Entrevista com diplomata Maurício Costa

Enquanto cai a madrugada e os candidatos sonham alto com a vaga, os refletores do Palácio do Itamaraty permanecem acesos. Maurício também. Em frente ao projetor que lança imagens sob a sua parede da sala, Maurício inicia a terceira parte de sua tripla rotina: a de crítico cinematográfico. A madrugada é o tempo que resta para intercalar os 10 filmes que costuma assistir semanalmente. Tendo sido aluno do crítico Pablo Villaça, Maurício escreve, também às madrugadas, os textos e resenhas críticas que vem publicando no seu blog Razão de Aspecto, que mantém junto a seu antigo colega de turma no IRBr e agora companheiro de profissão no Itamaraty, Daniel Guilarducci. Pela manhã e tarde, segue imerso em questões prioritárias para a agenda da PEB na Coordenação Geral de Assuntos Econômicos da América do Sul. E à noite, antes de se lançar aos filmes novamente, ainda acompanha com carinho a dramática novela de muitos de seus alunos de coaching na luta por uma vaga no MRE.  Veja como ficou nosso bate-papo

Além de diplomata de carreira, professor de Redação e orientador de Coaching; você se dedica à crítica cinematográfica no Razão de Aspecto. Celso Amorim dirigiu a Embrafilme no início da década de 80, chegou a trabalhar em alguns projetos com o cineasta Ruy Guerra. Edgard Telles Ribeiro, autor do clássico “O punho e a renda”, também é diplomata e cineasta. Por que parece haver sempre essa relação tão estreita entre o cinema e a diplomacia?
 

As duas atividades demandam muita sensibilidade daqueles que a exercem. Não se trata somente do cinema, mas também da literatura, da música e das artes.  Entre os grandes diplomatas artistas, estão Guimarães Rosa, Vinícius de Moraes, José Guilherme Merquior, por exemplo. De certa forma, o cinema e as demais formas de arte são cosmopolitas e universais, da mesma forma que a diplomacia. O mundo é, ao mesmo tempo, o espaço da narrativa cinematográfica e o da ação da diplomacia.

Aproveitando um pouco desse seu duplo métier, que bons filmes recomendaria para quem quer entender melhor os bastidores da diplomacia?
 

O melhor filme sobre diplomacia em todos os tempos foi Os Treze Dias que Abalaram o Mundo, que trata sobre a crise dos mísseis, lançado no ano 2000. Tempos e situações de crise extrema são sempre muito úteis para entender-se a necessidade da negociação e o sentido da diplomacia.  Este filme influenciou fortemente minha decisão de me tornar diplomata.

Recentemente, o Atlas inovou ao oferecer a modalidade de coaching. É uma metodologia bem diferente da oferecida pelos demais cursinhos preparatórios e da que o próprio Atlas oferecia até então. Essa mudança de método é algum reflexo na mudança no nível de concorrência do próprio CACD? Em que consiste o coaching?

Na verdade, o programa de coaching é oferecido pelo Atlas desde 2008, apesar de ter passado por diversas alterações de estrutura pedagógica, para adaptar-se àquilo que o CACD exige. Desde 2008, tivemos resultados excelentes, com mais de 30 alunos do programa aprovados e com o pódio completo: 1º colocado em 2010, segundo colocado em 2009, terceiro colocado em 2013. Em todos os anos, em todas as turmas, tivemos alunos do programa aprovados no CACD. 

O programa de coaching sempre atinge bons resultados porque tem um método coerente e consistente, cuja ênfase está no melhor resultado individual, e não no melhor produto comercial. Os princípios básicos são mantidos: ganhar densidade de conhecimento, aprofundar o conhecimento e consolidar o conhecimento. Essas etapas são cumpridas por meio de desenvolvimento de leituras básicas, de leituras específicas, de aulas selecionadas e da solução de exercícios, cada uma delas no tempo certo. Não ser pode precipitar as coisas: para testar seu conhecimento, ele precisa ser consistente. Por essa razão, desenvolvo método no qual os exercícios são formas de consolidação e de revisão do conhecimento, ao contrário de ser a forma de ganhar conhecimento. De nada adianta para os candidatos e candidatas superarem o TPS, mas fracassarem nas etapas posteriores por falta de consistência. Este é um erro muito comum, infelizmente. O programa tem três formatos diferentes: a) Coaching Regular: 3 módulos de 12 encontros cada, em grupo, além dos módulo de revisão e de terceira fase; b) Coaching Exclusivo: 24 encontros individuais de uma hora, com atendimento exclusivo e individual; c) Coaching bibliográfico: Listas mensais de 10 (dez) questões de C/E ou de múltipla escolha com gabarito comentado de todas as disciplinas do TPS. As listas mensais serão elaboradas com base em obras da bibliografia obrigatória: uma obra da bibliografia obrigatória de cada disciplina para cada lista.

O que torna o nosso programa de coaching irreproduzível é o acompanhamento individual, em diversos níveis, que permite a adaptação do cronograma e das tarefas de acordo com o rendimento e com as dificuldades de cada candidato. No módulo que se encerrou no dia 25 de novembro, por exemplo, tivemos alunos que cumpriram 10 tarefas, outros alunos cumpriram mais de 20, mas cada um deles cumpriu todo o programa de todas as disciplinas do TPS. Claro, se o rendimento for menor, as adaptações serão maiores. O programa, entretanto, não vende método padronizado e único, caso contrário, basta uma lista de leituras. Mantêm-se os princípios básicos, a coerência do método, a atualização dos temas e da bibliografia para o CACD, o auxílio na elaboração de toda a estratégia e no cronograma de estudos, a exigência de disciplina e de comprometimento. Assim, o programa tem ótimos resultados para o curso e para os seus alunos. Atualmente, estamos começando o terceiro módulo do coaching regular. O coaching exclusivo teve todas as vagas ocupadas, mas poderão ser abertas novas vagas em 2015. O coaching bibliográfico deverá ser oferecido no primeiro semestre de 2015.

A propósito, o Victor Toniolo, que foi seu aluno de coaching ano passado, escreveu um texto para o Clipping CACD sobre como funciona o trâmite do Edital. Você, que ficou famoso, por prever as notas de corte com precisão cirúrgica, não arriscaria um previsão da data do Edital?

 Aposto na primeira quinzena de janeiro, mas é apenas uma aposta. Não é uma informação.

Suas aulas telepresenciais para a preparação para prova de 2ª fase de redação são conhecidas pela ênfase no conteúdo, nas estruturas argumentativas, enquanto outros cursinhos dão mais ênfase à forma, às estruturas de gramática. Dizem que o candidato deve argumentar bem e escrever de acordo com uma das mais ortodoxas gramáticas – a do Celso Cunha. Mas na prática se você prima demais pela ortodoxia da forma fica meio travado para transmitir certas ideias. Como fica essa equação?

 Bem, para a segunda fase, não recomendo o uso da gramática de Celso Cunha, mas, sim da de Evanildo Bechara. Nesta etapa, o que está em questão em relação à forma é a norma culta. O texto tem de ser escrito com clareza, correção e coerência, para que seja entendido por qualquer falante da língua portuguesa. Não há espaço para coloquialismos, rebuscamento, jargão ou qualquer tipo de experimentalismo. O uso de figuras de linguagem deve se restrito ao máximo, de forma a evitar ambiguidades. Além disso, é imprescindível compreender que texto bem escrito é texto elaborado com fluidez. Os esquemas herméticos levam grande número de candidatos a terem resultados pífios nos aspectos macroestruturais
(conteúdo e estruturação), por serem extremamente simplistas. Como sempre esclareço nas minhas aulas e como esclareci em meu Manual de Redação – cuja primeira edição está esgotada -, o uso de listinhas de palavras proibidas, de fórmula fixa, de conclusões repetitivas e de argumentos superficiais e genéricos fazem candidatos com muito potencial escreverem muito pior do que poderiam.

Suas aulas ficaram famosas pelas impiedosas análises de espelhos de provas anteriores. Dá para ser “diplomático” diante de uma dissertação extremamente mal redigida?

Considerando diversos relatos dos milhares de alunos que já tive, não me considero impiedoso. Em todas as análises, procuro mostrar os defeitos, mesmo em redações excelentes, e os méritos, mesmo em textos de nível mais baixo. Procuro manter-me sempre na análise objetiva daquilo que está sendo discutido.

O Edital condena de forma explícita o uso de “fórmulas prontas e adestramento” na prova de redação. Mas não teria o próprio processo de preparação algo de “adestramento”? Muito do que se escreve na hora da prova de 2ª e até de 3ª etapa não chega a ser uma espécie de colagem, uma reprodução “adestrada” do que se escreveu ao longo dos exercícios nos cursos preparatórios para o CACD?

Esta é uma ótima pergunta. Minha resposta é não. Este é um dos maiores erros dos candidatos em todas as etapas discursivas. Ao adotarem essa estratégia, estarão sempre desperdiçando pontos preciosos para a sua classificação final. Se, nos concursos de 100 vagas, esta era uma estratégia arriscada, nos concursos a partir de 2011, passou a ser uma estratégia “suicida”. Não é mais suficiente alcançar a nota mínima ou ficar na média geral. Como menos de 80% de média, as chances de aprovação são muito reduzidas. Para fazer uma média tão alta, é preciso destacar-se.

Para destacar-se, suas respostas precisam ir além do adestramento, que é basicamente o mesmo para todos os candidatos. Para ir além do adestramento, precisa-se de densidade de conhecimento. Muitos candidatos e muitas candidatas já fizeram a terceira fase e a quarta fases diversas vezes e não conseguem ser aprovados por tentarem repetir a mesma fórmula que já não deu certo. Posso afirmar que meus alunos sabem o que não devem fazer e têm obtido excelentes resultados.

A mesma pergunta que fizemos ao João Daniel, o coordenador pedagógico do Clio, semana passada fazemos a você agora. Se você tivesse autonomia total para reformular o CACD, o que mudaria?

Incluiria espanhol no TPS. A maioria das nossas fronteiras é com países falantes de espanhol, com quem temos intensas relações políticas e econômicas. Também incluiria temas consulares para além daqueles já contemplados pela prova de direito, no TPS e na terceira fase, e exigiria administração pública de forma muito clara e direta na primeira e na terceira fases. Manteria a “espinha dorsal da prova” em relação ao número de fases e ao formato das provas discursivas.

Não é nossa intenção politizar esse nosso bate-papo além da conta. Mas considerando que você faz parte do conselho deliberativo do Sinditamaraty, não tem como não falarmos de certas coisas. Já são 5 anos sem concurso de OfChan, as poucas vagas disponibilizadas para o CACD estão aquém do necessário para repor o quadro de servidores, há meses o auxílio-moradia está atrasado, quem ingressa agora na carreira espera cerca de 13 anos para ser promovido de Terceiro para Segundo secretário enquanto o normal seria um decurso de 5 anos, fala-se agora na criação do cargo de Adido Comercial. No curso do processo de preparação para o CACD, os candidatos aprendem a admirar e respeitar a instituição e seus servidores a ponto de sacrificarem-se cotidianamente por anos na esperança de um dia ingressar na carreira. O sentimento de muitos dos candidatos hoje é de “profunda apreensão”. O que está acontecendo?

Passamos por uma fase difícil, mas que é consequência da interrupção da ampliação dos quadros do ministério após 2010. Ainda que a Lei 12.601 tenha sido sancionada, os quadros foram reduzidos, e não aumentados. Esse processo está levando ao fortalecimento do sindicato, por meio da sindicalização crescente de diplomatas, especialmente os mais jovens. Há mobilização permanente em busca da solução desses problemas, e confiamos que o diálogo com a Administração poderá alcançar resultados satisfatórios. Vamos também defender nossa posição na Esplanada, contra qualquer tipo de retirada de competências e de desvalorização das carreiras.

Não posso deixar de expressar uma ideia importante: apesar do momento difícil, a carreira de diplomata é gratificante e vale a pena o sacrifício.

No DOE 1.0, que é uma ferramenta do Clipping CACD que reúne e organiza o conteúdo de notas e discursos oficiais por tema, tem uma seção específica sobre o CACD. Tiramos isto de lá:

[“O ritmo e a forma da incorporação de novos funcionários serão objeto de exame cuidadoso pela Administração, mas o compromisso com uma adequada dotação em matéria de recursos humanos é uma imposição da realidade. Estarei atento para que os ajustes funcionais que implementemos e para que a gestão do dia-a-dia da Casa reflitam os legítimos anseios funcionais de todos os integrantes do nosso Serviço Exterior.” Discurso do Ministro Antônio de Aguiar Patriota na cerimônia de posse do Embaixador Ruy Nogueira como Secretário Geral das Relações Exteriores. Brasília, 06 de janeiro de 2011. “]

Essa fala tem 4 anos. Pode-se dizer que de lá para cá, ainda que parcialmente, os anseios funcionais dos integrantes da Casa foram contemplados?

Infelizmente, não, mas confio que esse cenário mudará em breve.

Agora para encerrar,  aquele bate-bola estilo de “De frente com Gabi”. Daqui para frente não vale ser diplomático. 

Um filme que te decepcionou:

 Poderoso Chefão 2. O primeiro é muito melhor.

Uma missão em que gostaria de servir:

Los Angeles.

Um lugar em Brasília:

Pontão do Lago Sul.

Um diretor de cinema:

Lars Von Trier e Woody Allen, empatados.

Uma vitória do grêmio:

A batalha dos Aflitos. Eu vi o Grêmio ganhar 2 brasileiros, 4 copas do Brasil, 2 libertadores, um mundial e diversos outros campeonatos menores, mas nenhuma vitória foi tão heroica e improvável quanto esta. Naquele dia, decidi que nunca mais me
declararia ateu, porque milagres existem.

O Itamaraty hoje:

Essencial para a defesa dos interesses do Brasil. 

Como é o processo de tramitação do Edital do CACD

Quantas vagas vão ser esse ano? Quando vai sair o Edital? Por que está demorando tanto? Quem dá a palavra final? Essas são perguntas comuns que afligem grande parte dos candidatos e acabam gerando discussões acaloradas, sobretudo quando se aproxima o fim do ano. Muito se especula sobre o longo trâmite vai do pedido de vagas até a publicação do Edital. Mas pouquíssimos sabem de verdade como funciona esse processo.

Fato é que os candidatos, que a essas alturas aguardam o o CACD 2015 com os nervos à flor da pele, merecem entender com clareza o movimento das intrincadas engrenagens por trás do Edital. Por isso, pedimos que Victor Toniolo, um dos “18 do Forte” aprovados no último CACD, nos desse uma luz. 

Com formação em Filosofia, rigor, método e curiosidade, estiveram presente tanto na rotina de estudo de Victor para o CACD quanto em sua rotina no Ministério do Turismo, onde serviu antes de ingressar nas fileiras do Itamaraty. Assim, foi com espírito investigativo de um filósofo e a familiaridade com a linguagem dos atos oficiais de um servidor público que Victor, ainda quando prestava o CACD, dedicou um tempo ao estudo estratégico sobre como funciona o Edital e sobre como melhor poderia se preparar para lidar psicologicamente com as incertezas do longo trâmite burocrático que o precede. Confira o resultado da gentil contribuição de Victor para nosso blog.

As etapas administrativas que antecedem ao Edital do CACD 

*por Victor Toniolo

 “Se você conhece o inimigo e conhece a si mesmo, não precisa temer o resultado de cem batalhas.” Sun Tzu, Arte da Guerra.

O CACD não é um inimigo, mas seu iter assemelha-se a uma batalha. Dessa maneira, a afirmação de Sun Tzu cabe no que concerne ao concurso. Com efeito, conhecer o certame em seus detalhes, além de facilitar a aprovação, pode evitar ansiedades e surpresas desnecessárias. Nesse sentido, os organizadores do Clipping CACD pediram que se tratasse de um tema relevante, mas pouco conhecido pelos candidatos: as etapas administrativas que antecedem ao certame.

Diversas vezes presenciei discussões acerca desse assunto, habitualmente em períodos próximos à publicação da portaria e do edital. Com o intuito de aprofundar o conhecimento acerca do concurso ao qual dedicava tanto esforço e a fim de evitar aflições pouco positivas, decidi pesquisar e  entender com clareza como se preparava, no âmbito de gestão pública, o CACD.

Os concursos, em geral, tem uma seqüência de atos administrativos semelhantes no que concerne sua preparação e sua realização. Sucintamente, as etapas são as seguintes: primeiro, o órgão determina para quantas e quais vagas necessita recrutar novos servidores. Sucessivamente, solicita ao Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG) autorização para realizar o certame. Uma vez autorizado — o que costuma ser um processo lento e pouco transparente — realiza uma licitação para contratação da instituição realizadora do concurso. A seguir, o dirigente do órgão publica portaria na qual estabelece as regras gerais do certame, a qual é seguida pelo edital do concurso.

No caso do CACD, no entanto, essa seqüência é bastante distinta. Com efeito, pelo Decreto Nº 6.944/09, o Presidente da República delegou ao Ministro de Estado das Relações Exteriores a competência para autorizar a realização do concurso de ingresso na carreira de diplomata. Nos demais concursos — considerando outras exíguas exceções do referido decreto — tal competência é do Ministro de Estado do Planejamento, Orçamento e Gestão.

Isso não quer dizer, infelizmente, que o chanceler tem total autonomia para realizar o CACD. O mesmo decreto estabelece que os atos do Ministro de Estado das Relações Exteriores “dependerão de manifestação do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, emitida previamente à realização do concurso, que confirme a existência de disponibilidade orçamentária para cobrir as despesas com o provimento dos cargos”.

É por essa razão que o Itamaraty precisa de um atestado de disponibilidade orçamentária para realizar o CACD e não uma autorização. Essa ressalva existe pelo fato de os órgãos do Executivo não terem dotação orçamentária própria para realizar concursos. Essa rubrica orçamentária é destinada, pela Lei Orçamentária Anual (LOA), ao MPOG. Há, ademais, analises realizadas por esse órgão com relação à política fiscal do governo de turno.

Assim, o primeiro passo para a realização do CACD é a definição, por parte do Secretário-Geral das Relações Exteriores, de quantas vagas serão oferecidas no concurso. Sucessivamente, é encaminhado um Aviso Ministerial ao MPOG, no qual o Ministro de Estado solicita que o Ministério do Planejamento ateste a disponibilidade orçamentária para a realização de concurso a fim de prover “x” vagas. Em teoria, o Itamaraty efetivamente tem autonomia para definir esse número, mas como o MPOG tem que atestá-lo, esse órgão acaba interferindo e determinando, indiretamente, o número de vagas que será finalmente oferecido no CACD.

Havendo o atestado, procede-se aos atos administrativos do concurso no âmbito do Itamaraty. O primeiro é a contratação da instituição realizadora do certame, que há anos — por inexigibilidade — é o CESPE/UNB, como demonstrou recente publicação no Diário Oficial da União (DOU). A seguir, é publicada portaria, por parte do Ministro de Estado, que determina o número de vagas oferecidas, bem como estrutura geral do certame. Nesse mesmo documento, delega-se ao Diretor do Instituo Rio Branco a competência para publicar o Edital do CACD.

O Edital é a “lei” do CACD. Tudo o que deverá ocorrer desde a inscrição do candidato até os exames que antecedem sua nomeação está contemplado e deverá ocorrer em estrita observância das normas nele contidas.

Os candidatos costumam fazer exercícios estatísticos a fim de prever a cronologia desses atos administrativos. Uma rápida análise dos últimos anos, porém, demonstra ser difícil realizar esse prognóstico, por mais que exista certo padrão. Aparentemente, a ansiedade das tentativas de antever o futuro podem comprometer a boa dedicação aos estudos.

Resta, portanto, aguardar as próximas publicações do MRE. Esperemos que tanto o número de vagas quanto a estrutura e cronograma das provas beneficiem a estratégia de cada um dos futuros colegas rumo ao Instituto Rio Branco. 

Desvendando o TPS: 1 Palavra, 1 ponto, 200 posições

 

Quem nunca sentiu aquele inconformismo por ter estudado a ponto de dominar com maestria boa parte do Edital do concurso de admissão à carreira diplomática e na hora de conferir gabarito perceber que ficou 1 ponto ou menos do corte? É dureza! Mas é assim que funciona o TPS.

Se você já passou por isso mais de uma vez, se você está estudando e não vê o resultado desse esforço se refletir na nota é possível que você precise largar um pouco os livros e olhar mais para o TPS. É fundamental estudar a linguagem da qual a prova é constituída. Afinal, as provas fechadas do CESPE em geral e o TPS em particular são muito mais sobre FORMA do que CONTEÚDO. TPS é muito mais sobre linguagem do que conhecimento. Tem suas dúvidas?

O que você marcaria nos itens abaixo? Todos do TPS 2011

ibas

 

triangular

O brasil

E aí? Marcou E em todas? Então você acertou! Mas o ponto não é esse. Veja que em todas as assertivas há algo em comum. Vejamos novamente:

o governo

 triangular

O brasil

brasil2

Todas esses itens são do TPS 2011. O gabarito de todas as assertivas é E e todas as assertivas acima adotam termos como privilegiar/priorizar. Coincidência? Mais ou menos… Vejam bem, não estamos dizendo que toda vez que aparecer uma palavra como privilegiar/priorizar a resposta é E. Não é isso… O que estamos dizendo é que esse termo “privilegiar/priorizar” tem um peso específico nas provas do CESPE sobretudo em matéria de PI.  Afinal, o discurso oficial é preciso no peso dado às palavras. Aliás, é por essas e por todas que lançamos esta semana na plataforma do Clipping CACD o D.O.E 1.0, nosso “discurso oficial esquematizado 1.0.”  Mas isso é tópico para outro post… 

A mensagem que queremos passar nesta postagem é: estude a estrutura da linguagem empregada no TPS. Já viram aquele filme, Matrix? Lembra que o Neo, interpretado pelo Keanu Reeves, só consegue salvar o mundo depois que ele começa a enxergar os “códigos” por trás da Matrix ? Pois então. É mais ou menos isso. Você tem que conhecer os “códigos” que constituem os enunciados do CESPE, como as pegadinhas do CESPE são estruturadas, etc. Você não vai salvar o mundo com isso. Mas vai salvar sua vaga entre os 100 que vão para a 2ª etapa ou até mesmo a sua vaga no Itamaraty.

Estudar a linguagem da prova é o que queremos fazer nesta seção “Desvendando o TPS”. Se tiver alguma ideia ou uma dúvida para o Desvendando o TPS poste um comentário por aqui ou na nossa fanpage no facebook.

já leu nosso post sobre o funcionamento do Discurso Oficial Esquematizado, o DOE 1.0?

 

DOE 1.0 no ar!

[icon name=icon-quote-left] O DOE 1.0 está no ar! \o/ 

Quem acompanha as notas oficiais do Itamaraty sabe o quanto é trabalhoso fichar aqueles comunicados-conjuntos de mais de 30 páginas. Ao contrário das notícias, que são breves e  se limitam a um tema específico, os comunicados e os discursos oficiais são longos e tratam uma amplíssima gama de temas em um só documento.

doe 1.0

 

Surgiu então nossa questão: como oferecer a organização que oferecemos nos clippings também com relação aos conteúdos oficiais disponibilizados no site do MRE? Não poderíamos classificar Continue reading

Black Friday, black tuesday ou black thursday?

Em 05 de maio de 2014 uma questão de HM em particular deu o que falar:

quintra

C ou E? Muitos candidatos se debruçaram desesperados sobre o item. Black Thursday? Estaria correto mesmo? Muitos juravam ouvir algo sobre Black Tuesday, outros que o correto era Black Friday.

Aí veio o gabarito: Continue reading

O CACD multipolar, o Itamaraty multipolar

download

[icon name=icon-quote-left] O que você acha de poder escolher fazer a prova de 4ª etapa do CACD em espanhol, francês, alemão, árabe, chinês, japonês e russo? Muitos não se recordam mas isso já foi possível um dia. 

No Edital de 2007, os candidatos poderiam escolher fazer a 4ª fase em espanhol OU francês. Detalhe: prova aberta.

No Edital de 2008, os candidatos, Continue reading

Quando Sílvio Santos foi candidato a presidente e outras quedas

Quando Sílvio Santos foi candidato a presidente

Sílvio Santos candidato a presidente? Sim!

Sílvio Santos foi candidato à presidência da República em 1989. A candidatura do apresentador e empresário acabou não sendo endossada pelo TSE e acabou entrando para o panteão das anedotas da política brasileira.

Algumas lições que candidatos a diplomacia podem tirar desse episódio sobre a importância da hierarquização das informações.

Nem tudo que é está em destaque é relevante

Para alguém que abrisse os jornais de 09/11/89, qual seria o fato mais relevante?

Errado. Dê uma segunda olhada na imagem acima.

Por um capricho da história, a cassação do registro da candidatura de Sílvio Santos à presidência ocorreu no mesmo dia da queda  do Muro de Berlim, em 1989. Resultado: a queda da candidatura do apresentador acabou deixando em segundo plano  uma queda de implicações muito maiores.

A capa dos jornais de 09/11/1989 é um exemplo curioso de como nem sempre o fato mais significativo é destaque nos jornais.

Não bastasse essa irônica coincidência, outras quedas icônicas ocorre na mesmíssima data em que se noticiou a queda da candidatura de Sílvio e a queda do Muro de Berlim. Os veículos de mídia também noticiavam as efemérides de 100 anos do último Baile da Ilha Fiscal, de 09/11/1889, que por sua vez, é um marco de uma outra queda – a queda da Monarquia no Brasil. Para os norte-americanos, 09/11 é 11/09. Data da queda das torres gêmeas.

Rigor na hirarquização das informações

É preciso altíssimo grau de seletividade e hierarquização de informações para o estabelecimento de parâmetros para atualizar o candidato ao Itamaraty com o que é realmente relevante para fins de prova.

Nesse sentido, uma das missões do Clipping CACD é levar até a seus membros, de forma organizada e sistematizada, apenas o que de fato será objeto de questões para o Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD). Fazemos isso há anos e somos reconhecidos pelo grau excelência na seleção das informações mais cirúrgicas para a prova.

Um exemplo sobre como o que está no Clipping não só cai, mas despenca na prova:

questão de atualidades cacd
questão de atualidades CACD 2
questão de atualidades CACD
questão de atualidades CACD

A possibilidade de acessar em um só lugar informações rigorosamente selecionadas, acompanhadas de contextualizações e análise sobre como podem ser cobradas em prova salva muito tempo de candidatos, além de prover uma tranquilidade no sentido de que o nada que é relevante estará fora do radar em matéria de atualidades e outras disciplinas.

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Lanterna na Popa: 6 curiosidades sobre Roberto Campos

Roberto Campos e Lanterna na Popa

A luz que a experiência nos dá é a de uma lanterna na popa, que ilumina apenas as ondas que deixamos para trás. É com esse trecho de Samuel Coleridge que Roberto abre sua clássica biografia. Falaremos nesse post sobre algumas curiosidades sobre Roberto e o Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD).

Quem foi Roberto Campos?

Roberto Campos foi um economista, política e diplomata brasileiro.

Roberto Campos nasceu em Cuiabá (MT) formou-se em Filosofia e Teologia após ter estudado nos seminário católico de Guaxupé (MG) e Belo Horizonte. De origem humilde, foi reprovado em uma série de concursos públicos e foi impedido de tentar vários outros pois sua formação como seminarista não era aceita como um curso superior. Inscreveu-se no concurso de diplomata pois era um dos concursos que, curiosamente, à época não exigia formação superior.

Aprovação no concurso da diplomacia

Foi aprovado na primeira tentativa e ingressou no Itamaraty em 1938.

Passei no concurso do Itamaraty como sétimo colocado, no grupo que se tornou depois famoso como o grupo dos 18 do Forte. O concurso tinha sido uma batalha acadêmica. Estava acostumado a conseguir a primeira classificação em nos cursos do seminário, sentia-me mentalmente humilhado com o sétimo lugar. Essa frustração era apenas atenuada pelo fato de que todos os classificados à minha frente era repetentes do concurso. (…) Não tendo dinheiro para pagar “cursinhos”, estava em desvantagem competitiva. Estava melhor em línguas. Dominava bem o francês. Faltava-me o inglês, obrigatório no exame. Li incansavelmente a gramática e, com o auxílio de dicionários, penetrei nos escaninhos da literatura clássica inglesa. Para treinar o ouvido, metia-me horas no cinema, de olhos fechados, resistindo à tentação de ler as legendas. Continuei com péssima pronúncia e tive desagradáveis surpresas. Quando desembarquei em Washington rumo a meu primeiro posto, cheio de citações clássicas, mal conseguia entender o inglês coloquial (Roberto Campos em Laterna na Popa)

Atuação na diplomacia e para além dela

Como cônsul de terceira classe, trabalhou sucessivamente no almoxarifado, na Divisão de Códigos e no Departamento Econômico do Itamaraty.

Só em 1942 foi nomeado para o seu primeiro posto no exterior, na seção comercial da embaixada do Brasil em Washington, onde paralelamente passou a estudar economia na Universidade George Washington. Em 1944, integrou a delegação brasileira à Conferência de Bretton Woods, nos EUA, tendo presenciando os acordos então estabelecidos deram origem ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e ao Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD).

Aa década de 50 marca o início de sua atuação técnica junto a diversos governos. Integrou a assessoria económica de Getúlio Vargas. No governo JK, foi presidente do BNDES e teve importante papel no desenho do Plano de Metas. No governo Castelo Branco, foi um dos responsáveis pelo PAEG (1964) junto a Octavio de Bulhões. Como parlamentar atuou por 4 pleitos, 8 anos como senador por Mato Grosso e 8 anos como deputado pelo Rio de Janeiro. No auge do plano Cruzado, durante o governo Sarney, foi uma das poucas vozes críticas ao plano.

Lanterna na Popa:

Sua extensa carreira é detalhada biografia Lanterna na Popa e também o verbete no sobre Roberto Campos no Centro de Pesquisa e Documentação Histórica da FGV são excelentes fontes para explorar mais sua atuação.

6 curiosidades anedótica sobre Roberto Campos rumo ao Itamaraty

O autor do trecho acima é Roberto Campos. O excerto foi tirado da sua biografia Lanterna da Popa. Roberto Campos tem uma trajetória interessantíssima repleta de anedotas bizarras:

  1. Reprovado no concurso para escriturário do serviço público por falhar na prova de digitação.
  2. não pode se inscrever em uma série de concursos públicos porque sua formação de seminarista não era aceita como curso superior, o que o colocava, nas suas palavras, na condição de “um analfabeto erudito”.
  3. Roberto Campos resolveu tentar o Itamaraty como um plano B, pois à época ter um curso superior não era um dos requisitos para a carreira diplomática.
  4. Passou no concurso de 1938 na primeira tentativa. Ficou no sétimo lugar. De acordo com sua biografia, isso o deixou bastante decepcionado!)
  5. Passou no concurso de diplomata não sabendo falar Inglês.
  6. Não tinha noções básica de Economia quando ingressou no Itamaraty.

Tudo isso não impediu, no entanto, que Roberto Campos se tornasse um dos mais respeitados economistas brasileiros, um dos idealizadores do BNDES. E também não o impediu de servir em 1961 como Embaixador nos EUA, um dos cargos de maior destaque da Casa.

Claro que ninguém aqui está dizendo para você não estudar Inglês nem Economia

A mensagem que Roberto Campos deixa é que cada um tem sua trajetória e cada trajetória tem suas dificuldades específicas. Mas isso não deve ser desculpa para não trabalhar pesado para alcançar seus objetivos, certo?