O Congresso de Viena, realizado entre setembro de 1814 e junho de 1815, foi uma conferência internacional que reuniu os representantes das principais potências europeias com o objetivo de reconfigurar a ordem política e territorial do continente após as Guerras Napoleônicas. Este evento marcou o fim da Era Napoleônica e buscou restaurar as estruturas políticas e sociais conservadoras que haviam sido abaladas pela Revolução Francesa e pelo expansionismo de Napoleão Bonaparte.
Contexto Histórico
O Congresso de Viena surgiu em um momento de grande instabilidade na Europa. Após a derrota de Napoleão Bonaparte na Batalha das Nações (1813) e sua abdicação em 1814, as potências europeias vitoriosas — Reino Unido, Áustria, Prússia e Rússia — se reuniram para discutir a reconstrução do mapa europeu e a restauração das monarquias depostas.
O objetivo principal era conter os ideais revolucionários franceses, estabelecer a paz e restituir o sistema de equilíbrio de poder que havia sido perturbado.
Principais Implicações
O Congresso de Viena teve várias implicações significativas para os Estados europeus no pós-guerra. Essas implicações foram fundamentais para a configuração da ordem política e territorial da Europa no século XIX, influenciando profundamente as relações internacionais e a política europeia até a Primeira Guerra Mundial. Confira abaixo.
Restauração e legitimidade
Restabelecimento das monarquias absolutas e das fronteiras pré-revolucionárias
O Congresso de Viena buscou restaurar as monarquias que haviam sido depostas durante as Guerras Napoleônicas e a Revolução Francesa. O princípio da legitimidade dinástica foi adotado, o que significava que os governos legítimos eram aqueles que existiam antes de 1789. Isso levou ao retorno de muitas monarquias absolutas e à restauração das fronteiras territoriais anteriores à Revolução Francesa. Por exemplo, na França, Luís XVIII foi restaurado ao trono, mas com a condição de jurar uma Constituição, mantendo algumas das reformas introduzidas durante a Revolução e o governo de Napoleão.
Equilíbrio de poder
Estabelecimento de um sistema de equilíbrio de poder para evitar a hegemonia de qualquer nação
Viena também introduziu o conceito de equilíbrio de poder, que visava evitar que qualquer nação se tornasse dominante na Europa. Isso foi alcançado através de compensações territoriais e da criação de estados-tampão ao redor da França. Por exemplo, a Confederação Germânica foi criada para substituir o Sacro Império Romano-Germânico, e a Bélgica foi unida aos Países Baixos para formar o Reino Unido dos Países Baixos, atuando como um estado-tampão contra a França. A ideia era que, ao equilibrar o poder entre as grandes potências, a paz e a estabilidade seriam mantidas.
Sistema de Congressos
Inauguração de um sistema de congressos, onde as potências europeias se reuniam periodicamente para discutir e resolver questões internacionais
Outro legado do Congresso de Viena foi o estabelecimento de um sistema de congressos, onde as principais potências europeias se reuniam periodicamente para discutir e resolver questões internacionais. Este sistema foi uma tentativa de manter a paz e a estabilidade na Europa através da diplomacia multilateral. Alguns dos congressos notáveis incluem Aix-la-Chapelle (1818), Carlsbad (1819), Troppau (1820), Laibach (1821) e Verona (1822). Esses congressos abordaram questões como a contenção de movimentos revolucionários e a manutenção do equilíbrio de poder.
Santa Aliança e Quádrupla Aliança
Criação de alianças para garantir a manutenção da ordem estabelecida e a contenção de movimentos revolucionários e nacionalistas
A Santa Aliança foi proposta pelo Czar Alexandre I da Rússia e incluía a Rússia, a Áustria e a Prússia. Esta aliança tinha um caráter conservador e religioso, com o objetivo de manter a ordem e combater revoluções. A Quádrupla Aliança, que incluía o Reino Unido, a Áustria, a Prússia e a Rússia, foi criada para garantir a implementação das decisões do Congresso de Viena e conter a França. Posteriormente, a França foi admitida na aliança, formando a Quíntupla Aliança. Essas alianças atuaram como mecanismos de policiamento internacional, intervindo em outros Estados para manter a estabilidade e conter movimentos revolucionários e nacionalistas.
Importância do Estudo para o CACD
O estudo do Congresso de Viena é crucial para os candidatos ao Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD).
Em primeiro lugar, o Congresso de Viena é um marco na história das relações internacionais, trazendo à tona questões como equilíbrio de poder e diplomacia multilateral, que são fundamentais para a compreensão da política internacional contemporânea.
Em segundo lugar, o Congresso configurou algo bastante inédito para a sua época. O sistema de congressos e a ideia de grandes potências atuando em conjunto para manter a estabilidade internacional são precedentes históricos para órgãos atuais de concertação coletiva para a preservação da estabilidade e redução dos níveis de violência, como o Conselho de Segurança da ONU, por exemplo.
Por fim, a grande incidência desse tema ao longo das edições anteriores do CACD demonstra a importância dos candidatos estarem sempre revisando esse assunto.
Incidência de Questões no CACD
O Congresso de Viena é um tema recorrente nas provas do CACD, especialmente nas questões de História Mundial e de Política Internacional. A banca examinadora frequentemente aborda:
- Princípios e Medidas: Questões sobre os princípios adotados no Congresso, como a legitimidade dinástica, o equilíbrio de poder e a restauração das monarquias.
- Sistema de Congressos: Perguntas sobre os congressos subsequentes, como Aix-la-Chapelle, Troppau, Laibach e Verona, e suas implicações para a política europeia.
- Impactos e Consequências: Análise das consequências do Congresso de Viena para a estabilidade europeia, incluindo a relativa paz que perdurou até a Guerra da Crimeia e as guerras de unificação da Itália e da Alemanha.
- Comparações Históricas: Comparações entre o sistema de Viena e outras tentativas de manutenção da paz e da ordem internacional, como a Liga das Nações e a ONU.
Confira a seguir algumas questões sobre o Congresso de Viena que caíram nas provas do CACD nos anos 2007, 2012, 2015, 2017 e 2020/21:

Bibliografia indicada
Para estudar sobre o Congresso de Viena, a bibliografia recomendada inclui obras de historiadores renomados e livros que abordam a história das relações internacionais e a era napoleônica. Confira abaixo algumas das principais sugestões de bibliografia:
- Eric Hobsbawm – “A Era das Revoluções” (The Age of Revolution: 1789-1848)
- Henry Kissinger – “O mundo restaurado”
- Paul W. Schroeder – “The Transformation of European Politics 1763-1848”
- Mark Jarrett – “The Congress of Vienna and its Legacy”
- Adam Zamoyski – “Rites of Peace: The Fall of Napoleon and the Congress of Vienna”
- Edward McNall Burns – “História da Civilização Ocidental”
- Demétrio Magnoli – “O Mundo Contemporâneo”
- René Albrecht-Carrié – “A Diplomatic History of Europe Since the Congress of Vienna”



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