A trajetória de quem estuda para o Concurso de Admissão à Carreira Diplomática (CACD) é comparável à de um atleta de alto rendimento. É preciso ter muita disciplina, determinação e comprometimento para alcançar o objetivo final, passando por várias pequenas provações ao longo do caminho.
Considerando a estrutura do concurso, que, tradicionalmente, tem três fases de avaliação, a prova objetiva, usualmente chamada TPS (Teste de Pré Seleção), é a primeira barreira que quem estuda para o concurso de diplomata tem de superar.
Mas a superação desse desafio não depende apenas de você fazer a prova e alcançar uma pontuação acima da nota de corte. Entre o dia da prova e a divulgação do resultado definitivo da primeira fase, o CACDista tem de perguntar-se se:
- Sabe como calcular seus erros e acertos para chegar à nota final?
- Sabe o que são e como fazer recursos?
- Sabe quando deve começar a estudar para as provas discursivas?

O período entre a realização da prova objetiva e a divulgação dos aprovados que avançam para a segunda fase é um verdadeiro compasso de espera ativa, em que o candidato tem de tomar uma série de decisões que têm impactos reais sobre a sua aprovação final.
Mas vamos por partes…
Uma conquista de cada vez
Você conseguiu fazer a primeira etapa do CACD, parabéns!!!
Agora é hora de relaxar, conferir o gabarito e traçar estratégias de estudos para as próximas fases. Por isso, é fundamental participar do Depois da Prova.
No Depois da Prova, você pode ter a sua nota calculada automaticamente e ter a possibilidade de participar de discussões sobre o gabarito, compartilhando argumentos para recursos. As questões mais comentadas são corrigidas pelos nossos professores, o que pode, inclusive, te ajudar na elaboração de recursos.
No depois da prova, você também pode inserir a sua nota no ranking nacional mais crível para o CACD, em que é possível comparar seu desempenho com o de outros participantes. Não sabe se sua nota é suficiente para garantir sua aprovação na primeira fase? Insira ela no ranking para saber!
E o melhor? Tudo isso é de graça!

Recursos: nunca vi nem ouvi, só ouço falar
Se você é CACDista de primeira viagem, talvez não saiba nem o que é um recurso. Basicamente, é uma solicitação que você faz à banca do concurso para que ela reconsidere um gabarito da fase objetiva.
Você pode pedir para que o gabarito (C ou E) seja anulado ou que seja revertido (e.g. pedir que um item, inicialmente dado como certo, tenha o gabarito trocado para errado).
No recurso, você deve apresentar uma boa argumentação, para convencer a banca de que o gabarito provisório seja alterado. Depois da publicação desse gabarito, temos, normalmente, dois dias para elaborar recursos. Cerca de uma semana depois, o gabarito definitivo é divulgado, junto de um documento em que a banca justifica as mudanças de gabarito.
Devo fazer recursos?
Siiiiim!!
Na prova objetiva, é possível que apenas cerca de 10% dos candidatos inscritos no CACD cheguem a recorrer contra a banca. Grande parte dos candidatos entrega-se sem lutar após constatar que ficou naquela zona cinzenta, ligeiramente abaixo da nota de corte estimada, o chamado “limbo”.
Apesar disso, o nível de preparação dos candidatos ao Concurso e Admissão à Carreira Diplomática (CACD) chegou a um ponto em que é cada vez mais difícil a banca dar um gabarito sem que o candidato consiga levantar bibliografias que contestem a banca.
Quando vale a pena recorrer no CACD?
Sempre!
“Ah, mas eu não vou recorrer nessa questão aqui. Eu admito que errei e não vou advogar causas em que não acredito.”
O Clipping aprecia seu desprendimento e seu espírito esportivo. Seria incrível se todos os candidatos pensassem assim como você. Mas, infelizmente, não é assim que as coisas funcionam no fantástico mundo do CACD.
Você pode não recorrer contra um gabarito que você errou. Mas seu concorrente vai fazer de tudo para reverter o gabarito daquela questão que ele errou de bobeira e que você, com todo o mérito, acertou. Se ele conseguir (e, acredite, não raro ele consegue) você terá errado agora 2 questões e não somente 1.
Muitas vezes para ficar com a mesma nota na prova objetiva, você precisa, sim, recorrer, pois várias questões que você acertou serão anuladas ou, pior, terão o gabarito alterado.
Aceite: recorrer faz, sim, parte das regras do jogo! Não se sinta culpado por recorrer. E também não se sinta ressentido com o concorrente que conseguiu reverter o gabarito.
Como recorrer em questões objetivas?
Recorrer no CACD é a “arte do possível”.
O prazo dado pelo Edital do CACD é curto: você tem 2 dias úteis para recorrer de uma prova que tem 73 questões, com 4 itens cada. Isso soma nada menos do que 292 itens. Então, seja pragmático. Foque em apenas algumas questões. Mais vale fazer 5 recursos bem fundamentados do que fazer 10 recursos medíocres.
Atenção a essas 3 palavrinhas mágicas que você deve ter em mente enquanto faz seus recursos:
- Clareza
- Consistência
- Objetividade
Não é o Clipping quem inventou essas palavrinhas mágicas, mas a própria banca. Veja o que diz o último edital do CACD:
12.2 O candidato deverá ser claro, consistente e objetivo na elaboração de seu recurso.
Quer mais detalhes sobre a melhor estratégia para elaborar recursos, tanto para a primeira fase quanto para as fases discursivas? Confere esse post no nosso blog sobre como ganhar pontos com recursos, em que falamos com muita profundidade sobre o tema.
Nota de corte
Todos os anos, legiões de CACDistas perguntam-se “qual será a nota de corte do TPS?”.
Esse é um questionamento muito válido, pois há pouco tempo entre o resultado definitivo da primeira fase e as provas discursivas de inglês e de francês. Você tem de começar a estudar, antes de ter certeza se passou ou não na primeira fase.
Mas há muita incerteza, insegurança e ansiedade. O ranking do Clipping, no Depois da Prova, pode ajudar com uma estimativa de nota de corte. Outra ferramenta muito útil é a análise das notas de cortes de anos anteriores.
Sua nota está muito abaixo das últimas notas de corte? É mais provável que esse não seja esse ano. A nota está muito acima? Foco nas provas discursivas! E se sua nota estiver ali na meiuca, na média das últimas notas de corte? Foco nas provas discursivas!

Custa caro estudar para o CACD
Essa é uma verdade e uma barreira para muitas pessoas que têm o sonho de ser diplomata. Apesar das diferentes iniciativas para baratear o custo de preparação para o CACD e para ampliar o acesso à carreira diplomática, os cursos ainda são muito caros, sobretudo os intensivos, que se multiplicam após a publicação do edital.
O que fazer então, quando você está na zona cinzenta, após a primeira fase, com uma pontuação que não te dá a certeza de que seu nome estará entre aqueles que vão avançar para as fases discursivas? Como já dissemos, há muito pouco tempo entre o resultado definitivo da prova objetiva e as provas de português e de inglês.
Diante da urgência e da necessidade de mudar a sua estratégia de estudos, é preciso levar alguns pontos em consideração, antes de endividar-se para se matricular em diferentes cursos intensivos para a segunda e para a terceira fase.
- Seja realista. Sua nota está muito abaixo das projeções de nota de corte e da série histórica? Talvez não seja a hora de gastar mais dinheiro na preparação, mas de descansar e de repensar as estratégias de estudo.
- Nenhum estudo é em vão. Se dinheiro não for um grande problema para você, reflita sobre a possibilidade de fazer alguns cursos intensivos específicos. Eles não são chamados “intensivos” à toa. O volume de conteúdo visto e a quantidade de exercícios realizados podem te ajudar a tornar-se um candidato melhor, ainda que para a próxima edição do CACD.
- Pesquise. Se dinheiro for um grande para você, pesquise as diferentes opções de cursos disponíveis. Há muitos com cláusulas de cancelamento que possibilitam reembolso completo ou parcial, em caso de reprovação, após a divulgação do resultado final.
O compasso de espera é um momento de ação e de reflexão. Não tome decisões atabalhoadas que podem te prejudicar lá na frente. Lembre-se que a preparação para o CACD é uma maratona, não uma corrida de 100m. Aproveite o período entre a primeira e a segunda fase para refletir sobre as estratégias de estudo, seus custos e suas oportunidades Só não deixe de agir!




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