Por Diogo Machado.
Geralmente, quando um CACDista diz que estuda para o Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD), as duas principais reações das pessoas são de admiração e de espanto. Admiração por pensarem que a nobre função seja uma tarefa muito “chique” para os padrões normais do serviço público e espanto pela dificuldade que o concurso e a carreira apresentam. Fato é que, ainda no século XXI, paira no imaginário popular a visão de que a carreira diplomática seja permeada de glamour, jantares pomposos e sofisticação, em salões nobres dos mais exóticos países…
Infelizmente, muitos CACDistas pensam de maneira semelhante. Começam a estudar para o concurso com expectativas um pouco irreais e, nessa lógica, pensam que estudar para o CACD seja algo especial. Certamente, nosso concurso possui peculiaridades que o distanciam dos demais, a começar pelas disciplinas. Não são todos os certames para o ingresso nas mais diversas carreiras públicas que demandam conhecimentos específicos em tão variadas matérias, como política internacional, economia e francês. Além disso, a maneira como as disciplinas são cobradas confere ainda maior singularidade ao concurso. Dessa forma, muitos CACDistas se imaginam em um universo à parte daquele compartilhado por “concurseiros” em geral.
Isso é um erro!
Encarar o CACD como uma prova glamurosa pode ser traiçoeiro, afinal, muitos candidatos(as) se perdem durante a preparação, imaginando estarem estudando para algo menos objetivo do que realmente é. O CACD é um concurso público, composto por um Edital definido, provas objetivas e habilidades que serão mensuradas por critérios pré-estabelecidos.
Por que, então, estudar para o CACD como se estivesse na academia, com foco excessivo em excentricidades, tais como erudição linguística e rebuscamento cultural?
O estudo para o CACD deve ser equilibrado e focado em resultados, como todo concurso público. É preciso muita dedicação e pragmatismo durante a preparação, por mais que possa ser tentador se especializar em aspectos mais sofisticados, como história da arte ou literatura francesa do século XVIII. Com vistas a ser competitivo no concurso, não só na Primeira Fase, mas também nas demais, o CACDista precisa focar em quatro habilidades básicas que os “concurseiros” geralmente dominam:
- Como estudar de forma efetiva;
- Como planejar sua rotina de estudos;
- Como organizar e entender o conteúdo a ser estudado;
- Como criar um material de fácil entendimento para fazer revisões.
A forma mais efetiva de estudar para concursos públicos é, primeiramente, conhecer todo o conteúdo do edital, por meio de aulas, leitura de textos ou ambos. Em seguida, é fundamental colocar à prova o conhecimento inicialmente aprendido. Assim, uma rotina de resolução de questões é imprescindível para que o CACDista tenha a exata noção de seu potencial, suas falhas e os aspectos que necessitam de maior atenção. Também é preciso criar uma rotina de revisões, pois elas são fundamentais para sedimentar o conhecimento na memória. Há uma frase em latim, constantemente lembrada pela professora Gilda Gama, que diz o seguinte: “Repetitio est mater studiorum” (a repetição é a mãe dos estudos).

Outra coisa fundamental que os “concurseiros” fazem e que todo CACDista deve fazer é planejar bem sua rotina de estudos. Já escrevemos sobre isso na Metodologia, mas é preciso reforçar que sem planejamento não há aprovação. Mais ainda, sem um planejamento robusto, com muitas horas de estudo organizado, dedicação e sacrifícios, dificilmente um CACDista conseguirá alcançar bons resultados. A cada ano que passa o CACD tem se tornado mais desafiador, sobretudo nas provas de línguas estrangeiras, que têm demandado dos candidatos(as) mais velocidade para traduzir textos longos e complexos.
Dessa forma, entender que a preparação para o CACD não se resume a boas leituras e enriquecimento intelectual consiste no fato de ser pragmático. É necessário saber a hora de encerrar aquela leitura de aprofundamento quando o edital é publicado, saber que o estudo para cada disciplina apresenta peculiaridades em comparação com as demais e saber que técnica de prova é tão importante quanto o domínio da matéria em si. Então, cada um desses aspectos precisa ser desenvolvido.
Em terceiro lugar, bons “concurseiros” sabem o que deve ser estudado e como esse conteúdo pode ser organizado da melhor maneira possível. Para isso, essas pessoas literalmente estudam o edital, buscam aulas expositivas que possam facilitar o entendimento das disciplinas e procuram materiais (livros, apostilas, resumos) que cubram todo o conteúdo necessário para alcançar a aprovação. Somente depois de definir os materiais, os bons “concurseiros” passam a focar sua energia e atenção ao estudo propriamente dito.
A última etapa consiste na consolidação do conteúdo estudado na forma de um caderno. Em cada disciplina, o CACDista concurseiro elabora e sistematiza as informações principais, as informações mais aprofundadas e as atualizações e correções de todo o conteúdo aprendido. Assim, terá sempre em mãos um material, ao mesmo tempo, organizado e dinâmico, que facilitará as revisões e a busca de informações pontuais, sempre que necessário.
Devido ao elevado nível intelectual dos CACDistas, em algum momento da história, criou-se a alcunha de “Quarto Secretário”, em alusão ao fato de que candidatos(as) ao CACD são, na verdade, o primeiro estágio da carreira diplomática. Essa cultura é um tanto quanto nociva, pois não traduz a realidade de quem deve se dedicar diariamente para vencer obstáculos particulares, com vistas a ser aprovado em um dos concursos federais mais difíceis.
Reconhecer que não somos especiais, mas diferentes, nos dá maiores possibilidades de evolução ao longo da preparação para o CACD. Manter os pés no chão, com organização, planejamento e dedicação é tão importante quanto ser fluente nas três línguas estrangeiras cobradas no concurso.



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