de forma isolada e arbitrária aqueles que estão sob seu domínio. O despotismo é praticado por um déspota, indivíduo que faz uso do seu poder autoritário em um Estado ou nação.

O despotismo é tido como uma das formas de governo mais simples, uma vez que em um governo despotista não há qualquer preocupação com a criação de leis que norteiem a nação: ele parte da premissa de que o poder detém a razão.

O despotismo, contudo, se difere de outras formas de governo arbitrárias: o déspota não encontra nenhuma oposição expressiva por parte do povo. Contrariamente ao absolutismo e às ditaduras, por exemplo, no despotismo a população não tem condições de se sobrepor ao tirano.

Índice

Quais são as principais características do despotismo?

No despotismo o indivíduo que governa faz uso de seu poder para tiranizar e oprimir aqueles que não seguem suas determinações, uma vez que o poder está acima da razão.

A ideia de despotismo está intimamente ligada aos conceitos de absolutismo, tirania e ditadura, porém se difere destes uma vez que no despotismo não há apelação ou prática contra o poder do senhor: não há oposição por parte do povo oprimido. Nas ditaduras, por exemplo, o governante precisa se sobressair ao “poder do povo”. Muitas vezes os déspotas chegam ao poder através da própria democracia, convertendo-se posteriormente em um governo autoritário.

Qual a origem do despotismo?

  • De onde veio o conceito?

A origem etimológica da palavra “déspota” vem do grego despotēs, cujo significado em português é “senhor”. Apesar do conceito ter se transformado ao longo do tempo, sua essência remonta à Antiguidade, principalmente na Grécia e em Roma. O termo romano utilizado era dominus, mas significava a mesma coisa: a forma de poder exercida pelos senhores de escravos

Apesar da essência do termo vir da relação entre os senhores e seus escravizados, os primeiros déspotas foram os grandes imperadores que exerciam um poder soberano, irrestrito, autoritário e inalienável em relação ao povo, que era subjugado.

Os herdeiros desses imperadores, durante os impérios Bizantinho, Latino, Búlgaro e Sérvio também recebiam a alcunha de déspota, que funcionava como um título de nobreza.

A ideia de despotismo da Antiguidade conversa com o significado do termo nos dias de hoje: uma forma de governo, uma forma de exercício da soberania delegada pelo titular do poder político, que por sua vez, define a forma do Estado ou regime político.

Quem foram os primeiros déspotas?

  • Despotismo oriental

Conhecido como “modo de produção asiático”, a forma como a economia surgiu no Oriente foi aquilo que podemos chamar de precursor do despotismo. 

Com o desenvolvimento da agricultura e a mudança da forma de vida do ser humano – que abandonou o nomadismo –, em locais como Índia, China e Egito, a atividade se tornou a propulsora das comunidades. Os terrenos pertenciam ao Estado e a produção agrícola era também controlada por ele, de maneira centralizadora.

O tipo de poder exercido pelas figuras dos imperadores, reis e faraós é considerado um tipo de despotismo, o despotismo oriental, por consolidar uma sociedade dividida em classes onde os governantes controlavam de acordo com seus desígnios individuais.

Os grandes impérios da Antiguidade tiveram também governos despotistas.

O Imperador Otomano Mourad IV, cujo poder era absoluto e que governou entre os anos de 1623 e 1640. O “Grande Turco”, como era conhecido, além de possuir um grande exército era senhor de um extenso território no Oriente – que contemplava a Grécia, toda a Ásia Menor, as extremidades das possessões venezianas, a Ásia Mediterrânea e os mares da África até Gibraltar.

O sistema despótico antigo era baseado não somente na força, mas também na submissão do povo.

  • Despotismo Esclarecido

Em voga em muitos lugares desde a Antiguidade, o despotismo era tido como uma característica típica do Oriente e totalmente incompatível com a civilização ocidental/europeia do do século XVIII.

Nessa época a Europa vivia o período que ficou conhecido como o Iluminismo ou o século das luzes. No Iluminismo a razão era tida como o único caminho para se chegar ao conhecimento, a ciência e o conhecimento acumulado eram valorizados e a noção de que o universo era governado por leis físicas, e não divinas, ganhava cada vez mais espaço.

Grandes pensadores surgiram nesse período, como Voltaire, Rousseau, Montesquieu, Diderot e D’Alembert. Os dois últimos buscaram reunir todo o conhecimento produzido à luz da razão num compêndio dividido em 35 volumes: a Enciclopédia (1751-1780). A publicação da Enciclopédia contou com a participação de vários expoentes iluministas como Montesquieu e Jean-Jacques Rousseau.

Na Enciclopédia produzida pelos franceses, em 1772, o verbete “Despotismo” é definido como “um governo tirânico, arbitrário e absoluto de um só homem. Tal é o governo da Turquia, da Mongólia, da Pérsia e quase toda a Ásia”.

Contudo, o sistema de governo déspota também se fez presente na Europa durante o período do Iluminismo: conforme os ideais progressistas avançavam sob o continente europeu, começaram também as tentativas, por parte dos governantes, de desenvolver princípios iluministas como o racionalismo, o bem estar social, investimento na educação, sem renunciar contudo ao seu poder totalitário.

A monarquia europeia não fez nenhuma concessão dos preceitos absolutistas da monarquia ou sequer expandiu os direitos políticos para as demais camadas da população. Por isso, o despotismo ocorrido durante o século XVIII ficou conhecido como “Despotismo esclarecido”, expressão cunhada posteriormente pelo historiador Wilhelm Roscher, já em 1947.

Com o intuito de melhorar a vida de seus súditos do ponto de vista material e social, alguns reis europeus implantaram uma série de reformas. Os Estados foram reestruturados, modernizados e houve uma dinamização das políticas administrativas, econômicas e culturais dentro dos ideais iluministas, porém sem que essas mudanças prejudicassem o poder e o privilégio monárquico.

Nessa forma de governo muitas vezes filósofos foram nomeados como ministros conselheiros dos reis e rainhas. Os principais déspotas esclarecidos desse período e suas respectivas ações foram:

  • Maria Teresa da Áustria, que taxou grandes fortunas e criou o exército nacional;
  • Frederico II da Prússia, responsável reforma do sistema penal que aboliu a tortura e a pena de morte, pela fundação de escolas, pelo incentivo à cultura e à tolerância religiosa;
  • Catarina II da Rússia, construiu escolas e hospitais, promoveu a liberdade religiosa e ampliou o território ao mesmo tempo em que acentuou o feudalismo;
  • Carlos III da Espanha, motivador de uma reforma econômica e do aumento da indústria têxtil, promotor da ciência e da pesquisa e grande pacifista;
  • Marquês de Pombal, de Portugal, que administrou o país durante o reinado de Dom José I, responsável pela expulsão dos jesuítas do território, pela reforma educacional e manufatureira e fundador do Banco Real. O ministro também limitou os poderes da inquisição e aboliu a escravidão do país, excetuando as colônias.

Apesar dos avanços promovidos nos governos desportistas esclarecidos, não houve nenhum progresso em relação à democratização do poder.

Despotismo na Contemporaneidade

  • O despotismo contemporâneo, por sua vez, ficou conhecido por seus déspotas “tradicionais”. Os líderes autoritários que atingiram o poder no século XIX o fizeram de diferentes maneiras: seja através de golpes de Estado ou por meio de eleições democráticas.
  • Suas formas de governo se diferenciam também, mas todos possuíam uma mesma característica: uma liderança opressora e a submissão do povo a um regime tirânico.
  • Os maiores déspotas da história recente foram Hitler, Stalin, Mussolini, Mao Tsé Tung, Napoleão Bonaparte, Fidel Castro, Saddam Hussein, Perón e Augusto Pinochet.

Despotismo na história do Brasil

No Brasil o despotismo se deu em diferentes fases.

O Marquês de Pombal, apesar de residir em Portugal, governou o país enquanto este ainda respondia à metrópole e foi responsável pelo estabelecimento de políticas fiscais bastante rígidas, pela expulsão dos jesuítas do território brasileiro, a proibição da escravidão indígena – aumentando assim os lucros do tráfico negreiro – e o encerramento das capitanias hereditárias.

Num período mais recente, o Brasil teve em como chefe do poder executivo duas figuras com características despóticas: Floriano Peixoto, cujo viés nacionalista e populista andou de mãos dadas com autoritarismo, e Getúlio Vargas, uma figura controversa.

Em 1937 Getúlio Vargas fechou o Congresso Nacional e instaurou uma ditadura militar no país. Vargas acreditava no poder vertical (do Estado para o povo) e teve um governo marcado por decretos, censura e perseguição política, permeado por períodos democráticos marcados principalmente por conquistas sociais e trabalhistas.

Quais os melhores exemplos de despotismo na atualidade?

Alguns países do mundo ainda vivem sob regimes ditatoriais. Mesmo que seus governantes não sejam considerados déspotas no significado histórico da palavras, sua população vive em autocracias. Alguns exemplos:

  • China, desde 1949;
  • Coreia do Norte, desde 1948;
  • Cuba, desde 1959;
  • Egito, desde 2013;
  • Omã, desde 1749;
  • Rússia, desde 1951.

Como estudar para o CACD?

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Referências:

Tratado de Maastricht

O Tratado de Maastricht foi o acordo multilateral que estabeleceu a fundação da União Europeia (UE). Foi assinado em 1992 na cidade de Maastricht, na Holanda, pelos países-membros da então Comunidade Econômica Europeia (CEE).

No Tratado de Maastricht os países signatários firmaram metas com o intuito de estabelecer uma livre circulação de pessoas, serviços, produtos e capital entre as nações. Em outras palavras, a finalidade do tratado era instituir uma maior integração entre os territórios.

Dentre os resultados mais importantes da criação da União Europeia pelo tratado foi o fortalecimento e a união dos países do continente e a posterior criação do Euro, moeda única em circulação na Europa. 

Atualmente, a União Europeia é um dos blocos econômicos mais importantes do mundo e é formado por 27 países.

Índice

O que foi o Tratado de Maastricht

A Conferência intergovernamental que criou o Tratado de Maastricht foi realizada em 7 de fevereiro de 1992, na Holanda. Na ocasião, participaram os membros da então Comunidade Econômica Europeia (CEE).

O tratado recebeu o nome da cidade onde a conferência foi realizada, Maastricht, mas ficou conhecido também como Tratado da União Europeia, uma vez que o tratado oficializou a criação do bloco econômico. O Tratado de Maastricht entrou em vigor no dia 1º de novembro de 1993, após a ratificação das nações participantes e dos parlamentos nacionais.

Além das políticas de integração regional como a livre circulação de cidadãos, produtos, serviços e capital, o Tratado de Maastricht promoveu a União Econômica Monetária (UEM), pilar do bloco e ação embrionária da política de unificação da moeda europeia –  o Euro – e da coordenação de políticas macroeconômicas..

Contexto histórico e Linha do tempo do Tratado de Maastricht

  • 1948:

Em 1945, mesmo com o fim da Segunda Guerra Mundial, a Europa ainda sofria as consequências dos conflitos em seu território. Os cenários político-econômico, social e de infraestrutura encontravam-se num estado caótico e, nessa conjuntura, foi criada a Organização Europeia de Cooperação Econômica (OECE), em 1948.

A instituição era apoiada financeiramente pelos Estados Unidos e tinha como objetivo colaborar com a reconstrução do continente, que havia sido destruído pela guerra. Além do suporte financeiro, os norte-americanos visavam também evitar a influência comunista na Europa.

Dentro desse contexto, também em 1948, foi assinado o Tratado de Bruxelas, um pacto de cooperação que propunha uma aliança a nível econômico, social e cultural e que pretendia estabelecer um sistema de autodefesa coletivo; uma das cláusulas do tratado previa assistência mútua em casos de guerra. Foram signatários do Tratado de Bruxelas: Bélgica, Holanda, França, Luxemburgo e Reino Unido.

  • 1949:

O Tratado de Bruxelas foi o precursor da criação de outra organização político-militar: a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). A aliança militar foi firmada naquele que ficou conhecido como Tratado de Washington, assinado em 4 de abril de 1949 por 12 países do hemisfério norte: Bélgica, Canadá, Dinamarca, França, Holanda, Islândia, Itália, Luxemburgo, Noruega, Portugal e Reino Unido. 

Nessa época o mundo vivia no contexto da Guerra Fria e através de acordos como o Tratado de Bruxelas e a OTAN, a Europa Ocidental, aliada aos norte-americanos, receberia apoio militar caso fosse alvo de ataques por parte da União Soviética. 

  • 1951:

Contudo, apesar de toda essa movimentação prévia, foi em 1951 que os países europeus se organizaram com o objetivo de criar uma organização de cooperação mútua limitada ao próprio continente: a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (CECA). estabelecida no Tratado de Paris. 

A CECA foi uma iniciativa franco-alemã cuja origem se deu a partir do pronunciamento de Robert Schuman, ministro francês de Negócios Estrangeiros. A proposta do político contemplava a congregação dos mercados de aço e carvão entre os países. De acordo com ele, a fusão dos interesses econômicos contribuiria para melhorar o nível de vida dos europeus e constituiria o primeiro passo para uma Europa mais unida e, logo, a adesão foi aberta para outros países.

Baseados no plano Schuman, seis países assinaram em 18 de abril de 1951 o tratado que colocou suas indústrias pesadas – aço e carvão – sob um sistema comum. Os países signatários foram Alemanha e França, os idealizadores, e Bélgica, Holanda, Itália, e Luxemburgo. A CECA entrou em vigor em 1952.

  • 1957:

Já em 1957, encorajados pelo êxito do tratado que instituiu a CECA, os seis países fundadores expandiram sua cooperação a outros setores econômicos e formaram a Comunidade Econômica Europeia (CEE) e a Comunidade Europeia de Energia Atômica (Euratom), que começaram a funcionar em janeiro de 1958 a partir do Tratado de Roma.

Em março do mesmo ano aconteceu, então, a primeira reunião da Assembleia Parlamentar Europeia. Ocorrida em Estrasburgo, na França, e presidida por Robert Schuman, a Assembleia Parlamentar Europeia substitui a Assembleia Comum da Comunidade do Carvão. Em 30 de março de 1962, muda seu nome para Parlamento Europeu.

Devido ao fato dos países da CEE terem deixado de cobrar direitos aduaneiros sobre as trocas realizadas entre si, a década de 1960 foi um período de grande crescimento econômico para a Europa, permitindo então que novos membros aderissem à Comunidade. 

  • 1973:

Em 1º de janeiro de 1973 Dinamarca, Irlanda e Reino Unidos filiam-se à CEE, aumentando o número de Estados-membros de 6 para 9. Em 1979 acontecem as primeiras eleições diretas para o Parlamento Europeu. Até então os deputados eram delegados pelos parlamentos nacionais.

  • 1981-1986:

Após o estabelecimento de novas democracias na Europa com a queda dos regimes militares na Grécia (1974), em Portugal (1974) e na Espanha  Espanha (1975), os países se comprometem a respeitar os governos democráticos, dando o primeiro passo para a adesão futura à CEE. Em 1º de janeiro de 1981 a Grécia se torna o 10º país a aderir à CEE, seguida por Portugal e Espanha, em 1º de janeiro de 1986.

  • 1987:

Apesar dos direitos aduaneiros terem sido abolidos em 1968, as trocas comerciais entre os Estados-membros da CEE ainda tinham obstáculos devido às diferenças de regulamentação nacionais e, então, em 13 de junho 1987 a organização lança o Ato Único Europeu, um programa planejado para acontecer em 6 anos para resolver esses obstáculos e criar um mercado único, com previsão de entrada em vigor em janeiro de 1993.

  • 1992:

Finalmente, em 7 de fevereiro de 1992 é assinado o Tratado de Maastricht e é criada a União Europeia. Trata-se de um momento histórico, já que o tratado estabelece regras claras para a futura moeda única – o Euro, bem como para a política externa e de segurança e o reforço da cooperação em matéria de justiça e assunto internos.


A União Europeia foi oficialmente criada pelo Tratado de Maastricht e o acordo entrou em vigor em 1º de novembro de 1993, sendo composta por Alemanha, Bélgica, Dinamarca, Espanha, França, Grécia, Holanda, Irlanda, Itália, Luxemburgo, Portugal e Reino Unido.

Desde a oficialização da União Europeia pelo Tratado de Maastricht em 1992, vários outros países aderiram à organização, sendo eles:

  • Áustria, Finlândia e Suécia, em 1995;
  • Chipre, Eslováquia, Eslovênia, Estônia, Hungria, Letônia, Lituânia, Malta, Polônia e República Tcheca, em 2004;
  • Bulgária e Romênia, em 2007;
  • Croácia, em 2013.

Em 23 de junho de 2016, o Reino Unido realiza um referendo sobre a saída do país da União Europeia. No referendo, que ficou conhecido como BREXIT, 52% dos eleitores votaram a favor da saída, que foi oficializada em 31 de janeiro de 2020.

Qual era o objetivo do Tratado de Maastricht?

O Tratado de Maastricht buscava a integração do continente através da unificação das ações e decisões de seus países-membros sobre as mais diversas áreas como meio ambiente, agricultura, saúde, cultura, educação e, principalmente, política e economia – tendo como maior exemplo a criação do Euro.

O agrupamento das nações na favoreceu a cooperação entre os europeus: as políticas externas e de segurança passaram a ser discutidas de forma integrada e os direitos e deveres dos cidadãos europeus foram ampliados devido à livre circulação que passaram a ter posteriormente à assinatura do tratado.

Principais pontos do Tratado de Maastricht 

Os principais pontos do Tratado de Maastricht são também os três pilares do acordo: as Comunidades Europeias (primeiro pilar); e as áreas de cooperação adicionais, Política Externa e Segurança Comum (PESC) e Justiça e Assuntos Internos (JAI).

Além disso, destacam-se também:

  • o estabelecimento das bases para uma união econômica e monetária, o Euro, como moeda única e os critérios para sua utilização;
  • o fornecimento de uma base legal para políticas comuns da UE;
  • o reforço dos poderes do Parlamento Europeu;
  • a introdução do conceito de cidadania europeia.

Como se deu a implantação do Tratado de Maastricht?

O tratado foi assinado na presença do presidente do Parlamento Europeu da época, o político tcheco Egon Klepsch. 

Com a instauração da União Europeia a CEE tornou-se Comunidade Europeia (CE) e os poderes legislativos do Parlamento Europeu foram reforçados com a introdução do processo de codecisão e com o alargamento do processo de cooperação entre os países-membros.

A implementação dos objetivos traçados pelo Tratado de Maastricht deu-se aos poucos, como:

  • O lançamento do Mercado Único, em 1993; 
  • A criação do Espaço Econômico Europeu, em 1994;
  • O Acordo de Schengen, em 1995;
  • O Tratado de Amsterdã, em 1997;
  • A introdução do Euro para transações comerciais e financeiras, em 1999;
  • O Tratado de Nice, em 2001;
  • O lançamento do Euro como moeda legal em 12 países da UE, em 2002;
  • Criação da Constituição da UE, em 2005;
  • O Tratado de Lisboa, em 2007.

Este último entrou em vigor em 1º de dezembro de 2009 e alterou os tratados anteriores. A partir do Tratado de Lisboa a UE ajustou o funcionamento do Parlamento Europeu e criou a votação por maioria qualificada no Conselho da UE, bem como a Presidência do Conselho Europeu. 

As consequências do Tratado de Maastricht

A assinatura do Tratado de Maastricht gerou a integração dos países europeus aumentando a circulação de pessoas, serviços, produtos e capitais pelo continente, fazendo com que o nacionalismo perdesse espaço, a expansão econômica e social aumentasse e o desenvolvimento sustentável ganhasse espaço entre as pautas discutidas.

Considerações finais

Atualmente a União Europeia é constituída por 27 países e está consolidada como um dos maiores grupos político-econômicos do mundo, sendo assim um assunto de grande relevância para aqueles que pretendem prestar as provas do CACD.

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O Tratado de Não Proliferação Nuclear

O Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP) foi um acordo pactuado entre diversos países do mundo para evitar e restringir o desenvolvimento e a utilização de armas e tecnologias nucleares. O tratado multilateral foi firmado por, inicialmente, 25 anos, com a possibilidade do aumento de vigência por tempo indeterminado.

Esse acordo é extremamente significativo no contexto político mundial nos últimos anos, logo é de suma importância entendê-lo bem para fazer uma boa prova no CACD. 

Aqui, explicaremos um pouco mais sobre o que é o TNP, seu contexto histórico, seus objetivos, quais países assinaram o tratado, o lugar do Brasil no acordo e como ele funciona nos dias de hoje.

Índice

  • História do Tratado de Não Proliferação Nuclear
  • Qual o objetivo do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares?
  • Quais países assinaram o Tratado de Não Proliferação Nuclear?
  • Quais países possuem armamento nuclear atualmente?
  • O Brasil e o Tratado de Não Proliferação Nuclear
  • O Tratado de Não Proliferação Nuclear no dias atuais

História do Tratado de Não Proliferação Nuclear

A energia nuclear, também conhecida como energia atômica, é produzida por meio de reações que acontecem no núcleo dos átomos, sendo a fissão nuclear o principal processo, originando uma grande quantidade de calor e energia.

Descoberto na década de 1930, o processo de fissão nuclear já tinha passado por grandes avanços quando, em 1942, foi apropriado pelos Estados Unidos com outra finalidade: a bélica. Com o avanço da Segunda Guerra Mundial, o primeiro reator de fissão nuclear foi construído no país norte-americano, tendo como objetivo desenvolver armas mais potentes e que causassem maiores impactos em seus adversários

Em 1945, as primeiras bombas atômicas foram utilizadas na história da humanidade: nos dias 6 e 9 de agosto daquele ano, duas bombas atômicas foram lançadas sobre as cidades de Hiroshima e Nagasaki, no Japão, causando um grande estrago e dando fim à guerra que já se estendia desde 1939.

A devastação causada pelas armas nucleares evidenciou o potencial de destruição que a aplicação de energia nuclear poderia gerar e deu origem a debates sobre sua utilização, principalmente em relação à dignidade das pessoas em situações de conflito.

Por isso, a sociedade internacional iniciou uma série de esforços coletivos para inibir a expansão dessas armas.

Qual o objetivo do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares?

Diante das consequências da utilização de armas nucleares observadas em Hiroshima e Nagasaki, na primeira Assembleia Geral em janeiro de 1946, a ONU adotou a Resolução nº 1, que dispôs sobre a criação de uma comissão encarregada de assegurar o uso da energia nuclear exclusivamente para finalidades pacíficas e de eliminar as armas atômicas existentes (UNITED NATIONS, 1946), mas somente em 1965 as negociações tiveram início.

Naquele ano, em Genebra, a ONU adotou uma segunda resolução – a Resolução 2028 de 19 de Novembro de 1965 – que contém os princípios nos quais deveria basear-se o futuro tratado de não proliferação de armas nucleares, a ser assinado posteriormente. 

O documento solicitava urgência ao Comitê das Dezoito Nações sobre Desarmamento, que naquela época era composto por cinco países membros da OTAN (Canadá, EUA, França, Itália e Reino Unido), cinco do Pacto de Varsóvia (Bulgária, Polônia, Romênia, Tchecoslováquia e União Soviética) e oito não pertencentes a nenhum dos dois blocos militares (Birmânia – hoje Mianmar –, Brasil, Etiópia, Índia, Nigéria, México, República Árabe Unida – na época Egito e Síria – e Suécia. 

O TNP foi proposto pelos presidentes do Comitê, Estados Unidos e União Soviética, tinha como objetivo limitar o armamento nuclear de países que já eram detentores desse tipo de tecnologia e impedir o desenvolvimento dela naqueles países “não-nucleares” 

Os principais compromissos do Tratado de Não Proliferação Nuclear abarcavam:

  • Comprometimento dos Estados nuclearmente armados em não transferir armas e tecnologias nucleares àqueles não nuclearmente armados;
  • Comprometimento dos Estados não nuclearmente armados em não receber armas e tecnologias nucleares daqueles países nuclearmente armados;
  • Comprometimento em desenvolver tecnologia nuclear somente para fins pacíficos;

Em resumo, os Estados signatários do TNP se comprometiam em não desenvolver, testar, produzir, possuir, armazenar, usar ou ameaçar usar armas nucleares.

O texto proposto em 1965 foi debatido pelos países componentes da ONU por dois anos até que foi endossado na Assembleia Geral das Nações Unidas em 12 junho de 1968.

O acordo foi negociado para um período inicial de 25 anos, com possibilidade de extensão. A cada cinco anos, nas Conferências de Revisão, os avanços e desafios do desenvolvimento nuclear mundial são discutidos e o funcionamento do acordo é revisado.

Quais países assinaram o Tratado de Não Proliferação Nuclear?

Atualmente, um total de 191 países-membros da ONU aderiram ao compromisso do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares, tornando o TNP um acordo multilateral de desarmamento mais amplamente acordado. Contudo, a aderência dos Estados não se deu toda de uma única vez.

Os Estados que assinaram o TNP dividiam-se em Estados com armas nucleares (Nuclear Weapons States – NWS) e Estados sem armas nucleares (Non-Nuclear Weapon States – NNWS). 

As nações detentoras de armas nucleares eram China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia (ainda União Soviética na época do tratado) e, como as propostas para os dois segmentos de países eram diferentes entre si, os países que não possuíam armas nucleares apontaram o que lhes parecia ser deficiências no texto proposto pelos países armados e seus aliados.

As divergências mais notáveis diziam respeito aos seguintes pontos:

  • O caráter inerentemente discriminatório do instrumento proposto, que estabelecia legalmente duas categorias de países: os possuidores e os não possuidores de armas nucleares, com direitos e obrigações assimétricos; 
  • À preocupação com a criação de entraves e restrições à pesquisa e ao desenvolvimento de energia nuclear para fins pacíficos; e 
  • À necessidade de compromissos de desarmamento nuclear juridicamente vinculantes por parte dos possuidores em troca da renúncia à opção nuclear bélica.

Quando foi votado em 1968 o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares teve 95 votos a favor, 4 votos contra e 21 abstenções, o que demonstra as dúvidas e hesitações de aproximadamente um quarto dos membros da ONU na época. O acordo foi aberto à assinatura dos Estados, que poderiam assinar tanto naquele momento quanto em qualquer outro momento posterior.

Os países Coreia do Norte, Índia, Israel e Paquistão não fazem parte do acordo. A Coreia do Norte inicialmente havia aderido ao TNP, mas retirou-se em janeiro de 2003.

Quais países possuem armamento nuclear atualmente? 

Além das cinco potências inicialmente detentoras de armamento nuclear (China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia) que mantiveram seus arsenais, os países ainda não signatários possuem programas nesse sentido. São eles:

  • Coreia do Norte;
  • Índia;
  • Israel;
  • Paquistão

As nações da África do Sul, Iraque, e Líbia já tiveram projetos nucleares, mas os abandonaram em 1989, 1993 e 2003, respectivamente.

O Brasil e o Tratado de Não Proliferação Nuclear

Apesar de ter feito parte do Comitê das Dezoito Nações Sobre o Desarmamento, em 1968 o Brasil se absteve na votação do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares, por julgar o tratado discriminatório em relação aos países não detentores de tecnologias e armamentos nucleares. Para o país, o compromisso deveria ser abrangente e evitar inclusive a posse de armas nucleares por parte de poucos países avançados.

Paralelamente aos debates do TNP, contudo, o Brasil assinou um outro tratado similar, o Tratado de Tlatelolco na Cidade do México, em 14 de fevereiro de 1967. O Tratado de Tlatelolco possuía como principal objetivo erradicar qualquer armamento nuclear nas fronteiras da América Latina e, diferentemente do TNP, o tratado regional não criava diferentes categorias entre os países signatários e impedia que as potências detentoras de poderio nuclear armazenassem ou posicionassem suas armas na região. A comunidade internacional reconheceu os compromissos assumidos pelo Brasil no Tratado de Tlatelolco como equivalentes àqueles firmados no TNP.

Em 1996 o Brasil finalmente assinou o TNP e ratificou-o em 1998 no final da primeira gestão do então presidente Fernando Henrique Cardoso, no Decreto nº 2.864 de 7 de dezembro de 1998. 

O Tratado de Não Proliferação Nuclear nos dias atuais

Em vigor há mais de 50 anos, o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares tem sido a pedra angular do regime global anti-nuclear, porém ainda enfrenta uma série de desafios.

Embora tenha sido eficaz em evitar a proliferação de armas nucleares em países que ainda não as detinham, os avanços em relação à eliminação delas em países cujo poderio nuclear já existia foram pequenos.

De acordo com o Instituto Internacional de Paz de Estocolmo (Sipri), em 2019, apesar de o armamento nuclear mundial ter diminuído 4% em relação ao ano anterior, os arsenais nucleares passaram por processos de modernização. Além disso, países não signatários do TNP como Índia e Paquistão seguem expandindo seus arsenais atômicos.

Referências:

Tudo que o estudante precisa saber sobre o Tribunal Penal Internacional

O Tribunal Penal Internacional (TPI) é uma instituição independente, sendo o primeiro tribunal de justiça permanente do mundo criado para julgar crimes de direito internacional. 

Em 2002, o Tribunal Penal Internacional foi estabelecido pelo Estatuto de Roma, tendo como propósito julgar pessoas acusadas de crimes graves cometidos em territórios internacionais, divididos em quatro categorias: genocídio, crimes de guerra, crimes contra a humanidade e crimes de agressão.

Sabemos que este assunto é imprescindível nos estudos de história mundial, por isso, vamos te ajudar a entender de maneira clara e fácil o que é o Tribunal Penal Internacional, seu surgimento, sua atuação, como funciona sua autoridade e as suas limitações. Confira:

Índice

O que é o Tribunal Penal Internacional?

Como já dito, o Tribunal Penal Internacional é uma corte de justiça internacional, com sede na cidade holandesa Haia, que tem como sua responsabilidade julgar os indivíduos acusados de cometer crimes internacionais. Contando com 128 artigos, o Tribunal Penal Internacional foi criado em 2002, por meio de um tratado entre os estados-membros da ONU. Independente e imparcial, ele tem como seus objetivos garantir a responsabilização de indivíduos por crimes graves, proteger os direitos humanos e promover a justiça internacional.

O Estatuto de Roma e o Tribunal Penal Internacional

O Estatuto de Roma foi adotado em 17 de julho de 1998 e entrou em vigor em 1º de julho de 2002, e é o documento base responsável pela criação do Tribunal Penal Internacional (TPI). É por meio dele que foi definida sua estrutura, competência, jurisdição e procedimentos. Seu principal papel é estabelecer as bases jurídicas para a aplicação do direito internacional e determinar os crimes que podem ser julgados pelo TPI, bem como as regras processuais para a realização de seus julgamentos.

Os países do Tribunal Penal Internacional

Atualmente, o Tribunal Penal Internacional tem 122 Estados-Partes, ou seja, países que aderiram ao Estatuto de Roma e aceitaram a jurisdição do TPI. Na África, temos 34 países; Já a América Latina e o Caribe têm 27 países (todos os da América do Sul fazem parte); 25 países Ocidentais e outros; Europa do Leste com 18 nações e, Ásia e Pacífico com 18 países.

Alguns dos países que são Estados-Partes do Tribunal Penal Internacional são: Alemanha, Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, França, Itália, México, Holanda, entre outros. No entanto, alguns países importantes, incluindo Estados Unidos, China e Rússia, não são Estados-Partes do TPI e não reconhecem sua jurisdição.

Como surgiu o Tribunal Penal Internacional?

Após a Segunda Guerra Mundial, os julgamentos de Nuremberg foram realizados pelos aliados, com a finalidade de julgar crimes internacionais graves cometidos durante a guerra, tornando-se os primeiros tribunais ad hoc. Os julgamentos de Nuremberg foram importantes para a consolidação do direito internacional e para a defesa dos direitos humanos, e ajudaram a promover a justiça internacional. Além disso, eles estabeleceram precedentes importantes para a criação de tribunais internacionais posteriores, incluindo o Tribunal Penal Internacional. É possível ler mais sobre a história do surgimento do TIP através do site Politize.

Qual é a função do TPI e como ele atua?

O Tribunal Penal Internacional foi criado com o objetivo de proteger os direitos humanos e promover a justiça internacional, sendo sua competência limitada a indivíduos, não Estados. Isso significa que a jurisdição do TPI é obrigatória para os Estados-parte, ou seja, aqueles que assinaram e ratificaram o Estatuto de Roma, que é responsável pela criação do Tribunal Penal Internacional. No entanto, alguns países não fazem parte do TPI e isso limita sua capacidade, o impedindo de julgar crimes em todo o mundo.

Concebido como um foro de último recurso, o Tribunal Penal Internacional atua apenas quando os tribunais nacionais não são capazes ou não desejam realizar os processos criminais. O Estatuto de Roma estabelece a obrigação dos Estados-parte de realizar sua jurisdição penal em relação a crimes internacionais, mas também reconhece a função complementar do TPI aos tribunais nacionais. 

A autoridade e as limitações do TPI

Como o Tribunal Penal Internacional atua na jurisdição de pessoas acusadas de crimes graves de direito internacional, ele pode julgar os indivíduos acusados de cometer tais crimes, independentemente de onde eles tenham sido cometidos. Sua autoridade para julgamento é dividida em quatro tipos de crimes: 

  • Genocídio, ou seja, um assassinato sistemático de um grupo étnico, racial, religioso ou nacional; 
  • Crimes de guerra: são aqueles em que os atos graves são cometidos durante um conflito armado, incluindo o assassinato de prisioneiros de guerra, tortura e outros tratamentos cruéis; 
  • Crimes contra a humanidade, que são considerado atos graves cometidos em tempos de paz, incluindo assassinato, escravidão, deportação, desaparecimento forçado e tortura;
  • Crimes de agressão: Em resumo, um ato é considerado um crime de agressão quando a Carta das Nações Unidas é violada em algum grau. Apesar desse tipo de crime não está tão definido nos artigos do TIP como os outros citados, ele ainda faz parte de sua legislação. 

As limitações do Tribunal Penal Internacional se baseiam em quatro esferas: temporal, pessoal, local e material. Desse modo, o TPI apenas pode julgar os crimes cometidos após o Estatuto de Roma entrar em vigor e, como já foi mencionado, sua jurisdição vale somente para os indivíduos acusados de tais crimes, e não sobre os Estados. 

Outro ponto importante é que o TPI só pode julgar crimes relacionados e/ou dentro do território dos Estados-parte que fazem parte do Estatuto de Roma. Porém, há exceções à obrigatoriedade de vínculo com um Estado-parte, por exemplo, através da autorização expressa de um Estado não-parte para julgar seu nacional acusado ou encaminhamento da denúncia pelo Conselho de Segurança da ONU.

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Regime político da Rússia: entenda como funciona o país atualmente

Liderado pelo Presidente Vladmir Putin, o regime político da Rússia é constantemente abordado em discussões políticas, sendo também um importante assunto em diversas provas e concursos como o CACD. Para te ajudar nos estudos, iremos expor os pontos mais importantes sobre a política desse país. 

Índice

A história da democracia na Rússia

Em 1991, após a renúncia de Mikhail Gorbachev, o então presidente da URSS (União das Repúblicas Socialistas Sov­­­­­­­­­­­­­­­iéticas), e a queda das repúblicas, a Rússia deixou de ter o sistema de partido único, tornando-se uma República Federativa. 

Sendo assim, o país passou a separar os poderes entre Executivo, Legislativo e Judiciário. E, em sua Constituição, como qualquer outra democracia moderna, a Rússia passou a defender os direitos e liberdades democráticas essenciais como, a liberdade de associação, pensamento e de imprensa. 

Apesar de, em tese, o país ser democratico, tópicos como o processo eleitoral e as liberdades individuais, apontam que a Rússia ainda deve passar por reestruturações para que possa ser considerada plenamente democrática. Um dos indicadores desse fato é que na pesquisa realizada pelo jornal britânico “The economist”, em 2017, o país foi classificado como um regime autoritário. 

O funcionamento do regime político russo

Como já dito, o governo da Rússia é uma República Federativa, sendo assim, o seu representante é eleito diretamente pelo povo, por meio de uma votação. Segundo sua constituição, seguindo o regime semipresidencialista, o presidente russo é o representante do poder executivo, mas deve dividir o seu poder com o primeiro-ministro.

 Além disso, a Rússia tem seu território dividido em 85 unidades federativas, com 6 tipos de divisões entre elas: repúblicas, territórios, regiões autônomas, distritos e cidades federativas. As repúblicas têm uma constituição própria, tendo uma certa autonomia política, mas devem responder ao governo e ao presidente da república, atualmente, Vladmir Putin.

Afinal, a Rússia é comunista socialista ou capitalista?

Diferente do que algumas pessoas tendem a acreditar, a economia da Rússia não pode ser definida como socialista por completo. Pois, desde o governo de Yeltsin, primeiro presidente russo após a queda da União Soviética, as aberturas econômicas do país inclinam a Rússia para o capitalismo. Contudo, a interferência do governo na economia é um fato histórico e que se instala desde o império. Atualmente, ela existe por meio do controle do câmbio, taxas de juros, fiscalização das fronteiras, entre outros pontos. 

E, estrategicamente, o governo mantém o controle sobre a economia e sobre seus recursos naturais, que são a principal fonte de renda do país, pois, além de contar com as maiores reservas de gás natural do mundo, a Rússia também tem baixo custo de produção. 

Como funciona o parlamento da Rússia?

Sendo uma república semipresidencialista federal, na Rússia, o Presidente é o chefe de Estado e o Primeiro-Ministro é o chefe de Governo. Seu legislativo é bicameral, ou seja, a Assembleia Russa possui duas casas para representar o povo, são elas: a Duma, também conhecida como a câmara baixa, e o Conselho de Federação, chamada de câmara alta do parlamento russo. Para exemplificar, podemos dizer que, no Brasil, a Duma iguala-se à Câmara dos Deputados e o Conselho de Federação, ao nosso Senado.

A câmara baixa (Duma) é composta por 450 deputados eleitos para um mandato de 5 anos, porém, recentemente, uma proposta de emenda à Constituição aumentou o tempo de mandato dos deputados da Duma para 6 anos. Ela funciona da seguinte maneira: qualquer lei deve ser submetida à aprovação da Duma, antes de passar por qualquer mudança ou aprovação da câmara alta ou do Executivo. A regra se aplica até mesmo aos projetos de lei do Conselho de Federação (câmara alta).

Criado pela Constituição Russa de 1993, o Conselho de Federação possui 166 membros, que atuam como a voz das entidades regionais. Além disso, seu Conselho não é eleito diretamente pelo povo, diferente da Duma. Outra diferença da Rússia é que sua federação se organiza em 83 distritos. Todavia, as duas casas do parlamento russo funcionam juntas. 

É por meio delas que é possível rever vetos ou votar projetos de lei. Porém, o Conselho de Federação tem atribuições próprias, sendo o responsável pelo afastamento do presidente, em caso de processo de impeachment, como também é ele que permite ou não o uso das Forças Armadas fora do território do país.

Como funciona o poder judiciário na Rússia?

Funcionando de maneira independente, o poder judiciário da federação do país tem autonomia diante do legislativo e/ou executivo. Sendo o sistema judiciário da Rússia composto por três instâncias, o Tribunal Constitucional da Federação Russa, o Supremo Tribunal de Justiça da Federação Russa e o Supremo Tribunal de Arbitragem da Federação Russa.

Como a maioria dos funcionários do sistema jurídico da Rússia foram treinados pelos comunistas, mesmo após a queda da União Soviética, o sistema continuou com grande parte da sua estrutura jurídica soviética. Assim, a luta pela construção de um “estado de direito” continua no país. O Tribunal Constitucional, contando com 15 juízes, foi estabelecido no ano de 1991, tornando-se o primeiro tribunal independente na história russa e podendo pronunciar-se sobre a constitucionalidade dos movimentos feitos pelo Presidente, como também sobre a Duma do Estado. 

Porém, como os presidentes da Rússia possuem grande poder, tendo peso na hora de nomear membros para a suprema corte, o Tribunal Constitucional encontra dificuldades de atuar como o revisor de outros poderes. Pois, os conceitos básicos do direito soviético e as suas operações do processo judicial são extremamente diferentes daqueles adotados pelas democracias ocidentais, mesmo que similares em questões criminais, elas são opostas em questões políticas. 

Entenda o que é putinismo

Atualmente, a história da política russa vem sendo marcada pelo termo “putinismo”, usado para caracterizar os maneirismos das administrações do atual presidente do país, Vladimir Putin. Pois, além de ter sido eleito novamente, em maio de 2012, como presidente da Rússia, Putin também já atuou como primeiro ministro da Federação Russa por duas vezes e é ex-membro da KGB (a antiga polícia secreta soviética). Junto ao fato de ter assumido cargos de grande estima na política russa por quatro vezes, o atual presidente conta com o fiel apoio de Dmitry Medvedev, atual primeiro ministro e ex-presidente do país, o que só intensifica a forma particular e autoritária de Vladimir Putin liderar a Rússia. 

A forma particular da política de Putin chamou a atenção dos analistas internacionais, que acabaram criando o “putinismo” para resumir a maneira nacionalista e autoritária do atual governo russo. Apesar do país se dizer democrático, em sua Constituição, e estar inserido em uma economia de livre mercado, a maioria de suas instituições políticas e potências financeiras são comandadas por indivíduos com uma carreira militar ou que fizeram parte dos serviços de segurança russos, criando um grande círculo fechado entre seus políticos.

Após a segunda eleição de Putin para presidente, foi possível entender o caminho político que o país estava tomando. O que deixou o putinismo mais evidente foi quando o presidente eleito sucedeu seu afilhado político, Medvedev, nomeado-o primeiro-ministro. A manobra nada mais é do que uma forma encontrada por Vladimir Putin para driblar a democracia russa e continuar tendo total controle na liderança do país. 

Por outro lado, é possível ver uma onda de repúdio ao governo do atual presidente se formar entre a população do país. Por meio de protestos populares e da mobilização dos opositores, a segunda administração de Putin vem sendo colocada à prova. Esses fatos são apenas o reflexo da grande onda de preocupação com o possível domínio absoluto da política russa por Vladimir Putin.

Como pode-se notar, o regime político russo está cada vez mais próximo de uma ditadura do que de um regime democrático. E, como a legislação russa permite a reeleição de seus políticos por uma vez seguida, o atual presidente, Vladimir Putin, tem a possibilidade de se eleger para mais um mandato ao término deste, garantindo sua permanência como presidente e sua administração por dois mandatos de 6 anos.

5 curiosidades sobre o regime político da Rússia

  1. Há 17 anos a Rússia tem um só líder: Vladimir Putin.
  2. Vladimir Putin governa a federação da Rússia desde 1999, quando Boris Yeltsin, então presidente do país, renunciou ao cargo por problemas de saúde. 
  3. Apesar de assumir o país em 1999, Vladimir Putin só tornou-se presidente, de fato, quando ganhou as eleições presidenciais no primeiro turno, em 2000.
  4. Putin completa seu segundo mandato consecutivo de seis anos em 2024.
  5. Em 2021, Vladimir Putin sancionou uma lei que permite sua reeleição a mais dois mandatos depois do fim de sua atual gestão.

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Entenda o que é uma autarquia por meio de exemplos reais

Aplicada em diversas áreas do conhecimento, a Autarquia é bastante ampla e faz parte da administração pública indireta. 

A administração indireta nada mais é do que um conjunto de pessoas jurídicas vinculadas à administração direta (o Ministério da Saúde, por exemplo) de personalidade jurídica própria, ou seja, que possuem competência para o exercício de atividades administrativas, de forma descentralizada do governo. 

As autarquias prestam serviços de extrema importância para nossa sociedade e estão mais próximas do seu cotidiano do que você imagina. Mas, como sabemos que esse assunto pode parecer bastante confuso, vamos explicar a autarquia com exemplos reais, te ajudando a fixar o assunto, adquirindo o conhecimento necessário, e se preparando melhor para sua prova.

Índice:

O que é uma autarquia?

Derivada do grego antigo “autárkeia”, a palavra “autarquia” significa poder absoluto ou comandar a si mesmo. A etimologia da palavra nos ajuda a entender brevemente sobre o que esse termo pode estar relacionado. 

Como já dito, autarquia é a palavra usada para caracterizar uma instituição com capacidade de personalidade jurídica própria, podendo atuar no serviço de distribuição de água e esgoto de uma cidade, por exemplo, mas sendo responsável tanto por seu poder, como também pelo investimento, manutenção e recebimento de seu setor. 

De uma maneira jurídica, o Decreto de Lei nº 200/1967 define autarquia como: “serviço autônomo, criado por lei, com personalidade jurídica, patrimônio e receita próprios para executar atividades típicas de Administração Pública, que requeiram, para seu melhor funcionamento, gestão administrativa e financeira descentralizada.”

Para exemplificar as autarquias podemos citar o Instituto Nacional da Seguridade Social (INSS), que é responsável pela previdência social, sendo uma autarquia federal; ou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e o Banco Central do Brasil (BACEN). 

Entendeu como esse termo pode ser bem comum no seu cotidiano? Agora que você já sabe o que é uma autarquia, vamos entender melhor sobre seu papel e seus diferentes tipos. 

Como funciona uma autarquia? 

As autarquias não podem ser confundidas com órgãos públicos, com direitos e obrigações ou vínculos com o estado, município ou governo. Pois elas são titulares de direitos e obrigações próprias. Ou seja, são pessoas jurídicas (empresas) de direito público, desempenham atividades típicas de Estado, mas não têm nenhuma relação econômica com o mesmo. Em suma, as autarquias são empresas que prestam serviços de carácter social e desempenham atividades de funções públicas, com organização e administração própria e sem vínculos políticos em suas decisões enquanto instituição. 

Principais características de uma autarquia

Para ajudar no melhor entendimento sobre as autarquias, vamos listar os principais elementos que estruturam esse tipo de empresas: 

  • Criação embasada por lei: o surgimento de uma autarquia é constituído a partir de uma lei específica, como consta no artigo 37 da Constituição Federal de 1988;
  • Personalidade jurídica: o serviço prestado é realizado por uma pessoa jurídica de direito público interno. Ou seja, uma autarquia é submetida ao regimento jurídico publicístico e passa a servir o Estado para finalidades sociais;
  • Autoadministração: autarquias são entidades com capacidade eminente de se auto administrar. Essas empresas não dependem dos recursos ou aprovação pública para exercer suas atividades, desde que permaneça dentro dos limites da lei;
  • Especialização em atividades públicas: cada autarquia é dedicada a atividades de ações tipicamente públicas, como a prestação de serviço ou atividade política administrativa. Sempre em prol de beneficiar a sociedade como um todo;
  • Patrimônio próprio: Como já dito, apesar de uma autarquia ser uma entidade pública, ela conta com controle financeiro próprio, podendo esse estar sujeito à fiscalização do Estado ou não.

Quais são os principais tipos de Autarquia?

A autarquia pode ser classificada por sua capacidade administrativa, estrutura e nível federativo. A capacidade administrativa tem duas formas: a geográfica e a de serviço. Quando geográfica, a capacidade administrativa é genérica (Territórios Federais). Já a de serviço, possui capacidade administrativa específica, ou seja, ela é limitada ao determinado serviço que lhe foi atribuído por lei. 

Quando falamos sobre a classificação pela estrutura da autarquia, a mesma é subdividida em fundacionais e corporativas. As fundacionais são as de direito público dotadas de patrimônio ligado a um fim que irá beneficiar pessoas indeterminadas, por exemplo, Hospital das Clínicas, da Universidade de São Paulo. 

As autarquias corporativas são aquelas que fornecem um serviço de interesse público, porém apenas para os próprios associados, por exemplo, o Conselho Federal de Administração. 

E também existe o tipo de autarquias federativas, que podem ser: federais, estaduais, distritais e municipais. Esse tipo de instituição é estabelecida, respectivamente, pela União, pelos estados, pelo Distrito Federal e pelos municípios.

No próximo tópico vamos entender mais sobre cada categoria de autarquia federativa, explicando o que são e seus exemplos. 

Autarquia Federal

Uma autarquia é classificada como federal quando é uma entidade autônoma e descentralizada. Mesmo sendo fiscalizada pelo Governo Federal, esse tipo de autarquia possui recursos próprios e consegue ser independente em sua atividade.

Exemplo de autarquia Federal

No Brasil, o Instituto Nacional da Seguridade Social (INSS) é um dos principais exemplos de autarquia federal. O INSS é a instituição responsável tanto pela aposentadoria quanto por outros benefícios sociais do nosso país. Além disso, ela também auxilia aqueles que desejam ou precisam realizar uma aposentadoria antecipada

Sua finalidade é prestar um serviço estatal de seguridade social, recolhendo tributos e concedendo benefícios para quem precisa. Sendo assim, o INSS é classificado como uma autarquia federal.

Autarquia Estadual

À primeira vista, a autarquia estadual funciona de maneira parecida com a autarquia federal, porém sua fiscalização é realizada pelo governo Estadual. 

Exemplo de autarquia estadual

Como exemplos de autarquias estaduais, podemos citar a Unicamp e a USP, que estão dentro do âmbito da educação. 

Autarquia Distrital

Uma autarquia distrital possui o funcionamento comum a sua espécie, mas sua grande diferença está no fato de ser instituída exclusivamente pelo Distrito Federal. 

Exemplo de autarquia distrital

Temos como exemplo de autarquias distritais a Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAP), Serviço de Limpeza Urbana do Distrito Federal (SLU), a Fundação Jardim Zoológico de Brasília (ZOOLÓGICO), entre outros. 

Autarquia Municipal

Apesar de possuir a mesma lógica de uma autarquia federal, a autarquia municipal se diferencia por ser fiscalizada pelo governo Municipal.

Exemplo de autarquia municipal

Normalmente, esses serviços são prestados por um órgão, cada cidade possui a sua própria instituição desse tipo, e fiscalizados pela Prefeitura Municipal. Um exemplo é a Embasa (Empresa Baiana de Águas e Saneamento), responsável pelo serviço de esgoto da cidade de Salvador. 

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Aracy de Carvalho: Conheça a servidora do Itamaraty que salvou várias vidas no período entreguerras

A servidora do itamaraty que salvou várias vidas no período entreguerras

Apesar de as carreiras de diplomata e a de Oficial de Chancelaria serem bastante distintas entre si, é inegável que elas são indissociáveis. Essas duas profissões do serviço exterior brasileiro já andaram de mãos dadas e já foram representadas por grandes nomes da história do Brasil

Nesse texto, o Clipping homenageia Aracy de Carvalho, o “Anjo de Hamburgo”. Relacionando essa importante figura histórica com o cargo de Oficial de Chancelaria, pretendemos levar aos seus estudos para o concurso de Ofchan uma perspectiva humana dessa profissão e como ela já foi (e ainda pode ser) usada para salvar vidas e mudar o mundo.

Quem foi Aracy de Carvalho?

Aracy de Carvalho Guimarães Rosa nasceu em 1908 em Rio Negro (PR). No início da década de 1930, casou-se com o alemão Johann Eduard Ludwig Tess, mas logo depois se separou. A reprovação social em relação às mulheres separadas no país fez com que Aracy deixasse o Brasil e mudasse para a Alemanha. Lá, por falar fluentemente alemão, inglês e francês, ingressou no Consulado Brasileiro em Hamburgo, onde passou a ser chefe da Seção de Passaportes.

Na mesma época, Aracy conheceu João Guimarães Rosa, que trabalhava como cônsul adjunto na Alemanha. Mesmo já sendo um dos maiores nomes da literatura brasileira na época, é inegável que Aracy influenciou diversas obras de Rosa. 

Qual a importância de Aracy de Carvalho? 

Em 1938, durante a ditadura do Estado Novo, vigorava uma lei no Brasil que restringia o ingresso de judeus no país. Aracy, então, misturava os vistos com demais documentos para as assinaturas, possibilitando a aprovação do ingresso de diversos judeus. Filha de alemã sem ancestralidade judaica, Aracy estava a salvo das leis que passaram a impor severas restrições à existência dos judeus alemães. 

O diplomata potiguar João Almino, em seu livro “Entre facas, algodão” (2017), escreve sobre a importância de Aracy no trabalho de salvar inúmeras vidas: 

“É reconhecido hoje amplamente que sua mulher, Aracy, com seu conhecimento e autorização, ajudou a salvar muitos judeus que fugiam do nazismo para se abrigarem no Brasil”.

Em uma entrevista ao Jornal do Brasil em 1983, Aracy ainda revela a magnitude do seu compromisso ao apontar que o próprio João Guimarães Rosa hesitava mais do que ela: “Nunca tive medo. Quem tinha era o Joãozinho. Ele dizia que eu exagerava, mas não se metia”. 

O Legado de Aracy de Carvalho

Aracy é a única mulher brasileira a ter seu nome escrito no Jardim dos Justos entre as Nações, no Museu do Holocausto, em Israel. 

Em  2012, criou-se um projeto de lei para inscrever o nome de Aracy de Carvalho Guimarães Rosa no “Livro dos Heróis da Pátria”, depositado no Panteão da Liberdade e da Democracia, em Brasília. O nome de Aracy, no entanto, ainda consta na fila de espera para ingressar na lista. 

Mônica Schpun, no livro “Aracy de Carvalho e o resgate de judeus: trocando a Alemanha nazista pelo Brasil” (2011), responde a algumas questões importantes sobre a documentação da época. Schpun afirma que documentos do consulado de Hamburgo foram destruídos por Rosa, já então cônsul, e Aracy depois do rompimento de relações diplomáticas entre Brasil e Alemanha, em janeiro de 1942.

Aracy de Carvalho: Ofchan?

De acordo com o Itamaraty, o Oficial de Chancelaria é um servidor com formação superior que presta atividades de formulação, implementação e execução dos atos de análise técnica e gestão administrativa, necessários ao desenvolvimento da política externa brasileira.

Mesmo que não desempenhasse na época o cargo exato de “Oficial de Chancelaria”, Aracy punha em prática atividades atualmente desempenhadas por esses servidores públicos. Embora seja um cargo afeto a atribuições administrativas e bastante paperwork, a rotina de um Ofchan está naturalmente vinculada à vida de todos os nacionais brasileiros. 

É na assistência consular, área de atuação das mais conhecidas que são desempenhadas pelos Oficiais de Chancelaria, que eles contribuem com uma ampla gama de serviços públicos para a comunidade de brasileiros residentes no exterior.

A lista de nomes das pessoas que foram salvas por Aracy é mais um exemplo de como o serviço exterior brasileiro pode ser visto para além da burocracia e papelada: é também uma forma de fazer da profissão uma ferramenta para mudar e salvar vidas.

E você? Já está preparado para desempenhar o papel nobre e transformador como Oficial de Chancelaria do Ministério das Relações Exteriores? O Clipping está aqui para andar de mãos dadas com você nessa jornada.

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