O ciclo anual do CACD tem um marco inicial, mas nem todos terminam essa jornada juntos. A publicação do edital é o ponto de partida para todos os CACDistas, que passam a ter entre 40 e 60 dias (média dos últimos anos), para revisar todo o conteúdo, treinar questões objetivas, fazer promessas para divindades e alinhar os chakras.
Mas o concurso de diplomata tem três fases, e apenas uma pequena minoria consegue ultrapassar o terceiro obstáculo e conquistar a aprovação. Alguns caem na terceira fase, outros, na segunda. Mas, para a maioria dos candidatos, o ciclo anual do CACD encerra-se na primeira fase.
Se você não obteve uma nota alta o suficiente para avançar para as fases discursivas e foi reprovado (a) na prova objetiva de terceira fase, esse texto é para você.
Reprovação
Não há muito o que dizer, apenas sentir.
Quando começamos nossa preparação para o CACD, temos uma única certeza: seremos reprovados. Talvez, seja mais fácil ganhar na Mega Sena do que ser aprovado de primeira.
Ainda assim, quando o dia da reprovação chega, nunca estamos preparados.
Foram semanas, meses, talvez anos de muito esforço e dedicação. Mas não foi o suficiente para conseguir avançar para as próximas fases.
Sua família, seus amigos e seus amores podem tentar te consolar, falar que “ano que vem tem mais”, que você não deve abaixar a cabeça e que já venceu por ter encarado a prova.
Mas o “não” da reprovação doi.
Viva esse momento, esses sentimentos e essa dor, porque você não vai conseguir avançar, seja qual for seu caminho, se não tiver vivido e superado a reprovação no CACD.
Vai passar.
E quando a dor passar, lembre-se de descansar!
Descanso
O que fazer logo após a reprovação? Qualquer coisa, menos tentar voltar a estudar o mais rápido possível.
Tira duas semanas, talvez até um mês, para descansar corpo e mente. O concurso ainda vai estar acontecendo e todos os professores e cursinhos estarão focados nas fases discursivas.
Depois da dor da reprovação, vem o deleite do descanso.
Sabe aquele cochilo depois do almoço que rejuvenesce a alma, espanta o cansaço e renova as energias? É bem por aí. Pense nesse período de descanso como uma “power nap” que vai te ajudar a retomar os estudos melhor.

Lembre-se que deve ser uma soneca, um cochilo curto, mas revigorante, não um coma induzido do qual você acordará desnorteado, mais cansado do que antes.
Atravesse o vale da reprovação com coragem, mas sem apego às suas paisagens.
Se precisar de um pouco de motivação, assista o depoimento do Diogo, que, em 2023, foi aprovado no CACD depois de 10 reprovações.
Diogo Gonçalves| Bate-papo com aprovado no CACD 2023 – YouTube
Retomada
Você viveu o luto da reprovação, descansou o tempo necessário e agora quer retomar os estudos para o CACD.
Mas como?
A aprovação no concurso depende de muito esforço e dedicação, mas não apenas. O estudo também tem de ser inteligente. Não adianta continuar aplicando os mesmos métodos, técnicas e estratégias que, no último concurso levaram à reprovação.
A primeira coisa que você tem de fazer, quando decidir que chegou a hora de voltar a estudar para o concurso, é fazer um diagnóstico da sua reprovação. Algumas perguntas podem ajudar nisso:
- Fiquei quantos pontos abaixo da nota de corte?
- Em qual matéria tive o pior desempenho?
- Como lidei com a pressão e com a ansiedade no dia da prova?
- Como foi a minha estratégia de estudo após a publicação do edital?
- Consegui revisar todo o conteúdo de todas as matérias antes da prova?
- Será que fiz questões objetivas o suficiente?
Esses são apenas alguns exemplos não exaustivos dos questionamentos que você tem de se fazer, antes de matricular-se em novos cursos, de voltar a assistir vídeo-aulas e de iniciar novas leituras.
O principal objetivo desses questionamentos é que você consiga entender as lacunas da sua preparação. É possível que haja lacunas de conteúdo e erros nas estratégias de estudo.
Em relação ao conteúdo, é fundamental identificar quais matérias foram responsáveis pela sua reprovação. Para fazer isso, calcule o percentual mínimo que você precisa para ser aprovado no TPS.
Como fazer isso? Multiplique a nota de corte do último concurso por 100 e divida por 73 (número total de questões). Nos últimos anos, a nota de corte ficou entre 48 e 52, o que significa que você precisa de um desempenho de cerca de 70% para passar.
Tendo isso em vista, calcule seu desempenho por matéria. Como fazer isso? Calcule a nota de cada matéria, multiplique por 100 e divida pelo número de questões daquela matéria.
Depois de fazer esse cálculos, identifique as matérias em que seu desempenho foi pior (muito abaixo de 70%). No próximo ciclo, você tem de focar justamente nessas matérias, sem deixar de dar atenção às revisões das matérias em que seu desempenho está em torno de 70%.
Com essas informações, você conseguirá tomar decisões muito mais efetivas e estratégicas para o próximo ciclo de estudos, sobretudo no que se refere à questão financeira. Se você tem um aproveitamento de 50% em geografia e de 80% em direito, por exemplo, é evidente que seus recursos (tempo e dinheiro) devem ser direcionados, em uma proporção maior, para o estudo de direito.
Além do autodiagnóstico, também é importante conversar com outras pessoas que foram aprovadas na primeira fase. É possível que você não tenha a resposta para algumas dessas perguntas, mas relatos de colegas e experiências compartilhadas podem facilitar a identificação das lacunas da sua preparação.
Conversando com outros candidatos, você pode descobrir maneiras mais eficientes de fazer flashcards, aplicativos para fazer mapas mentais mais intuitivos ou cursos e professores que você ainda não conhecia. De modo geral, a comunidade de pessoas que estuda para o CACD é muito cooperativa.
Começou a estudar há pouco tempo e ainda não tem amigos CACDistas? Assista as lives de aprovados, busque essas pessoas nas redes sociais e mande uma mensagem pedindo ajuda, indicações e dicas. Só não ache que você já tem todas as respostas e que a reprovação foi apenas má sorte.
A fila anda
Você provavelmente já escutou de alguém a analogia de que concurso público é como uma fila, mas essa é uma boa hora para relembrá-la. Imagine-se em uma agência bancária, nos Correios ou de frente para o banco extensor de uma Smartfit às 19h.
Imaginou?
Há várias pessoas que chegaram antes de você, que também aguardam sua vez chegar e que formam uma fila. Com o tempo, a fila anda. Algumas pessoas são atendidas mais rápido, enquanto outras demoram longamente.
Os mais impacientes desistem e saem da fila. Os extrovertidos topam revezar o aparelho e logo passam na frente. Ninguém passa o mesmo tempo na fila, mas ela anda para todos.

Com concurso público é a mesma coisa. Quando você decidiu que queria ser diplomata, entrou na fila do CACD. É verdade que nem todos entram no final da fila. Há pessoas que já dominam todos os idiomas estrangeiros, aqueles que fizeram faculdade de direito ou de relações internacionais e quem nunca teve de preocupar-se com boletos.
Ainda assim, todos têm de encarar a fila e esperar a sua vez. Todos os anos essa fila anda e você se aproxima do seu objetivo de ser diplomata. O avanço não é garantido, porque o percurso do CACD não é linear. É possível chegar à última fase do concurso e, no ano seguinte, não passar do TPS.
Mas a fila não é baseada apenas em pontos e colocações. Seu amadurecimento como pessoa e seu desenvolvimento como candidato também contam.
Não saia da fila, porque a sua vez também há de chegar!

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