Amigos do Clipping, a prova de Política Internacional do CACD 2018 trouxe algumas surpresas e mudanças sobre as quais candidatos precisam refletir. Menos PEB e mais PI. Abaixo seguem os comentários do nosso amigo, o Professor Tanguy Baghdadi.
- ? Reunimos aqui todas as questões da prova do CACD 2018
Vamos aos comentários e deixe seus comentário sobre a prova ao final do post.
Comentários sobre a prova de PI do CACD 2018
*por Tanguy Baghdadi
A prova de Política Internacional de 2018 foi de política internacional. Puro sangue.
As questões discursivas de PI lançaram a política externa brasileira a uma posição secundária – um movimento que vinha sendo ensaiado nos últimos anos, tanto nas questões objetivas como nas discursivas.
O momento não é mesmo muito propício para que se discuta política externa brasileira, dada a interinidade do governo de Michel Temer e a baixíssima atividade da casa do Barão. Mas o concurso de 2017, em um contexto similar, ainda se arriscou a um debate histórico sobre a PEB, com questões sobre o relacionamento entre Brasil e Argentina entre 1945 e 1980 e sobre as relações Brasil-África nos anos 1960 e 1970.
Mesmo que as duas outras questões de 2017 não tenham sido específicas sobre política externa, tocaram em temas caros ao Itamaraty: a reforma do Conselho de Segurança e o Tratado de Proibição de Armas Nucleares.
Em 2018, a política externa assumiu um lugar discreto nas questões. Em duas delas, foi pedido que o candidato mencionasse como o Brasil enxerga os temas definidos pela prova, mas sem o tradicional protagonismo da PEB, ao qual o candidato sempre poderia se agarrar para redigir respostas seguras em anos anteriores.
A prova foi trabalhosa, uma vez que todas elas tinham diversos subitens – 3 questões com 3 subitens cada e uma com 5 subitens – o que leva o candidato a encontrar uma série de tarefas a cumprir ao longo de um espaço relativamente exíguo. Se isso traz a vantagem de direcionar os argumentos indispensáveis para uma boa resposta, o desafio é conseguir espaço para construir uma argumentação que saia do simples cumprimento das tarefas propostas pela banca – o que é fundamental para que a resposta se destaque em meio às demais, sobretudo em uma prova na qual a própria seleção dos temas premiou as boas reflexões, por se distanciarem do porto seguro que sempre foi o discurso da política externa brasileira.
Vamos às questões:
?A primeira questão demandava uma análise sobre o atual momento das negociações comerciais, com ênfase na OMC, em linha com um dos temas de pesquisa do prof. Alcides Costa Vaz, integrante da banca.
O desafio era responder a uma questão com 5 subitens em 90 linhas, com uma perspectiva institucional e contemporânea, com uma discussão sobre o crescimento do protecionismo nos cenário atual.
?A segunda questão mencionava o Brasil apenas no 3º item, mas demandava um debate muito caro ao país: a dicotomia entre “ser grande” e “mostra-se grande”.
A construção de uma argumentação criativa e consistente era indispensável, o que premiou candidatos que tivessem treinado uma boa organização, para que o texto não ficasse confuso.
?A terceira questão foi a mais surpreendente e entra na cota daquelas que ninguém nunca vai imaginar antecipadamente, já que pedia para se comentar sobre um momento específico da política externa de outro país: a doutrina Bush, do início dos anos 2000.
Em casos como esse, faz toda a diferença que o candidato tenha uma estratégia de prova bem definida, que permita algum nível de improviso, em temas que não tenham sido estudados de forma mais detida ao longo da preparação.
?E a quarta questão lida com um tema tradicional da política externa brasileira – ainda que o Brasil só seja mencionado no terceiro item: o papel do desenvolvimento na agenda global.
Era necessário que se conhecessem alguns marcos das discussões internacionais sobre o tema e o candidato podia, finalmente, usar alguns argumentos tradicionais do Brasil sobre o desenvolvimento, que costumam estar em linha com os últimos debates internacionais.
No fim da quarta questão, o Brasil finalmente volta a servir de parâmetro para uma resposta da prova de PI.








No comment yet, add your voice below!