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CACD: Minha história com o CACD!

 CACD

Meu primeiro CACD foi no ano 2003. Eu estava ainda cursando o ensino médio, ainda em dúvida se tentava o vestibular para Medicina ou Direito, mas tinha a certeza de que eu investiria no concurso de admisão à carreira diplomática, o famigerado CACD. Como todo candidato que ensaia os primeiros passos dessa longa e extenuante jornada, passava boa parte do dia em devaneios:

Como me tornar um candidato competitivo? Devo fazer cursinho? Qual? Devo comprar aqueles Guias da FUNAG? Devo assinar o TheEconomist, etc?

Muitas perguntas e poucas respostas.

Nessa época, aqui em Belo Horizonte não havia ainda cursinhos preparatórios. Eu não tinha familiares nem amigos na carreira. As perspectivas não eram animadoras. Ainda assim, eu me mantinha otimista. Afinal, eu acreditava ter o necessário para, no longo prazo, conquistar a sonhada vaga: gostava de ler e de escrever, era apaixonado por história, a política me interessava muito, dominava bem o inglês. E o mais importante: tinha muito tempo pela frente para sanar minhas deficiências em Economia, Francês, etc. Isso era o bastante, certo?! Para minha surpresa NÃO pois continuo na luta até hoje!  Mas o que deu errado nesse plano afinal?

Calma que chegamos lá…

Continuando, fato é que o que eu pude fazer para conhecer melhor o CACD eu fiz. Liguei para a FUNAG, para saber como encomendava aqueles Guias de Estudo (na época não estavam disponíveis para download). Juntei algumas mesada, depositei o dinheiro e dentro de alguns dias os guias estavam comigo. Li boa parte deles com um dicionário do lado. Muita coisa ali soava grego para mim, principalmente tantos "ismos": keynesianismo, construtivismo, realismo, etc. Juntei outra parte da  mesada e fiz minha inscrição no CACD mesmo sabendo que minhas chances eram nulas. Antes mesmo da prova veio meu primeiro choque de realidade. Recebi muitas críticas: o concurso é muito difícil e você não tem o perfil, afinal não tem nenhum conhecido no Itamaraty, você nem passou no vestibular ainda, por que você não tenta algo mais fácil?! Enfim, aquele tipo de coisa que uma hora ou outra todo candidato acaba escutando… Meu segundo choque de realidade foi no dia da prova: tantos candidatos experientes discutindo na sala sobre coisas que eu nunca tinha ouvido falar, "outter six" e votação brasileira sobre a questão cubana em 1962, os Saquaremas e a política imperial, etc. E o que eu sabia disso? Absolutamente NADA!

Ok. Por aí você imagina: "que fiasco foi esse meu primeiro TPS desse sujeito"

Mas para minha surpresa e para a surpresa de muita gente eu fui muito bem. Fiquei por algo como 0,50 do corte. Muito próximo mesmo. Acabei me surpreendendo com quanta coisa que eu sabia (essas provas antigas tinham muito de cultura geral e eu, que tinha o hábito da leitura, acabei me saindo inesperadamente bem). Mas e Economia? Bem, a maior ironia foi a prova de Economia eu simplesmente fechei. Acertei tudo! Sorte de principiante? Algo disso. Foram todos chutes, uns mais conscientes do que outros 😉 

Saí desse primeiro TPS com a alma lavada! Certo de que seria só uma questão de tempo (e estudo, é claro) para lograr uma aprovação.

Mas dessa vez quem se enganou fui eu! Não é bem assim! Depois de tantos outros TPS, fui perceber que ficar perto do corte todo mundo  fica. Aquilo que tinha acontecido comigo, que não tinha estudado praticamente nada para o TPS, não era nada especial. Eu não era mais iluminado do que ninguém, eu não era mais predestinado do que ninguém a passar no Itamatary. E daí venho um  terceiro choque, um choque de humildade: um convite a ser mais humilde e admitir que esse trajeto até a aprovação poderia levar mais tempo do que eu previa. Ou pior, talvez era preciso admitir que NÃO era só uma questão de tempo e estudo para a aprovação. Era preciso admitir que não havia qualquer certeza, seja no curto seja no longo prazo de aprovação.

Grande parte dos candidatos, mesmo os que não estudaram pouco,  fica naquela zona que chamamos de "limbo": a  1 ou 2 pontos abaixo da nota de corte. Daí a sensação de muitos acaba sendo aquela: "fui até bem, mas não passei". Provavelmente se você já tentou o CACD algumas vezes já deve ter sentido isso. Quem nunca teve aquela vontade de voltar no tempo, marcar 3 ou 4 itens de outra forma… É duro dizer isto de forma tão direta, mas você NÃO FOI BEM por ter ficado a 1 ou 2 pontos do corte. Você foi como grande parte dos candidatos. E isso, como todos sabemos, não é o bastante! Não estou dizendo que quem ficou abaixo do corte não está bem preparado para ir até as outras etapas e lograr a aprovação. Pelo contrário, com todo esse tempo que tenho de CACD percebi que muitos dos candidatos que ficam próximo ao corte tem uma carga de leitura e de conhecimento que, não raro, é até maior do que alguns que seguiram para as etapas posteriores.

Eu fiz todos os cursinhos que você pode imaginar. Investi muito (tempo e dinheiro). Aprendi muito com os melhores professores do mercado. Entrei em algumas furadas também (quem nunca?!). Mas o importante é que nesse ponto eu dominava bem o conteúdo do Edital tanto para o TPS quanto para a 3ª fase. Minhas redações e meus exercícios de 3ª etapa estavam estilo Guia de Estudo. Estava orgulhoso da minha desenvoltura para escrever e para gabaritar simulados.

Por outro lado, ainda assim, eu seguia ficando por décimos abaixo do corte em  2008, 2009, 2010 e 2011. É uma sensação horrível, quando não se vê refletir na sua pontuação o investimento que se faz em tempo e em dinheiro. Você fica com a impressão de estar parado no mesmo lugar. Por mais que eu lesse o Cervo, o Saraiva e o Hobsbawm pela 3ª ou 4ª vez, por mais conteúdo  que eu fichasse, por mais que eu fizesse exercícios eu acaba sempre com a mesma nota. Os meus pós resultados finais, se resumiam àquela rotina bipolar. Eu comemorava com entusiasmo a aprovação de vários amigos e colegas, mas logo depois vinha aquela ressaca moral. Todo mundo estava passando e eu estou ficando para trás. Onde foi que eu errei?!

Em 2012, a ficha caiu. Foi nessa época que descobri o clipping (que não era ainda o Clipping CACD). Eu não tinha mais dinheiro para arcar com cursinhos. Por mais que a família apoiasse, eu não tinha bons prospectos para falar em uma futura aprovação no Itamaraty. Eu não tinha a mesma disposição de antes para sair do trabalho às 19 horas, atravessar a cidade para fazer aula no cursinho até às 23 horas  e depois ainda encarar uma maratona noturna de estudo até as 4 da madrugada (bons tempos esses!). 

Entaõ, como eu disse, foi nessa época que tomei conhecimento do Clipping (não era o Clipping CACD), a seleção diária de notícias qe circulava informalmente em listas de email a que muitos candidatos tinham acesso. Foi nessa época que percebi que grande parte dos candidatos altamente competitivos dedicavam parte da rotina de estudos à leitura massiva dessas seleções de notícas dos principais periódicos. Percebi, também, que o clipping era o trunfo de muita gente que passava acima do corte, deixando o "limbo" para trás e, justamente por isso, muitos não gostavam de falar abertamente sobre esse "pulo do gato".

O conteúdo para o CACD é dinâmico e sem leitura periódica de notícias selecionadas não tem como fazer a manutenção do que você custou a aprender no cursinho ou por conta própria. O que a gente vê no cursinho hoje já mudou com a notícia de amanhã. Grande parte dos candidatos acabam sempre no limbo não é por falta de conteúdo, mas por falta de conteúdo ATUALIZADO. O CACD é em grande medida uma prova de atualidades. Não só no que se refere a PI, mas também ECONOMIA, GEOGRAFIA e até DIREITO.

O que estava faltando para mim era isso: um método, um disciplina para acompanhar ATUALIDADES. Demorei a aprender isso, mas tem coisas que o cursinho não vai fazer por você. Tem coisas que você tem que correr atrás por conta própria. Atualidades é uma delas. Por melhor que seja o cursinho, você não estará 100% atualizado só assistindo as aulas. 

Bom… Acompanhei o clipping fielmente no ano de 2012 e foi o ano em que passei pela 1ª vez no TPS. Acompanhei fielmente o clipiping em 2013 e bati na trave. Acompanhei fielmente o clipping em 2014 e cheguei muito, mas muito perto. Não estou dizendo que deixei o "limbo" para trás só por causa do clipping. Seria uma ingenuidade acreditar nisso. Mas fato é que não acredito que sem o acompanhamento estratégico de atualidades eu teria conseguido. 

Eu sei que estou correndo o risco de doar altamente como um garoto propaganda do Clipping. Mas não poderia ser diferente… Sou altamente suspeito para falar. Primeiro pois me envolvi por um tempo diretamente na organização do clipping. Segundo, pois minha rotina de estudo para o CACD hoje é extremamente dependente do acompanhamento do clipping. 

O Clipping é um método universal de acompanhamento de atualidades para o CACD? Todo mundo usa e todo mundo se adapta? Olha… Cada vez mais mais candidatos usam, sim, o clipping. Hoje o clipping está longe de ser aquele "segredo de CACD" que muitos candidatos guardam na manga. Já presencei muita gente discutindo sobre como ficará a dinâmica dos próximos CACDs com os candidatos usando cada vez mais um recurso estratégico que era antes restrito a poucos. Verdade é que dá para especular, mas não dá para prever. Mas da mesma forma como a popularização dos cursinhos mudou o padrão de competitividade do CACD, acredito sim que a popularização do clipping vai sim mudar o padrão de competitividade do CACD 2015. (essa é uma opinião pessoal, subjetiva).

Aí é que mora o paradoxo curioso: se por um lado me sinto seguro acompanhando atualidades pelo clipping, por outro me sinto inseguro por saber que praticamente todos candidatos competitivos para o CACD também estão fazendo o mesmo. 

Fato é que o Clipping acabou se tornando um complemento aos cursinhos e ao estudo que você faz individualmente. Fato é que o Clipping acabou se tornando a grande novidade em termos de preparação para o CACD do ano de 2015. Fato é que tenho sim muito orgulho de ter participado desde seus primórdios. 

O Clipping então é perfeito?! Não. Tem muito ainda para melhorar. Por outro lado, cada semana tem novas funcionalidades, aperfeiçoamento de funcionalidades anteriores, etc. O clipping está evoluindo a olhos vistos e quem está desde o começo (quanto o Clipping era só um grupo no facebook onde se postava a seleção de notícias diárias) percebe isso com muita clareza.

Mas por que estou aqui contando essa minha história? Eu escrevi essa "minha história com o CACD e com o Clipping" como uma introdução de uma série de postagem que, com muita honra, assinarei aqui no Blog do Clipping. 

O objetivo dessa série: explicar as diferentes formas de se estudar com o clipping.

Ressalto porém que o que escreverei não é um "tutorial oficial " do Clipping.

Apenas a forma como eu, que venho adotando o clipping como ferramenta de estudo desde 2012, uso as funcionalidades do clipping. Cada membro acaba tendo seu jeito de usar o clipping. Eu tenho o meu e gostaria de compartilhar com vocês,

Então, até a próxima! [icon name=icon-vk] 

rafaelpbRafael Pinheiro Costa é servidor público e candidato ao CACD. No CACD, sua matéria preferida é Geografia. Espanhol é a matéria em que tem mais dificuldades. Rafael também escreve no Xadrez Verbal.

 

 

 

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