Em 05 de abril de 1879, o Chile declarou guerra ao Peru e à Bolívia, dando início ao conflito que ficou conhecido como Guerra do Pacífico (ou Guerra do Salitre). As motivações para a guerra estão relacionadas às disputas territoriais enfrentadas pelos países da região do deserto do Atacama e com os consequentes desentendimentos econômicos entre os envolvidos.
Ao final do conflito, o Chile anexou áreas ricas em recursos naturais de ambos países, enquanto, o Peru perdeu a província da Região de Tarapacá e a Bolívia perdeu a província de Antofagasta, o que lhe retirou a saída para o mar.
Acontecimentos antes do conflito
A Guerra do Pacífico (1879-1883) teve como origem os desentendimentos entre o Chile e a Bolívia sobre o controle de uma parte do deserto do Atacama rica em recursos minerais, que era explorada por empresas chilenas de capital britânico. Após a Bolívia aumentar as das taxas sobre a exploração mineral, o desentendimento transformou-se em uma disputa comercial, seguida de uma crise diplomática e evoluiu para uma guerra.
A região do deserto do Atacama era rica em nitratos, especificamente guano e salitre. Em 1840 foi descoberto que esses nitratos serviam como fertilizantes para agricultura e também poderiam ser utilizados na fabricação de explosivos. O guano e o salitre também tinham um bom preço no mercado internacional, o que motivou ainda mais a disputa pela região.
Com a descoberta, diversos países voltaram os seus olhos para a região latino-americana. A Espanha chegou a invadir uma parte do território peruano que era rica em guano, mas foi expulsa pelas forças chilenas e peruanas, no episódio que ficou conhecido como Guerra das Ilhas Chincha.
O Chile tinha uma economia mais estável, resultante de um próspero ciclo econômico, com reflexos no desenvolvimento e fortalecimento da nação. Enquanto a Bolívia passava por um momento oposto ao chileno, marcado por governos instáveis, que atrapalharam o desenvolvimento econômico boliviano.
Em 1866, o Chile e a Bolívia chegaram a assinar um acordo que estabelecia limites territoriais, fixando uma fronteira no 24º paralelo sul e determinando que ambos países dividiriam os impostos sobre os recursos naturais explorados na região (23º e o 24º paralelos). Em 1874 um outro acordo foi assinado, o qual cedia os impostos sobre os produtos entre os paralelos inteiramente à Bolívia e fixava taxas para as companhias chilenas por 25 anos.
Porém, com a rápida expansão das empresas chilenas, a Bolívia ficou com receio de perder seu território.
O conflito
Em 1878, o então presidente da Bolívia, Hilarión Daza, estabeleceu um decreto que aumentava as taxas sobre as empresas chilenas que exploravam o litoral boliviano, regressivo ao ano de 1874, quando o segundo acordo havia sido assinado.
O decreto despertou protestos do presidente chileno, Aníbal Pinto. Uma das empresas chilenas se recusou a pagar a sobretaxa, e então a Bolívia ameaçou confiscar todas as propriedades da empresa. Assim, como resposta, em dezembro de 1878 o Chile enviou um navio de guerra para o local.
O governo boliviano declarou sequestro dos bens da empresa e anunciou um leilão para 14 de fevereiro de 1879. No dia do leilão, tropas chilenas desembarcaram e ocuparam a cidade portuária de Antofagasta.
Como reação, em 1 de março de 1879, a Bolívia declarou guerra ao Chile, e para isso convocou uma aliança secreta que tinha com o Peru, conhecido como Tratado de Defesa de 1873.
O Peru estava decidido em colaborar com a Bolívia, pois tinha receio quanto à expansão chilena. Contudo, temia que as forças aliadas não fossem suficientes para o exército chileno, por isso, preferiam um acordo do que a guerra. O governo peruano chegou a enviar um diplomata para intermediar o conflito, momento em que o Chile pediu neutralidade por parte do Peru. Entretanto,a aliança com a Bolívia o impedia.
Assim, Santiago reagiu com a quebra das relações diplomáticas com a Bolívia e, em 05 de abril de 1879, fez a declaração de guerra contra La Paz e Lima.
A Argentina também foi convidada pelas forças aliadas a entrar no conflito, pois disputava com o Chile o controle da Patagônia. O convite foi recusado pois o governo argentino preferiu resolver suas divergências por meios diplomáticos.
No conflito, o cenário era desfavorável para Bolívia e Peru. Com os governos instáveis, La Paz carecia de uma marinha de guerra; enquanto Lima sofria com problemas econômicos que deixavam seu exército e marinha vulneráveis.
Além disso, Santiago possuía mais vantagem, pois tinha uma marinha de guerra moderna e um exército preparado para o conflito.
Diante do cenário pouco favorável para suas pretensões, o Peru assinou um acordo de paz com o Chile, em que Santiago ocupou as províncias de Tacna e Arica por 10 anos, depois desse tempo foi realizado um plebiscito para determinar a nacionalidade da região, mas nem o Chile e nem o Peru concordavam com os termos do plebiscito. Apenas em 1929, com intermédio do presidente norte-americano, Herbert Hoover, um acordo foi feito e o Chile ficou com Arica e o Peru com Tacna.
Em 1884, a Bolívia assinou uma trégua que entregou total controle da costa pacífica ao Chile, incluindo as reservas de cobre e nitratos. Para tornar o arranjo permanente, foi assinado um tratado em 1904.
Em resposta, o governo chileno acordou em construir uma ferrovia que liga a cidade de La Paz ao porto de Arica, que garante liberdade de trânsito ao comércio boliviano pelos portos chilenos.
Com a guerra, o Chile saiu com mais vitória, já que anexou um território rico em reservas de cobre e nitrato. Porém, ao longo da guerra, Santiago desistiu da Patagônia para assegurar a neutralidade da Argentina.
Além disso, com o fim da guerra, houve um crescimento do controle britânico na economia chilena, aumentando sua influência na política do Chile. Quanto aos lucros dos nitratos, eles duraram por algumas décadas, mas caíram consideravelmente depois da Primeira Guerra Mundial.
A perda do acesso ao oceano Pacífico
Para a Bolívia, a perda do acesso ao oceano pacífico é um ponto de fricção nas relações, já que muitos problemas do país são atribuídos à falta de um acesso ao mar.
Todos os presidentes bolivianos das últimas décadas pressionaram o Chile por um acesso soberano ao mar. Esse acesso também consta na Constituição boliviana como um objetivo nacional.
Na década de 1976, o Chile propôs à Bolívia lhe dar um acesso ao oceano Pacífico em troca de uma área boliviana de 5 mil km², que fica próxima à lagoa Colorada, que forneceria água para as indústrias de cobre chilena. Todavia, o Peru interveio nas negociações e o acordo foi rejeitado.
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