Mestrado no exterior: vale a pena? Relações internacionais e diplomacia não são sinônimos. Pode parecer óbvio, mas há quem ainda entenda as duas coisas como uma só. O resultado dessa equivocada é que o Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD) é muitas vezes visto como a única porta de entrada para uma carreira internacional. Não é! O universo das carreiras internacionais vai muito além do Itamaraty. Há várias carreiras internacionais para além da carreira de diplomata e uma pós graduação ou especialização muitas vezes representa uma porta de entrada para muitas delas.
Mas será que o mestrado realmente ajuda na aprovação no concurso da diplomacia? Vamos explorar um pouco essa dilema?
Dividimos o post assim:
1. Mestrado: vale a pena fazer?
2. Mestrado no exterior: pós e contras
3. Decidi fazer um mestrado no exterior: mas onde?
4. Os processo seletivo: como funcionam?
5. Saindo da zona de conforto para fazer um mestrado fora
6. Bolsas de estudo: onde encontrar?
7, Carreiras internacionais: que mundo é esse?
8. Conclusões sobre fazer mestrado no exterior
Vamos lá ao conteúdo desse artigo?
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1. Mestrado: vale a pena fazer?
Antes de falar sobre mestrado no exterior, é preciso fazer algumas considerações sobre mestrados em geral.
Por uma série de razões, muitos candidatos ao Concurso de Admissão à Carreira de Dipomata (CACD) acabam em algum momento apostando em um mestrado. Uma delas é que apesar do aprendizado que se adquire nos anos de estudos para o CACD, esse período de estudos não é oficialmente valorizado. A cruel realidade é que, acadêmica ou profissionalmente, você não está exatamente avançando se está “só estudando para o CACD“. Pelo menos é isso que muitos candidatos ao concurso da diplomacia relatam pensar e sentir… Você não ganha diploma de “quarto secretário” e ninguém te contrata só por que você conseguir atestar anos de experiência no Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD), certo? Por essa e por outras, um mestrado é visto com atrativo para dar um boost no seu currículo e abrir portas tanto no âmbito acadêmico quanto no âmbito das diversas carreiras internacionais que existem para além da diplomacia.
Mas Clipping, será que o mestrado fora realmente ajuda na aprovação no concurso da diplomacia?
Aí já é um outro assunto… Pode ajudar, sim. Mas não necessariamente. Existem alguns aspectos do seu mestrado (independente se feito no Brasil ou fora) que podem servir como preparação para o concurso também. Mas em geral esse aproveitamento do mestrado para o CACD acaba sendo muito incidental. Antes de mergulhar nessa tema para lá de polêmico, vale ter em mente alguns dados

Que curioso Clipping, isso então quer dizer então que um 1/3 dos candidato que passam tem já mestrado ou doutorado?
Não, não é isso. O que ocorre é que, considerando esses número de diplomatas com mestrado, pelo menos a metade deles concluiu a pós-graduação após tomar posse, geralmente de 05 a 15 anos após a posse (mais sobre esses dados e a interpretação sobre eles você encontra no artigo Alma mater diplomática: a formação acadêmica dos diplomatas brasileiros ). Esse dado demonstra que não há uma relação direta e óbvia entre aprovação no concurso da diplomacia e o domínio acadêmico profundo de um determinado tema adquirido em uma pós-graduação.
Se é verdade que
Um especialista sabe o máximo do mínimo. Um generalista sabe o mínimo do máximo.
O CACDista está mais para um generalista. O concurso cobra muito mas um conhecimento “horizontalizado” sobre uma gama variadíssima de temas do que um conhecimento “verticalizado” sobre um número limitado de questões. Nesse sentido, um mestrado ou um doutorado é, a princípio, algo que vai contra a lógica tendência generalista do concurso. Ademais, o pragmatismo nos estudos e o foco na banca (que é o que realmente conta) apenas se adquire com estudo específico para o CACD. Paradoxalmente, não é raro que candidatos com mestrados ou doutorado tirarem em questões discursivas que versam sobre seus temas de teses notas inferiores à média dos demais candidatos. Nesse sentido, a relevância de um mestrado ou doutorado para o concurso tem uma importância muitas vezes sobrestimada na perspectiva de grande parte dos candidatos.
Ah Clipping, isso quer dizer que não vale a pena eu fazer uma pós-graduação?
Isso não quer dizer, de forma alguma, que não seja interessante você fazer uma pós. O que o Clipping está tentando te dizer é que outros critérios além do um mestrado me ajuda no CACD devem ser colocados na balança. Nossos parceiros do Estudar Fora e do Na Prática fizeram isso de forma muito aberta e honesta nesse vídeo. Antes de seguir para os outros tópicos do post, confira aqui

Vamos agora destrinchar isso melhor agora, ao falar com destaque agora para os mestrados no exterior (que é o foco deste post)…
2. Mestrado no exterior: pós e contras?
Nesse post, vamos focar na questão dos mestrados no exterior.
Línguas: ganho garantido?
Para fins de CACD, mestrados no exterior tem um ganho indiscutível: o avanço nas línguas exigidas pelo concurso. Em Genebra, por exemplo, muitas disciplinas dos mestrados são ministrados em inglês, mas a sua vida cotidiana orbitará em torno do Francês. Boa parte dos cursos de pós-graduacao no exterior seguem esse lógica cosmopolita de oferecer parte das disciplinas em Inglês. Esse é definitivamente um ganho por uma série de razões.
O Clipping já vem falando há muito tempo sobre como a prova de línguas (Inglês, Francês e Espanhol) tem se tornado cada vez mais decisiva para o cálculo da nota final. Mas isso não é tudo. Se consultarmos candidatos recém-aprovados no concurso e que fazem agora o seu treinamento no Instituto Rio Branco, boa parte deles confessarão que a parte mais pesada do curso de formação no Instituto Rio Branco são as aulas de línguas. Não é por acaso que os candidatos premiados anualmente com maiores notas no curso de formação de diplomatas do Instituto Rio Branco geralmente são candidatos que tiveram em algum momento experiências de imersão no exterior que o conferiram eles um excelente domínio de línguas. Nesse sentido, um investimento em um mestrado no exterior é um investimento com retorno garantido não só no concurso, mas para a própria carreira que se seguirá.
Muitas perguntas, poucas respostas
Da mesma forma que o início da preparação para o CACD, a preparação para um mestrado envolve planejamento e perguntas do tipo “paro de trabalhar só para estudar? “, “consigo pagar pelos cursos e livros? “, etc. Você precisa se questionar sobre se essa é opção faz sentido para você hoje. Como fará para financiar esse tempo, que pode durar de um a dois anos, no geral. Muitas perguntas e poucas respostas… No entanto, quem pretende fazer um mestrado no exterior precisa se deter sobre franqueza absoluta nessa auto-análise.

Assim como a carreira diplomática, o mestrado no exterior é algo em torno do que existe uma indevida glamourização. Os riscos de se frustrar ao não cruzar suas expectativas individuas com aquilo que instituições estrangeiras realmente oferecem são altos.
Para encarar até o fim um mestrado no exterior, você vai precisar de motivações mais profundas do que meramente “passar um tempo fora do Brasil” ou “ganhar status acadêmico”. Se você está considerando um mestrado ou doutorado, você está prestes a se debruçar durante meses ou anos sobre um tema bastante específico. Parece óbvio dizer isso, mas antes mesmo de buscar a instituição é preciso buscar uma linha de pesquisa que realmente toque seu coração: Diretos Humanos? Comércio internacional? Desenvolvimento? É preciso avaliar com cuidado a grade curricular de cada curso oferecido (ela é coerente com seu objeto de pesquisa?); pesquisar com atenção sobre os professores (o que eles escreveram te inspira?) ; as linhas gerais dos posicionamentos ideológicos dessas universidades.
Vale lembrar que grande parte dos processos seletivos para mestrados no exterior dão grande peso à motivação do candidato e à coerência da escolha do curso com o histórico profissional e acadêmico candidato (vamos falar sobre o processo seletivo adiante).
Por essa e por outras, é importante entender suas reais motivações para buscar fazer uma pós no exterior. Pergunte-se o seguinte:
Ganhar fluência em línguas e me aperfeiçoar para o CACD: são só essas 2 coisas que procuro no mestrado
Se sua resposta for à pergunta acima for SIM, você provavelmente está indo para um mestrado no exterior pelo motivo errado.
3. Decidi fazer um mestrado no exterior. Mas onde?
Na hora de escolher para onde ir, vale ter em mente quais são os mais consagrados cursos de mestrado, sobretudo na área de relações internacionais (que é de longe a favorita dos candidatos ao CACD!). Alguns países, como Estados Unidos e Inglaterra, são reconhecidos por concentrarem os maiores centros de excelência acadêmica e, por consequência, boa parte das linhas de pesquisa mais disputadas para quem é da área de Relações Internacionais. Há dezenas e dezenas de rankings em que são arroladas as instituições mais procuradas. Esses ranking variam de acordo com a metodologia adotada para classificação, variam também de ano para ano.
Abaixo fizemos um breve top 5, com base no QS World University Ranking de 2016 publicado no The Guardian.

Onde fica? –> Massachussets, EUA.
Como é? –> Harvard é a universidade privada com maior dotação financeira do mundo. E esse recorde não vem por acaso… O custo anual médio para um estudante de graduação em Harvard no ano letivo gira em torno da bagatela de US$75.000. Sete presidentes dos EUA graduaram-se em Harvard, como Roosevelt, JFK e Barack Obama. Entre outros nomes influentes egressos das fileiras de Harvad estão Bill Gatese Mark Zuckeberg.
Onde saber mais? –> Harvard tem um Escritório específico para informar candidatos e estudantes estrangeiros, ver aqui no link.

Onde fica? –> Oxford, Inglaterra.
Como é? –> A universidade de Oxford é a mais antiga das universidades de língua inglesa. Ao contrário de outras universidades não tem um campus. O complexo da universidade é composto com dezenas de colégios espalhados pela cidade. Se estiver visitando Oxford, evite a gafe básica comum cometida por turistas que chegam perguntando: onde fica o campus?
Alunos famosos –> Bill Clinton, Tony Blair, C.S.Lewis (autor de Crônicas de Nárnia), J.R.R Tolkien (autor de Senhor dos Anéis), Oscar Wilde, Lewis Carroll (Alice no País das Maravilhas).
Onde saber mais? –> Veja mais sobre o processo de entrada aqui no link

Onde fica? –> Londres, Inglaterra.
Como é? –> Conhecida como LSE. A Escola é reconhecida como a principal universidade especializada nas ciências sociais do mundo. Embora esteja no terceiro lugar geral do ranking, é a primeira no critério “research impact”. Ou seja: considera-se que as pesquisas e teses produzidas na London School of Economics são as de maior potencial.
Alunos famosos –> George Bernard Shaw, Karl Popper, Anthony Giddens, Friedrich Haye.
Onde saber mais? –> Ver mais sobre a London School of Economics (LSE)

Onde fica? –> Paris, França.
Como é? –> O L’Institut d’études politiques de Paris (IEP de Paris), mais conhecido como SciencesPo, é um centro de excelência em matéria relacionadas a ciências sociais e relações internacionais conhecido também por sua vocação ecumênica e cosmopolita. Nada menos do que 46% do quadro de alunos são estudantes estrangeiros, representando cerca de 150 diferentes países.
Alunos famosos –>Marcel Proust, Christian Dior, Pascal Lamy (ex-diretor da OMC), Boutros Boutros Ghali (ex-Secretário Geral da ONU)
Onde saber mais? –> Ver mais aqui sobre a SciencesPo

Onde fica? –> Cambridge, Inglaterra.
Como é? –> A Universidade de Cambridge rivaliza com Oxford pelo título de melhor universidade do Reino Unido. Conhecida pelo recorde de ter entre seus alunos o maior número de prêmios Nobel.
Alunos famosos –> Stephen Hawking, Isaac Newton, Keynes, Bertrand Russel, Vladimir Nabokov, Hugh Laurie (protagonista da série Dr. House), entre muitas outras personalidades renomadas.
Onde saber mais? –> Ver mais aqui sobre a Universidade de Cambridge
— Ver o restante do ranking das top 25 instituições para Relações Internacionais aqui neste link —
Ainda assim, aqui vai a dica mais valiosa: não fique só em reputação dessas instituições e desses rankings. Se você já estuda relações internacionais, consulte seus professores quais são as instituições internacionais que eles consideram as mais promissoras para mestrados no exterior na área. A escolha da instituição deve ser feita com critério e muita paciência. Não opte por se candidatar a um curso de determinada universidade só porque ela encabeca a lista das top acima ou lago do tipo. Vale lembrar que mesmo a metodologia para a elaboracao dessas listas levam em conta vários fatores. A lista QS world university rankings 2016 atribui uma nota para Academic Reputation e outra para Employer Reputation. Por exemplo, a consagrada Sciences Po tem uma reputação acadêmia maior do que Harvard, por outro lado Harvard goza uma maior reputação maior junto ao mercado de trabalho. Além disso, no cálculo pessoal de cada candidato vários outros fatores devem conferir pesos diferentes na perspectiva de cada um. Vale lembrar também pelo caráter anglocêntrico de muitos desses rankings, instituições consagradas como o The Graduate Institute, em Genebra, ou a Uppsala University, em Estolcomo, acabam não ganhando o destaque que deveriam merecer do candidato a um mestrado no exterior na área de Relações Internacionais.
Os rankings das melhores instituições por área são um ótimo ponto de partida. Mas para além desses rankings há muitas escolhas interessantíssimas que devem sim estar no radar do candidato. Portanto, dê uma boa olhada nos rankings, mas não se atenha apenas a eles. É preciso ir além e buscar opiniões de quem tem vivência na área, professores, mestrandos, doutorandos…
Novamente, isso demanda tempo, paciência. Essa processo de escolha das instituições é duro. Prepare-se para uma via-sacra virtual através de inúmeros sites. Prepara-se também para o fato de que a navegação por esses sites não é extamanente intuitiva e para o fato de que as informações são confusas e muitas vezes desatualizadas e desencontradas, etc.

Prepare-se também para a burocracia que invariavelmente terás pela frente.
4. Como é o processo seletivo para um mestrado no exterior?
Cada instituição tem seu processo seletivo e cada processo seletivo tem suas peculiaridades, prazos, etc. Conhecer a fundo o processo seleção (application) da institução em que você está de olho é fundamental.
Os modelos de admissão para mestrados no exterior são bastante diferentes se comparados ao brasileiro. Ao contrário do que muitas vezes ocorre no Brasil, não se trata simplesmente de passar em uma prova de seleção de mestrado e pronto. O processo de admissão no exterior costuma ser mais longo e muito mais subjetivo do que objetivo. Explicando melhor: de forma geral, a aprovação no processo seletivo no exterior depende muito mais da forma como o candidato apresenta sua história, devendo demonstrar de forma coerente como seu percurso profissional e acadêmico o motivou a optar por aquele mestrado em específico.
Boa parte do sucesso nos processos seletivos são creditadas à capacidade do candidato de engajar a banca de admissão com storytelling que reflita de forma coerente e interessante sua trajetória pessoal, acadêmica e/ou profissional. Nesse sentido são levados em conta como sua história é contada pelo:
- currículo (suas notas falando sobre você);
- carta de motivação (você falando sobre você);
- carta de apresentação (outros falando sobre você);
Da mesma forma como um candidato ao concurso de diplomata deve entender o Cespe/Unb, candidatos a mestrado no exterior devem entender o processo seletivo da universidade para qual estão se aplicando. Esse conhecimento te dará confiança e desenvoltura para montar seu dossiê de candidatura de forma alinhada com as expectativas da instituição para a qual você está se candidatando, para redigir cartas de motivação coerentes, assim como pedir à pessoas certas cartas de apresentação, etc.

Armado com esse conhecimento sobre o processo seletivo você estára em condições de atingir com mais assertividade o discurso que é exigido de você para ingressar nos quadros dessas instituições.
Passando agora para uma outra pergunta importantíssima que você precisa se questionar..
5. Eu estou disposto a sair da minha zona de conforto para encarar um mestrado no exterior?
Pense nisso com carinho… As dificuldades envolvem muito mais do que simplesmente estudar. Saber adaptar-se é uma qualidade que ou você tem ou precisará desenvolver. Da mesma forma que a cultura brasileira tem seus meandros, seus pros and cons digamos, para aonde quer que você vá, a cultura local terá, na sua perspectiva, esses mesmos desafios. Saber ver os dois lados é exercício para se atingir esse delicado equílibrio para ser feliz longe de casa. Para você talvez isso pode soar como um cliché, mas é importante reforçar isso. Não sao poucas as pessoas que tem expectativas irreais sobre o que é de que estudar e viver fora. A vida de estudante em outro país não é uma timeline no Instagram.
Isso sem falar que essa pode ser oportunidade de vencer muitos medos – medo de ficar longe do namorado ou namorada, medo de se afastar dos amigos, medo de não fazer novos amigos, medo do clima, medo da língua… o medo, enfim, do desconhecido. Todos esses medos aí um dia precisarão ser superados . Nesse sentido, fazer um mestrado no exterior é também um exercicio de desprendimento e abertura para novas vivências que serão replicadas futuramente na carreira diplomática.
Sair da zona de conforto significa também estar disposto a apertar o orçamento e passar por perrengues. Perrengue tipo o quê? Tipo estudar um texto difícil de madrugada na cozinha de um apê minúsculo para não perturbar seu colega de quarto clandestino que está dormindo no sofá-cama da sala. Isso rola e se você duvida, tem uma anedota hilária sobre esses perrengues cotidianos. Uma delas é contadas no vídeo abaixo em que Clóvis de Barros conta como fazia para estudar em Paris para não incomodar seu colega Joaquim Barbosa, que mais tarde passaria pelo Itamaraty como Oficial de Chancelaria antes de chegar a Ministro do Supremo (todo candidato a diplomata deveria ver esse vídeo na íntegra, mas se quiser pular para a parte da anedota ela fica mais para o final)

Muito longe da visão de que estudar fora é mordomia, a vida do estudante no exterior é muitas vezes um exercício diário de austeridade.
Isso nos leva a uma questao fundamental: onde e como juntar grana para essa empreitada?
6. Bolsas de estudo para mestrados no exterior: onde procurar?
Quer estudar fora, mas não tem dinheiro para se bancar? Muita calma nessa hora… Muitos candidatos com ótimas perspectivas de aprovação em um mestrado no exterior acabam desistindo da ideia sem ao menos entender como funcionam os diversos mecanismos de financiamento.
São várias as origens das bolsas disponíveis a estudantes estrangeiros. Tanto os governos, quanto as próprias universidades e mesmo outras instituições podem ajudar a pagar a conta.
Governos de países desenvolvidos financiem programa de bolsas para estudantes internacionais. Só a título de exemplo:
No âmbito governamental, o Reino Unido, por exemplo, tem o Chevening, programa de bolsas para estudantes internacionais. A Itália tem também seu programa de bolsas , cujo processo seletivo é feito pelo próprio Ministério das Relações Exteriores italiano. O Japão, tem o seu consagradíssimo MEXT, um programa de bolsas que inclui tanto graduação quanto pós-graduação cuja seleção é feita no âmbito das Embaixadas japonesas no Brasil.
Outras iniciativas similares existem em instituições como o Banco Interamericano de Desenvolvimento que mantém um programa de bolsas de estudo chamado Academia ou o Projeto IBRASIL. Isso sem falar no famosíssimo Erasmus que concede bolsas geralmente no âmbito da União Europeia
Sério. Oportunidades não faltam para bolsas. Há centenas delas aí espalhadas pela Internet. Infelizmente, ficam muitas são desconhecidas do grande público e muitos recursos destinados a esses programas de bolsas simplesmente não são usados por falta de candidatos que topem pesquisar a fundo sobre e enfrentar a burocracia e a papelada que se deve preencher até ter a bolsa concedida.
Muitas das vezes quem leva a bolsa não é necessariamente quem tem mais mérito acadêmico, mas quem tem mais disposição de enfrentar a burocracia para levantar os papéis que são pedidos nos dossiês de candidatura.
Ah, e vale lembrar que boa parte das bolsas você também pode conseguir ao longo do curso. Se você não conseguiu uma bolsa logo de cara na entrada do mestrado, é possível ao longo do curso se aplicar novamente.
Em se tratando de bolsas, persistência é fundamental.
7. Que mundo é esse que não envolve o CACD?
Que carreiras internacionais são essas além da diplomacia que um mestrado e uma especialização pode abrir? Você já deve ter ouvido falar do conceito de governança global. Esse conceito hoje é resposável por abrir bastante as perspectivas profissionais de estudantes de Relações Internacionais e várias outras áreas. Uma das características mais marcantes da governança global do mundo que vivemos hoje é que vários atores a compõem, não somente os Estados, portanto não somente os atores diplomáticos desses Estados.
O mundo é governado por organizações internacionais, governamentais e não governamentais, atores privados, e inclusive parcerias entre eles. Esses outros atores, como qualquer outra instituição precisa de pessoal. Nesse sentido, as carreiras internacionais hoje vão muito além da carreira diplomática. Pense no Fundo Global e no Comitê Internacional da Cruz Vermelha, esses 2 com sede em Genebra. Genebra aliás tem várias instituições. Nesse link, você pode conferir todas as instituições internacionais com sede na Suíça e suas oportunidades de trabalho, muitas delas com escritórios espalhados pelo mundo.
Mas pense também para além de Genebra, como na Anistia Internacional, com sede em Londres e escritórios espalhados por todo o mundo.
No fim das contas, o que importa é sonhar alto e, com os pés no chão, correr atrás.

Vai dar certo! Mas antes de ir embora, o Clipping gostaria de te pedir para compartilhar esse post com um amigo seu que possa ter interesse em estudar fora. Para compartilhar é só clicar aqui e marcar o amigo.
8. Moral da História
Esse post foi feito para desmistificar alguns pontos com relação mestrados e sobretudo com relação a mestrados no exterior. Podemos de forma bem objetiva tirar algumas conclusões>
- Para aprovação na carreira diplomática, os mestrados em geral tem importância incidental;
- A escolha da instituição e do curso devem ser feitos com muito critério;
- Os processos seletivos para mestrados no exterior são diferentes dos processos seletivos no Brasil;
- Estudar fora demanda sair da sua zona de conforto;
- Existem várias Bolsas de Estudo

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