Prova de Espanhol para o concurso de diplomata é fácil, certo? Erradíssimo. A prova de língua espanhola para o concurso de admissão à carreira de diplomata (CACD) é, para quem ainda não sabe, onde acontecem as médias mais baixas (veja aqui nessa matéria que disciplinas tem médias mais baixas e por quê)
A Prof. Mariana Lima (FrançaisCACD) já tinha escrito ao Clipping sobre os 3 erros mais comuns cometidos na prova de Francês (veja aqui), vamos agora entender melhor como funciona a prova de Espanhol.
O texto abaixo é de autoria de Alejandra Bermudez, que há cerca de 10 anos prepara alunos exclusivamente para a Prova de Espanhol do CACD. Vale a pena a leitura cuidadadosa:
Os 3 erros mais comuns da prova de Espanhol para candidato a diplomata
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*por Alejandra Bermúdez
Oi, amigos do Clipping
Nestes mais de 10 anos preparando e acompanhando candidatos à Carreira Diplomática, tenho ouvido diversas vezes o seguinte:
Quais são as tuas “dicas” para aprovação?
Muito legal e instigante essa pergunta! E difícil de responder…
No mês de junho deste ano, completei 11 anos neste caminho e, certamente, ainda não achei a resposta concreta, a não ser estudo e preparação constante. Você quer aprovar? Certo. Prepare-se com antecedência e dedicação; ninguém atinge um nível B2 ou C1 em língua estrangeira em seis meses, por mais “milagreiro” que o professor seja.
Há uma lenda que diz que no Espanhol, se você arranha um bom “portunhol”, consegue interpretar e responder assertivamente. O CACD vem demonstrando, nestes anos, que não é bem assim. Essa afirmação contém grandes mitos sobre a aprendizagem de espanhol, muito significativos, aliás. Muito bem, se você pensa dessa forma, poderá ganhar um “tapinha nas costas” da Banca e um “continue participando e volte o ano que vem". Seja no estudo particular, em cursos ou com professor mediador, sua nota é o resultado de um trabalho constante que mostrará em primeira mão a sua dedicação e estratégia.
Então, vamos falar sobre os resultados da Prova de Espanhol de 2016 que você fez nessa última fase do concurso de admissão à carreira de diplomata (CACD). A intenção de comentar a prova e seu gabarito é fornecer alguns dados e análise de respostas para dar insights importantes sobre onde os candidatos estão errando e fazer estatísticas sobre possíveis assuntos ou conteúdos prováveis. Vamos lá!
O que você pode e não pode fazer na prova de Espanhol?
Vamos analisar a prova e o gabarito resumindo os erros mais comuns:
#Erro 1: Considerar unicamente uma conotação ou tradução do termo
Em qualquer prova de interpretação textual o léxico torna-se fundamental, especialmente nesta prova do concurso de admissão à carreira de diplomata (CACD) que requer um alto nível de compreensão lexical. As questões da banca de espanhol, da prova objetiva, costumam apresentar muitos assuntos LEXICAIS, isto é, de significado do vocabulário apresentado nos textos.
Veja um exemplo nesta questão da prova 2016:
Toda a questão foi baseada no termo “MATE” apresentado no seu enunciado. Essa nem é tão difícil, tudo bem. O candidato consegue traduzir MATE como um tom “fosco”, perfeito. No entanto, mesmo sabendo a definição, depara-se com a dificuldade de achar a resposta na interpretação do texto. Não existe informação que indique o tom, aparentemente. Para responder esta questão é necessário entendermos o jogo de sinonímia e antonímia utilizado pela banca, o texto diz :
“Y ésta pelada, bruñida por muchos insomnios y una existencia en aviones, con algunas puntas de pelo cano que le asoman por la rampa de los parietales”
O verbo bruñir, definido pela Real Academia Española (RAE), tem mais de uma conotação:
- 1. Sacar lustre o brillo a un metal, una piedra, etc.
- 2. Molestar, fastidiar a alguien.
- 3. Maquillar el rostro con varios ingredientes.
O texto refere à conotação 1 / bruñida: reluciente, con brillo/ portanto, a palavra MATE é o antônimo de BRUÑIDA. Fala da cabeça do homem (parte superior del cuerpo) e afirma que ela é fosca quando, na verdade, o texto afirma que é brilhosa (bruñida). A banca escolheu para elaborar a questão seu antônimo, portanto, todas estão ERRADAS. Esta é uma questão lexical típica da Banca de Espanhol!
Veja outra, questão 8:
O léxico , neste caso, é sobre descrição física ,assunto que uma e outra vez indico para os meus alunos como tema de estudo obrigatório, não é?
Isso é bem fácil, dizem eles.
Veja bem, o vocabulário em níveis avançados não resulta tão fácil. A palavra “pelada” no texto não indica ser “completamente” calvo (careca), sem cabelo; o texto compara o nariz da personagem com um “nariz de pico de quetzal” o que não indica “chata”. Também afirma que a personagem tem um “vaivén de gigantón” o que indica, sim, que é alto, mas diz também que é um “Buda sin grasa” o que elimina “rollizo”. Veja o “rollizo”(robusto, que tiene rollos) , um adjetivo de nível C1 ou C2 que seria gordo (nível A1).
Você necessita um nível avançado de vocabulário, o básico não dá conta desta prova!
#Erro 2: Responder questões de teoria gramatical como interpretação
Veja um exemplo,
Esta questão foi sobre Poema de Neruda (2015).
Quando a Banca questiona, o faz em relação a dois versos. Neste caso, a questão não é de interpretação, aliás seria impossível responder baseados na sua interpretação. Esta questão é teórica: refere ao contraste entre Pretérito perfecto simple e Pretérito Perfecto compuesto (1-4) , ao Presente de Subjuntivo ou ao Condicional (2), e ao Futuro Simple (3). Em cada item, define um tempo verbal, a dificuldade foi identificar quais tempos verbais estavam presentes nos dois versos do poema.
Mais uma deste ano,
Novamente, trata-se de identificar no texto em que tempos verbais se encontram estas afirmações. Por exemplo, no texto:
“La palabra necesita respiro” indica que a 2 é errada, já que a afirmação está no presente de indicativo (necesita) e não em pretérito. Não se trata de achar dados ou afirmações em relação ao contexto ou ao assunto e sim, simplesmente, observar , neste caso, o verbo.
As questões teóricas devem ser resolvidas com teoria gramatical aplicada (conceitos, usos, exceções,regras) , como se fosse fórmula matemática e NÃO através da interpretação!
#Erro 3 “Falta de conhecimento de Cultura Geral”
Algumas questões demandam conhecimentos e inferências externos, independentes ao texto. O Don Quijote foi um assunto que abordei em Simulados e que indiquei como tema certo para este ano devido aos 400 anos da morte de Cervantes (1616-2016).
Os meus alunos, com certeza, foram bem preparados em relação à obra, ao autor e ao contexto histórico, fiquei feliz em ter acertado! Conhecimento cultural é fundamental na hora de responder questões como esta:
A questão demanda conhecimento sobre o autor da obra e sua origem (La Macha=manchego). Aliás, você não pode se apresentar para a 3ª fase de Espanhol sem saber quem é o autor do Quijote e sem conhecer, pelo menos, o argumento da obra e suas personagens!
#. Concluindo: Algumas percepções…
Em relação aos textos:
Os textos escolhidos pela Banca de Espanhol, falando em estratégias de preparação para a prova objetiva de terceira fase, os prediletos foram textos extensos, muito extensos, o registro foi principalmente textos literários. Cabe destacar que o Nível de todos os textos e questões foi, baseados no MCRE (Marco Comum Europeu de Referência), um Nivel B2 ou superior (C1-C2).
Em relação às questões, levando em consideração e priorizando sempre a predileção da banca nas provas objetivas anteriores de 2014 e 2015, se optou por questões lexicais com alto grau de dificuldade, utilizando diversos recursos (antonímia, sinonímia, substituição) e por perguntas de interpretação abertas e fechadas.
Em relação às perguntas:
As questões apresentaram:
- vocabulário avançado através de sinonímia, antonímia e substituição lexical.
- propostas de interpretação textual abertas e fechadas.
- questões de Teoria “pura” aplicada ao texto, principalmente, teoria verbal.
- Léxico relacionado à teoria literária.
Espero que esta análise possa ajudar na preparação para 2017 que, é claro, já começou!
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Alejandra Bermúdez é especialista na preparação para o CACD faz 11 anos. É Mestre em Lingüística aplicada a la enseñanza de español pela Universidad de Jaén (España) e Mestre em Linguística Aplicada pela Unisinos (Brasil). É Professora do Instituto Cervantes de Porto Alegre desde e Membro da Banca Examinadora D.E.L.E (Diploma Internacional de Español como Lengua Extranjera- título oficial outorgado pelo governo da Espanha). É Assessora linguística e tradutora de textos técnicos e literários.










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