É fato que gastamos boa parte do tempo na nossa juventude apenas sonhando com o futuro. Ser um(a) grande artista, um(a) grande empresário(a), e porque não o clássico sonho dos garotos brasileiros “ser um jogador de futebol”. Mas a verdade é que, com o desenrolar da vida, a maioria de nós acaba tomando rumos profissionais completamente diferente e, quando lembramos desses antigos sonhos, sentimos ser tarde demais. Quem nunca?
Apesar desse caso ser muito comum no nosso cotidiano, essa história que você está prestes a ler, é sobre alguém que percebeu que não era tarde demais. Alguém que hoje está correndo atrás desse tão honroso sonho de ser uma Diplomata.
Se você se identificou minimamente com essa história, separe alguns minutinhos e leia esse depoimento. Sem dúvidas será de grande apoio em sua empreitada como CACDista. Confira ?
O desafio de ser uma CACDista iniciante
*por Deborah
Me tornei uma CACDista no dia 26 de abril de 2018. É, eu sou nova por aqui e isso por si só já é assustador. Apesar de ser nova, a vontade de ser diplomata já me acompanha há mais de uma década. Deixe-me explicar melhor:
Onde tudo começou…
Quando eu ainda tinha uns 14 anos meu melhor amigo falou comigo sobre a diplomacia e logo me encantei. Nós dois tivemos o privilégio de estudar em um colégio bom (de bairro mesmo, mas bom) e de começar o cursinho de inglês com 12 anos.
Gostávamos de história, geografia, amávamos filosofia e éramos muito bons em idiomas. Além disso, nos achávamos portadores de um grande senso diplomático e poder de persuasão. Assim, sonhávamos com a diplomacia. Mas aos 14 anos isso era muito distante e nossa autopercepção era, seguramente, distorcida.
Aos 17 tive um namorado que também queria a diplomacia. Num primeiro momento o que nos uniu foi exatamente essa afinidade.
Ele me presenteou com um livro do diplomata americano que ficou sequestrado na tomada da embaixada da República Dominicana na Colômbia pelo M-19. Comecei a ler, mas não dei muita importância.
Confesso que na época as leituras do vestibular tiveram prioridade. Depois disso nos afastamos e a diplomacia também foi ficando mais longe.
O desencontro com a diplomacia…
Eu, que nunca tive dúvidas sobre o curso que mais me fascinava, cursei Direito. Meu amigo fez relações internacionais, mas logo se decepcionou com o curso e foi cursar publicidade e propaganda. Ele é extremamente criativo e o curso lhe caiu muito bem. A primeira prova do CACD que eu poderia ter feito era no dia seguinte ao meu baile de formatura, em dezembro de 2008. Não a fiz. Lembro-me de ter comentado isso com meu amigo durante o baile e o assunto diplomacia há muito não era objeto de nossas conversas. O direito acabou me levando por caminhos distantes do CACD, meu foco não era sequer direito público. Advoguei, fui para a Alemanha fazer mestrado e acabei ficando por lá para o doutorado.
O grande reencontro
Após 8 anos de vida acadêmica intensa, retornei ao Brasil no fim do ano passado e acabei reencontrando aquele meu antigo namorado. Durante a conversa, ele me incentivou dizendo:
“…bom, já que voltou e ainda não está trabalhando, porque não estuda para o CACD?”
A ideia me soou tão atraente quanto assustadora. Foi então que encontrei em minha estante aquele livro que ele havia me dado. Li e amei! Comecei a ler mais sobre o assunto, segui perfis de relações internacionais no Instagram, vi documentários interessantes como o do último ano de Obama no poder (totalmente focado para a diplomacia) e descobri que a vontade de ser diplomata nunca havia saído de mim.
O início da jornada
Foi numa festa de família fiquei sabendo por um acaso, até porque eu não tinha ainda dito para ninguém da família que estava pensando em tentar o concurso, que a namorada de um primo trabalha no Clipping e ela me deu as dicas para estudar com a plataforma.
Naquela semana, num ímpeto, imprimi a prova de 2017 e fui fazer, mesmo sem estudar. Queria conhecer a prova. Marquei todas as questões, sem nenhuma estratégia CESPE e é claro, o resultado foi desastroso. A prova me encheu de medos. Minha pior matéria foi história mundial. Chocante!
Português parecia uma língua estrangeira. As melhores foram inglês e Direito. A prova me deu uma sensação estranha: tenho a impressão de que não é impossível responder àquelas questões, mas ao mesmo tempo sinto que é impossível se preparar para tudo o que pode cair nas questões do TPS.
Neste dia que me tornei uma CACDista. Resolvi estudar de verdade, comprar livros, baixar os manuais do candidato, assinar o Clipping e até fiz um studygram chamado @embrevediplomata. A vontade era de montar um esquema de estudos e postar todos os dias o resumo de alguma matéria estudada. Isso durou pouco, tão pouco.
Os primeiros obstáculos

Sem trabalho e ainda vivendo das economias que trouxe da Alemanha, eu precisava trabalhar. Trabalhei em alguns casos, dei palestras, fiz traduções. Tudo isso me tomava o tempo de estudo e, para uma pessoa que nunca estudou para concurso, o início é pesado.
Não tenho estratégia, não sei fazer questões CESPE e nem saberia o que estudar se não usasse a plataforma de estudos. Por outro lado, os outros CACDistas estudam há anos, parecem saber tudo sobre as relações exteriores do país e postam mapas mentais lindos, coloridos e completos no Instagram.
Muitas vezes me peguei pensando que não vale a pena estudar, já que não vou mesmo passar. Além disso, passar na primeira etapa é só um dos problemas: ainda tenho que aprender a fazer uma prova de segunda etapa e aprender francês do zero. Para quem acaba de chegar, o CACD parece mesmo inalcançável.
Vale dizer ainda que ambos meus incentivadores aqui mencionados já tentaram a prova uma vez; são mais inteligentes e sabem ainda mais do que eu. Mas sabemos que uma vez sem estudar, a chance de aprovação no CACD é nula.
Atualmente
Neste mês terei ainda menos tempo. Voltarei a advogar e isso me empolga bastante. Trabalharei em uma área que gosto muito e a melhor parte é que a internacionalidade não deixará de acompanhar meu trabalho.
Todavia, se eu quiser mesmo tentar o CACD, o estudo requererá de mim ainda mais a disciplina e a estratégia do que ainda não tenho. O estudo também desafiará o meu cansaço e infelizmente não poderá ser minha prioridade.
Apesar disso, por enquanto estou determinada a continuar estudando, nem que seja um pouquinho por dia, e a fazer a minha primeira prova neste ano de 2018.
Me sinto solitária como CACDista iniciante, já que não conheço pessoalmente ninguém que queira tentar. Não moro em Brasília e provavelmente, as pessoas que estudam para o CACD são 10 anos mais jovens que eu.
Sem contar que nas redes sociais os CACDistas parecem ser pessoas extremamente mais preparadas do que eu e com uma trajetória muito mais longa.
Ainda assim, tenho consciência de que, também estes, um dia tiveram que começar. Começar a estudar para um concurso deste porte é desafiador não apenas pela quantidade e complexidade das matérias, mas pela carga emocional que o desafio traz.
Se reconhecer no início de uma estrada que pode durar muitos anos e pode até mesmo não levar até o destino desejado requer coragem. Acredito que o desafio realmente só vale a pena com a convicção de que existe uma real vocação para a atividade diplomática em prol do Brasil. E antes que me perguntem: não, eu não acredito que uma pessoa possa apenas ter uma vocação e que só seja feliz nesta ou naquela profissão.
Porém a diplomacia precisa fazer parte do rol de vocações do CACDista. O CACD não é um concurso público comum. O conhecimento e discernimento cobrados diferem da matéria exigida em provas onde a vocação talvez possa pesar menos. Reconheço que desistir e seguir outros caminhos também são atos de coragem.
As vezes descobrimos no meio do caminho que não há vocação. Às vezes o caminho nos leva a outros lugares. Nestes casos, acredito que deixar a preparação para o CACD é também vencer. Eu, que acabo de começar, ainda convicta da minha vocação, desfruto da novidade e do prazer de aprender junto com o stress e a pressão de estudar.
Neste momento, em que tudo é tão recente, o conhecimento necessário parece inalcançável e o desfecho parece tão distante, o que mais faz o estudo para o CACD valer a pena, mesmo sem a segurança de um sucesso futuro, é a certeza de que estudar nunca é em vão!
* Deborah Salomão é nascida em Belo Horizonte. Graduada em Direito pelo Centro Universitário Newton Paiva e recebeu o título de mestre em Direito (LL.M.), summa cum laude, pela Philipps Univertät Marburg, na Alemanha, reconhecido pela UFMG. Apresentadora do Podcast do Podcast Última Instância, que você pode acompanhar por este link.
Outras histórias de outros CACDistas
Se interessa por histórias como essa que acabou de ler? Aqui no blog do Clipping você encontra outras histórias incríveis sobre CACDistas como você!
Você pode conferir agora as histórias de
Diplomatas já aprovados:
- Depoimento da diplomata Marianna Bruck
- Depoimento do diplomata Douglas Nascimento
- Depoimento do diplomata Jonathas Silveira
Candidatos ao CACD:
- Minha história com o CACD (Stefanos Drakoulakis)
- Por que eu recorri à justiça contra o CESPE? (Raphael França)
- Prosseguir é preciso ( Bruno Novais)
- Estudando para a prova do CACD, ABIN e Ofchan (Cláudia Penchiari)



No comment yet, add your voice below!