Hoje vamos falar sobre o Congresso de Viena, tema muito importante no universo da diplomacia e das Relações Internacionais.
Em poucas palavras, o Congresso de Viena se insere em um contexto mais amplo chamado de “Concerto Europeu“, um momento em que o pêndulo das relações internacionais tinha dois espectros: o triunfo da interdependência/cooperação e o triunfo da hegemonia absoluta.
O fim do Império Napoleônico, entre 1814 e 1815, significa um momento em que esse pêndulo foi em direção ao triunfo da interdependência, pois as grandes potências da época se uniram em torno de objetivos comuns, quais sejam, restaurar a ordem vigente no momento anterior à Revolução Francesa e esmagar movimentos revolucionários.
Organizamos o conteúdo por tópicos. Confira abaixo:
- Em qual contexto histórico aconteceu o Congresso de Viena?
- O que foi o Congresso de Viena?
- Princípios do Congresso de Viena e suas consequências
- Reorganização do Sistema Internacional
- O Concerto Europeu em crise
- Como o Congresso de Viena é cobrado no CACD
Em qual contexto histórico aconteceu o Congresso de Viena?
O ambiente para o Congresso de Viena começa a se formar décadas antes, com a Revolução Francesa (1789).
Os franceses questionaram a ordem econômica, social e política vigente na sociedade à época. Os ideais iluministas que defendiam o poder da razão, a busca por conhecimento racional, a separação entre igreja e estado se chocaram com o absolutismo vigente, que ditava o poder monárquico do rei absoluto sobre todas as esferas e sua hereditariedade.
Ao final do século XVIII, Napoleão Bonaparte ascendeu ao poder, se tornou imperador e expandiu os ideais iluministas declarando guerra a várias nações, dominando territórios e tirando do poder casas monárquicas tradicionais, quebrando assim um longo período de estabilidade política europeia. A era napoleônica durou entre 1799 – 1815, nesse período inúmeras coligações foram formadas na tentativa de deter a expansão territorial francesa e derrotar Napoleão.
O que foi o Congresso de Viena
Após a queda do império napoleônico, o Congresso de Viena (1814-1815) buscou eliminar os ideais do iluminismo, indo em resgate da ordem tradicional, que existia antes de 1789. As nações que protagonizaram o Congresso foram Inglaterra, Rússia, Prússia, Áustria e França, estas buscavam multilateralmente chegar a um acordo sobre o novo mapa geopolítico da europa.
Em resumo, o objetivo do Congresso de Viena foi restabelecer o equilíbrio e buscar uma estabilidade política entre as nações europeias que haviam sofrido com as invasões napoleônicas desde o fim do século XVIII. Essas nações chegaram a um tratado ao final do Congresso o qual serviu de guia para a europa do século XIX, delineando muitas das decisões tomadas nas décadas posteriores.
Princípios do Congresso de Viena e suas consequências
O Congresso de Viena inaugurou princípios para fazerem jus a ordem que as potências da época almejavam criar. Os princípios diziam respeito à política dinástica, à necessidade de intervenção em diferentes países e a necessidade premente de equilíbrio de poder entre os países hegemônicos.
Confira abaixo um resumo de cada um dos princípios:
Principio da Restauração
Pregava que todas as casas monárquicas que foram derrubadas por Napoleão ganhavam apoio das nações ali reunidas para voltar ao trono.
Princípio da Legitimidade
Todas as fronteiras seriam resgatadas aos moldes anteriores da Revolução Francesa.
Princípio do Equilíbrio
Nenhum país poderia ter uma força bélica maior que o conjunto das nações. Para evitar o surgimento de novas revoluções foi criada uma aliança militar, a Santa Aliança, formada por Áustria, Prússia e Rússia.
Tendo como prioridade acabar com os vestígios da Revolução Francesa e da Era Napoleônica, entre as decisões tomadas a reorganização territorial europeia, divisão dos territórios ocupados por Napoleão, e o isolamento da França foram pontos cruciais, bem como a formação da Santa Aliança.
Reorganização do Sistema Internacional
A reconstrução da Europa pelo Congresso de Viena foi um episódio que resultou em uma nova forma de organização do sistema internacional. Não apenas o mapa europeu foi inteiramente redesenhado, mas também foram determinadas quais nações teriam uma existência política durante os próximos cem anos.
Uma ideologia, determinada pelas quatro grandes potências da época, foi imposta a todo o continente. Tentou–se consolidar um acordo entre essas potências, o que resultou numa mudança em seus planos expansionistas, desviados da África e do sul da Ásia.
A forma de condução das relações internacionais foi inteiramente modificada. Direta ou indiretamente as consequências do Congresso abrangem todo o conjunto de acontecimentos que se deu na Europa desde então, incluindo o nacionalismo agressivo, o bolchevismo, o fascismo, as duas grandes guerras e, finalmente, a criação da União Europeia.
O concerto europeu inaugurou uma nova forma de lidar com as questões internacionais, representou importante legado ao direito internacional, especialmente no que se refere à abolição do tráfico de escravos, à institucionalização e classificação dos agentes diplomáticos e à aplicação do princípio da livre navegação dos rios internacionais.
O Concerto Europeu em crise
O concerto europeu foi pautado por uma política externa que garantia a manutenção da estabilidade política e equilíbrio de forças. Através de congressos e conferências as nações debatiam assuntos mais relevantes para o sistema internacional. A busca por resoluções concertadas para as divergências de forma diplomática e pacífica sobreposta a maneira beligerante foi crucial para o sucesso do que havia sido acordado durante o congresso.
Na segunda metade do século XIX a Prússia, mesmo tendo concordado com o que foi discutido durante o congresso, se rebelou contra o princípio de equilíbrio. A partir de 1865 a potência entra em uma série de conflitos com outros países que culminaram com a unificação alemã, a formação do II Império Reich, em 1871. Do final do século XIX ao início do século XX a Alemanha se estabeleceu como potência militar e industrial provocando o fim do equilíbrio de poderes estabelecido durante o congresso.
Como o congresso de Viena é cobrado no CACD
O conteúdo programático que consta no edital considera o assunto no tópico História Mundial: O Concerto Europeu e sua crise (1815-1918), relevante para a primeira fase do exame. O Instituto Rio Branco não orienta quanto à bibliografia para o exame, as questões da prova realizada pelo CESPE têm um caráter próprio. As questões do CACD costumam cobrar um conhecimento transversal entre diversas disciplinas e uma análise abrangente e mais aprofundada de dados, conceitos, fatos, dessa forma é importante ao estudar o concerto europeu também se aprofundar em outras questões que partiram dele ou mesmo que são importantes nas relações internacionais como os conceitos de soberania, legitimidade, Estados, nações, regimes de governo.




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