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Por dentro da ABIN: Fernando Mesquita fala da carreira na Agência de Inteligência

Capa - Blog - agente de inteligência abin

Já imaginou ser um Agente de Inteligência da ABIN, a Agência Brasileira de Inteligência? A ABIN tem um papel estratégico no Brasil, fornecendo análises e informações essenciais ao presidente da República e seus ministros. Mas como é, de fato, atuar nessa área?

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Para responder a essa pergunta, entrevistamos Fernando Mesquita, que serviu como Agente de Inteligência na ABIN por seis anos. Além disso, Fernando acumulou 14 aprovações em concursos públicos ao longo de 11 anos, incluindo a cobiçada Câmara dos Deputados, onde está lotado atualmente. 

Com uma trajetória sólida como escritor e palestrante especializado em concursos, ele compartilhou insights valiosos sobre a carreira na ABIN e o caminho para a aprovação.

Confira a entrevista completa abaixo!

“Vivemos no Brasil essa cultura de concursos públicos e é não só natural como também constitucional que cargos públicos sejam preenchidos mediante concurso. Porém, concurso público para agente secreto? Muita gente vê uma contradição nisso. O melhor mecanismo de seleção para agentes secretos é um concurso público cujo resultado é divulgado no DOU?”

Existe essa dicotomia de fato. Existe uma necessidade de sigilo e de especialização ao mesmo tempo em que a regra do concurso público precisa ser seguida. 

Entretanto, embora o resultado seja divulgado no DOU, ultimamente somente as inscrições no concurso são usadas como referência e, para as próprias movimentações dentro da agência é usada a matrícula do servidor, não seu nome.

A necessidade de sigilo (especialmente) é importante, mas não pode se sobrepor a conquistas importantes, como essa da transparência que, embora vigente, ainda enfrenta tanta resistência, não só no âmbito da ABIN. 

O Brasil é um país de amigos do rei, e acho que as iniciativas no sentido de frear o ímpeto dos dirigentes de tratar o público como privado são fundamentais, até que isso se fortaleça como comportamento padrão. Estamos longe ainda.

“Corrija o Clipping se estivermos errado, mas você disse que a ABIN é uma opção interessante para quem souber lidar com os problemas estruturais e culturais da Agência. O que você quer dizer exatamente com isso?”

Sim, disse. A ABIN pode ser um órgão complicado. Toda característica de construção histórica da cultura influencia na forma como esse órgão vai se relacionar com os servidores. 

A formação cultural da ABIN é muito rica e extensa, e muito permeada por influências militares. Claro que isso vai ter seu custo, que vai desde a forma como algumas pessoas se comunicam até a forma como tratam as demandas humanas.

Esses problemas estruturais estão ligados principalmente à movimentação de servidores, a iniciativas de qualidade de vida e à posição que cada colaborador ocupa na escala de decisão sobre um determinado assunto.

Para se fazer um comparativo, quando entrei na Câmara dos Deputados, em nossa cerimônia de posse o Diretor-Geral à época afirmou que “se tivermos dois caminhos e um deles for melhor para os servidores, optaremos por esse”. Não sei se seria o caso na ABIN, até porque essa não era a mentalidade vigente quando trabalhei lá. 

Não posso entrar em detalhes específicos, mas a agência, na minha opinião, deixa bastante a desejar na gestão dos recursos humanos. O progresso foi feito, mas ainda há um imenso caminho a percorrer.

“Já falamos no Clipping sobre como esse concurso da ABIN é um dos concursos mais aguardados dos últimos anos. Dá para se preparar sem Edital? Como?”

Com certeza dá. Não acredito que o próximo edital venha muito diferente do anterior. Claro, sempre devemos esperar mudanças de uma prova para a outra, mas o candidato que usar a linha da prova de 2008 para a próxima estará bem preparado. 

É necessário ampliar os conhecimentos, sim, e estudar um pouco além do que está previsto lá, até porque essa é uma das vantagens para quem estuda antes do edital, mas o caminho é aquele.

>> Veja quais foram os temas mais cobrados na prova da ABIN 2018!

Imagem sobre os temais mais cobrados na ABIN 2018, compõe o post sobre agente de inteligência da abin

“Assim como a carreira diplomática, a carreira de oficial de inteligência na ABIN é bastante idealizada e acaba atraindo muitos candidatos, sobretudo aqueles com uma inclinação a concursos da área policial. Para muitos o concurso da ABIN é o concurso para 007 brasileiro. Que conselho você daria para a pessoa que está na dúvida se vale a pena investir na ABIN?”

Há uma necessidade de se recalibrar a expectativa em relação ao que se vai encontrar no trabalho lá. Lembro-me de quando eu estava estudando para a prova e entrava em fóruns e via um monte de gente fazendo conjecturas sobre o trabalho, sobre o que seria ou não seria. São vários cegos tentando indicar o caminho uns para os outros.

O trabalho lá certamente tem suas partes interessantes, mas Inteligência trata de muita leitura e escrita (na análise) e de muita preparação e espera (em operações).

É um local interessantíssimo para se trabalhar, desde que a pessoa seja psicologicamente centrada. Quando fui fazer meu exame admissional com a psiquiatra, ela perguntou “qual órgão”, eu respondi e ela disse “nossa, cuidado. Tenho muitos pacientes que trabalham lá”. Isso tudo, claro, não é para fazer ninguém passar medo, mas as pessoas entram com expectativas tão absurdas que é muito fácil entrar em parafuso.

Algumas pessoas querem entrar e pedir remoção em 1 ano. Outras acham que vão sair atirando e prendendo gente. Outras acham que vão se realizar em sua plenitude profissionalmente por meio de um cargo.

Não é o perfil do órgão, e ninguém deveria entrar no serviço público com essa expectativa. A modulação da expectativa vai ser um dos pontos mais importantes para quem quiser entrar lá. Não para o concurso, essa é a parte fácil, mas para a carreira.

Eu diria para a pessoa que estude muito e bem (é um concurso sofisticado, que pega muitos candidatos da diplomacia). Crie um “avatar“, que é o melhor oficial de inteligência que você conhece. O que ele faz, o que lê, como se comporta, pelo que se interessa? Como ele teria se preparado para essa prova? Por mais que essa abordagem possa instigar exageros, a criação de modelos nos ajuda nessas atividades pouco estruturadas.

Diria que chegue de coração aberto para as funções que vão ser desenvolvidas. Elas provavelmente serão muito diferentes daquilo que você espera, e a preparação para o concurso é só a menor parte do que você vai fazer ao longo da carreira. 

Depois de passar, você ainda tem 30-35 anos (quiçá 40-45 com as reformas que vêm por aí) pela frente trabalhando nisso. E é provável que você assuma muitos papéis ao longo desse tempo. Qualquer expectativa será equivocada, então vá de coração aberto.

O curso de formação mudou minha vida, aprendi coisas que só teria aprendido lá, conheci pessoas muito interessantes, ouvi histórias que não seriam possíveis em outros lugares. 

Pensando retrospectivamente, se eu não tivesse chegado com tantas expectativas (quanto aquelas que peço que o candidato não alimente), talvez tivesse me concentrado mais nos aspectos positivos e pudesse extrair ainda mais de uma carreira que, considero, já foi bastante intensa.

Existe uma relação difícil entre os servidores fora da carreira, e os da carreira. E, nesse último grupo, entre oficiais e oficiais técnicos e entre agentes e agentes técnicos. E com todas as combinações possíveis. A ABIN inflama egos (mais do que o setor público em geral) e dá uma falsa sensação de poder e de importância a algumas pessoas. É necessária muita habilidade para navegar de forma fluida por lá.

E, um detalhe importante: se eu fosse sugerir algo importante, sugeriria que a pessoa não prestasse concurso para cargos de nível médio, que não são muito valorizados lá.

“Além de candidatos à ABIN, temos no Clipping muitos candidatos à diplomacia. Seu método de estudos em ciclos vem despertando atenção tanto de candidatos de nível médio quanto superior. Mas será que ele funcionaria em  concursos de alta complexidade que demandam um estilo de preparação bastante específico como é o caso do Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata?”

Quando criei o Ciclo EARA, parti do pressuposto que há atividades essenciais que precisam ser seguidas caso o candidato deseje realmente aprender. Meu foco aqui era o aprendizado, mas o aprendizado voltado para exames e testes. Surgiu a metodologia que envolve Estudos, Aplicação, Revisão e Adaptação, que eu detalho nos conteúdos que publico e no meu segundo livro.

Tenho acompanhado ao longo dos anos histórias de pessoas que usaram o Ciclo para, além de passar em concursos, aprender idiomas, lutas, música, estudar para mestrados e doutorados. Tudo isso me deixa imensamente feliz e mostra que o sistema, por ser simples e adaptável, atende diversas aplicações do aprendizado.

Certamente, por ser de alta complexidade, o candidato à diplomacia seria ainda mais beneficiado com o uso do Ciclo EARA, exatamente porque os ganhos são proporcionais à extensão do conteúdo. 

Em conteúdos pequenos, até estudos temerários podem ser suficientes, mas conforme aumenta a dificuldade da prova, aumenta também a necessidade de se ter um estudo cada vez mais profissional, que é um conceito de que gosto bastante.

“Em entrevista ao Clipping, o Prof. Joanisval Brito falou sobre a necessidade do estudo constante de atualidades para o concurso ABIN, visto que a atividade de inteligência demanda capacidade de análise e conhecimentos de relações internacionais, política, direito e economia. Fica para você a pergunta clássica que fazemos a todos os entrevistados nossos: se lhe fosse dada autonomia completa para reformular o processo seletivo para a ABIN. O que mudaria?”

Não só atualidades, como conhecimentos gerais e de uma forma bastante intensa. Quanto mais dados você tem, mais fácil é construir informações.

Para nível médio, eu provavelmente não mudaria nada. Para nível superior, eu criaria uma prova em mais fases, incluindo idiomas (pelo menos uma prova mais complexa de inglês). 

Adicionaria um pré-prova, uma espécie de manual do candidato (como na diplomacia) que incluísse informações sobre a carreira. Isso ajudaria a balizar a expectativa dos candidatos e ajudaria a população a entender mais como a Inteligência funciona. 

Essa foi uma das minhas bandeiras quando estava no órgão: divulgar ao público aquilo que poderia ser divulgado, entrar em contato com a população. Felizmente, pude participar de algumas ações nesse sentido, mas ainda há muita demanda por informação.

Mas acredito que, no cenário que enfrentamos atualmente, a prova esteja mais ou menos adequada às possibilidades e às necessidades do órgão.

“Agora aquele momento bate-bola estilo De Frente com Gabi. Topas?”

Vamos lá.

“A banca mais complicada:”

Para mim? FGV. Para 99% do povo? Cespe.

“Um filme que te decepcionou:”

Putz, tantos. Mas o último Jason Bourne me mostrou que a franquia está meio batida.

“A situação mais bizarra que você já presenciou na Câmara:”

A votação da admissibilidade do impeachment.

“Um lugar em Brasília:”

Minha casa.

“Uma mania:”

Começar as frases com “Cara…”

“Um tipo de candidato chato:”

O sabichão que nunca passou em nada.

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Imagem sobre a plataforma do Clipping ABIN, que compõe o post sobre agente de inteligência da abin

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