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Série Diplomacia & Relações Internacionais: A Industrialização Brasileira

A industrialização brasileira teve início quase um século depois do processo europeu e, por isso, é considerada tardia: as potências da Europa tiveram sua revolução industrial no século XVII e, nesse período, o Brasil ainda vivia dentro de uma economia colonial, em outras palavras, numa economia pré-industrial. Assunto recorrente nas provas do CACD, o processo da industrialização brasileira é dividido em quatro fases. Logo é importante entender cada uma delas.

Índice

De forma geral, como se deu o processo da Industrialização Brasileira?

As duas primeiras fases do processo, que ocorreram entre os anos de 1500 e 1929, contemplam o período dos engenhos de açúcar e das primeiras manufaturas do país;

A terceira fase, iniciada em 1930 no governo de Getúlio Vargas, iniciou o processo de desenvolvimento da indústria no Brasil e se estabeleceu impulsionado pelo capital advindo da cafeicultura, principal atividade econômica do país no período anterior. Nesse período, o país passou por grandes mudanças econômicas, políticas e sociais. 

A quarta fase começou em seguida, em 1955, a partir das políticas nacional-desenvolvimentistas implantadas por Juscelino Kubitschek. Sob o slogan governamental “50 anos em 5” houve um crescimento exponencial da industrialização no país, que acontece até hoje.

As quatro fases da industrialização brasileira | resumo

Primeira fase: 1500-1808 (pré-industrial):

Até a chegada da família real portuguesa não havia indústrias no Brasil. Uma vez que o país era uma colônia de Portugal, todos os produtos industrializados existentes em território nacional eram advindos da metrópole.


A produção brasileira era totalmente artesanal, excluindo apenas os engenhos de açúcar, que tranformavam em produto a cana-de-açúcar, matéria-prima abundante no país. Tudo o que era produzido era embalado e distribuído nos mercados interno (bem restrito) e externo.

Em 1785, para evitar a concorrência com os produtos oriundos da capital e a fim de evitar a consolidação de uma certa autonomia financeira da colônia – que possibilitaria uma possível independência -, a Coroa Portuguesa publicou um alvará proibindo a instalação de indústrias, pequenas fábricas e manufaturas no Brasil, atrasando ainda mais o início da industrialização em território nacional.

Segunda fase: 1808 – 1929:

O segundo momento da industrialização brasileira ocorreu com a chegada da Corte Portuguesa no país. Naquele ano de 1808, o alvará que proibia a implantação de indústrias em território brasileiro foi revogado por D. João VI, ainda príncipe regente, visando “promover a riqueza nacional” do país. 

Então, as primeiras fábricas foram instaladas no Brasil: indústrias têxteis, minerais, alimentícias e de produtos de higiene, por não demandarem alto grau de tecnologia. Elas se localizavam principalmente na região sudeste, entre São Paulo e Rio de Janeiro, então capital do país, e nas proximidades de Salvador. 

Juntamente com a revogação da lei de 1785 ocorreu a abertura dos portos, dando fim ao Pacto Colonial e permitindo assim a importação de matéria-prima estrangeira, necessária para o abastecimento das fábricas e manufaturas que começavam a surgir. 

Com o intuito de incentivar ainda mais a produção e o desenvolvimento da indústria nacional, em 1828 foram adotadas medidas comerciais protecionistas, como a cobrança de impostos sobre produtos importados, com tarifas de 15% e 16%. Dessa forma, adquirir bens produzidos em território brasileiro teria um custo muito menor.

Ainda dentro da mesma política protecionista, em 1844 foi instaurada no Brasil a Lei Alves Branco: levando o nome do ministro da fazenda da época, Manuel Alves Branco, a nova tarifa imposta pelo governo estipulava que os produtos importados que não tivessem correspondentes nacionais seriam taxados em 30% sobre o valor do produto, e aqueles que tivessem concorrentes semelhantes ou iguais poderiam sofrer uma cobrança de até 60% a mais do valor da mercadoria.

Tais medidas, além de aumentarem a arrecadação do governo, incentivaram ainda mais o desenvolvimento de produtos nacionais e, consequentemente, o progresso do setor industrial brasileiro: os setores da indústria nacional que tinham condições de competir com os produtos importados expandiram-se ainda mais e tornaram-se interessantes não só aos olhos do mercado consumidor mas também  dos investidores da classe burguesa.

Apesar do crescimento da industrialização brasileira, nesse período a maior parte da receita do país era proveniente da produção agrícola, principalmente o café, maior produto de exportação brasileiro. 

Contudo, dois grandes eventos do início do século XX alteraram drasticamente a dinâmica econômica do Brasil e deram início à terceira fase da industrialização brasileira: a Primeira Guerra Mundial e a crise econômica de 1929.

Terceira fase: 1930-1955:

A Primeira Guerra Mundial e a grande recessão econômica de 1929 afetou diretamente a economia brasileira. A produção cafeeira, até então carro-chefe da economia nacional, sofreu uma queda substancial nos rendimentos advindos da exportação do produto.

Com a Crise do Café, os investimentos antes direcionados à produção agrícola foram transferidos para o setor industrial, principalmente para a compra e desenvolvimento de maquinários e para melhorias nos meios de transporte e portos no Brasil.

Amarcha em direção à industrialização brasileira teve Getúlio Vargas como um de seus principais personagens. Presidente da República a partir de 1930, foi o responsável por levar à frente a modernização industrial da sociedade brasileira.

O início da década de 30 ficou conhecido como o período de substituição de importações: aquilo que antes era importado passou a ser produzido por indústrias brasileiras, num movimento oriundo tanto do setor privado (representado principalmente por ex-cafeicultores) quanto pelo Estado brasileiro.

Além disso, houve grande investimento na criação de indústrias de base e nos setores de logística e energia. Dentre as principais transformações ocorridas neste período, destacam-se:

  • Ampliação da infraestrutura das malhas ferroviária e rodoviária, para o transporte, distribuição e escoamento de produtos;
  • Criação da Companhia Siderúrgica Nacional, para a produção de aço e outros metais que serviam como matéria-prima para a indústria em desenvolvimento no país;
  • Criação da Companhia Vale do Rio Doce, para exploração mineral;
  • Criação da Petrobrás, para exploração energética e petrolífera;
  • Criação da Companhia Hidrelétrica do São Francisco, para produção de energia;
  • Criação de leis trabalhistas.

Nesse período, então, as indústrias brasileiras produziam não somente bens de consumo duráveis como não duráveis, de automóveis a roupas, calçados e alimentos.

Quarta fase: 1956-presente.

A quarta fase da industrialização brasileira iniciou-se em 1956, no governo de Juscelino Kubitschek e tem como característica principal o ingresso de capital estrangeiro no país.

A chegada de indústrias multinacionais, com destaque para aquelas do ramo automobilístico (principalmente montadoras), são marcas das políticas desenvolvimentistas da quarta fase da industrialização.

A abertura de novas empresas nesse período incentivou fortemente o consumo, o consumismo e a competitividade interna e externa e, a partir desse momento, o mercado brasileiro pôde se integrar melhor aos processos de exportação e comércio global

Apesar da crescente presença de capital estrangeiro, o Estado brasileiro manteve sua importância no desenvolvimento industrial através das políticas de incentivo fiscal para novas fábricas e investimentos  na infraestrutura para produção e circulação de produtos: o crescimento da malha rodoviária brasileira promoveu uma maior conexão do território nacional.

As características centrais da quarta fase da industrialização brasileira no governo de Juscelino Kubitschek se resumem em:

  • Internacionalização da economia;
  • Três pilares econômicos principais:
    a) capital estatal investido em indústrias de base e infraestrutura;
    b) capital privado nacional investido em indústrias de bens duráveis;
    c) capital internacional investido em bens duráveis.

Nos anos seguintes ao governo de Kubitschek, as premissas propostas por ele tiveram continuidade no país e o desenvolvimento e internacionalização da da indústria brasileira ganhou força: a entrada de empresas e capital estrangeiro foi intensificada nos anos de ditadura civil-militar e, entre os anos anos de 1968 e 1973, o Brasil viveu o período conhecido como “Milagre Econômico”.

A partir da década de 1990, a industrialização brasileira foi marcada pela adoção de medidas neoliberais, que consistem em privatizações de empresas estatais, flexibilização de leis trabalhistas, redução de investimentos em âmbitos sociais 

A industrialização do Brasil na atualidade

Atualmente a indústria brasileira é responsável por pouco mais da metade do PIB do país. Com um parque industrial amplo e diverso, a indústria brasileira atua em pelo menos 33 ramos produtivos, sendo os principais:

  • Automobilismo;
  • Metalurgia e siderurgia;
  • Petróleo;
  • Papel e celulose;
  • Alimentação;
  • Mineração e extrativismo.

Hoje em dia destacam-se dois padrões industriais no Brasil: a desconcentração industrial e a desindustrialização da economia nacional. 

A desconcentração diz respeito à uma maior distribuição espacial das plantas industriais no território nacional. Os parques industriais, que num primeiro momento encontravam-se na região Sudeste, atualmente estão se deslocando também para outros estados e municípios, como a região Nordeste, por exemplo. Isso se dá por diferentes motivos:

  • Saturação de áreas altamente industrializadas;
  • Ampliação de redes de transporte;
  • Oferta de mão de obra qualificada;
  • Melhores ofertas fiscais.

Já a desindustrialização corresponde à uma menor participação da indústria na economia, devido a fatores como o Custo Brasil e às commodities agrícolas e minerais, que passaram a alavancar a economia brasileira nos últimos anos, superando assim a participação da indústria no volume de exportações brasileiras.

A industrialização brasileira no CACD

A Industrialização Brasileira é uma das matérias que caem no CACD, nas provas de Geografia e Economia, além de Língua portuguesa, Língua inglesa, Língua francesa, Língua espanhola, História mundial, História do Brasil, Política internacional, Direito Internacional Público e Direito Interno.

Portanto, interessados no Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata devem estudar essas disciplinas e as bibliografias indicadas no Edital.

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