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Principais acordos climáticos: como evoluiu a cooperação internacional contra o aquecimento global

Capa - Blog - Principais acordos climáticos

Os principais acordos climáticos estruturam a resposta internacional ao aquecimento global nas últimas décadas. Mais do que compromissos ambientais, esses instrumentos refletem disputas políticas, assimetrias econômicas e diferentes níveis de responsabilidade histórica pelas emissões de gases de efeito estufa.

Para o candidato ao Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD), compreender essa evolução não é apenas uma questão de atualidades: trata-se de um tema recorrente em Política Internacional, Geografia e até Economia. 

Neste artigo, você verá como esses acordos se articulam, quais são seus mecanismos centrais e por que ainda enfrentam dificuldades para atingir seus objetivos.

A construção do regime climático internacional

A governança climática global não surgiu de forma abrupta. Ela foi construída gradualmente, a partir de acordos que ampliaram o escopo da cooperação internacional.

1. Protocolo de Montreal (1987)

Embora voltado à proteção da camada de ozônio, o Protocolo de Montreal é frequentemente citado como um dos acordos ambientais mais bem-sucedidos da história.

Ele estabeleceu a eliminação progressiva dos CFCs (clorofluorcarbonos), responsáveis pela destruição da camada de ozônio. Posteriormente, a Emenda de Kigali (2016) incluiu a redução dos HFCs, gases com alto potencial de aquecimento global.

👉 Por que isso importa para o clima?
Apesar de não ser um acordo climático em sentido estrito, contribuiu significativamente para a mitigação do aquecimento global.

2. Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (1992)

A UNFCCC é o principal marco institucional do regime climático internacional.

Seu objetivo central é:

estabilizar as concentrações de gases de efeito estufa em níveis que evitem interferência perigosa no sistema climático.

Ela introduz um princípio fundamental:

➡️ Responsabilidades comuns, porém diferenciadas e respectivas capacidades (CBDR-RC)

Esse princípio reconhece que:

todos os países devem agir, mas os países desenvolvidos têm maior responsabilidade histórica.

A Convenção também criou a COP (Conferência das Partes), principal fórum de negociação climática, realizado anualmente desde 1995.

Te explicamos o que é a COP nesse post aqui. 

Do Protocolo de Quioto ao Acordo de Paris: mudança de paradigma

A evolução dos principais acordos climáticos fica mais clara quando comparamos Quioto e Paris.

3. Protocolo de Quioto (1997 / em vigor desde 2005)

O Protocolo de Quioto foi o primeiro instrumento a estabelecer metas obrigatórias de redução de emissões.

Principais características:

  • Metas legalmente vinculantes
  • Aplicáveis apenas a países desenvolvidos (Anexo I)
  • Redução média de pelo menos 5% em relação aos níveis de 1990 (2008–2012)

Também criou mecanismos de mercado, como:

  • Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL)
  • Comércio de emissões

O Brasil foi o proponente do MDL em Quioto e é um dos principais defensores do financiamento para conservação de florestas tropicais, como o Fundo Amazônia e o novo fundo Tropical Forest Forever (TFFF) proposto na COP28.

4. Acordo de Paris (2015)

O Acordo de Paris representa uma mudança estrutural na governança climática.

Seus objetivos principais são:

  • limitar o aquecimento global a bem abaixo de 2°C
  • envidar esforços para limitá-lo a 1,5°C

Diferentemente de Quioto:

  • todos os países apresentam metas (NDCs)
  • não há metas impostas de cima para baixo
  • o foco está em transparência e revisão periódica

➡️ A cada cinco anos ocorre o balanço global (global stocktake), o primeiro ocorreu na COP28 (Dubai).

O papel das COPs e os avanços recentes

Desde 2015, os compromissos climáticos têm sido reforçados nas COPs.

Alguns avanços relevantes:

  • COP26 (Glasgow): compromisso global para reduzir emissões de metano em 30% até 2030
  • COP27: criação do Fundo de Perdas e Danos
  • COP28: operacionalização inicial do fundo com apoio de grandes economias
  • COP29: promessas de ampliação do financiamento climático

Apesar disso, persistem desafios:

  • dificuldade em reduzir o uso de combustíveis fósseis
  • lacunas entre metas anunciadas e ações concretas
  • financiamento insuficiente para países em desenvolvimento

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O que diz a ciência sobre o aquecimento global

O avanço dos principais acordos climáticos ocorre em paralelo ao fortalecimento do consenso científico.

Segundo o IPCC:

  • o aquecimento global é inequívoco
  • a principal causa são atividades humanas
  • os impactos já são observáveis em escala global

Entre os principais efeitos:

  • aumento da frequência de eventos extremos
  • elevação do nível do mar
  • perda de biodiversidade
  • impactos na segurança alimentar

Dados recentes indicam que a temperatura média global já se aproxima de 1,5°C acima dos níveis pré-industriais, limite crítico estabelecido no Acordo de Paris.

O principal impasse dos acordos climáticos

Um dos pontos cobrados no CACD é o conflito entre países desenvolvidos e em desenvolvimento.

Países em desenvolvimento argumentam que os países ricos são responsáveis pela maior parte das emissões históricas, seu desenvolvimento ocorreu sem restrições ambientais. Portanto, devem liderar esforços e financiar a transição.

Esse debate influencia diretamente:

  • metas climáticas
  • financiamento internacional
  • transferência de tecnologia

Como o tema cai no CACD

Os principais acordos climáticos aparecem no CACD de forma transversal.

Você pode encontrar questões sobre:

  • diferenças entre Quioto e Paris
  • princípios da UNFCCC
  • papel das COPs
  • mecanismos de financiamento climático
  • relação entre desenvolvimento e emissões

Conclusão

Os principais acordos climáticos revelam tanto avanços importantes na cooperação internacional quanto limitações estruturais da governança global.

Se, por um lado, houve evolução significativa — especialmente com o Acordo de Paris —, por outro, ainda há um descompasso entre compromissos assumidos e resultados concretos.

Para o candidato ao CACD, dominar esse tema significa entender não apenas o conteúdo dos acordos, mas também as tensões políticas que moldam sua implementação.

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