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Série Diplomacia & Relações Internacionais: A revolução de 1905 | Domingo Sangrento

Em 9 de janeiro de 1905, no calendário juliano, aconteceu o massacre da população de São Petersburgo, em nome do imperador russo Nicolau II. 

A Revolução de 1905, teve seu início após uma manifestação pacífica da população, conhecida como O Domingo Sangrento, reivindicando maior abertura da Rússia e melhorias na vida dos trabalhadores. Como resposta à manifestação, as tropas que protegiam o palácio do imperador massacraram os participantes do ato.  

Índice

Contexto histórico da Revolução de 1905

Durante o século XX, a Rússia passava por uma monarquia chamada de czarismo. Semelhante a uma monarquia absolutista, os representantes do czarismo estavam no poder do país desde o século XVII e faziam parte da dinastia Romanov. Além disso, o imperador da Rússia na época, Nicolau II, detinha o poder autocrático no país, usando a polícia para perseguir seus opositores e censurar a imprensa.

Além da falta de liberdade na política, o país também passava por problemas econômicos derivados de sua lentidão para se industrializar, criando polos industriais apenas no final do século XIX. Como era de se esperar, pela falta de incentivo, o processo de industrialização russo não caminhou junto de investimentos ao seu desenvolvimento agrícola, criando uma ineficiência na sua produção e, consequentemente, agravando a situação da população mais pobre. 

  • A desigualdade social e as ideias socialistas

A maior parte da população do país, formada por camponeses e trabalhadores operários, sofria as consequências da ineficiência do governo. O povo era a maior vítima da desigualdade social da Rússia, enfrentando a fome e a miséria.  Com a pobreza e o autoritarismo crescendo no país, a população começou a dar espaço para as ideias socialistas, vindas do Partido Operário Social-Democrata Russo (POSDR). Logo, o partido tornou-se forte entre o movimento operário e as classes mais baixas. Um dos grupos de atuação do POSDR, eram os eram os bolcheviques, que eram inspirados pelas ideias de Karl Marx e defendiam a revolução pela via armada.

A Causa do Domingo Sangrento

Apesar de ter uma certa popularidade entre o povo, Nicolau II governava um país que passava por grandes problemas estruturais e políticos, criando uma tensão e insatisfação nos mais pobres.  No final de 1904, a demissão de quatro trabalhadores de uma fábrica em São Petersburgo, na capital da Rússia, foi o estopim para que o Domingo Sangrento acontecesse. 

As demissões foram feitas sem justificativas convincentes, incomodando a classe dos operários de São Petersburgo. Inclusive, os quatro trabalhadores que perderam seus trabalhos faziam parte de uma associação de trabalhadores formada por ex-marxistas, a Assembleia dos Operários Fabris Russos, o que ocasionou uma greve geral entre grande parte dos operários da cidade. 

Mesmo com uma tentativa de negociação, os trabalhadores não conseguiram ser readmitidos na fábrica. Desse modo, o líder da Assembleia dos Operários Fabris Russos, o padre ortodoxo chamado Gueorgui Gapon, decidiu mobilizar os trabalhadores insatisfeitos em uma marcha pelas ruas de São Petersburgo.

A Marcha em São Petersburgo

No dia 9 de janeiro de 1905, Gueorgui Gapon, convocou a população a uma marcha que iniciaria nas ruas de São Petersburgo até a residência do imperador Nicolau II, o Palácio de Inverno. O maior propósito da manifestação seria a apresentação de uma petição para o imperador, onde os trabalhadores pediam por reformas no país. As solicitações eram o aumento dos salários dos trabalhadores, a redução da jornada de trabalho, a abertura política no país, como também a publicação de uma constituição e eleições livres.

A manifestação era pacífica, muitos dos presentes eram defensores de Nicolau II e até carregavam imagens do imperador na marcha, como uma homenagem. Outros, levavam consigo imagens de santos e entoavam hinos patrióticos e canções religiosas, já que a Rússia era um país majoritariamente ortodoxo.

Porém, o imperador não recebeu a notícia da manifestação de bom grado. Além de não comparecer ao recebimento da petição dos trabalhadores, Nicolau II, autorizou que os soldados que estavam de guardas no palácio, abrissem fogo contra os manifestantes. Com o ataque violento das tropas russas, a marcha da população se tornou um grande massacre. 

Estima-se que no Domingo Sangrento, como ficou conhecida a passeata dos civis, pelo menos 130 pessoas morreram, porém as informações não são precisas, e há estatísticas que apontam a morte de mais de 1000 pessoas nesse dia. De todo modo, a violência que se espalhou pelas ruas de São Petersburgo foi de extrema crueldade, e acredita-se que a ação tenha sido proposital e que tudo aconteceu com a permissão de Nicolau II.

As Consequências do Domingo Sangrento 

A violência desnecessária em uma manifestação pacífica chocou a sociedade da época e tornou O Domingo Sangrento um marco na história da Rússia. Após o massacre,  Nicolau II tornou-se mal visto pelo povo, que passou a lhe chamar de Nicolau, o Sangrento.

Como já era de se imaginar, as insatisfações da população aumentaram, transformando o Domingo Sangrento no estopim para que protestos se espalhassem pelas grandes cidades da Rússia. Apesar da revolta do povo ter eclodido pela indignação com o Domingo Sangrento, a sociedade lidava com outros motivos para que a insatisfação popular crescesse, como a pobreza, o autoritarismo da monarquia e a derrota na Guerra Russo-Japonesa.

O Ensaio Geral, como ficaram conhecidos os protestos que aconteceram no país em 1905, teve grande papel de inspiração para o início da Revolução Russa, em 1917. 

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