Caro CACDista, essa nova seção do Blog é destinada aos candidatos que desejarem contribuir com o Blog do Clipping com suas Histórias de CACDista. (contribuam por favor!). O Clipping precisa de vocês para manter um conteúdo de qualidade no ar sempre atualizado.
O Clipping quer saber sua história, suas dificuldades, uma experiencia boa de preparação que você pode contar para dividir com os colegas. Enfim, o Clipping quer conhecer você, CACDista, melhor. O Rafael Pinheiro, conta agora a perspectiva de um aluno sobre mini-cursos de aprofundamento. Vale ou não vale a pena? Para que tipo de candidato vale a pena? Confira abaixo.
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Minha História com a História do Prata
*Rafael Pinheiro Costa
18 quilos de fichamentos, o Cronologia das Relações Internacionais, do Eugênio Vargas, e um ipad carregado de pdfs. É tudo o que tenho para tentar fazer a nota de corte do CACD desse ano. Onde estão os meus livros? Por constrangimentos logísticos, pesarosamente tive que deixar para trás quando pesarosamente tive que me mudar de Belo Horizonte (um alô para meus queridos amigos de CACD de beagá).
O Edital atrasou, mas pelo visto está saindo. Desacelerar os estudos nesse momento não é uma opção. Acabei aprendendo isso da pior forma em 2013, quando, atipicamente, o concurso aconteceu no 2º semestre, desestruturando o cronograma de muitos colegas que, estranhando o atraso do Edital, preferiram a desaceleração estratégica dos estudos a uma “marcha forçada” à la Geisel. Em 2013, acabei ficando em mais ou menos na 50º colocação final.
O que, para muitos, pode parecer uma colocação animadora para mim foi decepcionante, já que no ano anterior eu também tinha ficado nessa mesma faixa cinzenta. Fico pensando se eu tivesse dado um gás a mais, remado um pouco mais forte, as coisas não poderiam ter sido diferentes. Paciência! São águas passadas… E, em se tratando de CACD, a única lanterna na popa que realmente vale a pena guardar é a biografia do Roberto Campos, se é que ustedes me entienden… Avante, portanto!
Enquanto a Portaria estava atrasada, acabei apostando em uma estratégia de revisão de fichamentos (meus 18 quilos!) intercalada com aprofundamentos pontuais. A decisão, naquele momento de incerteza, pelo aprodundamento foi uma decisão estrategicamente calculada. A decisão por tentar a sorte no Curso de aprofundamento em História do Prata, oferecido pelo Ideg também.
A ideia de um mini-curso de 2 módulos com 4 aulas cada um deles sobre um tema extremamente complexo, extremamente pulverizado na bibliografia, e extremamente venerado pelo Doratioto, que na minha opinião é a mão mais pesada do CESPE, me pareceu para o presente momento uma escolha tão pragmática quanto às do próprio Barão.
Toda escolha, por mais estratégica que seja, tem um pouco de salto no escuro. Toda escolha envole um risco. Essa não foi diferente. Apesar das credenciais fortes do Ideg e do professor Rômulo Dias, eu não tinha tido contato com ambos. Minha base para o CACD no que se refere a História do Brasil, eu construí ao longo de anos de forma bem diversificada. Fui aluno do grande meste João Daniel, Prata da Casa do Clio e também do Luigi Bonafé, que começou no Clio, passou pelo Atlas, e agora está no Sapientia e no Ideg. Na época, o Ideg não havia surgido ainda, tampouco o modelo hoje bastante disseminado de mini-curso de aprofundamento. Foi uma experiencia nova para mim e decidi compartilhar com a comunidade de Quartos-Secretários aqui no Blog do Clipping.
História do Prata: minha primeira experiência com um mini-curso de aprofundamento
Logo na primeira aula, ficaram claras algumas coisas. O professor Rômulo tem aquele entusiasmo contagiante pelo tema e realmente sabe do que esta falando. Começamos com o pé direito. Isso me deixou bem tranquilo e à vontade. Por outro lado, foi uma surpresa saber não há bibliografia indicada para o curso. Eu esperava alguma carga de leitura e tinha até separado um tempo no cronograma para meia dúzia de textos. Mas a justificativa para a falta de biblio dada pelo professor me convenceu.
De acordo com o professor, passar leituras e leituras sobre o Prata só confundiria ainda mais o candidato, pois a bibliografia sobre o tema é extensa e fragmentada. A proposta do curso de aprofundamento sobre é conectar alguns pontos sobre a História do Prata, costurando esse emaranhado de informações dispersas de forma que faça sentido para nosso contexto de preparação para o CACD. Falando abertamente: a proposta do curso é justamente entregar o conteúdo de forma bem esquematizada e com foco no CACD. Pragmatismo a flor da pele!
Outra coisa que fica claro logo na primeira aula é que, definitivamente, o Curso de Aprofundamento sobre a História do Prata não é um curso para quem ainda não terminou o ciclo básico ou não está em dia com as leituras. O próprio nome diz: curso de “aprofundamento“. Acredito que o candidato que não tiver ainda uma boa noção das leituras basicas como o Bóris Fausto e algumas avancadas, como o Synesio Sampaio Goes, pode aproveitar menos do que deveria.
Não que o professor Rômulo peque por falta de didatismo, muito pelo contrário. Sua exposição é estruturada de forma clara e apresentada de forma bem descontraída. A a aula flui muito bem. Mas acredito que sem conhecer bem o processo de territorialização luso-brasileira no Prata desde o seculo XVII, fica complicado visualizar as dinâmicas apresentadas pelo professor de entre Buenos Aires, Montevidéu, Entre-Ríos e Corrientes, etc. pela região.
Portanto, ter em mãos seus fichamentos sobre o Prata e alguns mapas para dar aquele suporte visual durante as aulas é altamente recomendado. Ao longo do curso, acabei saindo com novos mapas do Prata.

Outro ponto que achei bem interessante, mas que pode causar um pouco de estranhamento, é o que o professor chama de “perspectiva espiralada” com que ele apresenta o conteúdo. O conteúdo não é dado de forma cronológica e linear. Ao longo do curso, passamos pelo mesmo evento diversas vezes, cada uma por perspectivas diferentes, oscilando entre História Geral, História do Brasil e História da América Latina.
Às vezes as coisas ficam confusas. Afinal, é muita informação sobre um tema muito pouco explorado nas bibliografias tradicionais do CACD. Mas quando essa “perspectiva espiralada” funciona dá aquele “estalo” na sua cabeça e todas aquelas informações dispersas que você tem nos fichamentos sobre o Prata começam se conectam e então, finalmente, as coisas começam a fazer sentido.
Eu tive a impressão de que o objetivo do mini-curso é justamente este: fazer dar esse”estalo”, ajudar o candidato a juntar as pecinhas do quebra-cabeça complexo que é a geopolítica platina no seculo XIX. Se o objetivo é esse, pode-se dizer que o proposta pedagógica do professor Rômulo para esse curso é bem sucedida.
Gostei também do uso frequente de conceitos elegantes com alto poder explicativo – o tipo de coisa que é uma boia de salvação na prova de terceira etapa. Boa parte desses conceitos usados são do Moniz Bandeira, como “estradas líquidas” para se referir à Bacia do Prata. Outros, depois de trocar alguns e-mail com o professor, fui descobrir que eram da lavra dele mesmo, como “regiões de descaminhos”. Um ponto que eu acho que poderia melhorar é a distribuição do “foco” das aulas. Tive a impressão de que, em alguns momentos, falou-se muito de pormenores de História Mundial, sucederam-se muita coisa tipo nota de rodapé da nota de rodapé, apareceram nomes que dificilmente, acredito eu, dariam a cara em uma prova de História Mundial e que, dificilmente, ajudariam muito em uma terceira etapa de História do Brasil. Resumindo: em alguns momentos, faltou conteúdo de PEB e sobrou História Mundial.
Minha critica mais aberta, fica por conta da periodização. O curso não chega a retomar em detalhes o processo de formação territorial do Brasil no século XVIII (Tratado de Madrid, Santo Ildefonso, etc). O módulo 1 abrange o período 1808-1828, ou seja, vai da Transmigração da Corte até Guerra da Cisplatina. Definitivamente, ficou faltando um “módulo 0” para abranger em detalhes o período anterior, já que o processo de territorialização luso-brasileira no Prata e seus desdobramentos, como o Tratado de Madri, Santo Ildefonso, etc estão sem duvidas entre os temas mais explorados pela banca não só no TPS mas também na 3ª etapa.
Quando o modulo 01 do curso de aprofundamento em Historia do Prata acaba, em 1828, você fica com a impressão de que todo esse trajeto percorrido nas 4 aulas do módulo 01 te dá as bases bem sólidas encara um tema muito mais hardcore que virá no módulo 02 do Curso de História do Prata: as dinâmicas partidárias entre blancos e colorados na segunda metade do seculo XIX, o protagonismo de Rosas no Prata, a PEB do II Reinado para a região e a Guerra do Paraguai. Ou seja: o núcleo duro das teses do Doratioto.
Se eu vou fazer? Pode apostar que sim!
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Rafael Pinheiro é um CACDista persistente. Gosta muito de Geografia e tem sérias dificuldades em Espanhol. Rafael também escreve no Xadrez Verbal.
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