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Lanterna na Popa: 6 curiosidades sobre Roberto Campos

Roberto Campos e Lanterna na Popa

A luz que a experiência nos dá é a de uma lanterna na popa, que ilumina apenas as ondas que deixamos para trás. É com esse trecho de Samuel Coleridge que Roberto abre sua clássica biografia. Falaremos nesse post sobre algumas curiosidades sobre Roberto e o Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD).

Quem foi Roberto Campos?

Roberto Campos foi um economista, política e diplomata brasileiro.

Roberto Campos nasceu em Cuiabá (MT) formou-se em Filosofia e Teologia após ter estudado nos seminário católico de Guaxupé (MG) e Belo Horizonte. De origem humilde, foi reprovado em uma série de concursos públicos e foi impedido de tentar vários outros pois sua formação como seminarista não era aceita como um curso superior. Inscreveu-se no concurso de diplomata pois era um dos concursos que, curiosamente, à época não exigia formação superior.

Aprovação no concurso da diplomacia

Foi aprovado na primeira tentativa e ingressou no Itamaraty em 1938.

Passei no concurso do Itamaraty como sétimo colocado, no grupo que se tornou depois famoso como o grupo dos 18 do Forte. O concurso tinha sido uma batalha acadêmica. Estava acostumado a conseguir a primeira classificação em nos cursos do seminário, sentia-me mentalmente humilhado com o sétimo lugar. Essa frustração era apenas atenuada pelo fato de que todos os classificados à minha frente era repetentes do concurso. (…) Não tendo dinheiro para pagar “cursinhos”, estava em desvantagem competitiva. Estava melhor em línguas. Dominava bem o francês. Faltava-me o inglês, obrigatório no exame. Li incansavelmente a gramática e, com o auxílio de dicionários, penetrei nos escaninhos da literatura clássica inglesa. Para treinar o ouvido, metia-me horas no cinema, de olhos fechados, resistindo à tentação de ler as legendas. Continuei com péssima pronúncia e tive desagradáveis surpresas. Quando desembarquei em Washington rumo a meu primeiro posto, cheio de citações clássicas, mal conseguia entender o inglês coloquial (Roberto Campos em Laterna na Popa)

Atuação na diplomacia e para além dela

Como cônsul de terceira classe, trabalhou sucessivamente no almoxarifado, na Divisão de Códigos e no Departamento Econômico do Itamaraty.

Só em 1942 foi nomeado para o seu primeiro posto no exterior, na seção comercial da embaixada do Brasil em Washington, onde paralelamente passou a estudar economia na Universidade George Washington. Em 1944, integrou a delegação brasileira à Conferência de Bretton Woods, nos EUA, tendo presenciando os acordos então estabelecidos deram origem ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e ao Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD).

Aa década de 50 marca o início de sua atuação técnica junto a diversos governos. Integrou a assessoria económica de Getúlio Vargas. No governo JK, foi presidente do BNDES e teve importante papel no desenho do Plano de Metas. No governo Castelo Branco, foi um dos responsáveis pelo PAEG (1964) junto a Octavio de Bulhões. Como parlamentar atuou por 4 pleitos, 8 anos como senador por Mato Grosso e 8 anos como deputado pelo Rio de Janeiro. No auge do plano Cruzado, durante o governo Sarney, foi uma das poucas vozes críticas ao plano.

Lanterna na Popa:

Sua extensa carreira é detalhada biografia Lanterna na Popa e também o verbete no sobre Roberto Campos no Centro de Pesquisa e Documentação Histórica da FGV são excelentes fontes para explorar mais sua atuação.

6 curiosidades anedótica sobre Roberto Campos rumo ao Itamaraty

O autor do trecho acima é Roberto Campos. O excerto foi tirado da sua biografia Lanterna da Popa. Roberto Campos tem uma trajetória interessantíssima repleta de anedotas bizarras:

  1. Reprovado no concurso para escriturário do serviço público por falhar na prova de digitação.
  2. não pode se inscrever em uma série de concursos públicos porque sua formação de seminarista não era aceita como curso superior, o que o colocava, nas suas palavras, na condição de “um analfabeto erudito”.
  3. Roberto Campos resolveu tentar o Itamaraty como um plano B, pois à época ter um curso superior não era um dos requisitos para a carreira diplomática.
  4. Passou no concurso de 1938 na primeira tentativa. Ficou no sétimo lugar. De acordo com sua biografia, isso o deixou bastante decepcionado!)
  5. Passou no concurso de diplomata não sabendo falar Inglês.
  6. Não tinha noções básica de Economia quando ingressou no Itamaraty.

Tudo isso não impediu, no entanto, que Roberto Campos se tornasse um dos mais respeitados economistas brasileiros, um dos idealizadores do BNDES. E também não o impediu de servir em 1961 como Embaixador nos EUA, um dos cargos de maior destaque da Casa.

Claro que ninguém aqui está dizendo para você não estudar Inglês nem Economia

A mensagem que Roberto Campos deixa é que cada um tem sua trajetória e cada trajetória tem suas dificuldades específicas. Mas isso não deve ser desculpa para não trabalhar pesado para alcançar seus objetivos, certo?

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