O Concurso de Admissão à Carreira Diplomática (CACD) é uma prova de longa distância, uma maratona. Na média, as pessoas são aprovadas depois de 4 anos de estudo, o que demanda muito trabalho, determinação e resiliência. Isso, a maioria das pessoas já sabe. Mas você também sabe que o CACD é uma prova de obstáculos?
Para ser aprovado no concurso de diplomata, você tem de passar por três fases que demandam estratégias de estudo diferentes. A preparação para uma prova de questões objetivas (certo ou errado), é bem diferente do estudo para uma prova discursiva. São desafios diferentes que avaliam competências distintas, demandando, portanto, estratégias diversas.
Nesse post, vamos falar sobre a maratona de discursivas, que é quase uma prova dentro da prova que é o CACD. É aquele período, logo após a primeira fase, em que você tem de preparar-se para as provas de segunda e de terceira fase, em que a competência escrita é avaliada.
Na primeira fase, também conhecida como TPS, o fundamental é não cair nas pegadinhas da banca. Não se trata de mostrar o que você sabe, mas de saber diferenciar o conteúdo apresentado pela banca. Nas provas discursivas, essa inverte-se a lógica. A banca propõe um tema ou uma atividade, e você tem a liberdade de mostrar tudo o que sabe.
É bem diferente, não é?
Por isso pensamos nesse post, para te ajudar na preparação específica para as fases discursivas. Nele, vamos falar sobre:
- Estrutura das provas de segunda e de terceira fase
- Planejamento de estudos para as discursivas
- Métodos de estudo
- Recursos
- Dicas para o dia da prova
Como são as provas discursivas
Se você chegou até aqui, provavelmente já leu o edital do CACD e conhece de cabo a rabo todas as etapas e todos os processos do concurso, certo?
A gente sabe que é possível que a resposta seja não. Por isso, vamos revisar os principais pontos relacionados ao grande desafio que está a sua frente, agora que o TPS passou: as provas discursivas da 2º e da 3º fases.
2ª Fase: prova escrita de português e inglês
A segunda fase do concurso de admissão à carreira diplomática é uma prova com questões dissertativas, que demanda dos candidatos a exposição de suas respostas em formato escrito.
Essa prova escrita possui questões de língua portuguesa e de língua inglesa. Vale ressaltar que nessa etapa, o exame possui caráter eliminatório e classificatório. Sendo assim, o candidato pode ser eliminado do processo ou ser classificado para a próxima fase.
Desde 2020, a prova de português é dividida em 1 redação, 1 resumo e 1 análise ou comentário. Você terá 5 horas para fazer todas essas atividades. Quer mais detalhes? Dá uma olhada abaixo:

A prova escrita de língua inglesa também conta com questões e uma redação sobre tema geral. No entanto, essa fase possui a tradução de um texto do inglês para o português e uma versão de um texto do português para o inglês, além da elaboração de um resumo, em inglês, de um texto escrito em língua inglesa.

Para serem aprovados na Segunda Fase, os candidatos devem ter uma nota mínima de 60 pontos em Português e de 50 pontos em Inglês.
Quer ver como foram as últimas provas de português e de inglês, no CACD 2023? Seguem os links abaixo:
Se você quiser ver em detalhes todos os critérios de avaliação de cada uma das atividades, aqui vai um dever de casa: abra o edital do CACD 2023 e busque o Anexo IV, lá na página 31. Leia tudo, até a página 36, para virar Phd em provas discursivas, de segunda e de terceira fase (já me adiantei, desculpa).
3ª Fase: prova escrita de português e inglês
A terceira e última fase do exame para concurso de diplomata é uma prova escrita sobre assuntos e línguas específicas: história do Brasil, política internacional, geografia, economia, direito, língua espanhola e língua francesa.
Essa 3ª etapa também possui caráter eliminatório e classificatório, conforme o edital do concurso para diplomacia. Nessa fase, o exame é dividido da seguinte maneira:
- História do Brasil: duas questões discursivas respondidas em até 90 linhas e duas questões discursivas respondidas em até 60 linhas;
- Geografia: duas questões discursivas respondidas em até 60 linhas e duas questões discursivas respondidas em até 40 linhas;
- Política Internacional: duas questões discursivas respondidas em até 90 linhas e duas questões discursivas respondidas em até 60 linhas;
- Economia: duas questões discursivas respondidas em até 60 linhas e duas questões discursivas respondidas em até 40 linhas;
- Direito: duas questões discursivas respondidas em até 60 linhas e duas questões discursivas respondidas em até 40 linhas;
- Língua espanhola: elaboração de um resumo em espanhol, a partir de um texto escrito em língua espanhola e elaboração de versão de um texto do português para o espanhol;
- Língua francesa: elaboração de um resumo em francês, a partir de texto escrito em língua francesa, e elaboração de versão de um texto do português para o francês.
Você terá três dias, 4h de manhã e 4h a tarde, para concluir essa maratona. Veja como foi o cronograma do último concurso:
- Sexta-feira: prova de história do Brasil, iniciando-se às 9 horas, e prova de geografia, iniciando-se às 15 horas;
- Sábado: prova de política internacional, iniciando-se às 9 horas, e prova de economia, iniciando-se às 15 horas;
- Domingo: prova de direito, iniciando-se às 9 horas, e provas de língua espanhola e de língua francesa, iniciando-se às 15.
Em 2019, o IADES trouxe uma importante novidade para o CACD. Desde então, o Edital para o concurso de admissão à carreira diplomática apresenta, de forma transparente, uma detalhada descrição dos critérios de correção e de pontuação das provas discursivas do concurso.
Trata-se de um importante ponto do Edital 2023, pois garante que a correção das provas discursivas será menos subjetiva. Todos os candidatos terão ciência, antes de fazer a prova, dos critérios que os corretores utilizarão, ao corrigir seus textos. Para ter uma boa resposta, é essencial compreender o que será avaliado e como será pontuado.
Quer ver como foram as provas discursivas de terceira fase do CACD 2023? Clique aqui.
Planejamento
Agora que você conhece todos os detalhes das provas discursivas de segunda e de terceira fase do Concurso de Admissão à Carreira Diplomática (CACD), é preciso partir para o estudo prático: revisar e escrever.
Antes de seguir com a leitura, é importante um momento de reflexão. Pergunte-se se você sabe qual é a melhor estratégia de estudo que deve ser adotada nesse momento. Será que vale ler e fichar as melhores respostas de anos anteriores? Rever os cadernos? Fazer um curso de discursivas?
Já adianto que não há uma única estratégia, muito menos uma estratégia definitiva que lhe vai assegurar a aprovação (eu sei, já falamos isso mil vezes, mas é sempre bom repetir). Ainda assim, os questionamentos acima podem mostrar caminhos possíveis, ou seja, estratégias que você pode testar e implementar.
Guias de estudos
Todos os anos, os aprovados no último concurso publicam um guia com as melhores e as piores respostas daquele ano. Trata-se de uma importante fonte de estudo no que se refere às questões discursivas. É com base nos guias que conseguimos interpretar o que a banca quer como resposta nas questões discursivas, identificar lacunas na nossa preparação e comparar estratégias argumentativas.
O estudo por meio dos guias dos aprovados é uma ótima forma de se preparar para as provas discursivas, sobretudo se você tiver um orçamento limitado e não conseguir arcar com cursos intensivos para as segunda e terceira fases do concurso.
Quer um exemplo prático de como estudar pelos guias? Baixe o guia do último ano nesse link. Escolha uma matéria para estudar. Que tal História do Brasil? Nos guias mais recentes você tem acesso às questões, aos padrões de resposta elaborados pela banca e às melhores respostas dos aprovados.
Tente responder uma questão de história. Se ainda estiver inseguro, não precisa escrever todas as 90 ou 60 linhas. Faça um brainstorm, tentando colocar no papel tudo o que você lembrar sobre aquele tema. Se conseguir, faça uma paragrafação, ou seja, já defina o tema de cada parágrafo que você escreveria, listando os principais pontos que você lembrar para cada parágrafo.
Depois, basta comparar com o padrão e com as melhores respostas. Leia tudo com muita atenção, para identificar os principais pontos que você deixou de fora de seu brainstorm e para entender como os candidatos argumentaram, conectando nomes, datas, fatos e análises. Depois de fazer isso, volte ao seu caderno e revise os pontos que você não tinha lembrado.
Sabia que você também pode ter sua resposta corrigida por uma inteligência artificial que foi treinada com as melhores respostas dos últimos 12 anos? Dá uma conferida aqui.
Revisar os cadernos
Nossos cadernos são um porto-seguro. Sempre que temos dúvidas ou não lembramos de algo, voltamos a eles. Lá, sabemos que sempre encontraremos informações completas e detalhadas sobre conteúdos que, talvez, tenhamos estudado anos atrás. Por isso, a estratégia de revisar os cadernos sempre é válida.
Mas é preciso ter atenção. Temos muito pouco tempo entre a prova de primeira fase e as provas discursivas, que demandam muito estudo prático: escrever, escrever e escrever. O ideal é que, durante os 45 a 60 dias que separam a publicação do edital e o TPS, você já tenha conseguido revisar todos os seus cadernos.
Esse é o ideal, às vezes um sonho.
Quando estiver estudando de forma intensiva para a segunda e a terceira fase do CACD, volte ao seu caderno sempre que sentir necessário, mas não faça da revisão desses materiais sua principal estratégia de estudo. Não nesse momento. Agora é a hora de partir para a ação.
A melhor forma de voltar aos cadernos, nessa fase da preparação, é após ter o resultado de uma questão discursiva. Teve um bom desempenho em uma questão sobre modelo IS-LM-BP? Parta para a próxima atividade. Foi mal em uma questão sobre geografia urbana? Tente identificar exatamente o que lhe faltou (quais foram as lacunas na sua resposta), volte ao caderno e revise esse tópico.
Agora é a hora de pragmatismo!
Curso de discursivas
Se você tiver tempo e dinheiro para fazer um curso intensivo de questões discursivas para a segunda e a terceira fase, faça! Os professores certamente tentarão selecionar os temas que são mais prováveis de aparecerem no dia da prova.
Mas um bom curso de discursivas não é bom apenas pela clarividência. Em um bom curso de discursivas, o professor selecionará temas que, além de garantirem seu treinamento prático (compreensão do comando da questão, brainstorm, estruturação da resposta e elaboração de um texto coeso), vão permitir que você revise o maior número de temas.
Um bom curso de questões discursivas não é aquele que acerta o tema do dia da prova, mas aquele que te prepara para escrever sobre qualquer tema que venha a aparecer.
Todos os anos, o Clipping oferece um curso intensivo de 2ª e 3ª fases que tem como objetivo te preparar de forma prática para as fases discursivas do CACD. Esse curso é composto por aulas práticas e por exercícios inéditos propostos pelos professores.
Na versão de 2023, o curso intensivo do Clipping contou com:
- 54 propostas de questão discursiva;
- 63 videoaulas com duração média de 1h a 1:30hs cada;
- Aulas ao vivo com interação com o professor;
- Gravações das aulas disponíveis para acesso ilimitado até o fim do módulo.
Reestruturação
Esse é o momento de refletir sobre as melhores formas de estudar para as provas discursivas e de readequar seu planejamento ao novo contexto. Passado o TPS, você não precisa se preocupar com o estudo de história mundial nem com a resolução de questões objetivas.
Quando for reestruturar sua rotina de estudos, é preciso levar essas mudanças em consideração. Há novos prazos, mais dias para estudar e novas formas de estudar. É preciso compreender que fazer um único simulado de português demora 5 horas.
Ao mesmo tempo, você também tem de considerar que você tem duas outras fases pela frente, não apenas uma. É possível que um mês separe a segunda e a terceira fases. O que fazer agora, estudar primeiro apenas português e inglês, para começar a fazer simulados de terceira fase depois da segunda? Ou talvez já começar o estudo concomitante das duas fases?
Mais uma vez, não há uma resposta para essas perguntas. Depende do tempo que você tem para estudar, da sua experiência com a prova e dos recursos financeiros que você tem para gastar com cursos. Faça aquilo que for melhor para você.
Seu primeiro passo, na preparação específica para as fases discursivas, deve ser no sentido de rever seu calendário de estudos, identificar todas as atividades que pretende executar e buscar uma forma eficiente e organizada de executá-las.
Vá com calma, mas também não devagar demais, porque o CACD começa mesmo agora, e há pouco tempo.
Hora da ação: revisar e escrever
Você montou o cronograma de estudos perfeito. Todas as atividades, aulas e ações estão planilhadas, já inseridas no calendário. Você sabe exatamente o que terá de fazer, em que dia e horário, até as provas de segunda e de terceira fase. Perfeito.
Será mesmo?
Se essa é a primeira vez que você chega às fases discursivas, é possível que seu planejamento desmorone logo na segunda semana. A gente tende a subestimar o tempo gasto com simulados, além de superestimar nossa capacidade de escrever dezenas de folhas e de assistir dúzias de aulas por dia. As ideias não vêm, a mão cansa, a atenção se dissipa, e a gente se frustra.
É normal, acontece como todos e todas. Em diferentes momentos, você terá de voltar ao seu planejamento e adequá-lo à sua realidade. No início, é provável que você não consiga fazer um simulado inteiro de uma vez, mas só vai descobrir isso depois de passar 2h encarando um exercício de português de 20 linhas.
Compreender e respeitar a sua jornada é fundamental. Se você nunca fez um simulado de inglês ou de português, não comece tentando replicar a experiência do dia de prova. Faça uma atividade de cada vez, em diferentes momentos. Viu que consegue fazer a redação em 3h, os resumo em 1h e o exercício em 1h? Então tente fazer as três atividades de uma vez, sem pausa, mas não se preocupe com o tempo. Conseguiu? Então, agora sim, tente fazer o simulado inteiro, sem pausas, em 5h.
A mesma lógica vale para os simulados de terceira fase. Apenas uma minoria consegue, em casa, preencher todas as 300 linhas da prova de História do Brasil em apenas 4h. Mesmo no dia da prova, muitos não conseguem terminar as duas questões de 90 linhas e as duas de 60. Comece com um objetivo mais modesto: fazer uma questão de 90 linhas em 1h20min e uma de 60 em 40min. Quando conseguir, tente fazer as duas atividades em 2h.
Outro erro comum é se propor fazer muitas atividades, contratar um zilhão de cursos, não conseguir fazer tudo e, consequentemente, ser dominado pela ansiedade e pela frustração. Aqui, a correção de rota é fundamental. Você não precisa responder integralmente todas as questões propostas pelos professores. Se estiver cansado ou sem tempo, faça apenas um brainstorm e uma paragrafação. Compare o padrão de resposta com o que você escreveu, identifique o que faltou e use as aulas para corrigir essas lacunas.
Nessa fase da preparação, escrever é fundamental. Você tem de treinar a leitura do comando da questão, ter certeza de quem identificou todos os pontos em entendeu o que o examinador pede. Ao mesmo tempo, tem de fazer rápidas associações entre conteúdos diversos, sem contar que tem de conseguir escrever rápido, com uma letra pequena (cabe mais conteúdo) e legível.
Mas escrever não é tudo.
Após comparar seu texto ao padrão de resposta, ou receber a correção do professor, lembre-se de revisar o que errou e sobretudo o que esqueceu. Na terceira fase, desde a adoção do modelo de quesitos, é melhor escrever sobre muitas coisas do que escrever muito sobre um único assunto.
Você ainda tem um ou dois meses de estudos pela frente. Foco e coragem. Você dá conta!
Recursos de 2º Fase
Assim como na primeira fase, você também terá a oportunidade de fazer recursos para tentar aumentar suas notas nas provas de português e de inglês. Ainda assim, fazer um recurso para as provas discursivas é bem diferente de recorrer para a banca de primeira fase.
Embora as 3 palavrinhas mágicas clareza, consistência e objetividade sirvam também para os recursos das provas discursivas, há diferenças significativas.
Na primeira fase, você recorre para anular ou reverter um gabarito, enquanto, nas fases discursivas, você recorre solicitando uma majoração da sua nota. Aqui, não há efeito carona, como ocorre na primeira fase. Se você não fizer recurso, não ganha ponto algum. E tenha certeza, todos vão fazer recursos.
O que eu devo fazer no recurso para a segunda fase, então?
Releitura do edital
Volte ao Anexo IV do edital, que prevê os critérios de avaliação das provas de segunda e de terceira fase. Todos os seus recursos precisam ser fundamentados nesses critérios. Sua função é mostrar para a banca que você atendeu o que está previsto em edital e que, portanto, merece uma nota maior.


Critérios “argumentativos”
Aqui, consideramos os critérios 1A, 1B, 1C das redações, Capacidade de Síntese e Concisão dos resumos, Apresentação e Desenvolvimento do tema do exercício e Fidelidade ao Texto Original da versão e da tradução. Ao fazer recurso para esses critérios, o padrão de resposta, a sua resposta e o edital são seus melhores amigos.
Nas redações, tanto de português quanto de inglês, você tem de demonstrar que seu texto atendeu a todos os critérios previstos em edital (legibilidade, estilo, coerência, objetividade, sistematização, pertinência das informações, reflexão etc) e que, em razão disso, você merece uma nota maior.
Aqui, não se trata de escrever uma nova redação, mas usar fragmentos da sua resposta que possam justificar seus recursos. Todos os anos, a banca tem muito pouco tempo para corrigir todas as provas. Em razão disso, é provável que o corretor tenha lido seu texto com pressa, desatento ou cansado, deixando algumas informações passarem. Agora é a hora de colocar em evidência o que pode ter passado batido.
Seguem alguns exemplos de recursos para as redações de português e de inglês:






Você provavelmente notou que todos esses recursos foram indeferidos. Isso significa que não foram bons recursos? Não. É possível, simplesmente, que o corretor não tenha lido nenhum recurso, indeferindo todos com respostas genéricas. Isso realmente já aconteceu. Também é possível que a nota inicial tenha sido justa mesmo.
O que é garantido é que os exemplos acima representam um modelo de recurso que foi testado e adaptado diferentes vezes. Seguem alguns pontos fundamentais (para todo tipo de recurso) que você precisa ter em mente:
- Não se identifique;
- Trate a banca com respeito;
- Seja objetivo;
- Torne o trabalho da banca menos trabalhoso (indique exatamente em qual linha você falou x ou y);
- Se necessário, reconheça suas falhas;
Você verá que, nos próximos exemplos, é possível identificar todas essas características.
No caso de recursos ao quesito de Capacidade de Síntese e Concisão, dos resumos, a estratégia é um pouco diferente. Aqui, você tem, primeiro, de ler o padrão de resposta e identificar seus principais pontos. Depois, volte à sua resposta e busque identificar, nela, trechos que façam referência aos pontos listados no resumo.
Segue exemplo:

Em recursos feitos para o quesito Fidelidade ao Texto Original, nas versões e traduções, a lógica é similar à dos recursos para CSC. Você tem de comparar o padrão com a sua resposta, buscando mostrar que há trechos traduzidos exatamente da mesma forma e que, naqueles que houver diferenças, seu objetivo foi preservar o sentido, ainda que a estrutura morfossintática do período tenha sido alterada.
Seguem exemplos:


Recursos de “gramática”
Ao fazer recursos para o critério de Correção Gramatical e Propriedade da Linguagem, o dicionário e a gramática serão seus maiores parceiros. O objetivo é mostrar para a banca que, o que ela marcou como um erro, está correto. E não há quem possa brigar com o dicionário ou com a gramática (ainda que alguns corretores metidos o façam).
Se possível, também busque exemplos, em tratados, textos acadêmicos e documentos oficiais, de usos similares ao que você utilizou, na sua resposta.
Você pode fazer um recurso para cada marcação de CGLP, ou pode fazer um único grande recurso com todas as marcações. Isso muda de ano para ano, conforme muda a banca e suas plataformas. O fundamental aqui, mais uma vez, é ser objetivo, educado, organizado e poupar trabalho da banca.
Seguem exemplos:




Recursos de 3º Fase
A lógica da elaboração de recursos para as provas de francês e de espanhol é exatamente a mesma dos recursos de inglês (resumo e versão). Se precisar relembrar, basta reler a parte sobre recursos de segunda fase.
O quesito é seu pastor!
Ao elaborar recursos para as provas de História, Geografia, Economia, Política Internacional e Direito, você precisa ter em mente os mesmos mandamentos dos recursos da segunda fase:
- Não se identifique;
- Trate a banca com respeito;
- Seja objetivo;
- Torne o trabalho da banca menos trabalhoso (indique exatamente em qual linha você falou x ou y);
- Se necessário, reconheça suas falhas;
Mas, nessa última fase, há um novo mandamento: são os quesitos divulgados pela banca que devem guiar seu caminho. Não tem segredo, a lógica é simples. Você tem de ler todos os quesitos, reler as suas respostas e tentar identificar, nelas, trechos que respondam aos quesitos.
Mais uma vez, não se trata de escrever uma nova resposta, mas usar fragmentos do seu texto que possam justificar seus recursos. Todos os anos, a banca tem muito pouco tempo para corrigir todas as provas. Em razão disso, é provável que o corretor tenha lido seu texto com pressa, desatento ou cansado, deixando algumas informações passarem. Agora é a hora de colocar em evidência o que pode ter passado batido.
De modo geral, seu trabalho é escrever o seguinte: “Prezada banca, entre as linhas x e y (transcrever o trecho), o candidato respondeu ao quesito z, que, conforme o padrão divulgado, demandava que o candidato “inserir trechos do quesito que foram respondidos”.
Seguem exemplos:



Quantos recursos devo fazer?
Um milhão.
Faça todos os recursos que você conseguir. A disputa por pontos na fase recursal tem de ser levada a sério, porque 0,5 ponto pode definir a sua aprovação ou reprovação.
Atenção! Isso não significa que você deve fazer recursos que claramente não serão deferidos. Não gaste o tempo, a paciência e a boa vontade da banca com esse tipo de recurso.
Dicas para o dia da prova
Depois de muito estudo, finalmente chegou o dia da prova. É normal ficar ansioso, tenso e com um pouco de medo. O importante, na véspera e nas horas que antecedem a prova, é tentar descansar o corpo e a mente.
O que você não pode esquecer
Endereço e local de prova. Essas informações são fundamentais. Confira no edital os horários de início das provas. Não deixe para chegar em cima da hora. Faça simulações de rotas pelo Google Maps ou pelo Waze para saber exatamente quanto tempo leva da sua casa para o local de prova. Planeje-se para chegar, no mínimo, 30 minutos antes do horário de início.
Há três itens que você não pode deixar de levar de forma alguma:
- Documento original com foto, como carteira de identidade, passaporte ou carteira de habilitação. Leia o artigo 13.17 do edital para saber o que é mais considerado documento de identidade.
- Caneta preta fabricada com material transparente. A caneta não pode ser azul, nem vermelha. Tem de ser preta!
- Comprovante de inscrição. Impresso, de preferência!
Você pode levar a chave de casa, carteira e celular, mas terá de colocar eles dentro de uma embalagem porta-objetos que será entregue pelos fiscais de prova. Lembre-se de desligar todos os alarmes do celular e de desligar o aparelho. Caso ele venha a tocar ou a emitir qualquer som, mesmo que dentro do saco lacrado, você será eliminado.
Alimentação
Você precisa organizar-se para ter uma boa alimentação antes, durante as provas. No caso da terceira fase, ainda precisa pensar no que vai comer entre as provas da manhã e da tarde. Faça refeições mais leves, sobretudo no intervalo entre as duas provas, e leve lanches como bananas, castanhas ou chocolates, caso fique com fome durante a prova. Lembre-se também que, na plataforma do Clipping, temos um workshop gravado sobre nutrição, alimentação e concursos.
Não se esqueça de levar água!
Lembre-se do artigo 13.20.2 do edital: “quaisquer recipientes, tais como garrafa de água, suco e refrigerante, devem ser transparentes, e demais alimentos (biscoitos, barras de cereais, chocolates, balas etc.) devem ser retirados de suas embalagens originais e acondicionados em saco transparente.”
Inclusive, releia todo o artigo 13 do edital, que trata das “disposições de realizações das provas”. Foco nas disposições que dizem respeito à primeira fase e às possibilidades de eliminação do concurso. Na terceira fase, há algumas disposições que devem ser ressaltadas:
“13.29 Será eliminado do concurso, e não terá sua prova corrigida, o candidato que se enquadrar em pelo menos uma das seguintes hipóteses:
b) entregar totalmente em branco quaisquer provas, questões ou exercícios da Segunda e Terceira Fases; e
c) fizer uso de qualquer forma de identificação pessoal, ou qualquer sinalização que possa ser entendida como identificação pessoal, diferente da permitida em quaisquer das provas, das questões ou dos exercícios de qualquer das fases.
13.29.1 O candidato que responder a questão/exercício fora do campo reservado para esse fim, ou que responder a questão/exercício em campo reservado a outra questão/exercício, terá atribuída a nota 0,00 (zero) à (ao) questão/exercício.”
Tenha muita, muita atenção na hora de escrever sua resposta. Qualquer rabisco, palavra ou letra fora do espaço delimitado pode ser considerado uma forma de identificação pessoal. Não deixe nenhuma questão em branco, mesmo que você não tenha tempo ou conhecimento. E sempre verifique se você está respondendo a questão certa na folha correta.
Qualquer que seja o resultado, o Clipping estará com você!
É preciso muita coragem e determinação para encarar os desafios da preparação para o CACD. Independentemente do resultado da prova, você é um(a) vencedor(a)!




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