Em julho de 2021, o Sítio Roberto Burle Marx foi declarado Patrimônio Mundial da UNESCO. O Comitê do Patrimônio Mundial reconheceu o “valor excepcional universal” do sítio, por seu impacto no desenvolvimento do chamado jardim tropical moderno.
Considerado um dos principais paisagistas brasileiros, Roberto Burle Marx tem importância especial para o Itamaraty. Nesse post, vamos te contar o porquê e um pouco mais sobre a vida e os projetos de Burle Marx.
Vamos lá?
Patrimônio Cultural
O patrimônio cultural é de fundamental importância para a preservação da memória, da identidade e da criatividade dos povos, conforme ressaltado pelo IPHAN.
Por isso, em 1972, a Organização das Nações Unidas para a Ciência e a Cultura (UNESCO), adotou a Convenção do Patrimônio Mundial Cultural e Natural, com o objetivo de incentivar a preservação de bens culturais e naturais considerados significativos para a humanidade.
O Brasil aderiu à convenção em setembro de 1977. Desde então, 23 elementos nacionais brasileiros foram inscritos na lista do Patrimônio Mundial, como a cidade de Ouro Preto, Plano Piloto de Brasília, entre outros
Quem é Burle Marx?
Além de paisagista, Roberto Burle Marx (1909-1994) foi também artista plástico, pintor, escultor, ceramista e tapeceiro. É reconhecido nacional e internacionalmente por ter criado o chamado paisagismo tropical moderno, que introduz o uso de plantas nativas brasileiras ao modernismo.
Viveu no Rio de Janeiro durante sua infância e, em 1928, mudou-se com a família para Berlim, na Alemanha. Durante este período em Berlim, conheceu produções de vanguardas europeias, como obras de Pablo Picasso, Van Gogh e Paul Klee.
Regressou ao Brasil em 1930 e realizou seu primeiro projeto como paisagista: um jardim privado para a família Schwartz, em Copacabana.
Entre 1934 e 1937, Burle Marx ocupou o cargo de Diretor de Parques e Jardins do Departamento de Arquitetura e Urbanismo de Pernambuco e realizou projetos paisagísticos para praças de Recife.
Em 1936, integrou a equipe que projetou o edifício do Palácio Gustavo Capanema, no Rio de Janeiro, projeto que lhe gerou grande reconhecimento e contribuiu para reforçá-lo como criador do jardim tropical moderno.
Sítio Burle Marx
O Sítio Roberto Burle Marx está situado no bairro de Barra de Guaratiba, na Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro e foi a residência de Burle Marx por 21 anos, entre 1973 e 1994.
A vegetação nativa, composta por manguezal e Mata Atlântica, destaca-se no Sítio.
Em 1985, o sítio foi doado por Burle Marx ao governo federal e desde 1994, é gerido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
Segundo o IPHAN, o sítio conta com:
- 405 mil metros quadrados de área;
- 3,5 mil espécies de plantas tropicais e subtropicais;
- Sete edificações e seis lagos;
- Acervo museológico com mais de três mil itens. Entre eles temos: coleções de arte moderna, cuzquenha, pré-colombiana, sacra e popular brasileira, de cristais e de conchas, além do mobiliário e dos objetos de uso cotidiano da casa.
Segundo o Estadão, o sítio é visitado por cerca de 30 mil pessoas por ano. Quer conhecer um pouco mais? Dá uma olhada nesse vídeo, que faz um tour pelo sítio:

Patrimônio Mundial
A candidatura iniciou-se em 2015, com a inscrição na lista indicativa brasileira a Patrimônio Mundial. Em 2019, um dossiê elaborado pelo Iphan foi entregue à Unesco. O documento defendeu a importância do Sítio como um laboratório botânico e paisagístico.
No mesmo ano, o Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (Icomos) realizou uma visita para avaliar o Sítio. Como resultado, um relatório foi entregue ao Comitê do Patrimônio Mundial das Nações Unidas, que faz a avaliação final.
Em 2021, o Comitê reconheceu o “valor excepcional universal” do sítio, e seu papel no no desenvolvimento do “jardim tropical moderno”.
Burle Marx & Itamaraty
Mas não para por aí! Entre os principais projetos de Burle Marx também está o paisagismo do Palácio Itamaraty!
Inaugurado em 1970, o Palácio Itamaraty foi projetado por Oscar Niemeyer em parceria com o engenheiro Joaquim Cardoso, responsável pelo cálculo estrutural da obra. Mas, diferentemente de outros prédios governamentais, o Palácio do Itamaraty foi projetado em estreita coordenação com a Comissão de Transferência do Ministério das Relações Exteriores do Rio de Janeiro para Brasília.
Tal comissão, que foi chefiada pelo diplomata Wladimir Murtinho, foi de extrema importância para a criação do Palácio, principalmente na transposição para o plano da arquitetura da riquíssima simbologia histórica e política que o Itamaraty carrega.

O Palácio foi construído apenas com materiais nacionais e obras de artistas nascidos ou naturalizados brasileiros, de forma a cumprir um de seus propósitos: apresentar o Brasil a visitantes estrangeiros.
Murtinho ficou responsável por escolher os artistas e obras que iriam compor os espaços do Palácio. A convite de Murtinho, Roberto Burle Marx elaborou os projetos de paisagismo para os jardins externos e internos do palácio. No total, três jardins foram produzidos, sendo dois deles aquáticos.
Conforme descreve o livro Palácio Itamaraty – A Arquitetura da Diplomacia, o jardim aquático externo faz da água o elemento plástico preponderante, de forma que este se contrapõe às superfícies gramadas da esplanada. Além disso, a área molhada funciona como um grande espelho d’água que isola a forma do edifício, o que dá a sensação de que o palácio flutua.
Além dos jardins, Burle Marx desenhou uma tapeçaria para a Sala Brasília. A peça contribui para conter a reverberação sonora dos eventos que acontecem do local, além da importância plástica.
Achou que era só isso? Que nada! Em novembro de 1968, a Rainha da Inglaterra, Elizabeth II, fez uma visita ao Palácio. Adivinha quem fez a decoração da recepção? Ele mesmo: Burle Marx! A decoração foi feita com frutos do cerrado.
Visitas
Já deu para perceber a importância que Burle Marx teve no paisagismo brasileiro e na construção da simbologia diplomática que o Itamaraty tem. Quem sabe, depois da pandemia você não faz uma visita ao Sítio Roberto Burle Marx ou ao Itamaraty?
Gostou do conteúdo? Confira esse com as semelhanças e traços que unem os Palácios do Itamaraty e o Mondadori, em Milão.










No comment yet, add your voice below!