Os principais acordos climáticos estruturam a resposta internacional ao aquecimento global nas últimas décadas. Mais do que compromissos ambientais, esses instrumentos refletem disputas políticas, assimetrias econômicas e diferentes níveis de responsabilidade histórica pelas emissões de gases de efeito estufa.
Para o candidato ao Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD), compreender essa evolução não é apenas uma questão de atualidades: trata-se de um tema recorrente em Política Internacional, Geografia e até Economia.
Neste artigo, você verá como esses acordos se articulam, quais são seus mecanismos centrais e por que ainda enfrentam dificuldades para atingir seus objetivos.
- A construção dos principais acordos climáticos
- Protocolo de Montreal (1987)
- Convenção-Quadro da ONU sobre Mudança do Clima (1992)
- Protocolo de Quioto (1997 / 2005)
- Acordo de Paris (2015)
- O papel das COPs nos principais acordos climáticos
- O que diz a ciência sobre o aquecimento global
- O principal impasse dos acordos climáticos
- Como os principais acordos climáticos caem no CACD
A construção do regime climático internacional
A governança climática global não surgiu de forma abrupta. Ela foi construída gradualmente, a partir de acordos que ampliaram o escopo da cooperação internacional.
1. Protocolo de Montreal (1987)
Embora voltado à proteção da camada de ozônio, o Protocolo de Montreal é frequentemente citado como um dos acordos ambientais mais bem-sucedidos da história.
Ele estabeleceu a eliminação progressiva dos CFCs (clorofluorcarbonos), responsáveis pela destruição da camada de ozônio. Posteriormente, a Emenda de Kigali (2016) incluiu a redução dos HFCs, gases com alto potencial de aquecimento global.
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Apesar de não ser um acordo climático em sentido estrito, contribuiu significativamente para a mitigação do aquecimento global.
2. Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (1992)
A UNFCCC é o principal marco institucional do regime climático internacional.
Seu objetivo central é:
estabilizar as concentrações de gases de efeito estufa em níveis que evitem interferência perigosa no sistema climático.
Ela introduz um princípio fundamental:
➡️ Responsabilidades comuns, porém diferenciadas e respectivas capacidades (CBDR-RC)
Esse princípio reconhece que:
todos os países devem agir, mas os países desenvolvidos têm maior responsabilidade histórica.
A Convenção também criou a COP (Conferência das Partes), principal fórum de negociação climática, realizado anualmente desde 1995.
Te explicamos o que é a COP nesse post aqui.
Do Protocolo de Quioto ao Acordo de Paris: mudança de paradigma
A evolução dos principais acordos climáticos fica mais clara quando comparamos Quioto e Paris.
3. Protocolo de Quioto (1997 / em vigor desde 2005)
O Protocolo de Quioto foi o primeiro instrumento a estabelecer metas obrigatórias de redução de emissões.
Principais características:
- Metas legalmente vinculantes
- Aplicáveis apenas a países desenvolvidos (Anexo I)
- Redução média de pelo menos 5% em relação aos níveis de 1990 (2008–2012)
Também criou mecanismos de mercado, como:
- Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL)
- Comércio de emissões
O Brasil foi o proponente do MDL em Quioto e é um dos principais defensores do financiamento para conservação de florestas tropicais, como o Fundo Amazônia e o novo fundo Tropical Forest Forever (TFFF) proposto na COP28.
4. Acordo de Paris (2015)
O Acordo de Paris representa uma mudança estrutural na governança climática.
Seus objetivos principais são:
- limitar o aquecimento global a bem abaixo de 2°C
- envidar esforços para limitá-lo a 1,5°C
Diferentemente de Quioto:
- todos os países apresentam metas (NDCs)
- não há metas impostas de cima para baixo
- o foco está em transparência e revisão periódica
➡️ A cada cinco anos ocorre o balanço global (global stocktake), o primeiro ocorreu na COP28 (Dubai).
O papel das COPs e os avanços recentes
Desde 2015, os compromissos climáticos têm sido reforçados nas COPs.
Alguns avanços relevantes:
- COP26 (Glasgow): compromisso global para reduzir emissões de metano em 30% até 2030
- COP27: criação do Fundo de Perdas e Danos
- COP28: operacionalização inicial do fundo com apoio de grandes economias
- COP29: promessas de ampliação do financiamento climático
Apesar disso, persistem desafios:
- dificuldade em reduzir o uso de combustíveis fósseis
- lacunas entre metas anunciadas e ações concretas
- financiamento insuficiente para países em desenvolvimento
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O que diz a ciência sobre o aquecimento global
O avanço dos principais acordos climáticos ocorre em paralelo ao fortalecimento do consenso científico.
Segundo o IPCC:
- o aquecimento global é inequívoco
- a principal causa são atividades humanas
- os impactos já são observáveis em escala global
Entre os principais efeitos:
- aumento da frequência de eventos extremos
- elevação do nível do mar
- perda de biodiversidade
- impactos na segurança alimentar
Dados recentes indicam que a temperatura média global já se aproxima de 1,5°C acima dos níveis pré-industriais, limite crítico estabelecido no Acordo de Paris.
O principal impasse dos acordos climáticos
Um dos pontos cobrados no CACD é o conflito entre países desenvolvidos e em desenvolvimento.
Países em desenvolvimento argumentam que os países ricos são responsáveis pela maior parte das emissões históricas, seu desenvolvimento ocorreu sem restrições ambientais. Portanto, devem liderar esforços e financiar a transição.
Esse debate influencia diretamente:
- metas climáticas
- financiamento internacional
- transferência de tecnologia
Como o tema cai no CACD
Os principais acordos climáticos aparecem no CACD de forma transversal.
Você pode encontrar questões sobre:
- diferenças entre Quioto e Paris
- princípios da UNFCCC
- papel das COPs
- mecanismos de financiamento climático
- relação entre desenvolvimento e emissões
Conclusão
Os principais acordos climáticos revelam tanto avanços importantes na cooperação internacional quanto limitações estruturais da governança global.
Se, por um lado, houve evolução significativa — especialmente com o Acordo de Paris —, por outro, ainda há um descompasso entre compromissos assumidos e resultados concretos.
Para o candidato ao CACD, dominar esse tema significa entender não apenas o conteúdo dos acordos, mas também as tensões políticas que moldam sua implementação.
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