O Censo 2022 seria realizado em 2020, mas por conta da pandemia do Covid-19, precisou ser adiado para 2021, e novamente foi adiado por falta de orçamento.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) é a entidade responsável pelo Censo Demográfico brasileiro, uma das mais complexas e grandiosas operações estatísticas realizadas no mundo.
O levantamento do Censo 2022 foi realizado respeitando os padrões metodológicos internacionais, em que os recenseadores visitaram todos os endereços e vários tipos de habitações: domicílios particulares, coletivos, improvisados e setores especiais, como quilombos, terras indígenas e aglomerados subnormais.
O orçamento confirmado para o Censo 2022 foi de, aproximadamente, R$ 2,3 bilhões.
Segundo o IBGE, o Censo 2022 contou com dois tipos de questionários: o questionário ampliado com 77 perguntas, aplicado em 11% dos domicílios do país; e o questionário simplificado com 26 perguntas, aplicado em 89% dos domicílios.
O Censo no Brasil
Em 2022, o Censo Demográfico completou 150 anos no Brasil. Em 1846 tivemos o primeiro regulamento censitário no Brasil, mas o primeiro censo do país só foi realizado pelo Império em 1872.
É possível notar uma evolução significativa do primeiro recenseamento para o atual, não apenas da população, mas também na aplicação dos questionários e o rigor estatístico.
No primeiro censo demográfico as perguntas eram o nome do chefe da família, idade, sexo, estado civil, escolaridade, se a pessoa era livre ou escrava, sua religião, profissão e se tinha deficiência física aparente.
O primeiro levantamento estava programado para ocorrer em 1852, mas não pode ser realizado devido ao surgimento de uma revolta popular contra o censo. Então, até 1872, os dados sobre a população eram coletados de forma indireta, por meio de relatórios como os de autoridades eclesiásticas sobre os fiéis que frequentavam a igreja, os de funcionários da colônia, e outros.
Em 1936, com a criação do IBGE, surgiu a fase moderna censitária no Brasil. Quatro anos depois da sua criação, o instituto precisou organizar, coordenar e operacionalizar o Censo de 1940. O IBGE também ampliou a abrangência temática do questionário, incluindo assuntos de interesse econômico e social, como mão de obra, emprego, desemprego, rendimento, fecundidade, migrações internas e outros temas.
O primeiro censo totalmente digital foi realizado em 2010, permitindo uma separação mais eficiente das informações. Os mapas digitais também foram incluídos nos equipamentos dos recenseadores, facilitando a localização dos endereços a serem visitados.
Destaca-se que o Censo 2010 foi o primeiro no mundo a ter a coleta totalmente digital, o que levou o IBGE a ser um dos dez premiados pela Unesco e a Netexplorateur, ONG francesa pelo desenvolvimento da sociedade digital.
As informações do Censo
As informações coletadas pelo Censo auxiliam no planejamento de políticas públicas do país, além de trazer um retrato do Brasil.
Na ilustração a seguir, o IBGE nos mostra como as informações são utilizadas pela sociedade:
O questionário simplificado (básico) teve os seguintes blocos de perguntas: identificação do domicílio, informações sobre moradores, características do domicílio, identificação étnico-racial, registro civil, educação, rendimento do responsável pelo domicílio, mortalidade e dados da pessoa que prestou as informações.
No questionário ampliado (amostra), além dos blocos de perguntas do questionário básico, foram incluídos: trabalho, rendimento, nupcialidade, núcleo familiar, fecundidade, religião ou culto, pessoas com deficiência, migração interna e internacional, deslocamento para estudo, deslocamento para trabalho e autismo.
Primeiros resultados do Censo 2022
Os primeiros resultados do Censo 2022 foram divulgados em 28 de junho de 2023, no Rio de Janeiro, apresentando informações sobre os totais populacionais e de domicílios, média de moradores por domicílio, densidade demográfica e taxa de crescimento anual da população e dos domicílios.
- População e taxa de crescimento anual
Conforme o resultado do Censo 2022, o Brasil atingiu a população de 203.062.512 (203 milhões) de habitantes.
Comparado ao Censo 2010, em que o Brasil tinha 190,8 milhões de habitantes, a população brasileira cresceu cerca de 6,5%, são aproximadamente 12 milhões de pessoas a mais.
É possível observar uma taxa de crescimento anual de 0,52%, sendo esta a menor taxa já observada desde o início do recenseamento.

População por região
Conforme o levantamento, o Sudeste continua sendo a região mais populosa do país, em 2022 atingiu 84,8 milhões de habitantes, representando 41,8% da população brasileira.
No Nordeste, em 2022, viviam 54,6 milhões de pessoas, representando 26,9% dos habitantes do país.
As regiões Nordeste e Sudeste tiveram as menores taxas de crescimento anual desde o Censo 2010. O Nordeste registrou uma taxa de 0,24%, e o Sudeste registrou 0,45%.
O Sul concentrou 14,7% dos habitantes do país, acolhendo 29,9 milhões de pessoas.
O Norte era a segunda região menos populosa, com 17,3 milhões de habitantes, representando 8,5% dos residentes do país. No entanto, sua taxa de crescimento anual foi de 0,75%, a segunda maior entre as regiões, mas ainda é inferior ao período intercensitário anterior (2000-2010).
A região Centro-Oeste é a menos populosa do país, com 16,3 milhões de habitantes, representando 8,0% da população.
Estados
Os primeiros resultados do Censo 2022 apontaram São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro como os estados mais populosos do país. Juntos, eles concentram 39,9% da população brasileira.
Os estados menos populosos foram: Roraima (636,3 mil), Amapá (733,5 mil) e Acre (830 mil).

Os estados que se destacaram no crescimento populacional foram:
- Santa Catarina (1,66%);
- Mato Grosso (1,57%);
- Goiás (1,35%);
- Amazonas (1,03%);
- Acre (1,03%).
E entre os estados que menos cresceram, com uma variação de 0,1% ou menos, está o Rio de Janeiro (0,03%).Os demais foram Alagoas (0,02%), Bahia (0,07%) e Rondônia (0,10%).
Municípios
O Brasil possui 5.570 municípios, e quase metade desse total tinha até 10 mil habitantes em 2022.
A maior parte da população do país (57% do total) viviam apenas em 319 municípios. Segundo o IBGE, as pessoas estão concentradas em centros urbanos acima de 100 mil habitantes.

Os 20 municípios mais populosos do país concentravam 22,1% do total da população e 17 deles são capitais, os demais municípios foram Guarulhos (SP), Campinas (SP) e São Gonçalo (RJ).
As capitais mais populosas são: São Paulo (11,5 milhões), Rio de Janeiro (6,2 milhões) e Brasília (2,8 milhões).
Os três municípios que tinham menos de mil habitantes foram: Serra da Saudade – MG (833 pessoas); Borá – SP (907 pessoas) e Anhanguera – GO (924 pessoas).
População em concentrações urbanas
De acordo com o IBGE, em 2022, havia 124,1 milhões de pessoas vivendo em concentrações urbanas.
Concentrações urbanas são arranjos populacionais, formados por municípios com mais de 100 mil habitantes e com forte integração. Essa união de cidades forma unidades espaciais, o melhor exemplo é a capital paulista, núcleo de uma concentração urbana que reúne 37 municípios.
Segundo Cláudio Stenner, Diretor de Geociências do IBGE, “as concentrações urbanas podem ser formadas por um único município ou por um conjunto de municípios fortemente integrados e articulados entre si que funcionam como uma cidade só”.
Primeiros Resultados do Censo 2022: Indígenas
De acordo com o Censo Demográfico 2022, 1.693.535 (1 milhão e 693 mil) pessoas se declaram indígenas no Brasil, correspondendo a 0,83% da população residente do país.
Os primeiros resultados do Censo 2022 foram divulgados em 07 de agosto pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
No Censo de 2010, o IBGE havia contado cerca de 896 mil pessoas indígenas, que correspondia a 0,47% da população residente, o que revelou uma variação de 88,82% da população indígena em 12 anos.
Segundo a responsável pelo projeto de Povos e Comunidades Tradicionais do IBGE, Marta Antunes, o aumento do número de indígenas pode ser explicado pelas mudanças metodológicas feitas para melhorar a captação dessa população.
O Censo também registrou um aumento no número de terras indígenas, passando de 505 para 573 entre 2010 e 2022.
Regiões
As regiões Norte e Nordeste concentram 75,71% da população indígena no Brasil. No Norte estão reunidos 44,48% (753 mil) dos indígenas, e no Nordeste estão 31,22% (528 mil).
As demais regiões possuem a seguinte distribuição:
- Centro-Oeste: 11,80% (199 mil)
- Sudeste: 7,28% (123 mil)
- Sul: 5,20% (88 mil)
Estados e Municípios
Os estados do Amazonas e Bahia concentram 42,51% da população indígena residente no país. No Amazonas são 490,9 mil pessoas, correspondendo a 28,98%; na Bahia são 229,1 mil, com 13,53% do total.
Em seguida, estão os estados do Mato Grosso do Sul (116,3 mil), Pernambuco (106,6 mil) e Roraima (97,3 mil).
Dos 5.568 municípios brasileiros, 4.832 tinham, em 2022, pelo menos um residente indígena, representando 86,7% do total. Os três municípios brasileiros com o maior número de indígenas são do Amazonas: Manaus (71,7 mil), São Gabriel da Cachoeira (48,3 mil) e Tabatinga (34,5 mil).
Terras Indígenas
Conforme o IBGE, em 2022, havia 689.202 habitantes em terras indígenas e 90,26% (622,1 mil) deles eram indígenas. Quase metade dessa população estava localizada no Norte, onde as terras indígenas tinham 338,5 mil habitantes, sendo 316,5 mil (93,49%) indígenas.
Considerando a totalidade de indígenas vivendo no país, 622,1 mil (36,73%) residiam em terras indígenas e 1,1 milhão (63,27%) fora delas.
A terra indígena com maior número de habitantes é a Yanomami (AM/RR) com 27,1 mil (4,36%) do total de indígenas em terras indígenas. Em seguida temos Raposa Serra do Sol (RR) com 26,1 mil e a Terra Indígena Évare I (AM) com 20,1 mil.
Amazônia Legal
A Amazônia Legal é a região formada pelos estados do Norte, Mato Grosso e parte do Maranhão, onde habita a maior parte dos indígenas do país (867,9 mil). Esse contingente corresponde a 3,26% do total de habitantes da região.
Na Amazônia Legal foram contados 403,3 mil indígenas vivendo nos territórios oficialmente delimitados, o que equivale a 64,83% dos indígenas vivendo nessas terras.
Domicílios
Dos 72,4 milhões domicílios particulares permanentes ocupados do Brasil, 630 mil (0,87%) têm pelo menos um morador indígena. Destes domicílios com ao menos um morador indígenas, 137 mil estão dentro de terras indígenas e 492 mil estão fora de terras indígenas.
A região Centro-Oeste se destaca com o maior percentual de domicílios com pelo menos um morador indígena dentro de terras indígenas (36,33%), seguida pelas regiões Norte (28,38%), Sul (27,38%), Nordeste (15%) e Sudeste (7,70).
Primeiros Resultados do Censo 2022: Quilombolas
O Censo Demográfico 2022, registrou que a população quilombola residente no Brasil é de 1.327.802 (1,3 milhão) de pessoas, correspondendo a 0,65% da população. Esta foi a primeira vez que o Censo investigou esse grupo, integrante dos povos e comunidades tradicionais reconhecidos pela Constituição de 1988.
Foram identificados 473.970 domicílios onde residia pelo menos uma pessoa quilombola, espalhados por 1.696 municípios brasileiros.
Segundo o Censo 2022, os Territórios Quilombolas oficialmente delimitados abrigam 203.518 pessoas, sendo 12,6% do total de quilombolas do país.
De acordo com Marta Antunes, responsável pelo Projeto de Povos e Comunidades Tradicionais do IBGE, com a divulgação desses dados o IBGE atende a uma demanda histórica da sociedade brasileira. “Conhecer o número de pessoas quilombolas e como elas se distribuem pelo país, no nível de municípios, vai orientar políticas públicas de habitação, ocupação, trabalho, geração de renda, e regularização fundiária”, afirmou Marta.
Regiões
A região que concentra a maior quantidade de quilombolas é o Nordeste, com 905.415 quilombolas, correspondendo a 68,19%. Em seguida temos as regiões Sudeste com 182.305 pessoas e Norte com 166.069 pessoas, ambas conjuntamente contabilizam 26,24% da população quilombola.
As regiões Centro-Oeste e Sul agrupam 5,57% da população quilombola, possuindo 44.957 e 29.056 pessoas, respectivamente.
Estados e Municípios
A Bahia é o estado com a maior quantidade de quilombolas, são 397.059 pessoas (29,90%), em seguida, vem o Maranhão com 20,26% (269 mil). Juntos, os estados concentram metade da população quilombola do país (50,16%).
Os estados de Minas Gerais (135,3 mil), Pará (135 mil) e Pernambuco (78,8 mil), somados, reúnem 26,3% da população quilombola.
Dos 5.568 municípios brasileiros, 1.696 possuem população quilombola. Senhor do Bonfim/BA é a cidade com a maior quantidade, são 15.999 pessoas quilombolas, seguida por Salvador/BA (15,8 mil), Alcântara /MA (15,6 mil) e Januária /MG (15 mil).
Domicílios
Dos 72,4 milhões de domicílios particulares permanentes ocupados recenseados no Brasil, 473.970 possuem pelo menos um morador quilombola, correspondendo a 0,65% dos domicílios.
Territórios Quilombolas
Foram identificados pelo IBGE 494 Territórios Quilombolas oficialmente delimitados, presentes em 24 estados e no Distrito Federal. Os territórios abrigam 203.518 pessoas, sendo 167,2 mil quilombolas e 36,3 mil não quilombolas.
Logo, 12,6% dos quilombolas do país residiam em territórios oficialmente delimitados e 87,4% encontravam-se fora de áreas formalmente delimitadas e reconhecidas.
Primeiros Resultados do Censo 2022: Idade
Conforme o Censo Demográfico, a idade mediana da população atingiu os 35 anos.
Em 2022, o total de pessoas com 65 anos ou mais residindo no Brasil chegou a 10,9% da população, são mais de 22 milhões de pessoas. A população idosa de 60 anos ou mais representa 15,6% da população brasileira.
Comparado com o Censo anterior, a população idosa do Brasil aumentou.
| Censo 2022 | Censo 2010 | |
| População com 60 anos ou mais | 32.113.490 (15,6%) | 20.590.597 (10,8%) |
| População com 65 anos ou mais | 22.169.101 (10,9%) | 14.081.477(7,4%) |
Vale ressaltar que o Estatuto do Idoso define como idoso a pessoa de 60 anos ou mais, porém, o corte de 65 anos ou mais foi utilizado para manter comparabilidade internacional e com outras pesquisas que utilizam essa faixa etária.
Art. 1º É instituído o Estatuto da Pessoa Idosa, destinado a regular os direitos assegurados às pessoas com idade igual ou superior a 60 (sessenta) anos.
LEI Nº 10.741, DE 1º DE OUTUBRO DE 2003.
A cada Censo, o IBGE vem mostrando a redução da população jovem e o aumento da população em idade adulta. Em 1980, o Brasil possuía 4,0% da população com 65 anos ou mais de idade. No levantamento mais recente, os 10,9% alcançados por essa parcela da população representam o maior percentual já encontrado no Censo Demográfico brasileiro.
A base da pirâmide etária vem se estreitando. Em 1980, o percentual de crianças de até 14 anos de idade era de 38,2%, mas em 2022 passou para 19,8%.
Regiões
Avaliando as proporções desses grupos etários nas grandes regiões, a região Norte é a mais jovem do país, com 25,2% da população com até 14 anos. Em seguida vem o Nordeste, com 21,1%.
O Centro-Oeste possui uma distribuição etária próxima da média do país.
As regiões Sudeste e Sul possuem estruturas mais envelhecidas, com 18% e 18,2% de jovens de 0 a 14 anos, além de também apresentarem as maiores proporções de pessoas com 65 anos ou mais, com 12,2% e 12,1%, respectivamente.
Idade mediana
Entre o Censo de 2010 e o de 2022, a idade mediana da população brasileira aumentou 6 anos, atingindo os 35 anos.
O cálculo da idade mediana é feito com a divisão de uma população entre os 50% mais jovens e os 50% mais velhos. Assim, entre os anos 2010 e 2022, a idade mediana subiu de 29 anos para 35 anos.
Comparando o aumento da idade mediana em cada região, temos:
- Norte: de 24 para 29 anos;
- Nordeste: de 27 para 33 anos;
- Sudeste: de 31 para 37 anos;
- Sul: de 31 para 36 anos;
- Centro-Oeste: de 28 para 33 anos.
Índice de envelhecimento
O índice de envelhecimento é calculado pela razão entre o grupo de pessoas de 65 anos ou mais de idade em relação à população de 0 a 14 anos. Logo, quanto maior o indicador, mais envelhecida é a população.
No Brasil, o índice de envelhecimento chegou a 55,2 em 2022, indicando que há 55,2 pessoas com 65 anos ou mais de idade para cada 100 crianças de 0 a 14 anos.
Em 2010, o índice de envelhecimento era de 30,7.
Do total da população de idosos de 60 anos ou mais residentes no Brasil, 55,7% eram mulheres (17.887 milhões) e 44,3% eram homens (14.225 milhões).
O índice de envelhecimento nessa categoria (60+) chegou a 80, indicando que há 80 pessoas idosas para cada 100 crianças de 0 a 14 anos. Em 2010, o índice de envelhecimento correspondia a 44,8.
Gênero
Da população total residente no Brasil (203 milhões), 51,5% eram mulheres e 48,5% eram homens. Segundo o Censo, em 2022, havia 6 milhões de mulheres a mais do que homens.
A razão de sexo, calculo que mostra o número de homens em relação ao grupo de 100 mulheres, foi de 94,2.
O cálculo nos mostra a tendência histórica de predominância feminina, em 1980, eram 98,7 homens para cada 100 mulheres, e em 2010 eram 96.
Para Izabel Marri, gerente de Estudos e Análises da Dinâmica Demográfica do IBGE, a predominância feminina está relacionada com a maior mortalidade dos homens, desde os bebês até as idades mais longevas. Na fase adulta, a sobremortalidade masculina é mais intensa.
A região Sudeste apresenta a menor proporção de homens, com uma razão de sexo de 92,9, enquanto a região Norte apresenta 99,7.
Contudo, quando analisamos as faixas etárias até 19 anos de idade, há uma proporção maior de homens. Por exemplo, na faixa de 0 a 4 anos, são 103,5 homens para cada 100 mulheres.
A partir dos 25 a 29 anos, a população feminina se torna majoritária. No grupo de 90 a 94 anos, há o dobro de mulheres, com uma razão de sexo de 50,4.
Em municípios mais populosos, há uma proporção menor de homens em relação às mulheres.
Primeiros Resultados do Censo 2022: Cor ou Raça
Durante a pesquisa do Censo Demográfico, em 2022, cerca de 92,1 milhões de pessoas se declararam pardas, o número é equivalente a 45,3% da população do país.
Essa foi a primeira vez, desde 1991, que a maior parte da população brasileira se declarou parda.
Cerca de 43,5% da população se declarou branca (88,2 milhões), outras 10,2% se declararam pretas (20,6 milhões), os indígenas somaram 0,8% (1,7 milhão) e 0,4% se declararam amarelas (850,1 mil).
Comparando com o Censo de 2010, a população preta aumentou em 42,3%, a parda cresceu 11,9%, e a indígena subiu 89%, que foi de 0,5% para 0,8%. Houve uma diminuição na população branca, que somava 47,7% em 2010 e agora está em 43,5%, e também na população amarela, que recuou de 1,1% para 0,4%.
A diminuição da população amarela está relacionada a um procedimento adotado no Censo 2022, em que caso o entrevistado se declarasse ou a algum morador de cor ou raça amarela, o recenseador faria uma pergunta adicional padrão: “Considera-se como cor ou raça amarela a pessoa de origem oriental: japonesa, chinesa, coreana. Você confirma sua escolha?”.
Assim, Leonardo Athias, analista do IBGE, acredita que o novo procedimento influenciou na mudança da proporção de pessoas que se declaravam amarelas.
Regiões
A população parda obteve o maior percentual na região Norte, com 67,2% da população da região identificando-se como parda, seguida do Nordeste com 59,6% e do Centro-Oeste com 52,4%. As regiões Sudeste e Sul apresentaram as menores porcentagens, com 38,7% e 21,7%, respectivamente.
No levantamento, o Sul agrupou o maior percentual de população branca (72,6%). As demais regiões tiveram as seguintes porcentagens:
- Sudeste: 49,9%
- Centro-Oeste: 37%
- Nordeste: 26,7%
- Norte: 20,7%
Já a população preta teve seu maior percentual na região Nordeste, com 13,0%, sendo seguida pelas regiões Sudeste (10,6%), Centro-Oeste (9,1%), Norte (8,8%) e Sul (5%).
A região Sudeste acolheu a maior proporção de população amarela, com 0,7%. Enquanto as regiões Sul e Centro-Oeste igualaram a média do país, com 0,7%, e o Norte (0,2%) e o Nordeste (0,1%) tiveram as menores proporções.
A população indígenas teve a sua maior proporção em relação à população total no Norte (4,3%), Nordeste (1,0%) e no Centro-Oeste (1,2%). Já os menores percentuais estavam no Sul (0,3%) e Sudeste (0,1%).
| Pop. Parda | Pop. Branca | Pop. Preta | Pop. Indígena | Pop. Amarela | |
| Norte | 67,2% | 20,7% | 8,8% | 4,3% | 0,2% |
| Nordeste | 59,6% | 26,7% | 13% | 1% | 0,1% |
| Centro-Oeste | 52,4% | 37% | 9,1% | 1,2% | 0,4% |
| Sudeste | 38,7% | 49,9% | 10,6% | 0,1% | 0,7% |
| Sul | 21,7% | 72,6% | 5% | 0,3% | 0,4% |
Estados
O estado com a maior proporção de pessoas pardas em relação ao total da população foi o Pará (69,9%), seguido do Amazonas (68,8%) e do Maranhão (66,4%).
Com a população branca, os maiores percentuais estiveram no Rio Grande do Sul (78,4%), Santa Catarina (76,3%) e Paraná (64,6%).
A população preta apresentou maiores proporções na Bahia (22,4%), Rio de Janeiro (16,2%) e Tocantins (13,2%).
Enquanto as pessoas amarelas estiveram presentes em maiores quantidades em relação ao total da população do estado em São Paulo (1,2%), Paraná (0,9%) e Mato Grosso do Sul (0,7%).
Os três estados com maior número de indígenas foram Roraima (15,4%), Amazonas (12,5%) e Mato Grosso do Sul (4,2%).
Municípios
O Censo de 2022 também mostrou a categoria de cor ou raça predominante em cada município do Brasil. Os municípios com os maiores percentuais foram:
- População parda: Boa Vista dos Ramos (AM) – 92,7%
- População preta: Serrano do Maranhão (MA) – 58,5%
- População branca: Morrinhos do Sul (RS) – 97,4%
- População indígena: Uiramutã (RR) – 96,6%
A população amarela não foi maioria em nenhum município, suas maiores proporções foram em Assaí (PR) com 11,5%, Bastos (SP) com 10,3% e Uraí (PR) com 5,9%.
Diferenças demográficas e idade
Do Censo de 2010 para o de 2022, observamos uma mudança na estrutura demográfica do país, devido ao envelhecimento da população e o aumento da proporção de mulheres.
Nos grupos étnicos-raciais, todos apresentaram um processo de envelhecimento mas em diferentes ritmos. Como, por exemplo, a população branca possui um padrão de sexo e idade próximo ao da população brasileira, com um perfil um pouco mais envelhecido e feminino. Já a população preta tem uma menor proporção de crianças até 14 anos de idade e uma maior proporção de homens de 20 a 64 anos.
Em 2022, houve um predomínio da população parda até os 44 anos de idade, e a partir dos 45 anos, a população branca mostrou-se com maior percentual.
Na idade, os maiores percentuais da população parda estavam entre as pessoas de 0 a 14 anos (49,3%) e 15 a 29 anos (48,7%); enquanto os menores estavam nas faixas entre 60 a 74 anos (38,6%) e acima de 75 anos (33,8%).
A população branca teve o seu maior percentual na faixa dos 75 anos ou mais (55,6%) e a menor na faixa de 15 a 29 anos (39,4%).
Com a população preta, a maior proporção foi dos 30 aos 44 anos (11,4%) e a menor entre as pessoas de 0 a 14 anos (7,3%).
Os indígenas tiveram maior percentual entre a faixa de 0 a 14 anos (1%) e a menor entre 60 a 64 anos (0,3%). Enquanto os amarelos tiveram maior proporção na faixa 75 anos ou mais (1,1%) e menor na de 0 a 14 anos (0,2%).
Idade X sexo
No Brasil, a razão de sexo sinaliza a proporção de homens em relação ao grupo de 100 mulheres. Conforme o Censo, a razão de sexo foi de 94,2 para o total da população, indicando que há mais mulheres do que homens.
A população preta mostrou a maior rzaão de sexo (103,9), sendo a única com maior número de homens do que de mulheres. Em seguida temos a população indígena (97,1), parda (96,4), branca (89,9) e amarela (89,2).
A maior razão de sexo foi da população preta na região Norte, que chegou a 122,1; a menor razão foi na população amarela da região Nordeste, com 73,8.
A idade mediana da população é de 35 anos, e a população amarela é a de idade mediana mais elevada (44 anos), seguida da branca (17 anos), preta (36 anos), parda (32 anos) e indígena (25 anos).
Primeiros Resultados do Censo 2022: Características dos domicílios – Resultados do universo
Segundo o Censo Demográfico, em 2022, havia 59,6 milhões de casas ocupadas no país, nas quais residiam 171,3 milhões de pessoas. A maioria da população, cerca de 84,8%, morava nesse tipo de residência. Domicílios do tipo casa de vila ou em condomínio abrigavam 2,4% da população.
O apartamento foi o segundo tipo de residência mais encontrado no Brasil, na qual residia 12,5% da população.
Bruno Perez, analista da pesquisa, esclareceu que o aumento da verticalização é expressivo e nacional, sendo uma resposta ao adensamento da população dos municípios.
Outras categorias domiciliares tiveram porcentagens baixas, como habitação em casa de cômodos ou cortiço (0,2%), habitação indígena sem paredes ou maloca (menos de 0,1%) e estrutura residencial permanente degradada ou inacabada (menos de 0,1%).
Proporção de casas
Entre todas as unidades federativas do Brasil, o Piauí deteve a maior proporção da população que reside em casas (95,6%), seguido pelo Tocantins (95,3%) e depois o Maranhão (95,1%).
As residências do tipo casa de vila ou em condomínio tiveram maior ocorrência no Rio de Janeiro (5,9%) e em Roraima (5,3%). O menor percentual desse tipo de domicílio foi no Espírito Santo (0,5%).
Proporção de apartamentos
O Censo de 2022 registrou um aumento dos domicílios do tipo apartamento, porém, dos 5.570 municípios brasileiros, apenas três tinham predomínio desse tipo residencial.
Em Santos (SP) o percentual da população morando em apartamentos é de 63,4%, seguido de Balneário Camboriú (SC) com 57,2%, e, por fim, São Caetano do Sul (SP) com 50,7%.
Distribuição de água
O Censo 2022 também contou com resultados sobre a principal forma de abastecimento de água nos domicílios brasileiros.
Em 60,8 milhões dos domicílios (82,9%), a rede geral de distribuição foi a principal forma de abastecimento. Um resultado superior em comparação ao Censo de 2010, que foi de 81,5%.
A segunda forma principal de abastecimento foi poço profundo ou artesiano, que apareceu em domicílios que representam 9,0% da população. As outras formas de abastecimento foram poço raso, freático ou cacimba (3,2%) e fonte, nascente ou mina (1,9%).
Para o Plano Nacional de Saneamento Básico (PLANSAB), as quatro formas citadas acima são consideradas adequadas, atendendo juntas 96,9% da população.
As menores ocorrências foram:
- Carro-pipa (1,0%)
- Rios, açudes, córregos, lagos e igarapés (0,9%)
- Água de chuva armazenada (0,5%)
Em 2022, a rede geral foi a principal forma de abastecimento de água em todas as regiões. Porém, foi registrado uma desigualdade nas proporções. No Sudeste o percentual era de 91,0%, no Nordeste foi 76,3% e no Norte com 55,7%.
A região Norte também apresentou as maiores proporções da população utilizando outras formas de abastecimento, como poço profundo ou artesiano (24,3%); poço raso, freático ou cacimba (11,8%) e rios, açudes, córregos, lagos e igarapés (5,3%).
No Nordeste foi registrado as maiores proporções das formas carro-pipa (3,5%) e água de chuva armazenada (1,8%).
Apenas São Paulo e o Distrito Federal passaram dos 90% de moradores em domicílios com rede geral de abastecimento de água como forma principal. Enquanto o Pará, Rondônia e Amapá não chegaram a 50%.
O Censo 2022 também divulgou que em 69,3 milhões de domicílios, que agrupavam 95,1% da população, a água chegava encanada na residência. Para 2,5% da população, a água chegava encanada mas apenas até o terreno. Em outros 2,4%, a água não chegava encanada.
Coleta de esgoto
Em 2022, a proporção de domicílios com acesso à rede de coleta de esgoto no Brasil foi de 62,5%, um aumento significativo se comparado com 2010 (52,8%).
No levantamento do Censo 2022, as duas soluções mais comuns de esgotamento sanitário eram a “rede geral ou pluvial”, com 58,3%, e a “Fossa séptica ou fossa filtro não ligada à rede”, com 13,2%.
Segundo Perez, o analista da pesquisa, dentre os serviços que compõem o saneamento básico, a coleta de esgoto é o mais difícil devido à demanda da estruturada que é mais cara. “O Censo 2022 reflete isso, mostrando expansão do esgotamento sanitário no Brasil, porém com uma cobertura ainda inferior à da distribuição de água e à da coleta de lixo”, afirmou.
A região Sudeste apresentou a maior parcela da população morando em domicílios com coleta de esgoto (86,2%), enquanto a região Norte obteve a menor taxa nesse indicador (22,8%).
Banheiros exclusivos
O banheiro, ou cômodo com vaso sanitário e instalações para banho, foi classificado como “de uso exclusivo”, desde que utilizado apenas pelos moradores dos domicílios e seus hóspedes. Em 2022, cerca de 71 milhões de domicílios tinham no mínimo um banheiro de uso exclusivo, número correspondente a mais de 97% da população brasileira.
A quantidade de residências onde não há banheiros, sanitários ou buracos para dejeções foi de 367 mil. Nesses locais residiam 1,2 milhão de pessoas (0,6% da população). Os estados com as taxas mais elevadas foram: Piauí (5,0%), Acre (3,8%) e Maranhão (3,8%).
Coleta de lixo
O Censo 2022 também trouxe resultados acerca do destino do lixo. O tipo de descarte mais frequente foi o “coletado no domicílio por serviço de limpeza”, em que cerca de 82,5% da população residiam em domicílios nos quais esse era o destino do lixo. Em seguida, o “depositado em caçamba de serviço de limpeza” era feito por 8,4% da população.
Juntas, essas duas categorias correspondem aos domicílios com coleta de lixo. Em 2022, 90,9% da população residiam em domicílios que possuíam coleta direta ou indireta de lixo. Outros 9,1% recorriam a soluções locais ou individuais para a destinação do lixo.
Conforme a pesquisa, 7,9% das pessoas tinham o lixo domiciliar “queimado na propriedade”, enquanto 0,3% tinham ele “enterrado na propriedade”. Para outros 0,6% da população, o lixo era “jogado em terreno baldio, encosta ou área pública”.
O Censo também registrou a ocorrência de “outro destino” para o lixo domiciliar, a categoria abrangeu 0,3% da população.
A maior proporção de coleta direta ou indireta de lixo foi registrada em São Paulo (99,0%) e a menor no Maranhão (69,8%).
Acesso a saneamento básico
De acordo com o Censo, em 2022, as faixas etárias mais jovens apresentaram uma maior incidência de situação de precariedade no acesso a saneamento básico.
Na população entre 0 e 4 anos, apenas 3,4% residiam em domicílios sem canalização de água; no grupo com 60 anos ou mais, a proporção foi de 1,9%.
Quanto à ausência de banheiro, sanitário ou buraco para dejeções nos domicílios, os índices foram: 0,9% no grupo entre 0 e 4 anos, e 0,4% no grupo com 60 anos ou mais.
A abrangência dos serviços públicos de saneamento, como o abastecimento por rede água, coleta de esgoto e de lixo, também mostram-se relacionadas à faixa etária. Já a proporção da população residindo em domicílios com abastecimento de água, principalmente pela rede geral, foi de 80,9% no grupo entre 0 e 4 anos, e de 83,5% no grupo de 60 anos ou mais.
A coleta direta ou indireta de lixo obteve uma diferença menor: 89,5% no grupo entre 0 e 4 anos, e 90,8% no grupo com 60 anos ou mais. No entanto, a diferença foi maior na proporção da população residindo em domicílios com esgotamento por rede coletora ou fluvial, em que 57,3% no grupo entre 0 e 4 anos, e 66,3% no grupo com 60 anos ou mais.
O Censo também mostra que pessoas de cor ou raça amarela e as de cor ou raça branca tiveram as maiores proporções de conexão de redes de serviços de saneamento básico e maior índice de presença de instalações sanitárias nos domicílios. Enquanto as pessoas de cor ou raça preta, parda e indígena obtiveram as menores proporções.
Primeiros Resultados do Censo 2022: Coordenadas geográficas
Pela primeira vez, o Censo 2022 captou as coordenadas geográficas das espécies de endereços. Durante a operação censitária, as coordenadas serviram para monitorar o trabalho dos recenseadores e para acompanhar a evolução da coleta.
O resultado dessa coleta também integrará o Cadastro Nacional de Endereços para Fins Estatísticos (CNEFE).
Desde sua divulgação, os microdados estão à disposição da sociedade para aplicação em diversas situações, como a localização de endereços em áreas de risco de enchentes, deslizamentos e queimadas. Também é possível localizar endereços em zonas de planejamento da administração pública, em unidades de conservação ambiental e em áreas de atuação de um determinado empreendimento.
No Censo 2022, foram registrados 111,1 milhões de coordenadas geográficas para as espécies de endereços identificados na operação censitária. Desse total, 109,9 milhões foram válidos para coleta.
Do total de endereços coletados no levantamento, 81,5% eram domicílios particulares e 0,1% eram domicílios coletivos. Com 10,5% do total, outros tipos de estabelecimentos, como lojas e instituições de ensino, se enquadram em outras finalidades.
Primeiros Resultados do Censo 2022: Setores censitários
O IBGE também disponibilizou os totais de população residente e de domicílios por setores censitários preliminares e agregados por subdistritos e distritos.
Os setores censitários são as unidades territoriais de coleta do Censo Demográfico.
Ao todo, 452.338 setores censitários estão distribuídos pelos 5.568 municípios brasileiros, além do Distrito Federal e do Distrito de Fernando de Noronha.
A malha de setores censitários preliminares compõe o conjunto de recortes territoriais institucionais do IBGE, e serve para produção, análise e disseminação das estatísticas.
Os dados do Censo mostram que presídios e condomínios influenciam a quantidade de moradores e de domicílios. No ranking de setores censitários com mais pessoas no Brasil, Brasília/DF fica em primeiro lugar com 10.163 pessoas, seguido de Vila Velha/ES com 7.756 pessoas, nos setores onde estão, respectivamente, o Complexo Penitenciário da Papuda e a Penitenciária Estadual de Vila Velha.
A pesquisa do Censo também mostrou que cerca de 54,8% da população do Brasil (111.277.361 pessoas) moravam em setores censitários localizados a uma distância máxima de 150 quilômetros do litoral. Enquanto 4,6% da população, um total de 9.416.714 pessoas, moravam em setores censitários localizados a até 150 quilômetros de distância da fronteira do Brasil.
Primeiros Resultados do Censo 2022: Analfabetismo
Segundo o Censo Demográfico de 2022, dos 163 milhões de pessoas de 15 anos ou mais de idade, 151,5 milhões sabiam ler e escrever um bilhete simples e 11,4 milhões não sabiam. Em 2022, a taxa de alfabetização para esse grupo foi de 93,0%, e a taxa de analfabetismo foi de 7,0%.
A taxa de alfabetização é investigada desde o primeiro Censo do país, em 1872. Em 1940, menos da metade da população era alfabetizada.
As pessoas de cor ou raça branca e amarela com 15 anos ou mais de idade tiveram as menores taxas de analfabetismo, 4,3% e 2,5%, respectivamente. Enquanto as pessoas de cor ou raça preta, parda e indígena da mesma faixa etária tiveram taxas de 10,1%, 8,8% e 16,1%, respectivamente.
Conforme os resultados do Censo, houve uma queda nas taxas de analfabetismo em todas as faixas etárias. Em 2022, o grupo mais jovem de 15 a 19 anos atingiu a menor taxa de analfabetismo (1,5%), e o grupo de 65 anos ou mais permaneceu com a maior taxa (20,3%), contudo, essa é a maior queda em três décadas.
Segundo Betina Fresneda, analista da pesquisa, “a elevada taxa de analfabetismo entre os mais velhos é um reflexo da dívida educacional brasileira, cuja tônica foi o atraso no investimento em educação, tanto para escolarização das crianças, quanto para a garantia de acesso a programas de alfabetização de jovens e adultos por uma parcela das pessoas que não foram alfabetizadas nas idades apropriadas”.
De acordo com a pesquisa, em 2022, o percentual de mulheres que sabiam ler e escrever era de 93,5%, diante dos 92,5% dos homens. A vantagem feminina é verificada em todos os grupos etários, exceto entre os de 65 anos ou mais de idade, com 79,9% para homens e 79,6% para as mulheres.
A taxa de analfabetismo foi abaixo da média nacional somente nos municípios acima de 100 mil habitantes. Todos os 1.366 municípios com população entre 10,001 e 20.000 habitantes apresentaram a maior taxa média de analfabetismo das pessoas de 15 anos ou mais (13,6%).
“A alfabetização é de responsabilidade dos municípios e está diretamente relacionada aos recursos que os municípios têm para investir em educação. A taxa de analfabetismo é menor nos municípios acima de 100 mil habitantes porque eles dispõem de mais recursos e infraestrutura para educação, além de outros fatores como localização, idade média e áreas urbanas ou rurais”, explica Fresneda.
A região Sul continuou com a maior taxa de alfabetização do país (96,6%), sendo seguida pelo Sudeste (96,1%). A taxa da região Nordeste permaneceu mais baixa (85,8%), seguida do Norte (91,8%).
Com uma taxa de 14,2%, o analfabetismo no Nordeste continuou sendo o dobro da média nacional (7,0%).
Entre as unidades da federação com as maiores taxas de alfabetização estão Santa Catarina (97,3%) e Distrito Federal (97,2%). As menores taxas foram registradas em Alagoas (82,3%) e Piauí (82,8%).
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