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O Acordo de Bretton Woods

O acordo de Bretton Woods foi um acordo econômico assinado por vários países em julho de 1944, com o intuito de reorganizar o cenário econômico mundial.

Índice

Realizado na cidade de Bretton Woods, em New Hampshire, nos Estados Unidos, a Conferência Monetária e Financeira das Nações Unidas – que ficou conhecida como Conferência de Bretton Woods devido à cidade-sede do encontro – contou com a presença de representantes de 44 países.

O acordo firmado foi um marco na história mundial e redesenhou o funcionamento do capitalismo. Seus impactos reverberam no sistema econômico mundial até os dias de hoje e, logo, é um dos assuntos mais importantes quando se pensa em Economia, Diplomacia e Relações Internacionais. 

Por isso, vamos destrinchar um pouco mais a Conferência e o Acordo de Bretton Woods, assunto recorrente nas provas do CACD.

Contexto histórico do acordo de Bretton Woods

Até a Primeira Guerra Mundial, o sistema monetário em vigor na maioria dos países era o padrão-ouro: nesse sistema o valor das moedas tinha origem no preço da commodity e seus valores e as taxas de câmbio eram garantidos.

Porém, na década de 40, após Primeira Grande Guerra, a Depressão de 1929 e a Segunda Guerra Mundial os governos lidavam com a recessão, a escassez de crédito, a produção industrial em queda e as reservas monetárias em risco, o que levou a um aumento expressivo de políticas protecionistas entre os países. Nessa atmosfera, o mercado mundial decrescia cada vez mais.

Com o intuito de estabelecer uma nova ordem para o comércio internacional e reaproximar as economias, em 1944, ainda durante a Segunda Guerra Mundial, foi realizada a Conferências de Bretton Woods. O encontro durou cerca de três semanas, mas as propostas discutidas já eram debatidas há algum tempo entre os projetistas, sendo os economistas John Maynard Keynes, representante britânico, e Harry Dexter White, representante norte-americano, os mais relevantes.

O que foi acordado na Conferência de Bretton Woods?

Para frear os prejuízos e reconstruir a economia global, a Conferência de Bretton Woods estabeleceu um sistema de regras cujo objetivo era regular a política econômica internacional e recuperar o crescimento dos países. 

Antes de tudo, era necessário garantir a estabilidade monetária das nações e, para isso, ficou estabelecido que cada país deveria manter a taxa de câmbio de sua moeda em paridade com o padrão dólar-ouro, com uma margem de manobra de cerca de 1%. 

O dólar americano estava atrelado ao valor do ouro em sua base fixa e foi definido como moeda padrão pois os Estados Unidos possuíam três-quartos das reservas mundiais do mineral. Além disso, a economia estadunidense era considerada a mais estável naquele período pós-guerra.

Juntamente com o estabelecimento da taxa de câmbio, no Acordo de Bretton Woods foram criadas duas multilaterais responsáveis por acompanhar o novo sistema financeiro e garantir a liquidez na economia: o Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento – BIRD (o atual Banco Mundial) e o Fundo Monetário Internacional – FMI.

Em resumo, o acordo assinado na Conferência de Bretton Woods determinou para a economia mundial os seguintes pontos:

a) aceitação do dólar como moeda internacional e conversível em ouro; 

b) livre conversibilidade das moedas nacionais entre si, a partir de uma paridade fixada em ouro ou em dólares; 

c) criação de instituições que sustentassem os acordos como o Fundo Monetário Internacional – FMI e BIRD.

O Acordo de Bretton Woods na prática

O sistema liberal acordado em Bretton Woods primava pelo mercado e pelo fluxo livre de comércio e capitais e, logo, serviu como base para o crescimento acelerado do capitalismo como modelo econômico

O FMI fornecia empréstimos em dólares para que as reservas de um determinado país fossem aumentadas e sua moeda fortalecida, contudo exigia medidas de austeridade na quitação das dívidas – como por exemplo privatizações e cortes nos gastos públicos.

Durante esse ciclo, os Estados Unidos se firmaram como a grande potência mundial a partir de sua supremacia industrial, tecnológica e militar juntamente com sua moeda regendo a economia e o fato de ser um dos maiores credores do BIRD e do FMI.

Após o Acordo de Bretton Woods o fenômeno da globalização ganhou traços mais firmes. O sistema econômico liberal estabelecido na conferência conseguiu sustentar e impulsionar o comércio internacional através da redução das barreiras ao desenvolvimento econômico por um longo tempo. 

Em 1971, o presidente norte-americano Richard Nixon quebra o sistema acordado em Bretton Woods devido à instabilidade do dólar, gerada pela grande demanda mundial por ouro.

O fim e o legado do Acordo de Bretton Woods 

Apesar de ter seu fim decretado oficialmente em 1971, o declínio do sistema acordado em Bretton Woods começou praticamente uma década antes, em 1960.

Devido aos grandes investimentos externos, a ajuda financeira dada a outras nações e os gastos militares, a balança de pagamento dos Estados Unidos foi afetada negativamente: as reservas de ouro norte-americanas diminuíram drasticamente.

A maior parte do déficit no balanço de pagamentos norte-americanos se deu pelo alto fluxo de capital para o exterior, em investimentos em setores econômicos e militares europeus, dentro do contexto da Guerra Fria, e com os gastos na Guerra do Vietnã (1965-1975). Entre os anos 60 e 70 os Estados Unidos adotaram uma série de medidas para minimizar esse déficit, como o aumento da taxa de juros de curto prazo, impostos para tornar mais cara a saída de dólares, restrições aos investimentos externos e à concessão de empréstimos por parte dos bancos norte-americanos. 

A partir de 1970 o fluxo de dólares para o exterior aumentou ainda mais, num movimento diametralmente oposto ao das reservas do país, que caíram radicalmente. Diante da instabilidade da moeda, em 1971 o presidente Nixon suspendeu a conversibilidade do dólar em ouro, num movimento que ficou conhecido como Nixon Shock.

A partir deste momento, as taxas cambiais passaram a flutuar conforme o mercado e as decisões dos governos.

Não obstante o fim do acordo, o legado de Bretton Woods ainda é claro na economia mundial: mesmo que não institucionalizado, ainda se vive um sistema monetário semelhante àquele definido em 1944; o FMI e o BIRD – agora conhecido como Banco Mundial – permanecem em funcionamento e, apesar de não estar mais atrelado ao ouro, o dólar continua sendo a moeda hegemônica nas reservas mundiais e a referência de todo o sistema financeiro corrente.

Como o Acordo de Bretton Woods é cobrado no CACD

O Acordo de Bretton Woods é uma das matérias que caem no CACD, nas provas de História mundial e que pode ser cobrada, mesmo que indiretamente, naquelas de Política Internacional, Geografia e Economia. Portanto, interessados no Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata devem estudar essas disciplinas e as demais bibliografias indicadas no Edital.

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