Hoje uma certa notícia causou grande celeuma entre os candidatos ao CACD.
De acordo com fontes do Estadão, o atual Chanceler daria lugar a um sucessor supostamente mais bem familiarizado com questões de comércio internacional. O título da matéria é “Itamaraty terá novo vendedor do Brasil” já é polêmico o bastante para despertar suspeitas..
Um alerta aos candidatos que realmente estão focados na prova do CACD:
Separe o que são “fatos” do que são “conjecturas”. Cuidado com as suposições. Por quê? Porque na maioria das vezes as suposições dizem exatamente o oposto do que diz o discurso oficial, que é o que realmente deve merecer sua atenção redobrada.
Não estamos dizendo, em hipótese alguma, que não tem valor o trabalho de bastidores que os jornalistas fazem. Não é isso. O que estamos dizendo é que, para fins da prova do CESPE, dados e informações oficiais merecem destaque.
Será que realmente, como sugere a matéria, “falta iniciativa e preparo do Itamaraty sobre questões de comércio exterior”? Se te fosse cobrado em uma questão de 3ª fase do CACD uma análise sobre a diplomacia comercial brasileira? O que você teria a dizer?
Você não endossaria a tese do “Itamaraty terá novo vendedor do Brasil”, certo? Muito bem… é um bom começo. Mas o que mais você teria para falar? A maioria dos candidatos falaria vagamente sobre Mercosul, acordos comerciais bilaterais, as negociações interregionais, a OMC, etc e lograriam, todos, uma nota bem parecida. Algo em torno de 60-70% da questão.
Mas o que seria preciso para tirar aquela vantagem comparativa sobre o concorrente e atingir 90-100% dos pontos em uma questão sobre diplomacia comercial? Vejamos o que alguns trechos do DOE 1.0, nosso “discurso oficial esquematizado“, tem a dizer sobre isso:
“Em consonância com a “Estratégia Nacional das Exportações 2011-2014”, iniciativa concebida em conjunto com o Ministério do Desenvolvimento, da Indústria e do Comércio Exterior (MDIC), com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), e com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (APEX-Brasil), identifiquei as seguintes medidas concretas a serem implementadas pelo Departamento de Promoção Comercial (DPR) do Itamaraty, hoje sobre a direção do Ministro Rubens Gama. Citarei seis medidas específicas: A) Ampliação da participação anual do DPR em feiras setoriais e multissetoriais no exterior de 130 (2010) para 190 (2015) eventos, bem como em feiras no Brasil de 12 (2010) para 25 (2015) eventos; B) Elevação de 35 para 100 do número de (i) estudos sobre investimentos e comércio e (ii) pesquisas de mercado, contratados ou realizados anualmente pelo DPR; C) Incremento em até 50% dos roadshows destinados a atrair investimentos para obras de infra-estrutura, megaeventos esportivos, economia verde e inovação; D) Ampliação em 40% da base de importadores cadastrados na rede BrasilGlobalNet; E) Aumento do número de missões comerciais ao exterior apoiadas pelo DPR, mediante parcerias com outras agências governamentais ou com entidades do setor privado; F) Expansão do número de Setores de Promoção Comercial (SECOMs) na rede de postos brasileira no exterior, passando, no prazo de 4 anos, de 100 unidades em 78 países para 134 unidades em 101 países. (…) O trabalho profissional desenvolvido pela CGC há dez anos nos inspira a explorar, de forma a um só tempo dinâmica e responsável, iniciativas que permitam ao Brasil preservar, em meio à crise econômico-financeira atual, os avanços sócio-econômicos que alcançamos e olhar para novos horizontes.” [Pronunciamento do Chanceler Antonio Patriota na Cerimônia de Abertura do Seminário Internacional “O Brasil e o Sistema de Solução de Controvérsias da OMC”]
“Em um contexto de crise internacional e de impasse nas negociações multilaterais, o governo brasileiro impulsiona novos projetos, tanto no campo negocial como no de promoção comercial. Fazem parte desse processo as consultas públicas aprovadas recentemente pela Câmara de Comércio Exterior (Camex), destinadas a aferir a percepção dos agentes econômicos brasileiros em relação a acordos de livre comércio do Mercosul com a União Europeia e o Canadá. No campo da promoção comercial, é intenso o esforço para apoiar os agentes econômicos no aproveitamento ao máximo das oportunidades de negócios viabilizadas por acordos comerciais já negociados até aqui. No âmbito do Mercosul, será realizado, por ocasião da Reunião de Cúpula de Brasília, em dezembro do corrente ano, o primeiro grande evento empresarial do agrupamento, o que curiosamente somente ocorre 21 anos após a entrada em vigor do Tratado de Assunção. Na mesma linha, missões empresariais têm sido realizadas à margem das viagens oficiais da presidenta Dilma Rousseff, e grande número de eventos voltados para a promoção do produto nacional, no Brasil e no exterior, refletem a estreita cooperação entre o Itamaraty e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior/Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Mdic/Apex)” [Diplomacia e comércio – Artigo do Chanceler Antonio Patriota ao Valor Econômico de 10/10/2012]
“De modo pioneiro no âmbito do Governo Federal, o Departamento de Promoção Comercial do Itamaraty (DPR) mantém, desde 1998, um portal de informações e de serviços de promoção comercial, turismo e de atração de investimentos voltado ao público externo: o BrasilGlobalNet. O DPR conta, ainda, com portal específico para uso interno, destinado à comunicação com a rede de Setores de Promoção Comercial (SECOMs) dos postos no exterior e inclusão de conteúdo no site público: a Extranet DPR.” [Transcrição da Audiência Pública com o Ministro de Estado da Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo Machado, na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado Federal]
Esses são só alguns trechos tirados da Seção Diplomacia Comercial do nosso DOE 1.0. É desse tipo de informação que você precisa para responder uma questão de PI.
De acordo com o DOE, o Itamaraty e seus últimos Chanceleres tem sido, sim, bons “vendedores do Brasil” lá fora! Não é por acaso que a seção Diplomacia Comercial é uma das mais longas do DOE 1.0 do Clipping CACD.
Ao contrário do que muitas vezes se noticia, o Itamaraty investiu nos últimos anos pesadamente em Diplomacia Comercial. Justamente por isso, diplomacia comercial é tema quente, muito quente mesmo: em 2014 encerra-se a “Estratégia Nacional das Exportações 2011-2014”; tivermos recentemente o acordo de Bali na OMC que propiciou um destravamento relativo da rodada Doha; Roberto Azevedo foi eleito diretor-geral da OMC. Por vários outros motivos é bom investir no tema…
Resumindo nossa mesangem de hoje: “ao clipping o que é de se estudar via clipping, ao DOE o que é de se estudar via DOE“.
O CACD não é só sobre “fatos”, mas também não é só sobre “discurso”. Encontre o equilíbrio, domine a linguagem diplomática e você terá um excelente desempenho no dia da prova de terceira fase.
Até lá, bons estudos e keep clipping!




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