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CACD: Prosseguir é preciso – Histórias do CACD

Guias de estudo para o CACD são incríveis. Mas quem dá as cartas no Histórias de CACDistas não são os aprovados, mas, você, CACDista. Conquistas, fracassos, sonhos, desilusão, avanços, recuos. Tudo isso faz parte da sua história, que merece, sim, ser ouvida.

O Clipping acredita que compartilhamento dessas histórias é não somente uma terapia para quem escreve mas também é  um aprendizado para quem as lê. Tem uma história de CACD para contar? Manda para o Clipping! Hoje ficamos com a trajetória do querido Bruno Novais, o moderador do SOS-Questões. Sabe como ele decidiu começar a estudar para o CACD? Conheça um pouco de sua história.

Depois da história do Bruno, você pode ler mais uma história de outro CACDista aqui.

Prosseguir é preciso: História do CACD

*por Bruno Novais

Decidi que estudaria para o CACD em 2008, ainda no quinto semestre da graduação de comunicação, na Universidade Federal da Bahia. Faltava um ano e meio para eu me formar e a dúvida terrível perturbava as minhas noites de sono: o que fazer após a formatura?

Eu era pesquisador de iniciação científica , especificamente na área de políticas culturais do Brasil. Havia trabalhado numa pesquisa que comparava as políticas culturais do México e do Brasil nos últimos anos. O olhar para as relações internacionais surgiu nesse momento.

Mas a dúvida persistia. Fazer graduação em direito para tentar concursos públicos? Tentar um mestrado acadêmico? Investir na área de produção cultural (minha habilitação de comunicação)?

Estas interrogações estavam presentes e motivaram uma busca no Google sobre concursos públicos para nível superior. E eis que encontro o CACD!

Minha alegria, neste dia, foi comparada ao momento em que vi meu nome na lista dos aprovados no vestibular. Encontrar um concurso que cobrava Português, Geografia, História do Brasil, História Mundial, Política Internacional, Direito e Economia (fiquei com medo dessa disciplina quando li o edital), Inglês (eu fazia curso na época) e espanhol ou francês.

Nesta época o candidato poderia optar por espanhol, francês, russo, mandarim ou alemão na quarta fase. Aí comecei a pesquisar sobre a carreira diplomática e fiquei fascinado! Pronto! Já sabia em que eu trabalharia: no Itamaraty!

Primeiros passos

Comecei a procurar bibliografia e decidi que faria curso de espanhol para poder participar do certame. Como eu não podia pagar o curso eu resolvi solicitar disciplina optativa de espanhol no Instituto de Letras da UFBA. Comecei, ademais, a fazer as leituras para o CACD.

E assim estava eu fichando:

  • Formação Econômica do Brasil, de Celso Furtado;
  • Casa-Grande e Senzala, de Gilberto Freyre;
  • Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque de Holanda;
  • Esaú e Jacó, de Machado de Assis etc.

Nesse período, conversando com amigos da faculdade, descobri que tinha um colega de turma que estava se preparando para o CACD (hoje já é diplomata).

Ele explicou algumas coisas sobre o CACD, mas logo partiu para o Rio a fim de uma melhor preparação. Por minha parte, comecei a procurar comunidades no Orkut sobre diplomacia. E aqui eu já estava na preparação do projeto para o trabalho de conclusão de curso de graduação. Encontrei a extinta “Coisas da Diplomacia”, dentre outras.

Ao conversar com meu orientador de TCC, decidi fazer uma monografia sobre as relações internacionais do Ministério da Cultura do Brasil de 2003 a 2008, período de Gilberto Gil.

Para este trabalho, li Relações Internacionais: de Vargas a Lula, de Paulo Fagundes Vizentini, dentre vários outros artigos de autores consagrados: Amado Cervo, Clodoaldo Bueno, Paulo Roberto de Almeida, Cristina Pecequilo, Sombra Saraiva etc.

Como surgiu o desejo de ser diplomata

Fui me apaixonando pela área de política externa e consolidando meu desejo de ser diplomata. Após a formatura em janeiro de 2010, comecei a organizar os estudos.

O edital havia mudado e francês voltava a fazer parte – junto com espanhol – da prova da quarta fase. Eu morava em Salvador e optei por voltar para o interior do Estado, para a casa dos meus pais, a fim de dedicar-me exclusivamente ao CACD.

Foi aí que conheci por meio das redes sociais alguns amigos de concurso – alguns estão na batalha até hoje. Foi então criado o grupo Instituto Rio Branco no Facebook pelo Marcos Vaz. Ele então me convidou a fazer parte desse grupo, pois havia materiais disponíveis para download, debates, informações e cooperação entre interessados no CACD.

A vontade de fazer um cursinho era grande, mas as condições financeiras eram inexistentes. Com a cara e a coragem decidi que prosseguiria estudando por conta.

Ainda em 2010, percebi que precisava voltar para Salvador, leia-se UFBA, pois, lá eu poderia utilizar os livros indicados para o CACD e, por sua vez, muitos livros estavam disponíveis nos acervos das bibliotecas. Além disso, eu tinha um projeto de pesquisa em mente que juntava a “fome com a vontade de comer”: a diplomacia cultural do Brasil.

Elaborei o projeto e participei da seleção do mestrado (eu havia começado, no interior da Bahia, estudar francês sozinho com indicação de gramáticas e outras leituras, por parte de uma amiga minha que já era formada nesta língua). Aprovado, retornei para Salvador em 2011.

Ingenuidade de minha parte misturada ao senso de ética, precisei enfrentar um difícil trade-off: estudar para o CACD (quem já tem um tempo de preparação sabe que esta demanda horas e horas de estudos) ou fazer um bom curso de mestrado (mesmo sem conseguir bolsa).

A responsabilidade por ocupar uma vaga em universidade pública me fez optar pelo mestrado, sem deixar de estudar alguma coisa para o concurso, bem como ajudar na moderação do grupo Instituto Rio Branco no Facebook. Paralelo ao mestrado, fiz um curso de francês numa ONG que trabalhava com preço baixo.

Primeira tentativa

Tentei o CACD pela primeira vez em 2011 e fiquei muito triste em ver que o resultado refletia minha escolha pelo mestrado, naquele momento.

Mesmo assim, fiz um planejamento de estudos e decidi em 2012 eu passaria no concurso. Mas, as demandas pelo projeto de pesquisa e a dissertação foram mais urgentes – o que implicou no adiamento do projeto do concurso para 2013.

O que eu não esperava, contudo, é que a dissertação do mestrado fosse tão trabalhosa. Acabei por necessitar de mais um ano para terminá-la (quem me conhece, pode até lembrar quantas vezes eu reclamava do mestrado no chat do Facebook, rsrsrs).

Dia 18 de dezembro de 2013 defendi a dissertação. A nota foi excelente – alguma coisa precisava dar certo para mim, pelo menos. Depois isso, eu senti que havia tirado um peso das costas e que estava livre para retomar, com dedicação exclusiva, ao meu projeto de vida: estudar para o CACD. Refiz o plano de estudos (sou ótimo em planejar, mas tenho dificuldade em executar) e retomei pra valer os estudos. Já havia lido, relido e fichado o documento Meus Estudos para o CACD, do Bruno Rezende. Com a cara e a coragem eu prosseguia com a árdua tarefa de estudar, sem cursinho, para o CACD.

TPS

Ressalva: em agosto de 2013 eu fiz o TPS. Sabia que não tinha chance de passar, mas resolvi tentar a sorte. Engano. Depois daquela prova, não acredito em sorte no que concerne ao CACD. Tristeza imensa em não poder pagar os cursos, mas fiz da fraqueza a força para retomar os estudos. Quando saiu o resultado, fichei o Guia de Aprovação, do Guilherme Raicoski, e pensei: agora vou seguir no rumo certo!

Só que o TPS de 2014 ocorreu logo no primeiro semestre. Com vistas a não cometer o mesmo pecado de fazer a prova sabendo que não passaria, decidi por prosseguir estudando e tentar “pra valer” em 2015 – uma espécie de primeiro TPS com chance real de aprovação: ilusão?

Talvez. E assim, de dezembro de 2013 até o último TPS, eu realmente estudei exclusivamente para o CACD. Fichei vários livros, vários tópicos do edital. Estudei gramáticas dos quatro idiomas cobrados. Fichei Guias de Estudos. Respondi questões TPS por umas 3 vezes.

Respondi questões discursivas de provas anteriores. Li notícias. Respondi questões de outros concursos CESPE. E fiz um curso de Política Internacional com o Bruno Rezende pela internet – muito bom, por sinal! Vesti a camisa do CACD com a perspectiva de ser aprovado.

Infelizmente, não consegui passar no TPS, mas minha nota subiu bastante em relação ao TPS de 2013. Mesmo com a necessidade de trabalhar (leia-se: sustentar a minha pessoa), resolvi por prosseguir estudando para o CACD 2016. Pretendo terminar a produção de fichamentos, leituras, lições de gramática e trabalhar demais competências necessárias à aprovação.

Para isso, conto com a ajuda da Internet e dos grupos do Facebook, especialmente, o SOS Questões CACD-IRBr que ajudo a moderar, dentre outros. Tenho acesso ao Clipping CACD – ferramenta que auxilia bastante em minha preparação.

Enfim, mesmo diante das dificuldades, prossigo com o trabalho árduo de tentar realizar o meu sonho de ser diplomata. Afinal, como disse Euclides da Cunha, “o sertanejo é antes de tudo um forte”.

Desejo a todos os amigos e colegas, essa força euclidiana para retomar os estudos. Não é fácil passar no concurso mais difícil do Brasil, tampouco impossível. É preciso ter coragem para seguir em frente diante da incerteza da aprovação. Sucesso para todos e todas! Um abraço!

Tem uma história para compartilhar? Manda para o Clipping. Gostou da história do Bruno Novais? Deixe um comentário

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