Assim como na primeira fase, você também terá a oportunidade de fazer recursos para tentar aumentar suas notas nas provas de português e de inglês. Ainda assim, fazer um recurso para as provas discursivas é bem diferente de recorrer para a banca de primeira fase.
Embora as 3 palavrinhas mágicas clareza, consistência e objetividade sirvam também para os recursos das provas discursivas, há diferenças significativas.
Na primeira fase, você recorre para anular ou reverter um gabarito, enquanto, nas fases discursivas, você recorre solicitando uma majoração da sua nota. Aqui, não há efeito carona, como ocorre na primeira fase. Se você não fizer recurso, não ganha ponto algum. E tenha certeza, todos vão fazer recursos.
O que eu devo fazer no recurso para a segunda fase, então?
Releitura do edital
Volte ao Anexo IV do edital, que prevê os critérios de avaliação das provas de segunda e de terceira fase. Todos os seus recursos precisam ser fundamentados nesses critérios. Sua função é mostrar para a banca que você atendeu o que está previsto em edital e que, portanto, merece uma nota maior.


Critérios “argumentativos”
Aqui, consideramos os critérios 1A, 1B, 1C das redações, Capacidade de Síntese e Concisão dos resumos, Apresentação e Desenvolvimento do tema do exercício e Fidelidade ao Texto Original da versão e da tradução. Ao fazer recurso para esses critérios, o padrão de resposta, a sua resposta e o edital são seus melhores amigos.
Nas redações, tanto de português quanto de inglês, você tem de demonstrar que seu texto atendeu a todos os critérios previstos em edital (legibilidade, estilo, coerência, objetividade, sistematização, pertinência das informações, reflexão etc) e que, em razão disso, você merece uma nota maior.
Aqui, não se trata de escrever uma nova redação, mas usar fragmentos da sua resposta que possam justificar seus recursos. Todos os anos, a banca tem muito pouco tempo para corrigir todas as provas. Em razão disso, é provável que o corretor tenha lido seu texto com pressa, desatento ou cansado, deixando algumas informações passarem. Agora é a hora de colocar em evidência o que pode ter passado batido.
Seguem alguns exemplos de recursos para as redações de português e de inglês:






Você provavelmente notou que todos esses recursos foram indeferidos. Isso significa que não foram bons recursos? Não. É possível, simplesmente, que o corretor não tenha lido nenhum recurso, indeferindo todos com respostas genéricas. Isso realmente já aconteceu. Também é possível que a nota inicial tenha sido justa mesmo.
O que é garantido é que os exemplos acima representam um modelo de recurso que foi testado e adaptado diferentes vezes. Seguem alguns pontos fundamentais (para todo tipo de recurso) que você precisa ter em mente:
- Não se identifique;
- Trate a banca com respeito;
- Seja objetivo;
- Torne o trabalho da banca menos trabalhoso (indique exatamente em qual linha você falou x ou y);
- Se necessário, reconheça suas falhas;
Você verá que, nos próximos exemplos, é possível identificar todas essas características.
No caso de recursos ao quesito de Capacidade de Síntese e Concisão, dos resumos, a estratégia é um pouco diferente. Aqui, você tem, primeiro, de ler o padrão de resposta e identificar seus principais pontos. Depois, volte à sua resposta e busque identificar, nela, trechos que façam referência aos pontos listados no resumo.
Segue exemplo:

Em recursos feitos para o quesito Fidelidade ao Texto Original, nas versões e traduções, a lógica é similar à dos recursos para CSC. Você tem de comparar o padrão com a sua resposta, buscando mostrar que há trechos traduzidos exatamente da mesma forma e que, naqueles que houver diferenças, seu objetivo foi preservar o sentido, ainda que a estrutura morfossintática do período tenha sido alterada.
Seguem exemplos:


Recursos de “gramática”
Ao fazer recursos para o critério de Correção Gramatical e Propriedade da Linguagem, o dicionário e a gramática serão seus maiores parceiros. O objetivo é mostrar para a banca que, o que ela marcou como um erro, está correto. E não há quem possa brigar com o dicionário ou com a gramática (ainda que alguns corretores metidos o façam).
Se possível, também busque exemplos, em tratados, textos acadêmicos e documentos oficiais, de usos similares ao que você utilizou, na sua resposta.
Você pode fazer um recurso para cada marcação de CGLP, ou pode fazer um único grande recurso com todas as marcações. Isso muda de ano para ano, conforme muda a banca e suas plataformas. O fundamental aqui, mais uma vez, é ser objetivo, educado, organizado e poupar trabalho da banca.
Seguem exemplos:




Quantos recursos devo fazer?
Um milhão.
Faça todos os recursos que você conseguir. A disputa por pontos na fase recursal tem de ser levada a sério, porque 0,5 ponto pode definir a sua aprovação ou reprovação.
Isso não significa que você deve fazer recursos que claramente não serão deferidos. Por exemplo, você foi marcado por ter escrito a palavra “manuscrito” sem um s (manucrito). Não há como fazer um recurso dessa marcação. Não gaste o tempo, a paciência e a boa vontade da banca com esse tipo de recurso.
Assim que tiver acesso aos espelhos, analise todas as marcações e identifique aquelas realmente estão corretas. Deixe essas de lado e se concentre nas outras. Faça recursos até o último segundo e, se possível, não deixe nenhum por fazer.



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