Como é a prova discursiva PRF?

Amigos do Clipping, prova da PRF chegando e com ela surge a necessidade de entender melhor o que será cobrado dos candidatos à Polícia Rodoviária Federal. Um dos primeiros pontos para se entender o que pode ser cobrado na prova do concurso da PRF de 2018 é saber:

  1. Quais temas foram cobrados na prova discursiva da PRF?
  2. Como é a estrutura de uma prova discursiva do CESPE?
  3. Como mapear os temas que podem cair na prova da PRF?
  4. Proposta discursiva do Clipping

Vamos a essas questões.

Quais temas foram cobrados na prova discursiva da PRF?

De acordo com o último Edital, a prova discursiva consistia em uma dissertação de até 30 linhas a respeito de objetos relacionados ao ponto 22 do Edital.

Segue um print do Edital anterior do concurso da PRF.

“Mas, Clipping, o que dizia exatamente esse ponto 22 do Edital?”

Então, o ponto 22 do Edital é exatamente a parte do Edital que detalha todo o conteúdo programático cobrado na prova, que vai desde Português até Matemática, passando por Legislação Especial, Direito Penal, etc.

Resumindo: o Edital dispunha que a dissertação poderia ser referente a qualquer tema abrangido pelo Edital. 

“Ah, então isso quer dizer que o CESPE não dá para saber o que cai?”

Na verdade, dá sim.

Como vimos no tópico acima, os editais costumam ser vagos e dizem que qualquer tema presente no edital pode ser cobrado na redação. Isso não significa, no entanto, que as questões discursivas são imprevisíveis.

É perfeitamente possível mapear uma série de temas que merecem a atenção dos candidatos nas provas discursivas.

Prova discursiva PRF 2013

Vejamos o que foi cobrado na última prova discursiva da PRF, que ocorreu em 2013:

Veja que o tema escolhido pela banca foi “contrabando”, tipo penal que encontramos no art. 334-A do Código Penal, que se encontra sob o título “dos crimes contra a administração pública”.

É importante ressaltar que, embora “contrabando” não conste expressamente no Edital, a rubrica “dos crimes contra a administração pública” foi um dos pontos a serem estudados no programa de penal.

Vejamos:

Um detalhe importante é o de que apenas um dos quatro pontos cobrados na prova discursiva poderia ser respondido com base no estudo do Código Penal: a definição do crime de contrabando.

Não havia qualquer tópico no último no Edital do Concurso da PRF que, se estudado pelo candidato, pudesse  prepará-lo para discorrer sobre os outros 3 pontos pedidos pela banca:

  • Principais cargas e mercadorias contrabandeadas em território nacional;
  • Explicação dos problemas que o contrabando traz em termos econômicos e saúde pública;
  • Sugestão de medidas aplicadas pelas forças policiais para combater o contrabando;

É importante perceber que esses tópicos acima são temas de atualidades.

“A banca extrapolou o Edital na prova discursiva da PRF?”

Sim.

Não que isso seja certo, mas é o que ocorre. Em se tratando de prova discursivas, é comum haver essa flexibilização do princípio de que “o que não consta no Edital não cai”.

Resumindo: ainda que não esteja previsto em editais, você ficará cara a cara com temas de atualidades na prova discursiva do concurso da PRF de 2018.

Essa extrapolação ocorreu na prova discursivas do concurso da PF. No concurso da PF também não se cobrou expressamente atualidades no Edital, mas esses temas despencaram na última prova discursivas da PF.

Como é a estrutura de uma prova discursiva do CESPE?

Veja que a prova do último concurso da PRF seguiu a risca o padrão do CESPE para provas discursivas, que segue a estrutura:

  1.  Presença de um trecho de caráter motivador: [o qual não é recomendado que candidato cite ou faça referência expressa, a menos que o comando da questão assim exija ou permita]
  2. Tema objetivamente delimitado versando sobre atualidade afeto ao universo do cargo: [no caso acima esse tema foi “Contrabando no Brasil“. Normalmente, o candidato bem preparado não terá surpresas com relação aos temas]
  3. Tópicos dados pela banca que deverm ser, necessariamente, abordados no texto: [Em cada parágrafo de desenvolvimento o candidato deve abordar com objetividade um desses tópicos];

Como mapear os temas que podem cair na prova da PRF?

Não só é possível, mas é também necessário entender que tipo de temas de atualidades podem ser abordados na redação.

Tomando ainda como exemplo a discursiva de 2013 para o cargo de Policial Rodoviário Federal, como alguém poderia prever que “contrabando” seria o tema explorado pela banca?

O mapeamento de temas que podem ser cobrados nas discursivas deve levar em conta:

a) Temas relacionados à atuação da PRF;
b) Temas que ganham destaque na mídia;
c) Temas debatidos no Congresso.

Vejamos caso a caso os aspectos a se levar em conta.

a) Temas relacionados à atuação da PRF: 

Provas discursivas avaliam o candidato em temáticas afetas à atuação fim do órgão em questão.

É fundamental compreender como, de forma geral, é a atuação da Polícia Rodoviária Federal (PRF). A partir da compreensão dos limites de atuação do órgão, é possível entender qual o tipo de conteúdo pode ser cobrado na prova discursiva.

Uma lida rápida no site institucional da PRF nos dá uma boa visão do que se pode esperar nas redações. Fica aqui um exemplo de um trecho tirado do próprio site:

Alguns dos ilícitos penais enfrentados pela PRF nas rodovias federais são: tráfico de drogas, armas e pessoas, contrabando e descaminho, crimes ambientais, roubo e furtos de veículos e cargas, exploração sexual de crianças e adolescentes, entre outros.

Veja acima que o tema contrabando, tema cobrado na prova da PRF em 2013, está entre os 8 ilícitos citados pelo site.

Embora não se encontre no site institucional uma lista exaustiva de todos os ilícitos combatidos pelos policiais rodoviários federais ou todas as formas de atuação, conhecer o escopo mais comum de atuação da PRF ajuda bastante a limitar o escopo de temas que merecerem atenção nos estudos para provas discursivas.

O conhecimento prévio do escopo de atuação do órgão para o qual o candidato pleiteia uma vaga é uma obrigação de cada candidato. É algo simples e que cada um pode fazer em minutos por meio da leitura do FAQ da PRF.

Contrabando não foi um tema aleatoriamente cobrado. Foi cobrado porque, de acordo com a própria PRF, trata-se de um dos ilícitos mais enfrentados pela instituição.

Ou seja: há um nexo entre o que será cobrado e a atuação do órgão.

O candidato deve estar atento a essa conexão.

b) Destaque na mídia

Além de compreender os principais temas afetos à atuação do órgão, é preciso saber quais desses temas vem ganhando destaque na mídia.

Vejamos o caso do contrabando, tema cobrado na prova discursiva da PRF em 2013:

Em Julho de 2013, um relatório da Receita Federal lançou luzes sobre a perda de arrecadação trazida por atividades de contrabando.

Esse relatório motivou uma série de reportagens sobre o tema. Em agosto, mês em que foi aplicada a prova discursiva da PRF, o tema encontrava-se no pico da curva de interesse, como demonstrado abaixo:

 

 

“Ah Clipping, mas como saber exatamente o que merece destaque nos estudos?”

Sem querer entrar em um momento jabá aqui, mas não podemos deixar de registrar que recomendamos que, para se evitar perder tempo com temas que não são relevantes e com matérias mal escritas ou incompletas, que os candidatos invistam no acompanhamento diário dos clippings PRF até a data da prova.

O trabalho feito pelo Clipping é justamente o de triar o que importa para que você estude só o que é relevante. Essa dimensão da preparação é fundamental. Veja que todos os tópicos cobrados pela banca na prova de 2013 poderiam ser respondidos com base na leitura de matérias como essa.

O trabalho feito pelo Clipping é justamente o de triar o que importa para que você estude só o que é relevante e para que os candidatos não percam o tempo precioso de que dispõe correndo atrás de matérias incompletas ou irrelevantes para a prova.

“Isso quer dizer que os candidatos que não assinarem o Clipping não podem ter uma preparação boa para a prova discursiva?”

Não é isso. Não há um só método de acompanhamento de temas de atualidade, mas até o momento o Clipping é, sim, o método mais eficiente e é o que vem sendo usado pelos candidatos a concursos da PRF.

c) Debates no Parlamento brasileiro sobre temas afetos 

A noção de que o parlamento é uma caixa de ressonância da sociedade.

Podemos dizer que o que rola na Câmara e no Senado, sobretudo em comissões relacionadas à atuação da PRF como a Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado, são temas a que os candidatos devem estar atentos.

Isso fica bem claro no exemplo do tema de contrabando, cobrado pelo CESPE no concurso em 2013 da Polícia Rodoviária Federal. No período que precedeu a prova da PRF, houve intensa discussão na Câmara, mais especificamente na Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado (CSPCCO) sobre um projeto de Lei que distingue contrabando de descaminho, que posteriormente deu origem à Lei 13.008, que mudou a definição do crime de contrabando .

Contrabando foi um tema cobrado em 2013, pois naquele ano estava em debate uma reforma na definição desse tipo penal.

Vale também lembrar que o tema que mais recebeu manifestações da sociedade na Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado (CSPCCO) foi justamente a reforma do legislação penal, da qual a redefinição de “contrabando” fazia parte.

 

Esse monitoramento junto aos temas que ganham destaque no Congresso, na comissões e nos órgãos oficiais é feito pelo Clipping?

Sim. Lembramos que o monitoramento de temas do Clipping e as propostas de atividades discursivas do Clipping para a PRF já leva em conta não só o que ganha destaque nas matérias dos jornais, mas também a ressonância que esses temas ganham nas esferas dos órgãos oficiais.

Candidatos que assinam o Clipping PRF não precisam se preocupar com o mapeamento dessas temáticas junto ao legislativo.

Uma dica para quem não assina o Clipping é acompanhar o site de Comissões, como a Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado e os relatórios de atividade dessas comissões.

É possível mapear certos temas que devem constar na prova discursiva da PRF.

Os temas estudados pelos candidatos devem priorizar temas que tenham um nexo com a área de atuação do órgão (no caso a PRF), que tenham tido amplo destaque recentemente e que repercutam também no Congresso e suas comissões.

Atividade discursiva do Clipping

A primeira atividade discursiva proposta aos candidatos do Clipping PRF versou sobre a greve dos caminheiros e a atuação da PRF.

Foto: Twitter PRF | Foto de capa: YouTube PRF

No caso percebemos que se trata de um tema:

  1. Afeto à atividade da PRF (segurança nas estradas federais);
  2. Ganhou amplo destaque recentemente (foi um dos pontos altos da atuação da PRF em 2018, envolvendo a polêmica sobre a atuação da PRF em garantir direitos de ir e vir em contraposição a direitos de greve);
  3. Envolveu discussões no legislativo e posicionamentos oficiais da PRF (ver aqui matéria sobre)

Agora você já conhece como é a prova discursiva da PRF e como é a escolha do tema. Me conte nos comentários como está a sua preparação e se tem alguma dúvida sobre a prova discursiva, pode ser?

PS: Ainda dá tempo de começar a se preparar para a prova discursiva e objetiva com o Clipping. Veja abaixo como funciona todo o plano de estudos:

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Comentários da prova discursiva de Espanhol | CACD 2018

Federico García Lorca

A prova de Espanhol do Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD) de 2018 ocorreu dia 14 de Outubro. Você encontra aqui uma análise geral da prova feita pelo professora de espanhol Alejandra Bermúdez.

A estrutura desse post ficou assim:

Mudanças na prova de Espanhol do CACD

* por: Alejandra Bermúdez

O espanhol era considerado a disciplina fácil do Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata, em que professores “com algum preparo” e um pouco de “estudo básico” do candidato poderiam resolver o problema. Os alunos que não fossem aplicados durante todo o ano letivo simplesmente consideravam que estavam predestinados a se sairem bem na prova, no fim das contas, era espanhol: uma língua próxima, fácil e familiar.

Muita coisa mudou. Abandonaram-se os estudos superficiais e rasos da língua, o ensino do espanhol merece mais atenção e TEMPO.

Comentários sobre o Resumo da prova de Espanhol CACD 2018

A prova da “galera”…

Sobre o RESUMEN, este ano apresentou a extensão estabelecida no comando da questão o que facilitou muito o trabalho dos candidatos. Sabe-se que as suas temáticas acabaram tendo muitos pontos comuns com preocupações sociais em relação à mulher dentro da Diplomacia, “as mulheres” tem sido neste último ano, e nos anteriores, assunto de referência.

Prova escrita de língua espanhola e língua francesa

O resumo da prova de Espanhol do CACD 2018 conseguiu juntar um tema social e a ficção literária, através do poeta e dramaturgo granadino, Federico García Lorca, e as suas mulheres fortes e determinadas. O autor foi fusilado durante a ditadura do general Francisco Franco, um 19 de agosto de 1936.

*GALERA: Sombrero de copa redondeada, o alta y cilíndrica, y alas abarquilladas. Típico de los magos. (FALSO COGNATO)

Comentários sobre o texto do resumo da prova de Espanhol do CACD 2018

O assunto foi literário, como já esperávamos. Retirado do que poderíamos chamar em espanhol de um “diario vanguardista”, o que saiu um pouco dos padrões de jornais mais clássicos. O que sim foi clássico, foi a escolha do autor: Lorca. Não poderia haver escolha melhor que o autor de La casa de Bernarda Alba (Leia essas informações sobre o autor).

Comentários sobre a questão de tradução da prova de Espanhol CACD 2018

Sobre a TRADUCCIÓN, foi bastante extensa e continuando com a tendência de 2017, uma autora mulher, Cecília Meireles, e um texto narrativo.

Comentários sobre o texto da questão de tradução

O trecho escolhido apresentou as dificuldades comuns entre o espanhol e o português, tais como:

  • posição pronominal (aborreciam-se, chamavam-no, disseram-lhe, enganá-lo),
  • concordância verbal, pontuação (interrogativas, pontuação nos diálogos),
  • Marcadores temporais (“naquele tempo”, “outrora”).

Não faltaram as clássicas “tretas” de vocabulário como “galera” (cartola) ou “solapa” (lapela) e alguma fruta como “carozo de ciruela” (ameixa).

Dicas para se preparar para a prova de Espanhol do CACD

  • Para conquistar um bom resultado no resumo, os candidatos precisam demonstrar domínio da modalidade escrita formal da língua. É necessário também selecionar, relacionar, organizar e sintetizar informações, fatos, opiniões e argumentos. Além disso, é claro, demonstrar um bom domínio das estruturas de coesão e coerência.
  • Para conquistar um bom resultado na tradução, além do domínio profundo das estruturas gramaticais (para um nível C1-C2 pelo MCER**) do espanhol (e das suas equivalências no português) o candidato precisa conhecer os principais eixos temáticos que aparecem nas provas, ou seja, aqueles comuns em textos literários.

**MCER: Marco comum europeu de referência para as línguas

Abrandaram-se as exigências do ESPANHOL e o rigor do estudo em 2018? Não.

A prova de Espanhol do CACD 2018 resgata a seriedade, aquilo que as provas tinham de melhor: a confiança no ensino e na aprendizagem do espanhol por meio de questões que induzem o domínio progressivo dos conceitos e dos conteúdos propostos para um nível superior na disciplina. E maiores oportunidades, e mais justas, para aqueles candidatos que desejam concorrer às vagas oferecidas.

No entanto, ficamos no aguardo das correções e de critérios mais definidos em 2018!

A cada inicio de ano letivo, nos mais de 12 anos que dedico ao ensino do Espanhol para o CACD, defronto-me com a mesma dificuldade: falta de critérios mais claros nas provas anteriores.

O trabalho preparatório para 2019 procura preencher essa lacuna. As questões apresentadas na prova recente mostraram, a meu ver, maior familiaridade com os diversos tipos de conteúdos apresentados no Manual Funag de Espanhol.

¡Enhorabuena!

Agradeço desde já as críticas e as sugestões dos candidatos no e-mail: alejandra-oliveira@hotmail.com

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Banca PRF 2018: Tudo o que você precisa saber sobre a CESPE

banca prf 2018 cespe

Olá, amigos do Clipping, já saiu a confirmação pelo Diário Oficial da União e a Cespe será a banca do concurso da PRF 2018. Mas o que isso muda? Neste conteúdo você vai conhecer e descobrir tudo o que precisa saber sobre a banca PRF. Vamos lá!

Neste conteúdo você encontra:

  1. Publicação de Confirmação da Cespe como banca PRF 2018
  2. Previsão de quando sairá o Edital PRF 2018
  3. Por quer preciso conhecer a banca PRF?
  4. Qual é o formato da prova da Cespe?
  5. Como funciona a correção da Banca PRF?
  6. Como é a correção da prova discursiva da PRF?
  7. Como começar a estudar com as questões anteriores da prova da PRF?
  8. Ponto positivo de ser a Cespe na banca PRF?

 

Confirmada CESPE é a banca PRF 2018

De acordo com o Extrato de Dispensa de Licitação publicado no Diário Oficial da União no dia 19 de outubro de 2018, destacou a instituição para prestação de serviços técnico-especializados para a realização do concurso da PRF.

Sendo assim, com a justificativa de ser uma associação sem fins lucrativos e voltada ao ensino, pesquisa científica desenvolvimento tecnológico e institucional foi escolhido o Cebraspe (Centro brasileiro de pesquisa em avaliação e seleção e de promoção de eventos), ou Cespe.

Quando sairá o Edital PRF?

Agora que você já sabe quem será a banca do concurso da PRF 2018, deve ter uma próxima pergunta em mente: quando sairá o Edital PRF 2018?

Não há nenhum informação oficial com uma data definida para sair o edital, porém, de acordo com a Portaria publicada no dia 27 de julho deste ano, o edital poderá sair até seis meses após a publicação, isto é, até o dia 27 de janeiro de 2019. Veja abaixo no Art. 4º da portaria Nº 236:

salario policia rodoviaria federal

Por que preciso conhecer a banca do concurso?

A Banca Examinadora do concurso público é a responsável por planejar, organizar, divulgar e selecionar os candidatos que mais possuem os conhecimentos necessários para ocupar o cargo. Sendo assim, a principal função da banca é conseguir separar as pessoas qualificadas para vagas muito concorridas.

Conhecer a banca é fundamental para:

  • Entender como a prova será desenvolvida;
  • Qual é formato da prova e
  • Como funciona a correção.

Assim, conhecê-la te fará conseguir uma vantagem ao aprender na prática como fazer a prova.

No Clipping você encontra Simulados mensais e minissimulados separados por tópicos do Edital baseados nas questões modelo Cespe.

Então, vamos por partes para você conhecer e entender tudo sobre a Cespe. Vamos nos basear, por enquanto, no Edital da Cespe feito para o concurso de Policial Rodoviário Federal publicado em 2013 (ano do último concurso).

Qual é formato da prova da Cespe?

A prova objetiva é constituída de itens para julgamento sendo as opções de marcação como CERTO ou ERRADO. Veja o exemplo abaixo de uma das questões do concurso da PRF de 2013.

Questão: No que concerne ao Poder Executivo e ao Poder Judiciário, julgue os itens subsecutivos.

Item 1: Compete originariamente ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) julgar o litígio entre Estado estrangeiro ou organismo internacional e a União, os estados ou o DF.

Item 2: Compete privativamente ao presidente da República conceder indulto e comutar penas, ouvidos, se necessário, os órgãos instituídos em lei.

Gabarito – Item 1: Errado e Item 2: Correto

Nenhuma questão vem indicando se deve responder Certo e Errado, observe como essa questão apareceu no concurso na imagem abaixo:

Haverá, na folha de respostas, (confira aqui um modelo de como é a folha de respostas modelo Cespe) para cada questão da prova dois campos de marcação: sendo o C, para as questões julgadas como certas pelo candidato, e o o E, quando julgar o item como errado.

Como funciona a correção da banca PRF?

A pergunta que não quer calar agora é: como é feita a pontuação do candidato na prova da Cespe?

Para obter pontuação em uma questão, o candidato tem que escolher apenas uma opção, sendo certo e errado. Aqueles que marcarem dois campos na folha de respostas terão a questão sem pontuação.

Cada uma das questões da prova objetiva valerá 1 ponto, se o candidato responder em conformidade com o gabarito definitivo, receberá um ponto, caso contrário perderá 1 ponto. Caso o candidato não marque nenhuma alternativa ou faça uma marcação dupla, de C e E ao mesmo tempo, não ganhará nenhum ponto.

A nota em cada prova objetiva da PRF, então, será a soma das notas obtidas pelo candidato sendo:

  • Questões certas (+1): a cada uma questão certa, o candidato ganha um ponto.
  • Questões erradas (-1): a cada uma questão errada, o candidato perde um ponto.

No último concurso da PRF, de 2013, foram 120 pontos distribuídos na prova objetiva.

Vamos supor que um candidato tenha respondido em acordo com o gabarito oficial 80 questões. Tenha errado 30 e deixado 10 em branco. No total ele conseguiria: 50 pontos na prova.

Sendo: + 80 questões certas – 30 questões erradas = 50 pontos

Fique de olho na hora de preencher as respostas das questões

É preciso ter uma enorme atenção do candidato na hora de transcrever as respostas  das questões da prova objetiva da PRF para a folha de respostas. Isso porque, além de ser o único documento válido para a correção das provas, não haverá a substituição da folha de respostas por motivo de erro do candidato. Fique de olho!

Sem contar que esse preenchimento é de inteira responsabilidade do candidato os prejuízos advindos do preenchimento errado na folha. Vale lembrar que não serão pontuadas as questões que vierem com alguma marcação rasurada ou emendada ou campo de marcação não preenchido integralmente pelo candidato. Isso acontece principalmente porque o processo de correção é feito por meio de processamento eletrônico.

Como é a correção da prova discursiva da PRF?

No último concurso da PRF, a prova discursiva teve um total de 20 pontos. A prova era uma redação de um texto dissertativo de até 30 linhas.

Confira o que é avaliado o conteúdo na prova discursiva da PRF:

  • Avaliação sobre o conhecimento do tema,
  • A capacidade de expressão na modalidade escrita e
  • o uso das normas do registro formal culto da língua portuguesa.

Confira as informações, retiradas do Edital 2013 da PRF, sobre quais são os critérios de correção das provas discursivas:

  • A apresentação e a estrutura textuais e o desenvolvimento do tema totalizarão a nota relativa ao domínio do conteúdo (NC), cuja pontuação máxima será limitada ao valor de 20,00 pontos;
  • A avaliação do domínio da modalidade escrita totalizará o número de erros (NE) do candidato, considerando-se aspectos tais como: grafia/acentuação, pontuação/morfossintaxe, propriedade vocabular;
  • Será computado o número total de linhas (TL) efetivamente escritas pelo candidato;
  • Será desconsiderado, para efeito de avaliação, qualquer fragmento de texto que for escrito fora do local apropriado ou que ultrapassar a extensão máxima de 30 linhas;
  • Será calculada, então, para cada candidato, a nota na prova discursiva (NPD), como sendo igual a NC menos duas vezes o resultado do quociente NE / TL. Se NPD for menor que zero, então considerar-se-á NPD = zero.

Vale lembrar que será eliminado do concurso público o candidato que obtiver NPD inferior a 10 pontos. 

Como começar a estudar com as questões anteriores da PRF?

Agora que você já sabe muito mais sobre a banca da Cespe, chegou o momento de se aprofundar nas questões de provas anteriores realizadas pela banca. Assim você pegará mais prática em responder e chegará mais preparado no dia da prova.

Um bom começo é fazer o Simulado da PRF feito pelo Clipping. Você pode baixar o simulado PRF gratuitamente aqui (ou clicando na imagem abaixo).

?Vale ressaltar que os assinantes do Clipping possuem acesso facilitado aos comentários de todas as questões.

Ponto positivo de ser a banca Cespe para a PRF 2018

Quem já estava se preparando para a PRF se baseando no edital de 2013 do concurso da PRF deve ter ficado aliviado com a notícia da banca ser a Cespe. Isso porque no último concurso essa também foi a banca avaliadora. Sendo assim, pode ser que não aconteça uma mudança brusca com relação ao conteúdo e estilo da prova, como aconteceu com a PF.

Mas sempre há possibilidade de mudança de tópicos que caem no edital, por isso, fique de olho no blog do Clipping que sempre traremos novidades sobre o concurso por aqui.

Espero que tenha gostado do conteúdo de hoje e tenha entendido melhor como é a prova da PRF realizada pela Cespe.

Bons estudos e não se esqueça de conhecer a nova área do Clipping focada exclusivamente na preparação para a PRF.

Comente abaixo o que você gostaria de saber sobre as provas da Cespe.

Comentários prova discursiva Espanhol | Terceira Fase CACD 2018

cecilia meireles prova espanhol

A prova de Espanhol do Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD) de 2018 ocorreu dia 14 de Outubro. Você encontra aqui uma análise geral da prova feita pelo professor de espanhol Tiago Miranda.

A estrutura desse post ficou assim:

  1. Questões da prova de Espanhol
  2. Comentários do professor Tiago Miranda sobre as questões
  3. Comentários gerais sobre a prova

1. Questões da prova de Espanhol

2. Comentários do professor Tiago Miranda sobre as questões

*por: Tiago Miranda

Se no ano passado o recado da banca veio durante a tumultuada correção, em 2018 a banca já se apresentou durante o exame. Uma tradução um pouco mais extensa que as dos últimos anos, mas que cobrou o domínio de expressões e principalmente o uso de pronomes, investindo pouco em vocabulário e mais interessada em saber se o candidato conseguiria encontrar saídas aos desafios propostos.

O resumo foi o ponto alto da prova propondo como texto uma análise literária e cultural sobre o trabalho de Lorca, o autor síntese da “espanholidade” no século XX,  em um trabalho recheado de informações que demandou ao candidato um exercício de síntese e de discernimento sobre o que era realmente importante e o que era secundário.

3. Comentários gerais sobre a prova

Eis que finalmente chegamos ao fim do CACD 2018, neste ano com um recado claro na prova de Espanhol: “sob nova direção”.  Uma nova banca com ideias renovadas se apresentou com dois textos muito bem escolhidos e trazendo frescor ao exame.

Em linhas gerais a prova foi extremamente bem elaborada e traz esperanças de uma correção mais clara e justa para os candidatos. Faço votos que o processo de correção reflita a grande qualidade apresentada pela banca na elaboração dos exercícios. Outro ponto de destaque foi a escolha de autoras e temas conectados ao cotidiano que experimentamos no país.

Que sigamos neste bom caminho por muitos anos!

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Comentários Prova discursiva Francês | Terceira Fase CACD 2018

prova frances cacd discursiva 2018 comentarios professora de frances clipping

A prova de Francês do Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD) de 2018 ocorreu dia 14 de Outubro. Você encontra aqui uma análise geral da prova feita pela professora de francês Gilda Gama.

A estrutura desse post ficou assim:

  1. Questões da prova de Francês
  2. Comentários da professora Gilda Gama sobre as questões
  3. Comentários gerais sobre a prova

Questões da prova de Francês | 3ª fase

Comentários Prova discursiva Francês: CACD 2018

* por professora Gilda Gama

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Finalmente temos em mãos a aguardada prova. Uma prova bem-feita e clássica. Como professora especialista na preparação para a prova de francês do CACD, estou muito satisfeita!

RESUMO

O texto a ser resumido foi extraído da fonte mais usada pelas bancas de francês em provas discursivas no CACD: o jornal Le Monde Diplomatique. (Veja a publicação aqui)

Somente dois pequenos fatores diferem a prova deste ano. Habitualmente a banca escolhe textos publicados no ano do próprio concurso, mas o texto desse ano data de 2016. A extensão também constituiu uma mudança. O texto da prova de 2017 tinha cerca de 970 palavras, já o de 2018, exatas 620.

Buscando referências mais distantes, as provas discursivas de 2008 a 2013 traziam textos de cerca de mil palavras. Considero positiva a redução da extensão do texto a ser resumido, pois como deveria ser respeitada a extensão prevista no edital (35 a 50% do texto original), um texto de mil palavras implicaria em um resumo muito longo (e demorado).

Já sobre o tema, considero uma ótima escolha. Uma mistura entre economia e meio ambiente, que demandava conhecimento de vocabulário de ambas as áreas. Ademais, o texto é bem organizado e a manutenção dos subtítulos facilitou a estruturação do resumo.

VERSÃO

Versão longa (320 palavras), que assustou alguns candidatos. Realmente foi mais extensa do que a do ano passado, que tinha 250 palavras. Tinha a vantagem de ser um texto mais moderno e de estilo leve, fluido. O tema foi muito adequado – João Guimarães Rosa: diplomacia e política.

O texto apresenta algumas dificuldades, dentre as quais frases muito longas. Era necessário manter-se atento para não se perder em meio às numerosas vírgulas.

Comentários gerais sobre a prova

Mais uma vez ficou claro que a preparação para as provas de língua estrangeira deve ser constante e variada. Tendo na sequência uma extensa prova de espanhol, o tempo foi um grande desafio!

Por essa razão o conselho de sempre se mostra acertado: fazer do contato com os idiomas estrangeiros um hábito, além de valorizar o treinamento dentro do modelo de prova. Em circunstâncias de cansaço e pressão, faz-se ainda mais necessária a prática frequente da escrita.

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Prova de PI do CACD 2018: Comentários e argumentos

Amigos do Clipping, a prova de Política Internacional do CACD 2018 trouxe algumas surpresas e mudanças sobre as quais candidatos precisam refletir. Menos PEB e mais PI. Abaixo seguem os comentários do nosso amigo, o Professor Tanguy Baghdadi.

Vamos aos comentários e deixe seus comentário sobre a prova ao final do post.

Comentários sobre a prova de PI do CACD 2018

*por Tanguy Baghdadi

A prova de Política Internacional de 2018 foi de política internacional. Puro sangue.

As questões discursivas de PI lançaram a política externa brasileira a uma posição secundária – um movimento que vinha sendo ensaiado nos últimos anos, tanto nas questões objetivas como nas discursivas.

O momento não é mesmo muito propício para que se discuta política externa brasileira, dada a interinidade do governo de Michel Temer e a baixíssima atividade da casa do Barão. Mas o concurso de 2017, em um contexto similar, ainda se arriscou a um debate histórico sobre a PEB, com questões sobre o relacionamento entre Brasil e Argentina entre 1945 e 1980 e sobre as relações Brasil-África nos anos 1960 e 1970.

Mesmo que as duas outras questões de 2017 não tenham sido específicas sobre política externa, tocaram em temas caros ao Itamaraty: a reforma do Conselho de Segurança e o Tratado de Proibição de Armas Nucleares.

Em 2018, a política externa assumiu um lugar discreto nas questões. Em duas delas, foi pedido que o candidato mencionasse como o Brasil enxerga os temas definidos pela prova, mas sem o tradicional protagonismo da PEB, ao qual o candidato sempre poderia se agarrar para redigir respostas seguras em anos anteriores.

A prova foi trabalhosa, uma vez que todas elas tinham diversos subitens – 3 questões com 3 subitens cada e uma com 5 subitens – o que leva o candidato a encontrar uma série de tarefas a cumprir ao longo de um espaço relativamente exíguo. Se isso traz a vantagem de direcionar os argumentos indispensáveis para uma boa resposta, o desafio é conseguir espaço para construir uma argumentação que saia do simples cumprimento das tarefas propostas pela banca – o que é fundamental para que a resposta se destaque em meio às demais, sobretudo em uma prova na qual a própria seleção dos temas premiou as boas reflexões, por se distanciarem do porto seguro que sempre foi o discurso da política externa brasileira.

Vamos às questões:

?A primeira questão demandava uma análise sobre o atual momento das negociações comerciais, com ênfase na OMC, em linha com um dos temas de pesquisa do prof. Alcides Costa Vaz, integrante da banca.

O desafio era responder a uma questão com 5 subitens em 90 linhas, com uma perspectiva institucional e contemporânea, com uma discussão sobre o crescimento do protecionismo nos cenário atual.

?A segunda questão mencionava o Brasil apenas no 3º item, mas demandava um debate muito caro ao país: a dicotomia entre “ser grande” e “mostra-se grande”.

A construção de uma argumentação criativa e consistente era indispensável, o que premiou candidatos que tivessem treinado uma boa organização, para que o texto não ficasse confuso.

?A terceira questão foi a mais surpreendente e entra na cota daquelas que ninguém nunca vai imaginar antecipadamente, já que pedia para se comentar sobre um momento específico da política externa de outro país: a doutrina Bush, do início dos anos 2000.

Em casos como esse, faz toda a diferença que o candidato tenha uma estratégia de prova bem definida, que permita algum nível de improviso, em temas que não tenham sido estudados de forma mais detida ao longo da preparação.

?E a quarta questão lida com um tema tradicional da política externa brasileira – ainda que o Brasil só seja mencionado no terceiro item: o papel do desenvolvimento na agenda global.

Era necessário que se conhecessem alguns marcos das discussões internacionais sobre o tema e o candidato podia, finalmente, usar alguns argumentos tradicionais do Brasil sobre o desenvolvimento, que costumam estar em linha com os últimos debates internacionais.

No fim da quarta questão, o Brasil finalmente volta a servir de parâmetro para uma resposta da prova de PI.

especialistas no cacd professores clipping

Todas as provas discursivas do CACD 2018

todas as provas discursivas CACD 2018

Amigos do Clipping, reunimos todas as provas discursivas do Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD 2018 ) em um só lugar: neste post.

Pedimos que repasse o link deste post a professores e a candidatos que tenham interesse em saber o que caiu nas provas discursivas do CACD 2018. Com isso, candidatos e professores que não tiveram acesso ao caderno de prova podem entender o que foi cobrado e contribuir com discussões sobre a prova.

? Esse link será atualizado em tempo real até todas as provas serem por aqui disponibilizadas

Você pode usar o índice abaixo para navegar entre as seções deste post:

Vamos ao que rolou na terceira fase do CACD 2018.

Não esqueça de deixar seu comentário ao final do post?

1.  História do Brasil


⚠️ Veja aqui a análise completa da prova discursiva de História do Brasil com comentários feitos pelo Prof. João Daniel

2. Geografia


3. Política Internacional

⚠️ Veja aqui a análise completa da Prova de Política Internacional do CACD 2018 

5 Economia

6.Direito interno e Direito Internacional

7. Prova discursiva de Francês

8. Prova discursiva de Espanhol

Lembramos aos candidatos que esse post está sendo atualizado em tempo real à medida que novas provas são disponibilizadas. Pedimos que contribuam divulgando para candidatos e professores que ainda não tiveram acesso a esse conteúdo.

Deixe um comment abaixo sobre o que foi cobrado pela banca no CACD 2018. 

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Prova discursiva de História do Brasil I CACD 2018

guerra da cisplatina

A Prova de História do Brasil do Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD) de 2018 ocorreu dia 12 de Outubro. Você encontra aqui uma análise geral da prova feita pelo Clipping e em seguida as correções pormenorizadas do Prof. João Daniel, que esse ano ficou encarregado da preparação de Terceira Fase para a prova de História do Brasil oferecida aos assinantes do Clipping.

Veja os comentários das provas anteriores do CACD feitos pelo professor João Daniel:

A estrutura desse post ficou assim:

1. Reprodução da prova de História do Brasil

2. Comentários gerais sobre a prova.

3. Comentários sobre as questões

Vamos entender ao post:

1. Questões da prova de História do Brasil

 

1. Comentários do Clipping sobre a prova

Observamos 3 novidades interessantes na Prova de História do Brasil do CACD 2018.

1. 1 Relacionando contexto interno x internacional

Seguindo a tendência dos últimos anos, a prova de História do Brasil do CACD cobrou do candidato domínio equilibrado de temas internos e temas internacionais / PEB.  No ano anterior,  temas de política interna e temas de PEB encontravam-se separados de forma estanque em questões distintas. Por exemplo, em 2017,  foram cobradas 2 questões sobre temas de PEB  e 2 questões sobre temas de política interna

No CACD 218, temas internos e temas internacionais / PEB foram cobrados na mesma questão. Esse ano a banca de História avaliou a capacidade do candidatos inter-relacionar o contexto interno ao contexto internacional em todas as questões.  Por exemplo:

  • Questão 1: o contexto integralista da fundação da AIB: esfera nacional (contexto interno) e esfera internacional (contexto internacional);
  • Questão 2: desdobramentos da Guerra da Cisplatina (contexto internacional) para a crise política do Primeiro Reinado (contexto interno);
  • Questão 3: os desafios da questão cubana (contexto internacional) à PEI (contexto interno);
  • Questão 4: o panorama político da Monarquia (contexto internacional) e os consequentes movimentos políticos no Brasil  (contexto interno);

Essa dinâmica favorece candidatos que tiveram desenvoltura necessária para transitar entre o contexto interno e internacional, apontando nexos entre ambos.

“Ah Clipping, mas isso de relacionar contexto interno com externo já foi cobrado antes.”

Verdade.

Essa dinâmica não é exatamente nova no CACD, mas se apresentou, sim, de forma mais pronunciada na prova de 2018.

1.2 Divisão das questões em tópicos

Outra novidade foi o fato de que, em todas as questões da prova de História do Brasil, a banca arrolou de forma expressa 3 tópicos que deveriam ser, necessariamente, abordados pelo candidato em cada questão.

A banca passou os comandos de forma clara e objetiva esse ano, facilitando a roteirização da resposta por parte do candidato.

Com mais clareza sobre o que será avaliado em cada questão, é esperado que os tópicos levem os candidatos a:

  • 1. responder com mais objetividade as questões;
  • 2. ordenar melhor as ideias no espaço de 90 ou 60 linhas;
  • 3. fundamentar melhor seus recursos contra o CESPE;

Veremos logo mais se a divisão das perguntas em tópicos é uma novidade pontual na prova de História do Brasil ou se será adotada de forma geral nas outras disciplinas.

Aguardemos…

1.3 Efemérides às avessas

No CACD,  é comum que os candidatos e professores mapeiem possíveis temas buscando por questões de efemérides ( questões de anivesário). Muito contavam que neste ano de 2018 em que celebramos 30 anos de Constituição de 1988 brotaria na prova de história algo sobrea Constituinte de 1988, etc.

Tivemos efemérides na prova de História do Brasil de 2018: a) putsch integralista (1938); b) Transmigração da Corte (1808); Guerra da Cisplatina (1828).

Além das efemérides, é bem razoável supor que, na questão 1 sobre o integralismo de Plínio Salgado, a banca invoca o contexto de polarização política na década de 30 (AIB x ANL) para fazer uma alusão ao momento político atual. Ou seja: quaisquer semelhanças com o momento político atual, muito provavelmente, não é mera coincidência…

O Prof. João Daniel comenta isso em mais detalhes abaixo ao corrigir a questão 1.

Vejamos…

3. Comentários do Professor João Daniel

*por João Daniel

Após ser brindado com a experiência deliciosa e inédita de oferecer um curso de 12 aulas de 3a fase não-excludente e a preços acessíveis pela plataforma do Clipping CACD chegou a hora de avaliar se o trabalho correspondeu às expectativas dos candidatos em face a hora da verdade.

A prova de HB da terceira fase do CACD foi aplicada ontem, dia 12 de outubro de 2018. Como sempre gostaria de receber o feedback dos alunos sobre a experiência. São eles, afinal, os únicos juízes legítimos da qualidade do curso.

Um dos objetivos, nada humilde, da preparação era tentar oferecer questões simuladas e aulas que buscassem se aproximar dos temas que afinal seriam escolhidos pela banca para a prova. Releitura constante dos itens do TPS e análise da produção acadêmica dos membros da banca foi o método usado. A tentativa de adivinhar o que estará na prova nem sempre é exitosa, neste ano no entanto, fomos parcialmente bem sucedidos.

O Período Joanino e Guerra da Cisplatina foram integralmente contemplados em aulas com contéudo praticamente idêntico ao cobrado na prova.

No âmbito dos meus fracassos, apesar da aposta firme no tema do multilateralismo, nossas escolhas sobre Havana, 47, a Liga das Nações e o Oriente Médio acabaram infrutíferas pela opção mais óbvia da banca de escolher Cuba e Punta del Este (62). Acertamos no alvo mais abrangente mas não na mosca.  

A dor maior, no entanto, foi o integralismo. Como bons profetas do passado que são os historiadores, parece hoje uma opção tão óbvia. Um statement político da banca. Como pude negligenciá-lo? O consolo está para uma aula inteira sobre a constituinte de 1934 (que, creio, ajudou a responder metade do segundo tópico) e a breve menção ao putsch integralista de 1938 junto com a questão Ritter em dez minutos da última aula de revisão na terça-feira (09/12) que contribuiu, espero, para lograr pontos no terceiro tópico da questão. 

De todo modo minha frustração individual como mau professor e pior profeta é compensada pelo regozijo coletivo de uma banca que alerta claramente contra o fascismo e a esperança de que ela (a banca) seja mantida ganhe quem ganhar a eleição. Significa que, pelo menos por mais algum tempo, poderei continuar a exercer essa profissão que tanto amo. Que os alunos sejam gentis em sua misericórdia.

Outro objetivo recorrente da preparação em geral e das aulas em particular era a exegese dos afetos da banca e as simulações das grades de correção potenciais que, com certeza, serão divulgadas em breve.

No campo dos sucessos da preparação estou convicto que os alunos que fizeram o curso do Clipping foram bastante capazes de identificar com clareza que membro da banca fez qual questão, e, assim, aproximar o estilo de sua resposta aos seus afetos teóricos e  conceituais. Quero crer que no espaço de subjetividade que é inato a qualquer prova de história discursiva, esse conhecimento de fundo valerá para os candidatos alguns pontinhos preciosos.

Vou aqui nesse espaço tecer breves comentários sobre aspectos factuais e conceituais não exaustivos que creio deveriam estar presentes em cada uma das quatro questões da prova de ontem, como aliás, já é uma tradição nos últimos 5 anos do concurso aqui pelo Clipping.

Correção questão 1:

1. Características da Doutrina Integralista.

Mencionar e exemplificar dentre muitas outras:

​a) nacionalismo agressivo;

b) síntese da nacionalidade brasileira na união das raças (inclusive negros);

c) organização hierarquizada e defesa da hierarquia, militarização, inspiração no fascismo de Mussolini (do qual recebeu apoio) e do Estado Novo português;

d)  religiosidade cristã, desconfiança do paganismo nazista, anti-semitismo (Gustavo Barroso, sobretudo);

e) liderança carismática cultuada;

f) defesa do modelo econômico corporativista copiado da itália, combate ao socialismo e ao materialismo.

2. Contexto de Fundação da AIB – Esfera nacional e internacional.

Valeria destacar pelo papel de Plínio Salgado poeta modernista do grupo nacionalista Verde Amarelo que depois de conhecer Mussolini na itália em 1930 retorna ao Brasil e funda o jornal “A razão” e a “Sociedade de Estudos Políticos” (1932).

A AIB é criada em outubro desse ano com o lema “Deus, Pátria e Família” e com o simbolo Σ (Sigma, significando somatório). A AIB tem um crescimento muito rápido conforme mostra o texto referente à 1934. Tinha uma milicia armada paralela e considerável estrutura de comunicação impressa (revistas “Monitor integralista” e “A Ofensiva”).

No plano nacional vivia-se a normalização democrática com a constituinte (33-34) e a enorme polarização com a ANL e o partido comunista que levava a confrontos de rua frequentes em várias cidades do país. A AIB foi o primeiro partido de massas do Brasil chegando a ter quase um milhão de adeptos.

No plano internacional o colapso do liberalismo global pós-crise de 29 e a ascensão de regimes de extrema direita na Itália (1922; Plínio foi se entrevistar com ele em 1930); na Alemanha (1933) e, no caso da AIB, muito importante mencionar a criação do Estado Novo português por Salazar em 19 de Março de 1933. Fascismo com ampla conexão com a Igreja católica.

O Estado novo português é exatamente o lugar onde Plínio Salgado irá se exilar em 1938. Tal conjuntura estimulava a difusão do integralismo no Brasil que mimetizava muitas de suas características ainda que com algumas originalidades (incorporação dos negros e combate ao racismo, por exemplo. O grande líder, ativista negro, ator e futuro senador Abdias do Nascimento conta que aprendeu auto-estima e valorização da cultura africana em sua experiência como liderança integralista).

3. Aproximação e afastamento dos integralistas do governo de Vargas.

Sobre a aproximação do integralismo com Vargas, é importante lembrar que  Plínio Salgado participou das conspirações prévias e apoiou o golpe do Estado Novo em novembro de 1937 apesar de ser candidato às eleições presidenciais marcadas. O plano Cohen, que serviu de desculpa para fechar o Congresso e endurecer o autoritarismo, foi escrito por um capitão do exército integralista Olímpio Mourão Filho. Plínio Salgado ambicionava o cargo de ministro da Educação.

O afastamento ocorre no contexto em que o golpe é concretizado, os partidos políticos foram fechados em dezembro de 1937 e, entre eles a AIB. Plínio se sentiu traído e tenta conciliar com Vargas, rebatizando a AIB como Associação Brasileira de Cultura, não mais política. Apoia, no entanto, conspirações insurrecionais.

Em 11 Março de 1938 há um levante de dois batalhões no Rio de Janeiro (liderado pelo cel. Euclides Figueiredo que será preso) e a tentativa de tomar a Radio Mayrink Veiga. Vargas usa o putsch como desculpa para prender opositores inclusive não-integralistas como Octavio Mangabeira e Flores da Cunha, ex-interventor no Rio Grande do Sul. Dois meses depois, na madrugada de 11 de Maio, fracassam os diversos levantes programados pelo integralismo desorganizado. O mais sério deles liderado por Severo Fournier tenta tomar o palácio Guanabara residência do presidente Vargas.

Plínio Salgado nega ter tido participação ou conhecimento mas será preso, no início, de 1939, e, libertado segue para o exílio. Na véspera dos levantes de 11 de Maio de  1938 o embaixador alemão Karl Ritter havia escrito uma carta ao governo brasileiro protestando contra o tratamento dado aos nazistas, igualmente proibidos de se organizar em partidos. O levante integralista e a prisão de alguns cidadãos alemães na repressão que se seguiu contribuiu para a declaração de Ritter como persona non grata pelo chanceler Oswaldo Aranha e o estremecimento das relações entre o Estado Novo e a Alemanha nazista nesse ano, conhecido como questão Ritter.

Correção questão 2:

O candidato deve mencionar a guerra da cisplatina como herança das disputas coloniais ibéricas que vinham desde a fundação de Sacramento. Foi a última guerra ainda sob a lógica dos impérios ibéricos. (Doratioto)

1. Fronteiras na região do conflito entre 1808 e 1825.

Para acertar esse item o candidato deve discorrer sobre as duas intervenções joaninas na região (1811 e 1816) como antecedentes do conflito.

Deve mencionar suas motivações (questões dinásticas, ambição platina de Carlota Joaquina e apoio efêmero de lideranças portenhas ao seu projeto; solicitação de apoio militar pelo vice-rei Elío em Montevidéu ao Rio de Janeiro; e, no caso da segunda intervenção, tentativa de conter o projeto popular republicano de José Artigas), razão pela qual não teve oposição de Buenos Aires, pois ajudava a consolidar seu poder.

Impacto sistêmico na definição das fronteiras, sobretudo a pressão britânica de Strangford na desocupação da banda oriental após a primeira intervenção e os debates (conflito Bourbon x Bragança) no Concerto europeu sobre o tema. O candidato deveria mencionar ainda a porosidade das fronteiras sócio-econômicas entre o RS e a banda oriental com proprietários e interesses difusos em ambos os lados.

Artigas é derrotado em 1820 e em 1821 o território é incorporado ao Reino Unido como província Cisplatina. Com a independências as tropas presentes na região se dividem. As comandadas por Lecor se declaram fiéis ao Rio de Janeiro e as lideradas por Álvaro da Costa à Lisboa. Apesar dos esforços diplomáticos das províncias unidas, Doratioto argumenta que D. Pedro, insensível ao “clamor público” que julgava a anexação da banda oriental artificial. Considerava que devia manter a região sob sua autoridade em continuidade a política paterna.

2. A guerra e seu desfecho

Diz Doratioto sobre o início da guerra:

Em 11 de abril de 1825, Juan Antonio Lavalleja, à frente dos “Treinta y Três Orientales”, vindos de Buenos Aires, desembarcou no Uruguai e ini- ciou a luta contra a dominação brasileira. Obteve apoio da população rural, o que lhe permitiu vencer os primeiros combates e, quatro meses depois, em 25 de agosto, um congresso, por ele convocado, proclamou “a unidade com as demais províncias argentinas, a que sempre pertenceu pelos mais sagrados vínculos que o mundo conhece “ e declarou nulos os atos de anexação ao Império. Em 25 de outubro, o Congresso das Províncias Unidas aceitou a incorporação desse território, o que resultou na declaração de guerra a elas por Pedro I.

O executivo argentino ficou cauteloso mas o congresso acompanhou a opinião popular, entusiasta da guerra. O exército brasileiro, desorganizado controlava apenas as Montevidéu e Sacramento e perdeu o controle do interior. O bloqueio do Prata mesmo com grande superioridade naval não conseguiu se impor ficando o comércio brasileiro prejudicada pela ação de corsário com cartas de corso de Buenos Aires.

Não havia entusiasmo no Brasil pela guerra sem legitimidade e a incompetência dos comandantes militares atingia o imperador que os havia nomeado. A guerra chegou a um impasse em 1827. Nenhum dos dois lados conseguia se impor apesar da vitória das províncias unidas em Passo do Rosário.

A crise política interna prejudicava o governo de Buenos Aires que enfrentava protestos populares contra a constituição centralizadora. Ao enviar seu ministro das Relações Exteriores ao Brasil, Manoel Garcia que assinou um tratado de paz no qual a banda oriental permanecia sob a soberania do império, a crise política se agravou e ele foi obrigado a renunciar.

O impasse persiste em 1828. Nem o império tinha condições de retomar o controle do interior, nem as províncias unidas conseguiriam expulsar as tropas imperiais de todo o território oriental. Tal situação levou a imposição da paz pelos ingleses que conseguiram aos dois lados o reconhecimento de um governo independente. Em 27 de agosto de 1828 foi assinada a Convenção Preliminar de Paz e a Banda Oriental tornou-se independente: a República Oriental do Uruguai, cuja existência era garantida por Brasil, Inglaterra e Províncias Unidas.

3. Desdobramentos da guerra na crise brasileira do Primeiro reinado.

A guerra atingiu os interesses dos fazendeiros gaúchos que deixaram de ter acesso aos rebanhos do Uruguai, matéria-prima importante para a produção do charque.

Além disso para Doratioto:

O desastroso desenrolar da guerra para o Império fez com que Pedro I fosse visto pelos brasileiros como incapaz militarmente e responsável por ter prolongado inutilmente o conflito. O conflito aumentou a impopularidade do Imperador, já desgastado por seu governo autocrático, composto basicamente de portugueses; por aceitar as condições impostas pela Inglater- ra, em 1827, para reconhecer a independência brasileira, e por seu envolvimento na guerra civil portuguesa, na qual sua filha, Maria da Gloria, disputava o Trono português com o tio, D. Miguel. Houve fortalecimento da oposição liberal e a crise política obrigou Pedro I a abdicar ao Trono brasileiro em 7 de abril de 1831.

Seria interessante para o candidato discutir o papel do parlamento imperial brasileiro que fechado enquanto constituinte em 1923 seria reaberto nos marcos da constituição de 1824 em 1826. Já no início de seus trabalhos predominou o tom crítico dos deputados ao tratado de reconhecimento da independência assinado e ratificado pelo imperador que só se tornou público com a instituição da assembléia.

Se no início dos trabalhos a guerra da cisplatina não foi objeto de críticas a partir de 1827, o deputado Lino Coutinho começa romper o silêncio e criticar o comando militar brasileiro (justamente o trecho citado no enunciado e por isso muito relevante de ser mencionado).

Lino Coutinho é secundado pelo Marechal Cunha Matos, cujas críticas são ainda mais relevantes justamente por ter, no início da guerra, ido ao teatro de operações com o Visconde de Barbacena e retornado quase que imediatamente despertando suspeitas de divergências negadas por Matos. Suas críticas eram à incompetência do comando e não à guerra em si, que julgavam legítima.

A posição crítica do parlamento se refletiria nas medidas que seriam tomadas no período regencial para fortalecer o papel do parlamento e transformá-lo naquilo Amado Cervo chamaria de Caixa de ressonância da Política Externa Brasileira.

Correção questão 3:

A partir da revolução cubana (1959) mas sobretudo da adesão de Cuba ao marxismo-leninismo (2 dez. de 1961) o sistema interamericano (TIAR e OEA) foi obrigados a lidar com o conflito entre o respeito ao princípio da autodeterminação que o embasava com a existência de um regime fundado em ideologia alienígena ao hemisfério ocidental e que patrocinava guerrilhas pela região. Some-se a isso o medo de uma intervenção soviética, ainda que improvável.

Como lidar com isso respeitando a não intervenção? A decisão será tomada na VII Reunião de Ministros das Relações Exteriores que ocorreria em fins de janeiro de 1962, na cidade uruguaia de Punta del Este. É essencial, portanto, centrar a resposta da questão na Conferência da OEA de Punta Del Este ocorrida entre 22 e 31 de Janeiro de 1962 e seus antecedentes.

O gabinete parlamentarista chefiado por Tancredo Neves cujo ministro era Francisco Clementino Santiago Dantas, político moderado do PTB e professor de Direito Internacional da Faculdade Nacional de Direito defendeu a moderação frente ao regime cubano. Isolar cuba, para Dantas seria forçar cuba a buscar abrigo e garantias de segurança junto a URSS.

1. A questão cubana na América no contexto de Guerra Fria

Cabe caracterizar o momento da guerra fria em 1962, do governo Kennedy, pressionado por Kruschev após o episódio do U2 e também em Berlim, devido a construção do muro no ano anterior. Na américa o agravamento das tensões da guerra fria se deu com a invasão — fracassada — à Baía dos Porcos (condenada pelo governo Jânio Quadros em 1961) que enfraquecera internamente o governo Kennedy e exigia uma firme resposta do presidente para responder adequadamente a opinião pública americana em ano de eleições parlamentares. Cuba estava no centro da guerra fria.

Isso explica o agravamento do divórcio de percepções entre o departamento de Estado estadunidense que priorizava a segurança hemisférica e a ênfase dos grandes países latino-americanos que desejava apoio para o desenvolvimento. Com a declaração de fidel de adesão ao marxismo em dezembro de 1961 a convocação da reunião de ministros se tornou inevitável.

2. Desafios de Cuba para a PEI

A conferência mobilizou intensamente a opinião pública nacional e mobilizou debates nos principais jornais brasileiros. Pouco antes da conferência foi divulgada uma carta de quatro ex-chanceleres pedindo medidas duras contra o governo de Cuba. A sociedade brasileira estava dividida politicamente após a renúncia de Jânio Quadros e a crise que antecedeu à posse do vice João Goulart com poderes reduzidos pela emenda parlamentarista.

A posição de Santiago secundada pelo México previa a “finlandização de Cuba” ou seja tratamento diplomático da questão por meio de um acordo de obrigações negativas nas quais Cuba se comprometeria a não assinar tratados militares, limitar a compra de armas e abster-se de propaganda na região. Santiago reconhecia o afastamento inequívoco que a adesão cubana ao marxismo trazia para o sistema interamericano mas não acreditava que o isolamento de Cuba era a melhor solução.

O tema foi longamente debatido pelo chanceler Santiago Dantas em grupo de trabalho na famosa reunião da “Casa das Pedras” com colaboradores de alto escalão do MRE, cuja ata está publicadas pela FUNAG. Nessa conversas, onde a finlandização foi proposta por Vasco Leitão da Cunha, simulavam posições favoráveis e contrárias e estimulavam contra-factuais, inclusive com suas repercussões políticas internas, ponto muito relevante para Dantas. Em parte buscavam o apoio de setores políticos à esquerda para apoiar o gabinete de Tancredo.

Era ainda essencial manter uma linha de continuidade com a política externa anterior de Jânio Quadros, e ainda não dar a entender que havia qualquer subserviência aos EUA, pois tratava-se afinal, de uma política externa INDEPENDENTE. Buscava-se um relacionamento mais igualitário sendo a questão de Cuba era uma vitrine da PEI. O Brasil manteve a posição coesa desde o governo Jânio e a condecoração de Che Guevara às vésperas da renúncia tenha atraído ainda mais atenção para o assunto cubano.

3. Posição brasileira frente a suspensão de Cuba.

O Brasil discordava de medidas punitivas no que aliás era apoiada pelo México do chanceler Castilla. Não negava a presença do comunismo como um problema hemisférico (Tendo inclusive na mesma ocasião aprovado por unanimidade um documento que condenava a adesão de Havana ao socialismo e considerando-o incompatível com a segurança coletiva do hemisfério).

O Brasil alegava ainda que suspender Cuba seria ilegal à luz do direito internacional e da Carta da OEA que não previa suspensões. Para que a suspensão fosse aprovada era necessário maioria de ⅔ o que só foi alcançado graças a mudança da posição do Haiti que teria trocado seu voto por financiamento norte-americano. Cuba foi expulsa da OEA por catorze votos a favor. O Brasil se absteve junto a outros cinco membros (os outer six; Argentina, Brasil, Bolívia, Chile, Equador e México). Predominou ainda o entendimento de que cada país poderia implementar política bilateral autônoma em relação à ilha sem previsão de ruptura obrigatória. O Brasil, durante os anos do governo de Goulart, tentou reaproximar o governo cubano da comunidade interamericana. Sintomaticamente, em 1964 a carta da OEA seria alterada para prever suspensão e seriam votadas sanções ao regime.

Correção questão 4:

Essa questão é de longe a mais esperada (pelo perfil da banca e pela recorrência do tema nos últimos anos) e, também a que apesar de ter sido mais simples e estudada, a que mais provocou dificuldades entre os candidatos. Por duas razões. 1. Por ter sido a última, então os que tiveram problema de tempo (muitos, dada a proporção muito superior de calouros de 3a fase esse ano) não conseguiram completar justo essa questão; e 2. Por ter apenas 60 linhas de espaço.

O tema é riquíssimo e enorme. Creio que quase todos os candidatos teria conhecimento para preencher 90 linhas ou mais sobre o assunto. Difícil priorizar.   

1. Transmigração da Corte e Diplomacia

Seria nesse ponto desejável mencionar:

  • O histórico da transmigração, seus antecedentes (D. Luis da Cunha, Rodrigo de Sousa Coutinho) e motivações imediatas (invasão francesa).
  • As medidas iniciais 1808 e 1810 no plano comercial e as suas diferenças brevemente enfatizado as pressões inglesas.
  • A declaração de guerra à França e a consequente invasão de Caiena (1809)
  • A primeira intervenção na banda oriental e suas motivações (dinásticas e ibéricas; demanda de Javiér Elío, projeto de Carlota) – ver questão 2.

Um dilema que compartilho com os candidatos é se “as questões diplomáticas do período” se referem ao período do pós transmigração apenas ou a todo o período joanino.

Seria razoável supor numa questão de 60 linhas que a interpretação fosse restritiva, mas compreendo perfeitamente os candidatos mais desconfiados que optaram por mencionar também os interesses portugueses no congresso de Viena (1815), a devolução de caiena (1817), a segunda intervenção na banda oriental (guerra contra artigas), a dispensa de Strangford (1815) e o casamento do príncipe Pedro com uma Habsburgo (1816) como sintomas de maior autonomia portuguesa frente aos ingleses após o fim das guerras napoleônicas, a missão francesa, a resistência procrastinadora à pressão pelo fim do tráfico, entre outros temas.

Uma solução de meio termo teria sido apenas apresentar as duas fases (menor autonomia 1810-1815 e maior autonomia 1815-1821) fornecendo exemplos telegraficamente como fiz acima.  

2. Interiorização da Metrópole a as medidas que a identificam

Nesse tópico uma novidade que não se via desde 2008. Cobra-se explicitamente uma versão da historiografia. É claro que sempre se cobra historiografia e o candidato preparado sempre sabe mais ou menos qual, mas nesse caso, por mais clássico que seja o conceito é necessário demonstrar familiaridade com o texto de Maria Odila Leite da Silva Dias “A interiorização da metrópole” publicado pela primeira vez no início dos anos 80 no livro do Carlos Guilherme Mota “Dimensões 1822”.

Creio ser impossível alguém ter estudado história do Brasil para o CACD sem que tenha sido apresentado pelos professores a esse texto. Dentre os muitos aspectos a serem ressaltados faço uma lista não exaustiva:

  • Mencionar que persistiu existindo uma metrópole, agora no centro-sul da antiga colônia.
  • A persistência do tratamento colonial dado às regiões periféricas do império português: Nordeste, Amazônia, África e Ásia. Para os vintistas, Portugal também.
  • A integração sócio-econômica entre as elites reinóis e os colonos do Rio de Janeiro e arredores criando as bases sociais da metrópole interiorizada, que;
    – Era cimentada, em parte pelo temor de uma rebelião de escravos (haitianismo)
    – Leva ao entendimento da independência como uma guerra civil portuguesa entre portugueses na europa e portugueses interiorizados.

Dentre as medidas que a identificam estão as instituições inauguradas por D. João concentradas no Centro-Sul muitas das quais características de uma metrópole tanto do ponto de vista político-econômico (Tribunais, Banco do Brasil, Casa da moeda) quanto simbólico (Escola de Belas Artes, Biblioteca real). Medidas política explícitas como a elevação do Brasil à Reino Unido (1815) além da óbvia abertura dos portos (1808) que encerra o regime de exclusivo metropolitano.

Do ponto de vista negativo, ou seja, da manutenção do status colonial de regiões periféricas podem ser citadas as persistências dos monopólios reais (pimenta, ouro, diamantes, pau-brasil) mesmo após a abertura dos portos. A proibição de navegação de cabotagem e de comércio com a África para navios estrangeiros. A transferência dos recolhimentos das rendas alfandegárias pernambucanas para o Rio de Janeiro e a enorme concentração dessas instituições no sudeste.

A própria escolha do Rio em detrimento a Salvador (cidade onde o príncipe primeiro desembarcou e onde decretou a abertura dos portos) é sintomática desse processo. O texto é muito rico e merece ser (re)lido na íntegra quando um pouco antes da hora dos recursos.  

3. Panorama político da monarquia portuguesa e os movimentos políticos no Brasil e em Portugal.

Aqui a banca muito provavelmente se vincula aos trabalhos do historiador português Valentim Alexandre, no brilhante livro “Os sentidos do império” que busquei incorporar em minhas aulas. A monarquia portuguesa é entendida em um sentido global e a perspectiva desejada é bioceânica.

Após uma breve síntese geral do panorama da monarquia portuguesa transmigrada e seus impactos no Brasil e em Portugal, o candidato precisa se concentrar nas poucas linhas restantes na análise da revolução pernambucana de 1817 e sobretudo, no vintismo, tema óbvio que já havia sido cobrado duas vezes no TPS.

A verdade é que tem pouco espaço para tanto, mas alguns temas que acredito serem relevantes são os motivos para a eclosão destes levantes (sobretudo os econômicos) e suas consequências (repressão no primeiro caso; acomodação em um primeiro momento no segundo caso) com a menção aos trabalho das cortes constituintes em 1822-23 e em como isso levaria à ‘guerra civil’ e desmembramento do império português, frente a cisão de perspectivas entre os dois lados do império em resistência a revogação do regime de portos abertos para o reino do Brasil.

Sinceramente não sei como caberia isso tudo em 60 linhas.

Estou curioso para ver a grade de gabarito.

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Novo livro retrata a política externa brasileira em matéria de saúde

Amigos do Clipping, hoje temos uma dica de leitura do diplomata e professor Bruno Rezende para você, cacdista. Ele participou da organização do livro Saúde e Política Externa: os 20 anos da Assessoria de Assuntos Internacionais de Saúde (1998-2018) e fez alguns comentários sobre sua utilidade nos estudos para o CACD

O mais interessante é que o livro está disponível para download gratuito e você pode baixar tanto em epub quanto em PDF. Aproveite!

Veja mais detalhes do livro Saúde e Política Externa: os 20 anos da Assessoria de Assuntos Internacionais de Saúde (1998-2018) no vídeo feito pelo professor abaixo. É só dar o play!

YouTube video

Leia agora o conteúdo feito pelo diplomata Bruno Rezende sobre o livro.

Livro Saúde e Política Externa

Foi lançado, na semana passada, o livro Saúde e Política Externa: os 20 anos da Assessoria de Assuntos Internacionais de Saúde (1998-2018). A proposta da obra é não só ser um título comemorativo das duas décadas da assessoria internacional do Ministério da Saúde, mas também – e principalmente – reunir conteúdo de qualidade sobre a atuação internacional brasileira em temas de saúde, escrito em primeira mão por profissionais diretamente envolvidos nessas atividades.

A assessoria internacional do Ministério da Saúde é uma das maiores e mais atuantes da Esplanada dos Ministérios. Além disso, tem conduzido, em parceria com o Itamaraty, algumas das iniciativas mais emblemáticas da cooperação internacional e da atuação multilateral brasileira recente.

Importância para o CACD

Ainda que boa parte do conteúdo do livro vá além daquilo que se exige no CACD, sua leitura poderá complementar os estudos de alguns de temas sobre os quais todo cacdista provavelmente já ouviu falar e que são marcas conhecidas do engajamento internacional do Brasil em matéria de saúde, tais como:

  • A construção de hospitais comunitários de referência e a cooperação em saúde no Haiti (confira tudo sobre o assunto no capítulo Cooperação em saúde com o Haiti, a partir da página 111 do livro)
  • A instalação de uma fábrica de medicamentos em Moçambique (leia sobre os projetos de cooperação em saúde com países africanos de língua oficial portuguesa, a partir da página 91) e
  • A defesa do licenciamento compulsório para promoção do direito ao acesso a medicamentos (a partir da página 36 do livro, no tópico 3.2 “O enfrentamento à aids e o acesso a medicamentos”).

O livro traz uma abordagem ampla sobre as várias dimensões do trabalho da assessoria internacional – tanto em matéria de cooperação bilateral quanto na atuação em foros multilaterais de saúde.

Outros temas abordados são:

  • A concertação política e a cooperação em saúde no BRICS;
  • A cooperação em saúde com a China;
  • A integração em saúde no âmbito do Mercosul;
  • A cooperação humanitária internacional
  • O Programa Mais Médicos e a cooperação trilateral Brasil-OPAS-Cuba, entre outros.

A obra, evidentemente, não esgota – nem tem essa pretensão – todos os principais temas cotidianos da política externa brasileira em matéria de saúde. Seu objetivo central é instigar o estudo, a pesquisa e a disseminação de conhecimentos em relação ao papel da saúde na agenda da política externa brasileira.

Em resumo, o livro demonstra que as políticas domésticas de saúde e a política externa do Brasil nessa matéria estão intimamente conectadas e se complementam.

 

? A obra está disponível para download gratuito em epub e em PDF.

Bruno Rezende é diplomata e professor de Política Internacional. Foi chefe da Assessoria de Assuntos Internacionais de Saúde de junho de 2016 a julho de 2018 e é um dos organizadores do livro Saúde e Política Externa: os 20 anos da Assessoria de Assuntos Internacionais de Saúde (1998-2018).

@curso.cacd

Nova biografia do Barão do Rio Branco

Luís Cláudio Villafañe G. Santos, Embaixador do Brasil na Nicarágua, e autor de clássicos como "O Evangelho do Barão" e  "O dia em que adiaram o Carvanal" lança nova biografia do Barão do Rio Branco pela Cia das Letras.
 

Conheça a nova biografia do barão do Rio Branco
 

A obra intitulada "Juca Paranhos, o barão do Rio Branco" é o resultado de mais de 10 anos de pesquisas abrangentes não só sobre a vida privada como também atualização de discussões sobre temas como a relação com os EUA e os vizinhos sul-americanos no final do século XIX e início do século XX. 

Trata-se da primeira obra de fôlego sobre o Barão do Rio Branco desde as biografias clássicas escritas por Álvaro Lins (1945) e Viana Filho (1959). A obra de Villafañe contrapõe-se à narrativa convencional do herói nacional que se formou em torno dessas obras, ironicamente por Matias Spektor como "hagiográficas" e excessivalmente laudatórias no artigo "Usos e abusos do Barão".

Enfim, rediscute a PEB do final do XIX e do inicio do século XX e a influência do RB desde então. Trata-se, portanto, de um livro que entra em cheio nos temas do concurso.
 

Resenha do livro "Juca Paranhos, o barão do Rio Branco"
 

Nesta biografia do barão do Rio Branco, Luís Cláudio Villafañe G. Santos se contrapõe à visão convencional de Paranhos Júnior como intelectual distante, absorto em seus infindáveis estudos históricos.

Aqui, a complexa e muitas vezes controversa trajetória pessoal do Barão — que buscou ativamente e com grande empenho reforçar a própria posição na diplomacia e na política — é apresentada dentro do contexto das grandes transformações vividas pelo Brasil e pelo mundo entre a segunda metade do século XIX e o início do XX. 

O barão do Rio Branco de nossa admiração não esconde o amante egoísta, o vaidoso que alimentava a claque de seu teatro pessoal, o centralizador que desmerecia a ajuda dos colaboradores, o sedento de glória, o glutão e o esbanjador para quem todo dinheiro era pouco." 

"Reexaminando o muito que se escreveu sobre o barão, assim como a sua correspondência ativa e passiva, e lendo, dia a dia, linha a linha, o que, na época, estampavam os jornais, Luís Cláudio Villafañe G. Santos trouxe para a nossa companhia um Rio Branco confiante no forte saber que lhe moldava os argumentos e as ações.

"E tão bem contada é a sua vida e tão nítidos os retratos, que ele sai deste livro, nos toma pelo braço e nos convida para jantar no Hotel dos Estrangeiros.”

Alberto da Costa e Silva
 

Bate papo com o Autor do livro

No dia 12 de setembro, quarta-feira, o Clipping fará um Bate Papo ao vivo com o Embaixador e Autor do livro "Juca Paranhos, o barão do Rio Branco" exclusivamente para os assinantes.

Para participar, é muito simples. Colocamos uma postagem fixa no Mural da plataforma sobre o Bate Papo, explicando como vai funcionar e – uma hora antes da transmissão – divulgaremos o link por lá.

Os assinantes receberão esse lembrete por e-mail e também terão a opção de abrir a transmissão pelo link do Mural.

Quem acompanha os Intensivões de História com o Professor João Daniel, já está bem acostumado com o uso do Zoom. É por lá que faremos o nosso bate papo também.

Além disso, será o Professor João Daniel quem mediará toda a conversa. ? Ele fez um vídeo te convidando para participar, assista ao trecho do vídeo abaixo (assista ao vídeo completo pelo IGTV do Clipping).

O mais interessante de ser ao vivo é a possibilidade de participação do público, então, se tiver alguma dúvida, anote para mandar para eles!

? Vale lembrar que essa transmissão é exclusiva do Clipping, o autor não fará outra transmissão como essa. Aproveite ao máximo essa oportunidade.

 

Noite de autógrafos
 

Quem estiver em São Paulo, terá a oportunidade de comparecer no lançamento da obra e trocar algumas ideias sobre ela e (por que não!) sobre a carreira diplomática com o Embaixador Villafañe em pessoa. Fica aí o convite:
nova biografia do barão do rio branco

 

O que achou da novidade? Ansioso para ler a nova biografia do barão do Rio Branco? Mande nos comentários!