Muitos brasileiros aguardam ansiosamente qual será a indicação de ministros do governo que toma posse em 2023.
Para os candidatos à carreira diplomática, o nome mais aguardado é do ministro (ou da ministra) que ocupará o cargo máximo do Ministério das Relações Exteriores (2023).
Mauro Vieira, o último chanceler do governo de Dilma Rouseff, é o nome favorito para ocupar a pasta.
Confira abaixo o cenário atual, com breve panorama dos últimos 4 anos de governo e os sinais de mudança que já começam a aparecer no horizonte. Ao final, falaremos brevemente sobre a carreira de Mauro Vieira, e quem é o nome mais cotado para ser o novo chanceler brasileiro e comandar o Itamaraty.
Os ministros do governo Bolsonaro (2019 – 2022)
Entre 2019 e 2022, a política externa do governo Bolsonaro provocou mudanças visíveis no que diz respeito à inserção internacional do Brasil.
Em meio à disputa entre pragmatismo e ideologia, a política externa do Brasil dos últimos quatro anos diferiu dos padrões observados na trajetória histórica da diplomacia brasileira. Mas em que medida a nomeação dos chanceleres refletiu em mudanças na inserção internacional do Brasil?
Ernesto Araújo (2019 – 2021)
Ernesto Fraga de Araújo foi indicado em 2019 pelo então eleito presidente Jair Bolsonaro. Diplomata desde 1991, sua nomeação como Ministro das Relações Exteriores representou continuidade à tradição de se ter um diplomata de carreira chefiando o Itamaraty.
Mas nem todas as tradições diplomáticas foram seguidas durante sua gestão. De acordo com a professora Miriam Saraiva, entre 2019 e 2021, a política externa do Brasil testemunhou um rompimento no padrão diplomático de:
- dialogar com parceiros tradicionais;
- priorizar a integração regional;
- e engajar em discussões nos foros multilaterais.
As bases para essa política externa ideológica de Araújo nasceram em artigo escrito pelo diplomata em 2016. No texto, o ex-chanceler defendeu que a participação do Brasil para “combater o globalismo em prol dos valores ocidentais” seria feita a partir de uma “metapolítica externa brasileira”.
O presidente Donald Trump propõe uma visão do Ocidente não baseada no capitalismo e na democracia liberal, mas na recuperação do passado simbólico, da história e da cultura das nações ocidentais. A visão de Trump tem lastro em uma longa tradição intelectual e sentimental, que vai de Ésquilo a Oswald Spengler, e mostra o nacionalismo como indissociável da essência do Ocidente. Em seu centro, está não uma doutrina econômica e política, mas o anseio por Deus, o Deus que age na história. Não se trata tampouco de uma proposta de expansionismo ocidental, mas de um pan ‑nacionalismo. O Brasil necessita refletir e definir se faz parte desse Ocidente.
Araújo, Ernesto – “Trump e o Ocidente”. In Cadernos de Política Exterior (IPRI). Vol. 3, N.º 6, 2017, pp. 323-358.”
Carlos Alberto Franco França (2021 – 2022)
Em política externa, as palavras têm peso grande e podem provocar reações de atores externos, mesmo antes de qualquer ação concreta, é o que aponta a professora de Relações Internacionais Miriam Gomes Saraiva. Foi no contexto de fragmentação na formulação da política externa que o então chanceler foi substituído.
“Em política externa, as palavras têm peso grande e podem provocar reações de atores externos, mesmo antes de qualquer ação concreta.”
Saraiva, Miriam Gomes. 2022. “Como mudar uma política externa?”. CEBRI-Revista. Jan-Mar 2022.
Após divergências no Senado, Carlos Alberto Franco França passou a substituir Araújo.
Também diplomata de carreira, França representou a volta do pragmatismo e reduziu pontos de atrito com parceiros externos. Assim, termos como “globalismo” e “climatismo” vêm perdendo vez no exercício da política externa.
Em tom mais “sóbrio”, Carlos França passou a atuar também de maneira mais discreta, em boa parte para preservar o valor de uma instituição [muito] anterior ao bolsonarismo. Isso foi perceptível em uma das suas primeiras aparições já empossado como Ministro das Relações Exteriores:

Desde então, diferentes expectativas sobre quem será o(a) próximo(a) Chanceler permeiam as discussões diplomáticas.
Chanceler mulher?
Após os resultados das eleições presidenciais, uma intensa movimentação dentro do Itamaraty sobre quem assumiria a função de liderar a nova diplomacia do país deu vez a uma importante reivindicação: a nomeação de uma mulher para a chefia do Itamaraty.
Nas redes sociais, diplomatas, aspirantes à carreira e grupos da sociedade civil têm se manifestado pela causa #ChancelerMulher.
Inúmeros são os motivos para uma mulher assumir o cargo. Dentre eles, está o fato de que, além do Uruguai, o Brasil é o único país na América Latina que nunca teve uma Ministra de Relações Exteriores Brasil.
Considerando os dados do estudo “Gender in Bilateral Diplomacy”, elaborado pela Universidade de Gutemburgo, se a diplomacia é a representação do Brasil no exterior, faz sentido apenas 13% de diplomatas mulheres ocuparem o cargo de Embaixadoras?
Infelizmente, tudo aponta que não será dessa vez que teremos uma chanceler mulher.

Nem tão “novo” assim: quem é Mauro Vieira?
Com as recentes eleições presidenciais, os grupos que trabalham na transição de governo vêm dando indícios de quem serão os futuros ministros do próximo governo. Para a chefia do Itamaraty, tudo indica que o favorito a assumir a pasta é o Embaixador Mauro Luiz Iecker Vieira.
Também diplomata de carreira, Vieira não estará inaugurando sua primeira vez como chanceler do Brasil. O Embaixador já esteve na chefia do Itamaraty durante o Segundo Gabinete de Dilma Rousseff, entre janeiro de 2015 e maio de 2016, quando Vieira foi exonerado do cargo devido ao processo de impeachment da ex-presidenta.
Entre 2016 e 2020, atuou como Embaixador do Brasil na Organização das Nações Unidas. Durante o governo Bolsonaro, Vieira foi designado para o cargo de Embaixador do Brasil em Zagreb, capital da Croácia.

Para o professor Guilherme Casarões, Vieira foi responsável pela “diplomacia de resultados”, responsável por devolver à política externa do Brasil a sua “força”.
Na economia e na política, 2015 foi um ano para se esquecer. Felizmente, não foi o caso da política externa. Negligenciada durante parte do primeiro mandato de Dilma, ela ganhou força no último ano, sob o comando do chanceler Mauro Vieira e guiada pela diplomacia de resultados.
CASARÕES, Guilherme. O Brasil em tempos de crise (2015)
A expectativa nesse momento de transição é que o Brasil volte a se engajar positivamente no cenário externo. Sem nem mesmo o novo mandato ter se iniciado, já existe um clima de entusiasmo para que o Brasil volte a se portar como uma player de peso nas relações internacionais.
Por aqui, estaremos acompanhando tudo de perto e contribuindo para que mais e mais brasileiros possam servir ao nosso Estado representando o país, negociando em prol do desenvolvimento e informando sobre o que o Brasil tem a oferecer e a obter de vantagens no mundo.



No comment yet, add your voice below!