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Como será a Festa a fantasia do Instituto Rio Branco: edição 2017
Imagina se anualmente rolasse uma festa onde se pudessem socializar candidatos aprovados e empossados na carreira de diplomata, candidatos na batalha por uma vaga, diplomatas com mais tempo de casa e interessados na carreira diplomática em geral? Então, na verdade essa festa já existe e ocorre todo ano: é a festa à fantasia dos alunos do Instituto Rio Branco que, pelo menos desde o início dos anos 2000, já faz parte do rol das tradições do IRBr. Desde 2015 já é tradição aqui no Blog do Clipping abrimos o espaço para divulgação da festa. Confira as edições >
| Ano | Tema |
| 2015 | De Bollywood a Hollywood (cinema indiano x hollywood) |
| 2016 | De Brasília a Gotham City (pop art) |
| 2017 | Preferia Star Morta (dead celebrities) |
Estamos a nada mais nada menos do que 10 dias da edição 2017 da Festa a Fantasia e quem conta como vai ser a nova edição é o pessoal do GT (Grupo de Trabalhos) da Festa desse ano. O texto abaixo está estruturado da seguinte forma:
1. O que é essa festa à fantasia?
2. É preciso ir fantasiado? Qual é o tema?
—
Festa à Fantasia dos alunos do Instituto Rio Branco 2017
*por Hudson Caldeira
Sábado, 27 de maio, vai acontecer a imperdível Festa à Fantasia dos Alunos do Instituto Rio Branco. Com o subtítulo Preferia Star Morta, a festa de 2017 será uma noite incrivelmente divertida, em que todos estarão vestidos como personalidades do passado.
Mas qual é a dessa festa?
Todos os anos, a turma de diplomatas que se forma do Instituto Rio Branco oferece uma festa à fantasia para a turma seguinte, que acabou de entrar na academia diplomática brasileira. Essa é uma tradição dos jovens diplomatas, que buscam reforçar os laços de companheirismo e amizade entre as diversas turmas de diplomatas a serviço do Brasil.
Mas a festa não é apenas para diplomatas! O evento é aberto a todos (e todos os que vierem vão se divertir muito). Em especial, a Festa à Fantasia dos alunos do Instituto Rio Branco é uma oportunidade fantástica de integração entre os jovens diplomatas e pessoas que têm interesse na carreira ou nos temas ligados às Relações Exteriores.
É necessário ir fantasiado? Qual é o tema?
Claro que é necessário ir fantasiado – essa é uma festa à fantasia!
Em 2017, o tema das fantasias será personalidades que já bateram as botas. Esse é um tema bastante amplo e bastante fácil, pois basta se vestir de qualquer personalidade notável, de qualquer profissão e de qualquer época, que tenha partido desta para uma melhor.
Assim, como o tema deste ano é bastante tranquilo, você tem duas opções: alugar uma fantasia, ou improvisar um look inspirado em uma personalidade icônica.
- Caso você queira alugar sua fantasia, este link tem várias opções de lojas de fantasia em Brasília
- Caso você queira criar sua própria fantasia, dê uma olhada no nosso guia:
Quais são os atrativos da festa?
Além de muita música boa toda a noite (principalmente hits do pop bem dançantes), o principal atrativo da festa este ano será o open bar ultra-mega-fantástico, com fila de atendimento distribuído de forma a facilitar a logística, evitar filas, etc… Ofereceremos o seguinte:
1. Bebidas:
- Vodka Ketel One
- Gin Tanqueray
- Espumante Casa Perini
- Whisky Old Parr
- Cerveja Budweiser
- Água, água de côco, refrigerantes e sucos
2. Drinks:
- Caipiroskas (acerola com tangerina, limão, mel e cravo e abacaxi com limão siciliano)
- Aperol Spritz
- Gin tônica (com ou sem opcionais)
- Tom Collins (gin, suco de limão, club soda e cereja)
- Drink temático secreto (quem viver, beberá!)
3. Foodtruck
Caso você fique com fome nas altas horas da madrugada, teremos a presença do Hamburgueria do Cheff, Food Truck especializado em hambúrguer artesanal e 100% picanha
4. Participação de celebridades
Mas se nada disso te convenceu e você quer saber apenas se a festa terá alguma presença de algum famoso de verdade, a resposta é: sim!
Nosso diplomata Rômulo, que participou da última edição do Big Brother Brasil, estará na festa (a pergunta é: quem conseguirá reconhecê-lo fantasiado?)
Uau! Gostei. Como consigo meu convite?
Vale a pena correr! O 1º Lote de convites já está esgotado! O 2º Lote de convites, a R$ 125, estará disponível até sábado, 20 de maio. Quem esperar vai pagar mais caro!
Para garantir seu convite, mande uma mensagem por WhatsApp para um dos comissários:
- Alexandre – 61 98303 1170
- Ana Flávia – 61 98259 7826
- Gaétan – 61 98135 3353
- Jean Paul – 61 99272 6083
- Pedro – 61 99610 8026
- Rodrigo – 61 98146 0344
Quando e onde?
Dia 27 de maio de 2017, às 23hrs
Clube das Nações (SCES Trecho 4 Cj. 11 – Brasília)
Nos vemos na festa!
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Hudson Caldeira é diplomata da turma de 2015. Gosta de Sonic Youth, mas para o alívio de todos não é ele que vai escolher as músicas da festa.
Ser Mãe (de candidato): os 10 sentimentos das mães de candidatos
O Blog do Clipping vem assumindo esse compromisso de desvendar o universo do concurso de admissão à carreira de diplomata sob as mais diversas perspectivas: a do candidado aprovado, a do professor, a do candidato reprovado, a dos diplomatas, etc… Hoje é o dia de falar do CACD sobre a perpectiva das mães. Como o dia das mães está chegando, nada mais propício do que entender melhor o que é o concurso da diplomacia para as mães. Afinal, esses personagens incríveis, diplomatica e pragmaticamente, operam nos bastidores dessa jornada heróica rumo a aprovação no CACD.
Ajuda a gente a levar essa homenagem mais longe dando o seu compartilhar ou mostrando para sua mãe o post
Com a palavra: as mães
10 sentimentos das mães de candidatos
*por Wilma Pinheiro
Esse blog é para os candidatos, mas, hoje, vamos combinar: deem-nos licença. Como vocês, mães de candidatos sofrem, e muito. Merecemos portanto um pouco de espaço aqui.
Espaço para compartilhar com outras mães os sentimentos comuns a todas que naturalmente se vêm envolvidas no mesmo processo que os filhos: ansiedade, alívio, certeza, dúvida, angústia, atenção, cansaço, suspense, agonia, esperança, e toda essa montanha russa que vivemos ao longo de meses e meses, enquanto sonhamos em comemorar a tão esperada aprovação.
Evitando ser prolixa, pontuarei 10 momentos e 10 sentimentos para falar da evolução das emoções inerentes a Ser Mãe (de candidato) ao longo do ano.
#1. Antes do Edital: Ansiedade
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Quando sairá o Edital?
No final de cada ano já ligo as antenas. É no edital que saberemos o número de vagas, datas das provas e todos os eventos importantes para os próximos meses. Nosso calendário com certeza será afetado pelo cronograma das etapas. Queremos estar a postos na ocasião das provas, dar um apoio logístico aos filhos. Não que eles peçam ou precisem, mas nós é que fazemos questão de ser solidárias, afinal, com nossa intuição de mãe, sabemos que a batalha vai ser árdua!
#2. Depois do Edital: Alívio
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Até que enfim, edital publicado.
E digo: “Vou passar os olhos nos assuntos principais. Número de vagas “podia ter mais, são poucas”… Data das provas, “pouco tempo para muito conteúdo, podia ser maior este prazo”.. ..Programa e bibliografia, “muito extensos, será que os organizadores pensam que alguém tem como aprender tudo isso?” Número de páginas do edital, ”muito longo. Depois leio tudo.”
Mas isso não pode ser de maneira explícita. Havemos de nos situar de forma discreta, sem dar muita ênfase, quase que “nos bastidores”, disfarçadamente, para não dar a impressão de cobranças ou criar ansiedade, afinal eles são só nossos filhos, nada mais que isso.. e adultos.. donos de sua vida e de seu nariz, e fazem as escolhas ao seu bel prazer. Mas como não “chegar junto” numa hora dessa? Aspirar à diplomacia só pros fortes, e por mais forte que seja um filho, nunca será demais dar uma forcinha né?
#3. Durante o período de inscrição: Certeza
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Meu filho será um diplomata!! A inscrição no Concurso é o primeiro passo em direção à carreira de diplomata. Afinal, tudo começa assim, tudo começa do início. Então vamos lá..são poucas vagas? Não importa, meu filho só precisa de uma. E está preparado para concorrer, estudou em uma boa escola, é focado nos estudos, está ambientado com os grupos afins, conhece alguns professores da área, já fez cursinhos preparatórios, estuda muito, tem o perfil para aspirar ao cargo. Até a aparência dele condiz com as fotos dos últimos empossados.
Desta vez será um deles. Já imagino a classificação final. Estará entre os primeiros 10? Ou será o último? Que seja aprovado no 1º ou último lugar tanto faz. E o dia da posse então? Já imagino…. Estou viajando na maionese? Acho que não, pra quem está concorrendo e preparado, é possível sim!
#4. Durante a reta final para a prova: Insegurança
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Como aproveitar bem o tempo?
Nesta reta final o cronograma e método de estudos faz toda a diferença. Fico ligadona, “meu filho tá estudando muito? Vai pirar antes da prova… tá estudando pouco? Não vai passar… tá alimentando bem?…acho que não, se comer muito terá sono e o tempo de estudo fica prejudicado, se comer pouco cairá numa anemia e no dia da prova não dará conta” . A revisão das matérias tem que ser muito bem planejada: escrever, ouvir, fazer resumo ou fichamento? Com certeza ele saberá sua melhor maneira, um jeito mais prazeroso e proveitoso de arquivar na memória uma miscelânea de assuntos, datas, nomes, que, sinceramente, acho uma barbaridade! Só candidatos ao CACD conseguem!
#5. Reta Final para a prova: Angústia
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Contagem regressiva para a data da prova. Não dá mais tempo para aprofundar nas matérias… o que já foi…bem, o que não foi torço para não cair na prova. Sugiro algum assunto que me veio à mente, de graça, como passe de mágica e que poderá ser questão da prova.. ou algo que li e acho que pode ser um conteúdo também…um livro, do qual gostei e pode ser explorado nas questões…todas as pessoas tem facilidades e dificuldades com esta ou aquela matéria, mas aqui, para os candidatos à Diplomacia isto não se aplica. É exatamente aquela matéria onde se tem mais dificuldade a escolhida para enfocar as questões.
Parece que existem estatísticas para se complicar a vida dos candidatos. O que é assunto espinhoso para a maioria, este sim, será o mais cobrado! Oh vida! Oh céus! Oh azar!
#6. Manhã do dia da prova: Atenção
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Os minutos são preciosos!! Primeiro dia de prova da 1ª etapa (TPS). Noite anterior em claro. Caso meu filho não acorde, tenha esquecido-se de programar o despertador, não conseguiu dormir cedo e de madrugada apagou…sei lá.. não podemos arriscar e perder a hora. Além do mais, haverá de ter um tempo para se alimentar bem, conferir a documentação e os objetos a serem levados: água, uma barra de cereais, uma fruta, caneta esferográfica preta e transparente, escolher roupas leves e confortáveis. Tantos detalhes, tantas conferências, tantas minúcias que nessa hora uma mãe a postos faz toda a diferença, vamos admitir!
É preciso estar atenta: sabe aquela famosa Lei de Murphy? Hoje tudo poderá conspirar contra….
Além do que os organizadores são cruéis e implacáveis.. uma fração de segundo pode causar a exclusão do candidato…um descuido qualquer….uma bobagem de nada…para quem passou por uma maratona até chegar aqui pode ser fatal!
E o trânsito, como estará hoje? De carro próprio, de táxi ou de ônibus, estaremos a mercê desses congestionamentos gigantes de qualquer capital!
#7. Noite do dia da prova: Cansaço
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Ufa! Amanhã será outro dia!! Final do primeiro dia do TPS. Quero saber tudo… mil perguntas…como foi a prova?.. quantos desistiram na sala?..Fácil?…Difícil? E os comentários?? Previsão de gabarito? Recursos?
Acha que deu pra passar? Este ano foi melhor que o anterior?
Depois da prova sempre há um relax com amigos para discutir as questões, e nós mães, aguardando um telefonema, uma palavra, um tête-à-tête para conferir se deu pra sobreviver ao tsumani do dia de, literalmente, prova de conhecimentos e de nervos.
Noite a dentro, acompanhando atenta os últimos comentários das redes sociais…tava fácil, ..difícil…questão passível de anulação…troca de gabarito….Projeções de notas de corte…atualização dos rankings de notas.
#8. Dia do gabarito da primeira etapa: dúvida
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Certeza…ou dúvida? O Gabarito oficial saiu??? Só à tarde… dia longo..ate às 18 hs.. é amanhã…é hoje….Suspense……Conferiu? Quantos pontos? Fez conta errada… posso ajudar..recontar..tim tim por tim tim, 0,25 faz diferença….tá na média?
Nessa altura já tá tudo sacramentado, mas fazer o quê?
E os recursos então…desgaste total para quem já está exaurido, e nós mães acreditando sempre que um recurso fará milagres.
#9. Preparação para as próximas etapas: Esperança
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Esperança é a última que morre! Próximas etapas…para quem ficou, é hora de espairecer, esquecer, recomeçar ou sei lá fazer o quê.
Mas para quem continua o processo se repete a cada uma delas, do mesmo jeito, com a mesma intensidade, volta tudo ao zero. Nesse ínterim há muitas etapas dentro de cada etapa: discutir gabaritos, fazer planilhas, postar comentários, projetar temas das provas, dar uma de adivinho, bruxo, matemático, fazer contas, calcular, até querer entrar na cabeça dos avaliadores das provas.
Ânimo renovado: vamos à luta!
E nós mães, damos nossos “pitacos”, sofremos, amaldiçoamos uns e abençoamos outros, puxamos a brasa pra nossa sardinha, fazemos tudo igualzinho em outras ocasiões da vida.
E assim se passam os meses até…
#10. Dia do resultado final: Agonia
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Será que vai dar? Resultado da última etapa. Como vou me comportar? Só posso ser solidária, nem uma criticazinha, força total na peruca…seja o que Deus quiser! Tenho que estar preparada pra tudo. Afinal todo ano tem concurso, se não for dessa vez, na próxima com certeza!
Tudo passa pela cabeça de uma mãe nessa hora: “foi quase, por muito pouco, por pontinhos de nada…ainda faltam os recursos, temos chance sim…. Povo irônico esses organizadores e quem corrige as provas. Qual é o critério? Ou melhor critério nenhum, nada objetivo, ninguém entende nada, só entrando na justiça, assim é impossível, quem estuda pouco passa, e quem estudou muito ficou. Como assim?”
E continua o discurso mudo: “E eu que já esperava pra comemorar? Faço o quê?
Concluindo…
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Você sabe o que eu gostaria mesmo?
- de ter uma varinha mágica, para multiplicar vagas e transformar todos os candidatos em diplomatas;
- de ter uma bola de cristal para ver através dela um caminho menos sofrido e acabar com os sustos, suspenses, incertezas e dúvidas que permeiam o CACD;
- de ser uma abelhinha, para voar alto e saber tudo que rola nos bastidores do concurso e assim responder todas as perguntas dos candidatos e não deixar ninguém no vácuo;
- de ser um pingo de luz e virar um flash na cabeça de cada um na hora de escolher a resposta certa, principalmente quando restam aquelas duas finais e a dúvida é angustiante!
O CACD é uma onda, uma magia, um paradoxo que tem o poder de arrebatar também as indefesas mães. Ora subimos ao céu, ora descemos ao inferno, num vai-e-vem frenético de forças e fraquezas, de dúvidas e certezas, de esperanças e desenganos, mas não deixamos a peteca cair. E renascemos das cinzas. E reciclamos os sonhos até o ano seguinte porque o DNA de mãe é superação, e assim totalmente compatível com esse turbilhão de emoções vivido pelos candidatos.
Só uma sugestão: que tal presentear sua mãe com esse texto? Vocês poderão se surpreender mutuamente, e acima de tudo descobrirem sentimentos em comum nesse emaranhado de sentimentos chamado CACD.
*Wilma Pinheiro é servidora pública aposentada pelo TRE-MG. Teve que aprender do 0 o funcionamento do universo de concursos públicos quando, em 1996, tomou a decisão de trocar um cargo de diretoria na iniciativa privada pelo serviço público, para poder passar mais tempo com seus 2 filhos. Um deles é hoje candidato ao CACD.
Correção da prova de Espanhol do CACD 2016
A prova de língua espanhola para o concurso de admissão à carreira de diplomata (CACD) é, para quem ainda não sabe, onde acontecem as médias mais baixas (veja aqui nessa matéria que disciplinas tem médias mais baixas e por quê). Por essa e por outras que o Clipping mantém aqui no Blog um espaço exclusivo para dar uma atenção exclusiva a uma das matérias mais subestimadas pelos candidatos a diplomata. A especialista que contribui nesse questito é Alejandra Bermudez, que há cerca de 10 anos prepara alunos exclusivamente para a Prova de Espanhol do CACD. Vale a pena a leitura cuidadadosa deste post. Nele você encontrará a primeira parte da correção da prova de Espanhol do CACD 2016 assim dividida:
- Questão 1
- Questão 2
- Questão 3
- Questão 4
- Questão 5
- Questão 6
- Referências citadas na prova
- Lexicografia usada na prova
Vamos à mensagens inicial da Profa. Alejandra Bermúdez e a sua correção da prova>
—
Correveidile
por Alejandra Bermudez*
Hola, amigos de Clipping
Esta es nuestra columna CORREVEIDILE, lugar por dónde vehiculamos y transmitimos la mayor cantidad de información posible para facilitar el aprendizaje y aumentar el puntaje en la prueba de ESPAÑOL CACD.
Y exactamente de eso se trata el correveidile, el mismísimo, el arte de divulgar y pregonar informaciones de manera rápida y eficaz a los oídos de todos. Algunos le llaman chismorreo, cotilleo, chisme o chusmerío; dicho de aquel que lleva y trae chismes. En este caso, de los buenos. Entonces, ¡Fenomenal!
En nuestra columna del CORREVEIDILE de este mes comenzaremos a divulgar las diferentes partes comentadas del EXAMEN DE ESPAÑOL 2016 a fin de facilitar la comprensión y el aprendizaje. Aquí vamos, entonces:
Prova de Espanhol do Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD) comentada
- Acesse a prova completa de Espanhol do CACD aqui
- Abaixo seguem as questões e o gabarito comentado.
-
E
Cuando el texto cita a un jugador de ajedrez no hace referencia a la identidad del poeta, sino a las ventajas del verso. El autor realiza una comparación entre el “verso” y el jugador de ajedrez, el primero posee toda la creatividad y libertad del segundo, pero sin ceñirse a un padrón estricto, como lo hace el jugador.
“Entre la realidad y la prosa se alza el verso, con todas las ventajas del jugador de ajedrez y ninguno de sus extravagantes cuadros”
-
E
La identidad del poeta no ha de ser, según el texto, la de un poeta antiguo.
“ignoro a cual me refiero porque todas ellas trajeron multitud de vates nuevos”
bardo
1. m. Poeta de los antiguos celtas.
2. m. Poeta heroico o lírico de cualquier época o país.
Sinónimos: juglar, trovador, aedo, coplero, poeta, rapsoda, recitador, trovador, vate
-
E
Según el texto “La imprenta se torna el alguacil”. En sentido figurado, la imprenta aprisiona a la poesía, al verso.
alguacil, la: Funcionario subalterno de un ayuntamiento o un juzgado.
4-E
La identidad del poeta no es la de “impresor”, ya que el verso ha de ser libre y, según el texto, la imprenta:
“emprisiona las palabras entre rejas de líneas”
-
C
Numismática: Disciplina que estudia las monedas y medallas, principalmente las antiguas.
El texto cita un artesano de jaulas (gaiolas) para pájaros disecados.
2-E
Según el texto, “la guitarra o la radio y la televisión pueden -podrían: y más la propia voz directa- rescatar el verso”
3- E
“La propia voz” y la “cinta magnetofónica SÍ podrían liberar el verso.
4- C
“Jilguero embalsamado”= jilguero disecado.
Jilguero=pájaro común en España
*El autor, Blas de Otero, evoca la RIMA IV de Gustavo Adolfo Becker (poeta español, uno de los últimos representantes del Romanticismo del siglo XIX):
RIMA IV
No digáis que, agotado su tesoro,
de asuntos falta, enmudeció la lira;
podrá no haber poetas; pero siempre
habrá poesía.
Mientras las ondas de la luz al beso
palpiten encendidas,
mientras el sol las desgarradas nubes
de fuego y oro vista,
mientras el aire en su regazo lleve
perfumes y armonías,
mientras haya en el mundo primavera,
¡habrá poesía!
Mientras la ciencia a descubrir no alcance
las fuentes de la vida,
y en el mar o en el cielo haya un abismo
que al cálculo resista,
mientras la humanidad siempre avanzando
no sepa a dó camina,
mientras haya un misterio para el hombre,
¡habrá poesía!
Mientras se sienta que se ríe el alma,
sin que los labios rían;
mientras se llore, sin que el llanto acuda
a nublar la pupila;
mientras el corazón y la cabeza
batallando prosigan,
mientras haya esperanzas y recuerdos,
¡habrá poesía!
Mientras haya unos ojos que reflejen
los ojos que los miran,
mientras responda el labio suspirando
al labio que suspira,
mientras sentirse puedan en un beso
dos almas confundidas,
mientras exista una mujer hermosa,
¡habrá poesía!
1-C
“Mientras haya en el mundo una palabra cualquiera, habrá poesía”
2-C
Según el texto, “la guitarra o la radio y la televisión pueden -podrían: y más la propia voz directa- rescatar el verso y hacer que las palabras suenen libres, vivas, con dispuesta espontaneidad”
3-C
“Si no se debe escribir como se habla, tampoco resulta conveniente escribir como no se habla”
Tampoco=também não
No resultar/resultar conveniente: estrutura impessoal (indireta) para dar conselhos ou recomendações.
4-E
Según el texto, la palabra necesita respiro y la imprenta la aprisiona como las jaulas a los jilgueros embalsamados.
1-E
Según el texto, el poeta es juglar o no es nada, debe rescatar las palabras de los instrumentos que las aprisionan (libro, imprenta). NO deberá ser como un artesano de jaulas para aprisionarlas.
2-E
Escombro: Desecho, broza y cascote que queda de una obra de albañilería o de unedificio arruinado o derribado.
3-C
Según el texto, “todas (las guerras) trajeron multitud de vates nuevos”
4-E
Las guerras dejaron multitud de poetas, según el autor.
1-E
Paupérrimo=pobre
“Los temas son cada día más ricos y acuciantes”
2-E
“la palabra necesita respiro” Verbo necesitar en Presente de Indicativo.
3-E
Abundantes: copiosos, de gran cantidad. El texto no cita abundancia.
4-E
“Los temas son cada día más ricos y acuciantes”. El texto afirma que SON y SERÁN (cada día más) prósperos y abundantes.
Ricos=prósperos
Acuciantes=apremiantes, urgentes
1-C
“abombando sus limites”
Abombar sinónimos: aumentar, bombear, alabear, combar, inflar.
2-E
La rosa es un poco de polvo iluminado, no el verso.
3-E
“Entre la realidad y la prosa se alza el verso”
El verso surge ENTRE la realidad y la prosa y no JUNTO a.
4-C
“de un solo verso nacen multitud de paréntesis, soldados y otras cuestiones”
Luis de Góngora: Poeta y dramaturgo español del Siglo de Oro, fundador del culteranismo o gongorismo. Sus obras fueron objeto de exégesis (críticas- La palabra exégesis significa ‘extraer el significado de un texto dado).
Gongorismo/Culteranismo: Estilo literario del Barroco español caracterizado por el uso de formas poéticas de difícil comprensión, basadas en abundantes y complicadas metáforas y un vocabulario rico en oscuros cultismos; floreció a finales del siglo XVI y principios del XVII, y su máximo representante fue Luis de Góngora.
Teresa de Cepeda o Teresa de Jesús: Fue una religiosa, fundadora de las carmelitas descalzas, mística y escritora española. Canonizada, fue proclamada doctora de la Iglesia católica en 1970 por Pablo VI. Junto con san Juan de la Cruz, se considera a santa Teresa de Jesús la cumbre de la mística experimental cristiana y una de las grandes maestras de la vida espiritual en la historia de la Iglesia española.
En orden de aparición en el Texto 1 “Verso y Prosa”:
Alzarse: levantarse, erguirse
Cruzarse de brazos: Actitud pasiva, no hacer nada.
Dejadla: imperativo del verbo DEJAR (vosotros) +pronombre complemento directo LA (La rosa).
Berrear: dar berridos; dicho de un niño que llora o grita desaforadamente.
Descalabrado/a: imprudente
Entredicho (permanecer en): Duda que pesa sobre el honor, la virtud, calidad, veracidad, etc., de alguien o algo.
Renglón: palabras escritas en línea recta
Descangayar: descoyuntar, descomponer, desmadejar
Amarillento: de amarillo
Circunvalar: Cercar, ceñir o rodear una ciudad, una fortaleza
Anchurosa (ancho): ancho o espacioso
Pespuntear : hacer pespuntes (costuras unidas que se hacen volviendo la aguja hacia atrás)
Colmar: llenar, dar algo a alguien en abundancia
Entreabrir: abrir un poco, a medias
Acantilar: Echar o poner un buque en un cantil por una mala maniobra. Arrinconar.
Les deseo a tod@s, alumnos, cacdistas y amigos de Clipping, una excelente preparación para el examen de Español 2017, sin desánimos que, como dicen: un tropezón no es caída. ¡Estamos juntos otra vez!
¡Hasta la próxima!
Alejandra
—
Alejandra Bermúdez é especialista na preparação para o CACD faz 11 anos. É Mestre em Lingüística aplicada a la enseñanza de español pela Universidad de Jaén (España) e Mestre em Linguística Aplicada pela Unisinos (Brasil). É Professora do Instituto Cervantes de Porto Alegre desde e Membro da Banca Examinadora D.E.L.E (Diploma Internacional de Español como Lengua Extranjera- título oficial outorgado pelo governo da Espanha). É Assessora linguística e tradutora de textos técnicos e literários.
Clipping é bom? Vale a pena assinar? Opiniões de usuário sobre o Clipping
O Clipping é bom ou não? Vale a pena assinar? Quais são as opiniões de quem o usou? O Clipping ajuda realmente na preparação?
É perfeitamente compreensível que diferentes candidatos tenham uma visão diferente do papel do Clipping CACD na preparação para o Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD) ou ao concurso da ABIN.
Nesse post, trouxemos depoimentos de usuários e informações bem objetivas para ajudar você a entender se vale a pena que você assine a plataforma.
O Clipping é bom? Vale a pena assinar se estou começando a estudar?
Se “o Clipping é bom” ou “não é bom” é uma coisa. Agora, se o Clipping faz milagre é outra diferente. Não se consegue aprovação no concurso da diplomacia da noite para o dia. Um dos pontos destacados para uma boa preparação é a ordenação do conteúdo em um cronograma factível e realista de 22 semanas.
O Clipping oferece ferramentas específicas para quem está no nível iniciantes, como o Cronograma e Bibliografia indicada (cronograma completo com todos as leituras divididas por semana) e os Roteiros de leitura de cada obra (listagem dos principais pontos para leitura otimizada das obras).

Assinar o Clipping foi um das boas escolhas que fiz ao iniciar meus estudos para o CACD. Acredito que para todo iniciante qualquer orientação nos estudos é bem vinda. Então, imagine receber essa orientação de quem realmente entende a prova? É excelente! É uma plataforma bem descomplicada de se usar, em nenhum momento eu me sentia perdida no site.
– Morgana Cadó –

Sempre almejei a carreira diplomática, mas nunca sabia por onde começar a estudar, e muito menos como organizar e seguir em frente com o conteúdo abordado. Na verdade eu estava perdido… sem rumo mesmo. E acabava desistindo. Descobri o Clipping há menos de um mês e confesso que estou gostando muito. É tudo esquematizado. O conteúdo é riquíssimo e o apoio é sensacional. Sigo rigorosamente cada conselho. Já estou conseguindo associar a rotina de estudos ao meu cotidiano, e estou bem animado para seguir a longa jornada rumo à aprovação no CACD.
– Elson Silva –
Posso testar antes de assinar?
Se é bom ou não, você só consegue entender conhecendo a plataforma por dentro. Você tem todo o direito de entender se o Clipping é bom, se se encaixa na sua rotina de estudo, etc. Para isso, o Clipping oferece um período de 7 dias grátis para que você mesmo avalie.
Você pode fazer este teste criando uma conta (se você ainda não tem uma conta) e após completando a assinatura na tela de checkout. Faça o teste neste link > http://bit.ly/clipping-e-bom?
A plataforma fornece mesmo toda a bibliografia para o concurso?
O Clipping fornece sim o cronograma completo, dizendo o que você dever, quando e como estudar aquele tópico específico. Mas por respeito a direitos autorais, o Clipping não disponibiliza na plataforma as obras completas que você deve ler.
Cabe a você reunir esse material, que é possível ser encontrado em pdfs pela internet. No entanto, a escolha e os riscos de baixar pdf na internet ou adquirir as obras fica a cargo de cada um.
Quais as ferramentas que a plataforma possui?
A lista de ferramentas é extensa e inclui:
- Roteiro de Estudos;
- Edital Esquematizado;
- Coach virtual;
- Clipping (seleção de notícias relevantes);
- Vídeos de Professores Especializados;
- Simulado semanal (com questões comentadas);
- Opção de salvar suas leituras;
- Caderno para salvar textos importantes;
- Discursos oficiais do Itamaraty;
- Mural, com fórum para estudantes;
- Sincronização como Kindle (se você tiver um);
- Apps para celular e tablet;
Cada uma dessas ferramentas cumpre um papel bem específico na preparação. Ao cadastrar uma conta no Clipping, você passa a receber emails semanais em que explicamos exatamente como o processo de preparação para o concurso funciona e como é o papel de cada ferramenta nesse processo.
Ver aqui para mais informações sobre todas essas ferramentas do Clipping
Vale a pena o valor pago na assinatura?
Vejamos: o Clipping tem 2 planos (anual e mensal). Em ambos planos, o usuário tem acesso pleno e completo a toda plataforma. Se o valor vale a pena somos suspeitos para dizer. As 3 melhores formas de descobrir são:
- fazendo um teste você mesmo (lembrando que se não gostar pode pedir um estorno imediatamente do valor e fazer um cancelamento.
- perguntando a um colega que assina o Clipping (grande parte dos candidatos que estão encarando hoje o processo de preparação já assinam a plataforma).
- Falando com nosso coach virtual pelo chat (acesse a bolinha amarela no canto inferior direito do site www.clippingcacd.com.br)
No entanto, tanto a ideia subjacente ao Clipping é justamente viabilizar uma preparação que faça você economizar dois ativos fundamentais para todo candidato: tempo e dinheiro.

O Clipping CACD foi uma ferramenta essencial para minha aprovação. Sua seleção de notícias da imprensa nacional e internacional de maneira voltada para a preparação do concurso me ajudou a economizar muito tempo e dinheiro.
– Lucas Andrade Aguiar –
Aprovado em 7º lugar no concurso de 2016
Onde posso ver outros depoimentos?
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- Você pode acessar o link http://bit.ly/depoimentos-sobre-clipping (onde compilamos alguns outros depoimentos, incluindo de aprovados em vídeo).
- Ou você pode perguntar você mesmo a algum candidato ao concurso o que ele acha do Clipping (dessa maneira, você pode ter uma opinião mais espontânea).
Lembrando que a melhor forma de entender o valor que o Clipping agrega à preparação tanto para o Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD) é fazendo um teste.
Clipping CACD entrevista Diretor do Instituto Rio Branco
Quando sai o Edital do Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD) 2017? O que vai mudar? Como será a prova de línguas?
Quando surgiu a incrível oportunidade de entrevistar pessoalmente o Direito do Instituto Rio Branco (IRBr), a equipe do Clipping não hesitou em pegar imediatamente a ponte aérea BH-Brasília rumo ao DF para tirar a limpo essas questões.
Aterrizando sob o sol de Brasília, atravessamos o plano piloto, deciframos a geografia de Brasília e em poucos minutos estávamos no SAFS, quadra 5, lotes 2/3, logo atrás do prédio do STJ, e às portas do Instituto Rio Branco, onde Clipping foi gentilmente acolhido pelo Oficial de Chancelaria Carlos Considera, que nos levou até a sala do Diretor Instituto Rio Branco, o Embaixador José Estanislau.
Ao longo de agradabilíssimos 40 minutos de conversa, tivemos essa sorte incrível falar muito sobre o CACD com quem é diretamente responsável pelo processo seletivo. Quando sai o Edital? O que vai mudar no Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD) de 2017? Tudo isso incluímos na pauta. Confira aqui o que rolou.
Clipping: O Instituto Rio Branco tem essa dupla função de cuidar tanto do processo seletivo quanto da formação do diplomata brasileiro. Quais são hoje os principais desafios identificados pelo senhor para modernizar o Instituto Rio Branco em cada uma dessas frentes que o Instituto atua?
Embaixador José Estanislau: O Instituto Rio Branco (IRBr) tem 70 anos, completados em 2015. Foi criado com a missão de profissionalizar o serviço diplomático brasileiro e suas principais funções são essas mesmas: recrutar e formar diplomatas. No Instituto, recrutamos os diplomatas; outras áreas do Itamaraty organizam os concursos públicos para as demais carreiras do serviço exterior brasileiro.
Ser o braço de recrutamento de diplomatas do Itamaraty, ir ao mercado de trabalho anualmente para atrair e selecionar jovens de talento, talvez seja a tarefa mais estratégica do IRBr. Pois não há curso de formação posterior que possa corrigir as falhas de um sistema de seleção ineficaz.
Além do curso de formação, que se segue à admissão dos jovens diplomatas, o Instituto oferece treinamento em diferentes estágios da carreira. Um na primeira metade, que é o Curso de Aperfeiçoamento de Diplomatas (CAD); e outro na metade mais avançada da carreira, que é o Curso de Altos Estudos (CAE). Ambos são requisitos à promoção às classes respectivamente de Primeiro Secretário e Ministro de Segunda Classe.
No entanto, quero focar-me no Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD) e no Curso de Formação.
Embaixador José Estanislau: Um primeiro comentário que faço é de que, nos últimos anos, alterou-se o perfil das pessoas que são aprovadas no concurso, o que traz desafios à estruturação do Curso de Formação. O concurso é cada vez mais concorrido, por uma série de fatores, tais como o valor do salário inicial atraente quando comparado aos oferecidos no setor privado e a crise da economia brasileira, que reduziu a oferta de trabalho no setor privado ou mesmo em outros concursos públicos.
O fato é que, nos últimos anos, o Itamaraty tem atraído muita gente, e os concursos são muito disputados. Em consequência, os candidatos aprovados, quase sem exceção, passam na segunda, terceira ou quarta tentativa. É raríssimo ter alguém que passe na primeira tentativa. Além disso, é necessário ter curso superior completo. O resultado é que os jovens aprovados no concurso são atualmente muito bem qualificados, trazem experiência profissional prévia e têm um perfil etário mais avançado, na média de 30 anos de idade.
Eu entrei no Rio Branco no começo da década de 80. Na época, bastavam dois anos de curso superior, e os aprovados tinham média de idade consideravelmente inferior. Na minha geração, as pessoas entravam, em média, com 24 ou 25 anos.
Evidentemente que um curso de formação para alunos com grau de maturidade comparativamente mais elevado pede ajustes importantes. O desafio que eu tenho aqui no Rio Branco é o de adaptar o curso para esse novo perfil do diplomata aprovado, que é muito mais exigente. Dois ou três desafios se impõem. O primeiro é não repetir no curso aquilo que já é exigido no concurso, procurando manter a motivação dos alunos.
O segundo é trazer matérias que despertem no aluno a vocação para a política internacional, para o mundo e não apenas para dentro do Itamaraty. O terceiro desafio é o conhecimento da realidade brasileira. Explico-me: muitos aprovados mudam-se para Brasília trazendo na bagagem pessoal a sua perspectiva local. O que vem da Bahia tem uma realidade, o que vem do Pará tem outra.
É aqui em Brasília que a maior parte deles vai adquirir o sentido da nacionalidade brasileira. Por isso, estamos reintroduzindo no curso de formação as viagens de estudo, que promovem o conhecimento das múltiplas dimensões do Brasil. Isso vale frequentemente mais do que aulas em classe.
Clipping: Costuma-se dizer que um dos pilares do Instituto Rio Branco é a socialização desses recém-ingressados na carreira diplomática. Na prática, além das viagens ao Brasil, como que isso acontece?
Embaixador José Estanislau: Por socialização costuma-se entender a iniciação dos novos recrutas nas práticas e tradições do Itamaraty, as quais, por sua vez, estão em perpétua transformação. Isso ocorre de diversas formas.
Primeiramente, pelo simples contato pessoal. A maior parte dos professores do Rio Branco são diplomatas e muitos deles trazem a seus cursos palestrantes do Itamaraty. Pelo contato durante as aulas, vai-se criando um diálogo que é parte importante do processo de socialização.
Algo que havia no passado, mas não hoje, é a proximidade física, já que o Instituto Rio Branco, embora perto, não está exatamente dentro do Itamaraty. Então, os alunos não circulam tanto dentro do Ministério. Por isso, sempre trazemos as altas chefias da casa para falar aos alunos. Quando há oportunidade, convidamos também ministros e altas autoridades estrangeiras para que façam palestras aos alunos do Rio Branco, o que gera ocasiões de socialização fora dos quadros do Itamaraty.
Num outro plano, criamos recentemente, junto com a FUNAG, uma série de encontros, a que chamamos “Percursos Diplomáticos”, com o objetivo de trazer ao Instituto Rio Branco nomes do Itamaraty de reconhecida trajetória intelectual e profissional para que para exponham aos alunos seu perfil, sua trajetória, seu itinerário diplomático. O primeiro convidado dessa série foi o Embaixador Rubens Ricúpero, que veio no final de março e falou, com agenda livre, por cerca de duas horas sobre sua experiência diplomática. O próximo será o Embaixador Marcos Azambuja. Ao longo do segundo semestre, continuaremos trazendo outros nomes para continuar promovendo essa transmissão de conhecimento e de experiências entre as gerações.
Por essas distintas vias, e como os alunos têm muita curiosidade, eles acabam absorvendo tudo como uma esponja na verdade. Como eu absorvia no meu tempo. Você presta atenção, olha, incorpora, ou não, rejeita, é dessa maneira que se dá a socialização. Depois de um ano eles estão absolutamente prontos para começar a trabalhar.
Clipping: Seguindo até essa linha de compartilhar as experiências, todo diplomata já foi candidato um dia. O senhor foi aprovado em segundo lugar no concurso de 82 e foi também primeiro lugar da sua turma no curso de formação. Fazendo jus ao prêmio Lafayette de Carvalho e ao Prêmio Rio Branco. Na banca examinadora do certame daquele ano estavam figuras conhecidas de quem se prepara para o concurso público hoje, como Amado Cervo, na banca de História Mundial, Aziz Ab’Saber, na banca de Geografia do Brasil, e o Rezek na banca de Direito. Após todos esses anos, que lembranças, anedotas ou mesmo traumas o senhor guarda daquele movimentado contexto de preparação?
Embaixador José Estanislau: Meu processo de preparação foi sui generis, porque foi feito em primeiro lugar com meu irmão, Rodrigo, que hoje é Embaixador nas Filipinas. Nós temos diferença de idade de exatamente um ano e nos preparamos juntos. Mas ele passou na primeira vez e eu passei na segunda tentativa, no ano seguinte. Recebemos ambos o Prêmio Rio Branco em anos consecutivos.
Havia um terceiro candidato que se preparava conosco, nosso colega Orlando Scalfo, já falecido. Nós estudávamos entre amigos. Então para nós havia uma boa dose de prazer. Cada um fazia suas leituras, mas na hora do almoço ou jantar, sentávamos e ficávamos falando sobre História Mundial, que sempre foi minha seara predileta, História do Brasil vinha em segundo lugar. Foi ademais um processo tranquilo, sem traumas, de estudo com regularidade e constância. Não me lembro de ter passado noites em claro, mas de ter estudado todo dia, um número determinado de horas. Se eu tenho uma história para contar, é essa. Eu tive a sorte de me preparar com um grande amigo e com um irmão. Não é todo mundo que tem essa chance. Sou grato. O Orlando também foi reprovado no primeiro ano e entramos juntos na segunda tentativa. Ele entrou em primeiro lugar; eu entrei em segundo.
Outro fato que me chamou a atenção na preparação foi o fato de ter de vir a Brasília. Na época não havia cursinho on-line, como hoje. Eu sou paulistano. Morava na maior cidade do país, onde ficam as melhores escolas do país, mas tive fazer cursinho aqui em Brasília. E na minha turma eram muitos poucos os paulistanos e paulistas. Havia uma concentração muito grande de candidatos de Brasília, não necessariamente nascidos aqui, mas que se prepararam aqui. Outro contingente grande vinha do Rio. Isso já mudou muito.
Clipping: Mas até bem pouco tempo ainda esse fluxo de pessoas vindo para Brasília para estudar ainda era considerável…
Embaixador José Estanislau: Vinham para fazer um dos cursos preparatórios. Mas até isso está mudando. Outro dia eu vi no “Youtube” um vídeo que mostrava que, nessa última turma, vários se prepararam pelo curso on-line. Assisti a uma entrevista com uma das aprovadas, de Juiz de Fora, uma cidade de porte médio. Ela se preparou lá. Há 30 ou 20 anos atrás, uma pessoa que estava em Belo Horizonte, ou Curitiba, ou Porto Alegre, tinha dificuldades de se preparar adequadamente. Mudou muito essa estória.
Clipping: Torna um pouco mais democrático o acesso à preparação, não é?
Embaixador José Estanislau: Acho que os meios de comunicação contribuíram para acelerar um processo que já estava em curso e vinha conduzindo o concurso para uma abertura cada vez maior ao conjunto da sociedade brasileira. O fato de que o concurso hoje em dia seja feito em todas as capitais estaduais e no Distrito Federal também ajudou a democratizar o acesso. Um exemplo: os filhos de diplomatas são hoje em dia contingente reduzido. Na minha turma, e nas turmas da minha geração, eles representavam um porcentual importante dos aprovados. Hoje em dia não. Na turma que entrou nesse ano não há nenhum filho de diplomata. Na turma anterior havia apenas dois.
Clipping: E de que forma as próximas provas do CACD tendem a refletir as novas expectativas que o governo tem para a ação diplomática brasileira? Por exemplo, especificamente no que se refere à ênfase no incremento do comércio exterior brasileiro?
Embaixador José Estanislau: Eu não posso e não devo adiantar o que poderá estar no certame desse ano. Limito-me a dizer o seguinte: sempre há mudanças no concurso, mas se examinarmos sua evolução nos últimos 30, 40 anos, os elementos de permanência são muito mais importantes do que os de mudança.
O concurso do Itamaraty, é óbvio, e é bom que assim seja, tem ênfase em Línguas Estrangeiras, Português, História, Geografia e, em menor grau, Economia e Direito. Isso define o desenho do concurso desde sempre e não muda, porque essas disciplinas são as ferramentas essenciais com que um diplomata deve contar. O que pode se alterar é uma ênfase pontual aqui ou ali. Pode-se, digamos, reequilibrar dentro de uma mesma equação essas disciplinas, com pesos um pouco diferentes. De modo que, sem adiantar nada, posso dizer que o exame tenderá a ser muito similar ao que sempre foi. Desse núcleo de matérias ele não sai. Não tem por que sair.

Clipping: Na prova do concurso de 82, em que o senhor foi aprovado, o tema da dissertação de português, da prova de português, foi “Brasil, um país agrícola”. Curiosamente, uma das primeiras mudanças introduzidas pelo senhor à frente da diretoria do Instituto Rio Branco foi a de promover um contato mais direto dos jovens diplomatas com a realidade do setor agropecuário brasileiro por meio do programa Diplomatas no Campo. Como funciona o programa e qual a avaliação do senhor sobre esses primeiros meses de Diplomatas no Campo?
Embaixador José Estanislau: É verdade. Não lembrava que o tema tinha sido “Brasil, um país agrícola”. Naquela época o Brasil tinha ambições de industrialização talvez maiores do que as que têm no presente. O Brasil é hoje, mais do que em 1982, uma potência agrícola, muito mais.
Esse nome “Diplomatas no Campo” é na verdade uma criação da CNA – Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária. O programa de palestras e visitas a fazendas responde a preocupação maior nossa, que é a de que os diplomatas tenham contato com o setor produtivo brasileiro. Não apenas no que se refere à agricultura, mas também com relação à indústria.
Foi por isso nós montamos um programa de visitas e viagens dos alunos ao campo, organizados em cooperação com a Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária e com o MAPA. Há um outro capítulo que inclui visitar as indústrias, o qual foi viabilizado e estruturado pela Confederação Nacional da Indústria – CNI. Os alunos do Instituto Rio Branco viajaram para três estados brasileiros (Amazonas, Santa Catarina e Bahia) para conhecer a diversificada indústria nacional. Também organizamos dois dias de seminários e palestras no SEBRAE e uma semana inteira na APEX.
O objetivo desse programa multifacetado foi o de fazer com que os alunos, mesmo aqueles que depois não tenham interesse em trabalhar no setor econômico, tenham uma visão de como funciona o setor produtivo brasileiro. É bom lembrar que uma das peculiaridades do Brasil é o fato de que o Itamaraty sempre teve peso importante na formulação e execução da política de comércio exterior e de promoção comercial. Isso não é necessariamente verdade em outros países.
Por fim, não se pode esquecer que a diplomacia não é algo etéreo, algo que exista no vácuo. Ela é feita da defesa de interesses reais. Os diplomatas em geral têm uma inclinação natural para as humanidades e muitas vezes desconhecem por completo como funciona a economia real. Por isso, o conhecimento direto dos alunos com o setor produtivo mereceu tanto cuidado. O feedback que tive deles foi muito positivo, assim como igualmente positivo foi o feedback que recebi das entidades que representam o setor produtivo brasileiro. Era esse o objetivo.
Clipping: Outra inovação introduzida no Instituto Rio Branco foram a disciplina “Defesa, Segurança e Política Externa”. De tantas disciplinas que poderiam entrar no programa, por que a opção por essa disciplina nesse momento?
Embaixador José Estanislau: Entraram várias outras disciplinas. Fizemos algumas adaptações. Por exemplo, Economia era dada em um semestre só; expandimos para dois semestres. Introduzimos uma disciplina de Política Internacional, de dois semestres. Tivemos várias modificações na grade curricular.
Quanto à matéria citada, recordo que fomos procurados pelo Ministério da Defesa que nos propôs, digamos, introduzi-la. É crescente a colaboração e interação entre o Ministério da Defesa e o Itamaraty, inclusive Academia Diplomática, ou seja, o Rio Branco, e as Academias Militares. Os papéis da diplomacia e das forças armadas são distintos, mas convergem para um objetivo comum, que é a defesa do país, a manutenção da soberania no plano internacional
Clipping: Pode-se dizer que a introdução do programa Diplomatas no Campo e também essa disciplina de Política, Segurança e Defesa Externa são novidades afetas ao campo da Geografia e da Política internacional, ou não respectivamente? Paradoxalmente, essas duas disciplinas tiveram o peso reduzido na nota final do concurso. Antes tínhamos uma prova discursiva específica para Geografia outra específica de Política Internacional valendo 100 pontos cada. Agora temos uma prova que mistura Política Internacional e Geografia no valor de 100 pontos. Não haveria uma contradição entre aumentar o peso de temas afetos a essas disciplinas no processo de formação de diplomatas e reduzir o peso desses temas no processo de seleção de diplomatas?
Embaixador José Estanislau: Não vejo as coisas exatamente da maneira como foram formuladas no enunciado da questão. O programa a que a CNA deu o nome “Diplomatas no Campo” não tem nada a ver com geografia, mas antes com a necessidade de que os diplomatas estejam familiarizados com o setor produtivo brasileiro. Da mesma forma, o vetor que motivou a criação de uma disciplina intitulada “Defesa, Segurança e Política Externa” não foi a política internacional, objeto, como já disse, de um novo curso à parte, mas tem a ver com a integração e a interação crescentes entre Forças Armadas e Diplomatas.
Finalmente, não acho que deva haver correspondência ou simetria entre o que se pede no concurso e o que se oferece aos alunos no curso de formação. Uma coisa é o concurso. E outra é o curso de formação. Não reside contradição alguma aí. Reuni-me com os alunos do Instituto Rio Branco mais de uma vez, e uma das críticas mais frequentes que escutei foi justamente a de que se evitasse redundância entre o que se exige na entrada e o que se dá durante o curso. No limite, nada impediria que o concurso pedisse A, B e C e fossem lecionados aqui no curso de formação D, E e F. Não é necessário que haja uma correlação estreita ou uma fórmula matemática que preveja uma equiparação entre as duas etapas. Não acho essa premissa verdadeira. O que não significa necessariamente que Geografia e Política Internacional não mereçam uma prova individual, mas isso é apenas uma especulação. Estou apenas tratando de dissociar as coisas. Há uma tentação de ver as coisas como se fizessem parte de um grande esquema sistematicamente organizado. Prefiro vê-las mais soltas, mais livres. É a minha forma de pensar.
Clipping: Está esclarecido. O ex-diretor do Instituto Rio Branco, André Amado, conta no livro Por dentro do Itamaraty que durante sua gestão quase foi ejetado da cadeira de diretor do Instituto Rio Branco após a exclusão da prova de Francês do concurso. Historicamente, a estrutura da prova de francês e espanhol são as que costumam mais sofrer alterações com a mudança na direção do Instituto Rio Branco. Para ficarmos em um exemplo recente, na gestão do Embaixador Gonçalo de Barros, as provas de francês e espanhol deixaram de ser discursivas para serem de múltipla escolha. Qual a perspectiva do senhor sobre os diversos modelos de avaliação já adotados?
Embaixador José Estanislau: Quando o Embaixador André Amado foi Diretor do Instituto Rio Branco, eu era professor de Política Externa Brasileira e examinador da prova de Português. Conheço-o bem. Naquela época, eu trabalhava na assessoria internacional do presidente Fernando Henrique.
Eu me lembro de uma curiosidade. Era “notetaker” de uma reunião do presidente Fernando Henrique com o Presidente Jacques Chirac, em Paris, em 1996. E eu lembro perfeitamente bem que o presidente francês tinha entre os seus pontos de conversação um que era relativo justamente à eliminação do idioma como prova eliminatória do concurso do IRBr. Eu entendo que ele tenha feito essa observação.
A defesa da língua, da francofonia é peça essencial da política externa francesa. A bem da verdade, porém, o francês nunca deixou de ser uma prova importante no exame. Simplesmente deixou de ser considerada eliminatória durante a gestão do André Amado.
Quanto às mudanças no critério de avaliação, se a prova é discursiva ou de múltipla escolha, são naturais. Mas uma coisa eu preciso deixar muito claro: eu acho que o domínio pleno de línguas estrangeiras é uma prioridade para diplomatas. No caso do Brasil é fundamental, sobretudo porque a nossa língua não é uma língua internacional. O português é falado em alguns países.
Mas não é uma língua amplamente divulgada no mundo. Portanto, o domínio de línguas estrangeiras é essencial aos diplomatas brasileiros, é ferramenta sem a qual não se pode trabalhar. Independentemente do método de avaliação, é prioridade do diplomata saber línguas, a começar pelo Inglês.
Clipping: Esse ano tivemos mudanças profundas também no programa de Ação Afirmativa, que concede, desde 2002, bolsas para candidatos negros e pardos. O que é mais notável nessas mudanças é que as notas no CACD do ano anterior torna-se o critério principal para a seleção dos bolsistas. Qual é a lógica por trás dessas mudanças no programa de bolsas? Por que o Itamaraty optou por usar esses critérios?
Embaixador José Estanislau: Essa é uma conversa longa.
Meu primeiro comentário é o seguinte: o Itamaraty é pioneiro nessa área. O programa de Ação Afirmativa foi criado pelo Itamaraty em parceria com três outros órgãos, em 2002, ainda no último ano do governo Fernando Henrique. Outros parceiros do Programa são a Fundação Palmares, que pertence ao Ministério da Cultura, a Secretaria de Promoção da Igualdade Racial, que é um órgão da Secretaria de Direitos Humanos e o CNPq, que é quem operacionaliza o programa. Essa é uma parceria que foi criada muito antes da Lei de 2014, que criou a reserva de vinte por cento de vagas para negros no concurso. Esse programa foi criado então com esse objetivo de financiar candidatos negros que tinham planos de estudos para prestarem concurso.
Uma primeira crítica que se poderia fazer ao formato do Programa é o da eficiência do gasto público. Ao longo de 14 ou 15 anos, foi um valor muito grande dispendido para o resultado obtido. Havia candidatos bolsistas que receberam a bolsa 5 vezes, sem nenhuma contrapartida. Não havia um acompanhamento muito grande dos candidatos e também, muitas vezes, as bolsas eram dadas para candidatos que talvez não tivessem condições de ser aprovados. Tivemos, em 14 anos de existência do programa anterior, 26 bolsistas aprovados, ao custo individual de cada um, se nós somarmos valor dispendido no programa todos esses anos e dividirmos pelos 26 bolsistas que foram aprovados, um valor aproximado de R$ 400 mil. É mais ou menos esse o valor por candidato aprovado. O que, do ponto de vista de gestão dos recursos públicos, é insustentável.
O segundo elemento que contribui para reformular o Programa foi a Lei de 2014. Nesse ano de 2017, faremos o terceiro concurso dentro dessa Lei. Com a acesso aos negros já assegurado, buscamos otimizar o uso dos recursos existentes, com a finalidade até de aumentar o ingresso de negros. O novo desenho do Programa foi aprovado por todas as entidades que representam o movimento negro fora do Itamaraty, assim como pelo Comitê Gestor de Gênero e Raça do Ministério.
O terceiro fator para a reformulação do Programa são as restrições orçamentárias, que nos afetam a todos nós, a todas as agências públicas.
Qual a principal novidade do Programa de Ação Afirmativa no novo modelo? Todos os anos nós temos um número grande de candidatos que obtêm a média mínima para entrar, mas que não são classificados porque outros tiveram médias mais elevadas. Vários desses são negros, outros não. A ideia é dar a bolsa a esses que não passaram por pouco e que, portanto, já foram testados, para que possam, quem sabe, entrar pela ampla concorrência, com isso até aumentando o número de negros além das quotas.
Foi esse tripé que levou ao novo modelo e que recebeu muitos elogios do próprio movimento negro.
Clipping: Uma das ações menos conhecidas em apoio ao programa Ação Afirmativa é a tutoria diplomática, ou uma espécie de coaching, em que os bolsistas do programa são acompanhados por diplomatas voluntários nos estudos. Como surgiu esse modelo da tutoria e por que o Instituto Rio Branco decidiu retomá-lo?
Embaixador José Estanislau: Na verdade eu não acompanhei o Programa quando foi lançado. Mas havia previsão de que houvesse acompanhamento, monitoramento dos bolsistas, mas não “coaching” desses candidatos. Isso foi implementado num certo momento, mas depois foi abandonado. Não sei exatamente quando.
Nossa ideia é retomar em parte essa prática porque é uma prática boa, por dois motivos: permite verificar se o recurso está sendo bem empregado ou não orientar os estudos do candidato que é bolsista.
Clipping: Recentemente o Itamaraty vem inovando bastante em termos de diplomacia pública, sobretudo nas redes sociais. O Ministério das Relações Exteriores tinha até poucos anos um tradicional programa por meio do qual ele enviava diplomatas de carreira para divulgar o concurso nas principais capitais. Na sua avaliação, a eficiente presença do Ministério nas redes sociais tornou obsoleta essa divulgação corpo a corpo?
Embaixador José Estanislau: Nunca pensei muito bem sobre essa questão para ser muito honesto. Mas, obsoleto, o corpo a corpo nunca é. Nada substitui a presença física e pessoal. Aliás, por esse motivo estou dando entrevista presencialmente a vocês, porque acho que com isso eu alcanço o público interessado e isso é importante.
Por outro lado, o universo limitado de pessoas que se pode alcançar versus o custo envolvido em cada contato pessoal requer o uso de redes sociais. Vamos supor que o IRBr enviasse diplomatas a cada estado brasileiro para divulgar o concurso. O custo com passagens e diárias para atingir um público reduzido seria muito elevado. Os interessados no concurso já vão aos cursinhos especializados, leem os blogs especializados, vão à página do Itamaraty. Nós, esse ano, criamos uma página do Instituto Rio Branco no Facebook. Está ainda no primeiro mês, mas está com muitos acessos. Quando for lançado o concurso desse ano, evidentemente nós esperamos que aumente muito o número de acessos. No fundo é muito mais eficaz do ponto de vista custo-benefício. No entanto, sempre que sou procurado por alguém, um conhecido de um conhecido, atendo sem hesitar. Sempre que tenho chance de falar sobre o concurso, não a desperdiço. Todos aqui no IBRr encaramos isso como missão.
Clipping: Temos aquela frase clássica de Azeredo da Silveira de que a melhor tradição do Itamaraty é saber renovar-se. Essa máxima, de diferentes formas, é muito comumente invocada nos discursos oficiais para falar dos esforços do Itamaraty para modernizar-se e atender e acompanhar as mudanças do mundo. Mas como abrir espaço para inovação e mudança em uma carreira profundamente marcada pela hierarquia e pela tradição?
Embaixador José Estanislau: É verdade. Essa frase do chanceler Silveira é muito citada porque essencialmente é uma boa frase. É uma frase que concilia tradição e inovação. Ele encontrou uma forma muito feliz de se expressar a respeito. Eu diria que a carreira está se renovando. Tomo como pulso da situação o Rio Branco, que é a porta de entrada para a carreira. Mudou o perfil do diplomata que está entrando hoje em dia no Instituto.
Eles vêm de diferentes partes do Brasil, em primeiro lugar, quando antes se concentravam nas famílias do Rio. Vejo até pelos sobrenomes. Se se analisarem os sobrenomes dos candidatos atuais e os de duas gerações atrás, é fácil dar-se conta de que o Itamaraty passa cada vez mais a representar as verdadeiras cores do país. Há pessoas com sobrenomes que refletem a diversidade brasileira.
Descendentes de europeus, de eslavos, de sírios, libaneses, japoneses, judeus, passaram a conviver com sobrenomes de famílias portuguesas, que já foram maioria esmagadora no Itamaraty, quase que 100% do Itamaraty. Os novos diplomatas vêm de classes sociais muito diferentes. E nos últimos anos mudou também a cor. Se você pegar uma foto de turma do Rio Branco atual e uma foto de turma do Rio Branco de 20 anos atrás, mudou a cor dos alunos na média.
Dentro da tradição, as coisas vão, em suma, mudando, sem que se abra mão da hierarquia. Cadeia de comando existe em todas as organizações, privadas e públicas. Mas não há, eu posso estar enganado, posso estar refletindo a minha experiência, mas não há abuso de autoridade. Enfim, acho que o desafio de modernizar a carreira existe e está colocado pra nós, não só no Rio Branco, mas para todos os chefes e para todos que exercem uma posição de liderança.
Há uma outra coisa que queria dizer sobre a mudança de perfil. Hoje em dia as mulheres têm participação cada vez maior na gestão do Itamaraty. O número de embaixadoras hoje em dia é incomparavelmente maior do que existia quando eu entrei, e muitas vezes ocupando posições importantes. Então tudo isso significa modernização. Se estamos em sintonia com o resto do Brasil em termos de modernidade, é complicado responder. Mas há um esforço permanente.
Clipping: Bom… uma pergunta que talvez não possa responder, mas… há alguma previsão para o edital?
Embaixador José Estanislau: Há uma previsão de que o concurso saia esse ano. Isso é o que eu posso dizer.
Clipping: Embaixador, não poderíamos deixar de falar um pouco sobre sua atuação como encarregado de negócios em Damasco, em 2013. Em plena guerra civil, o senhor foi um dos responsáveis pela logística do plano de retirada de cerca de 400 XXX, que moravam na época e que ainda residiam na Síria. Como o senhor recebeu essa missão e quais foram os desafios de atuar em cenário de administração de crise?
Embaixador José Estanislau: Isso é todo um capítulo à parte. Na verdade, eu cheguei a Damasco como Encarregado de Negócios em setembro de 2013, vindo de quatro anos de Genebra e três anos de Dinamarca. Era um mundo completamente diferente. Mas tive a sorte de ter lá o Encarregado de Negócios anterior, o Secretário Bruno Carrilho, que eu trouxe agora para o IRBr e está do meu lado hoje. Ele foi quem tornou a minha vida muito mais fácil quando eu cheguei à Síria.
Cheguei logo depois do grande ataque de armas químicas em Ghouta, nos arredores de Damasco. Ghouta é uma uma vasta área de planície, de plantações. Houve ali um ataque de armas químicas, com grande número de vítimas civis. Foi quando o presidente Obama foi muito criticado por não ter feito cumprir “a linha vermelha” que estabelecera de retaliar com uso da força em caso de emprego de armas químicas. Naquele momento, diante da possibilidade de uma retaliação norte-americana ou ocidental, todas as embaixadas na Síria estavam fazendo planos de contingência para evacuar seus nacionais, não só a brasileira.
Quem tinha feito esses planos, no caso da embaixada brasileira, previamente à minha chegada, foi o Secretário Bruno. Nós validamos os planos e tivemos a sorte de não precisar utilizá-los, pois não se consumou a ameaça de um ataque dos EUA. Os britânicos também levaram a questão da intervenção ao parlamento em Londres que disse não; os franceses, que tinham um ânimo maior para intervir, resolveram, diante da recusa americana e britânica, não se lançar numa aventura sozinhos. Foi quando se encontrou a solução diplomática, proposta pelos russos, de desmantelar o arsenal de armas químicas sírias.
Nossa embaixada em Damasco nunca foi fechada. Os funcionários do quadro do serviço exterior, do serviço de carreira, foram todos evacuados para Beirute em meados de 2012. Mas a Embaixada sempre foi mantida com um grupo de funcionários locais, alguns dos quais com dupla cidadania síria-brasileira
O desafio que nós tínhamos era o de, morando em Beirute, ir a Damasco para manter a moral, conversar com os brasileiros, com os funcionários, fazer visitas aos colegas diplomatas de outros países que viviam em Damasco. Era um momento de muita violência do conflito nas redondezas de Damasco, mas íamos para lá com regularidade, por via terrestre, pela estrada. Era um risco calculado. Procurávamos ir num momento em que houvesse uma possibilidade menor de ataques de rebeldes. Esses ataques normalmente eram feitos por morteiros ou foguetes. Em geral não muito precisos. Foguetes pequenos, quase que artesanais. Mas, se caíssem no lugar em que você estava, “that would be the end of it”.
Havia uma outra missão importante para a embaixada, que era a de dar os vistos humanitários aos refugiados sírios. O CONARE – Conselho Nacional de Refugiados – adotou em setembro de 2013 uma resolução que permitia oferecer aos sírios afetados pelo conflito vistos facilitados para o Brasil. Aí nós tivemos que montar toda uma operação para entrevistar e dar os vistos. Foi um dos trabalhos mais complexos que já ajudei a implementar. Hoje em dia, os sírios formam o maior contingente de refugiados legalmente reconhecidos pelo Brasil.
Posso dizer que esse período me fez modificar muito a percepção da importância dos postos mais difíceis. Até então nunca tinha servido num posto difícil. E passei a apreciar e valorizar muito os colegas que estão trabalhando em postos com esse perfil. Porque não é fácil você estar lá, muitas vezes sozinho ou com um grupo pequeno de colegas. Brasília é muito longe e tem recursos limitados, e você está lá, levantando a bandeira do Brasil. Felizmente, na Síria, a bandeira do Brasil era muito apreciada.
Lembro-me de um episódio curioso, em 2014, durante a Copa do Mundo, depois que o Brasil perdeu de 7 a 1 para a Alemanha. Os sírios e os libaneses adoram futebol, mas não têm equipe nacional na Copa. Então eles torcem para outras seleções e se dividem entre as favoritas. Não torcem para perdedor, não. Torcem para ganhador. Eles torcem para países como Alemanha, Argentina, França, Itália, Brasil. Num dia logo depois da derrota do sete a um pra Alemanha, eu tinha uma viagem marcada para a Síria e fui. Havia ali nas barragens de controle de segurança, já em território sírio, com os soldados fortemente armados, um que me conhecida e sempre me cumprimentava. Pois bem, ele parou o carro, já conhecia o carro do Brasil, e disse em árabe, em tom sério, para o motorista, que me traduziu: “Embaixador, por favor, nos dê um time melhor na próxima copa porque nós torcemos para o Brasil contra a Alemanha, e realmente não deu nem para a saída”.
O soldado sírio, armado até os dentes, veio reclamar para mim do time do Brasil, mas com uma enorme simpatia. O ponto que estou levando ao contar essa estória é a simpatia que o Brasil desperta nesses lugares. Sendo um representante do Brasil eu não era alvo. Pelo contrário, ao dizer que era brasileiro, se abriam portas. Muitas vezes havia um sorriso. O momento na Síria foi muito especial na minha vida. Gostei muito.
Clipping: Tenho certeza que essa experiência, além de informar vai inspirar muitos candidatos.
Embaixador José Estanislau: Eu espero que sim. Quando entrei no Itamaraty o destino natural dos diplomatas era começar a carreira por um percurso que mesclava as Américas e a Europa. Em geral, o diplomata começava com posto nos Estados Unidos ou na Europa. Depois, como segundo posto a América Latina. Era uma tradição brasileira. Pouco a pouco, a dimensão africana foi crescentemente sendo integrada entre as escolhas. A Ásia era vista como algo um pouco mais distante, com exceção dos países mais importantes, Japão sobretudo, também pela presença da imigração japonesa.
Hoje em dia é importante que os jovens diplomatas, quando entram na carreira, tenham perspectivas de atuação em qualquer parte do mundo. Brasil tem missões e postos em todos os países do mundo.
Clipping: A gente costuma terminar nossas entrevistas com um bate bola rápido.
1. Um livro de cabeceira
Eu não tenho um livro de cabeceira, mas se eu tivesse que escolher, teria dois livros de cabeceira, um de ficção e um de não-ficção. Eu gosto muito de história e dos historiadores britânicos. Há dois ou três que são meus prediletos, mas eu ficaria com Tony Judt, de quem li muita coisa. O livro de memórias, publicado em 2009 ou 2010, chamado ‘O Chalé da Memória’, é obra à qual eu volto sempre. Ele já estava doente, com doença degenerativa, quando escreveu o livro, que é um panorama, através de sua trajetória pessoal, da história do século 20. Ele era inglês e judeu. Morou em Israel, morou nos Estados Unidos e é um historiador da Europa do Leste. Tudo isso aparece. Ele é comparável a Eric Hobsbawm, outro historiador de que gosto muito. Mas ainda prefiro a escrita do Tony Judt, que tem um texto mais agradável, às vezes quase literário. O Chalé da Memória é uma obra-prima. Ler o original em inglês, “The Memory Chalet”, é melhor ainda.
E se eu tivesse que escolher um livro de ficção, ficaria com outro livro escrito na língua inglesa, mas por um autor norte-americano: ‘A Pastoral Americana’, de Philip Roth. É uma saga também do século 20, um retrato de Newark, New Jersey, através de três gerações. Uma família que vai da ascensão à queda. Mistura ficção, dos personagens, com observações sobre as transformações na realidade norte-americana. Philip Roth é de Newark. Portanto é um lugar que ele conhece extremamente bem. É um livro extraordinário. Poderia escolher outros também do mesmo autor. Mas esse eu o reli pela terceira vez recentemente. Tenho o hábito de reler livros.
2. Um diplomata
Rubens Ricupero, um dos que mais me marcou. Foi meu chefe diversas vezes na carreira. Meu primeiro contato com ele foi como professor assistente dele aqui no Rio Branco. É um homem que continua com uma vida intelectual muito rica. Para mim é um exemplo pessoal e meu amigo. É um privilégio ser amigo dele.
3. Um lugar em Brasília
Eu acho o Palácio Itamaraty muito bonito. É o lugar de Brasília de que eu mais gosto. E nós devemos, em grande parte, ao embaixador Wladimir Murtinho, ex-diretor do Instituto Rio Branco no meu tempo e por acaso um grande amigo do Ricupero. O Murtinho transmitia para nós uma alegria de viver, um entusiasmo pela profissão. E Palácio do Itamaraty, que completou 50 anos atrás, agora um mês atrás, deve muito ao embaixador Murtinho.
4. Um momento marcante na história recente do Itamaraty
A campanha vitoriosa do Embaixador Roberto Azevêdo à Direção-Geral da OMC, em 2013. Eu estava na OMC, eu era segundo na missão brasileira. Nós fomos colegas de turma do IRBr, o Roberto Azevêdo e eu. E a vitória dele foi uma lição de diplomacia, foi uma campanha extremamente bem conduzida. Os méritos podem ser igualmente creditados a ele como candidato e ao Brasil como ator diplomático.
5. Um bom hábito que um diplomata deve cultivar
Ter curiosidade pelas coisas, ter curiosidade. Ter curiosidade pelo mundo sobretudo. E olhar para o outro com empatia, tentar se por no lugar do outro. Fazer diplomacia passa frequentemente por tentar se colocar no lugar do outro.
Curtiu a entrevista, deixe seu comentário abaixo e ajude a gente a divulgar, compartilhando!
Formatura dos alunos Instituto Rio Branco: fotos, fatos e o que rolou
Rolou o dia do diplomata e como todo dia do diplomata é dia também da cerimônia da turma de alunos do Instituto Rio Branco. Isso quer dizer que chegou aquela época do ano de abrir o Face e sentir aquela inveja boa, ao encontrar muitos rostos de colegas de estudo estampando a foto da cerimônia de formatura do MRE. É um dia mágico não só para quem está se formando, mas também para quem está na labuta por uma vaga no Instituto Rio Branco É extremamente motivador ver as fotos e sobretudo entender as mensagens sutis que rolam nesse rito de passagem. Se você conhece um amigo que está precisando de uma motivação, compartilhe com ele o post clicando aqui neste link http://bit.ly/comparilhar-post
O post está divido assim:
1. Por que estão formando 2 turmas juntas?
2. Fotos e fatos sobre as turmas
3. Quem ganhou medalhas e prêmios
5. A mensagem do Paraninfo (importante para candidatos)
6. Mais sobre a cerimônia e a carreira
1. Por que 2 turmas do IRBr estão formando juntas?
Esse ano 2 (duas) turmas formarão na mesma data. Por quê? Bom não sei se você lembra, mas a plena véspera do dia do diplomata. O quadro era mais ou menos esse:
O centro das atenções era o drama do impeachement, cujo enredo atingia seu clímax justamente na véspera do Dia do Diplomata. Ou seja: não havia clima, nem Presidente para encabeçar nem com cabeça para a cerimônia, certo? E vale lembrar que a cerimônia de formatura não é qualquer cerimônia envolve presença de diversas autoridades além do Presidente. E lembrando também que logo em seguida tem a entrega das medalhas da Ordem do Rio Branco, etc e tudo isso demanda um esforço logístico considerável que simplesmente não tinha como ocorrer naquele momento.
Embora nem Itamaraty nem o Planalto tenham oficialmente se manifestado nesse sentido, não seria irrazoável supor que essa é uma das razões, senão a razão principal, pela qual se formam esse ano 2 turmas em uma mesma cerimônia.
Tá, Clipping, mas cadê a fotinha da galera? Mostra logo…
Vamos lá…
2. Fotos e fatos das Turmas
Vamos às turmas que vão se formar juntas:
A Turma de 2014-2015 foi informal e carinhosamente apelidada como a turma dos 18 do Forte, em virtude das reduzidas 18 vagas que foram ofertadas naquele ano. Ela é na verdade é composta não por 18, mas por 19 alunos dos quais 7 são mulheres. Vale aqui lembrar que essa turma fez história por acumular 2 recordes: o de ser a menor turma e, em contrapartida, o de ter o maior percentual de mulheres na história do Itamaraty. Os formandos do 18 do Forte escolheram como homenageado o cardeal Paulo Evaristo Arns, responsável por um significativas iniciativas em prol dos direitos humanos e da justiça social no Brasil. Observe a galera do #18doForte e identifique o erro na foto abaixo:

Já a Turma de 2016-2017 é composta por 29 formados e também faz história. Ela é a primeira turma a reservar 20% das vagas a negros, nos termos da Lei 12.990. Essa turma escolheu homenagear Bertha Lutz, que foi membro da delegação brasileira à Conferência de São Francisco e responsável direta pela inclusão da igualdade de direitos entre homens e mulheres.

3. Quem ganhou medalhas e prêmios
Outro destaque da cerimônia de formatura é a entrega da medalhas. Anualmente, o prêmio Lafayette de Carvalho de Silva é concedido aos Secretários que passaram nos dois primeiros colocados no Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata. E há também o prêmio Rio Branco concedido aos que lograram o primeiro lugar e segundo não no concurso, mas no Curso de Formação. Totalizando, portanto 8 premiações.
Veja como rolou a premiação nas fotos (todas elas creditadas ao MRE)





4. O que os formandos falaram…
Outro ponto alto e de destaque da cerimônia ficou por conta dos Oradores, João Soares Viana Neto (pela Turma Bertha Luz (2015-2017) e pela Oradora Camilla Neves Moreira (Turma Dom Paulo Evaristo Arns (2014-2016).
Como o Clipping disse acima, tudo na cerimônia de formatura se reveste de simbolismo. E é especialmente simbólico o fato de que no discurso da Oradora Camilla Neves Moreira o mote de abertura do discurso escolhido pela Oradora Camilla Neves Moreira tenha sido a ocupação dos espaços no quadro diplomático pelo mulher brasileira, uma temática que vem moblizando hearts and minds não só dentro como fora do Itamaraty
No julgamento da pretensão de Maria José Rebello Mendes a ser admitida como diplomata, em 1918, consta a frase: "Não sei se as mulheres desempenhariam com proveito a diplomacia. Melhor seria, certamente, para o seu prestígio que continuassem a direcção do lar”. Hoje, as diplomatas representam 22 por cento do quadro de nosso Ministério e 40 por cento da nossa Turma, um recorde que esperamos seja logo superado – Discurso da oradora Camilla Neves Moreira, por ocasião do dia do diplomata
Alguns nomes citados no discurso da oradora Camilla Neves:
- Maria José Rebello Mendes (primeira diplomata brasilera)
- Embaixador Gonçalo Mourão (Ex-Diretor do Irbr)
- Embaixador Maurício Lyrio (professor Irbr)
- Conselheiro Braz Baracuhy (professor Irbr)
- Saide Saboia (Oficial de Chancelaria homenageada)
É interessante notar que essa mesma temática é invocada na simbólica do discurso do Orador João Soares Viana Neto, da outra Turma:
Bertha Lutz soube ocupar espaços e trazer o novo. Filha do século XIX, ajudou a modelar o século XX. Bióloga, fez-se jurista. Quando a mulher casada era relativamente incapaz para os atos da vida civil, foi deputada. Quando os vencedores da Segunda Guerra reuniram-se em São Francisco para desenhar o futuro, fez-se diplomata, representou o Brasil numa conferência na qual 97% dos delegados eram homens e foi a responsável pela inclusão da igualdade de direitos entre homens e mulheres no preâmbulo da Carta da ONU. – Discurso do orador João Soares Viana Neto, por ocasião do dia do diplomata
Destaque também para a inclusão nas falas de outros temas relacionados a inovação, como Diplomacia Pública, a promoção das viagens pelo Brasil, inovação capitaneada pelo Diretor do Instituto Rio Branco José Estanislau. Alguns nomes citados pelo orador João Soares em seu discurso foram:
- Embaixador José Estanislau (Diretor atual do Irbr)
- Embaixador Samuel Pinheiro Guimarães (ex-professor Irbr)
- Conselheiro Bruno Carneiro Leão (em memória)
- Thaís (Oficial de Chancelaria homenageada)
Vale a pena conferir esses discursos incríveis na íntegra.
5. O Paraninfo e o que ele disse.
O Paraninfo de ambas as turmas foi o Embaixador Sérgio Danese, atual Embaixador do Brasil na Argentina. O Discurso do Embaixado Sérgio Danese merece aqui destaque pois, de certa forma, ele sintetiza de forma muito elegante, algo para o que muitas vezes tentamos chamar atenção aqui no Blog que é a necessidade de se enxergar a carreira para além dos clichés e da mistificação que existe em torno dela. Nas palavras do paraninfo
Vocês escolheram ser diplomatas e fizeram muito para chegar até aqui. Sabem que essa escolha tem motivações profundas no seu ser – motivações que é preciso compreender e ter em mente. Não se escolhe esta vida errante e agitada, esta cidadania itinerante do mundo, com as suas peculiaridades, distâncias, sacrifícios e incertezas, sem que algo muito poderoso, interior, nos esteja a motivar e empurrar. E não se escolhe esta carreira com a ilusão dos muitos clichês que a cercam, dos lugares comuns que apenas traduzem a ignorância do que é a verdadeira diplomacia.
(…)
A diplomacia engendra imensa responsabilidade, antes de tudo perante vocês mesmos e o Estado, mas também perante aqueles que lhes são próximos, a família, os amigos, o companheiro ou companheira que os segue com amor nessa vida errante, os filhos que nascerão itinerantes em uma vida de itinerâncias, em que quase nada se repete, onde a mudança tem a primazia e em que a diversidade e a constante variação amparam, completam e dão sentido à vida.
(…)
Abracem essa carreira como a sua própria identidade, com naturalidade, com a serenidade que vem da boa convicção. Não se deslumbrem, nunca. O deslumbramento é a toxina que envenena o diplomata e corrompe-lhe a existência. Combatam com a força e a competência do seu trabalho os clichês que ainda teimam em rodear uma carreira à qual, em geral, os países devem muito. O Brasil, certamente.
(…)
Pensem na instituição, no nosso Itamaraty, uma das mais sólidas e reconhecidas chancelarias do mundo, com 200 anos de bons serviços prestados à Nação brasileira, como a sua própria Casa. Lembrem-se de que é na fortaleza institucional que nós nos realizamos individualmente. Nós só seremos respeitados como diplomatas, oficiais e assistentes de chancelaria se vivermos em uma Casa querida e amparada pelos seus.
(…)
E essa Casa sempre recompensa a lealdade, a dedicação e o jogo honesto.Discurso do Paraninfo, Embaixador Sérgio França Danese, por ocasião da cerimônia de formatura das turmas
É um dever também do candidato que aspira a ser diplomata o constante de entender o que é a carreira para além dos clichés. Nesse sentido, o discurso do Paraninfo, é um excelente ponto de partida para quem ainda não fez esse dever de casa.
6. Mais sobre a Cerimônia e a Carreira Diplomática
Há muito ainda a ser dito sobre esse rito de passagem que é a cerimônia de formatura. Mas se continuassemos esmiuçando todo o simbolismo e toda a tradição que envolvem as Cerimônias de Formatura acabariamos extendendo esse post além da conta. Além disso, para continuar falando sobre isso, o Clipping deveria que copiar muita coisa de um livro muito interessante sobre isso.
Dessa forma, para quem quiser saber um pouco mais sobre os ritos do IRBr em geral. Fica a dica>>>
"O que é isso?" você deve estar se perguntando… Esse é o incrível trabalho de Cristina Patriota de Moura sobre o IRBR, é um livro bastante conhecido sobre a carreira diplomática. Você pode dar uma lida nos trechos gratuitamente disponibilizados acima. Gostando do que viu, vale a pena comprar aqui. Afinal, é uma daquelas leituras motivação que tanto precisamos nessa época de início do ciclo para o CACD 2017.
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Mestrado no exterior: o que você precisa se perguntar antes de embarcar nessa.
Mestrado no exterior: vale a pena? Relações internacionais e diplomacia não são sinônimos. Pode parecer óbvio, mas há quem ainda entenda as duas coisas como uma só. O resultado dessa equivocada é que o Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD) é muitas vezes visto como a única porta de entrada para uma carreira internacional. Não é! O universo das carreiras internacionais vai muito além do Itamaraty. Há várias carreiras internacionais para além da carreira de diplomata e uma pós graduação ou especialização muitas vezes representa uma porta de entrada para muitas delas.
Mas será que o mestrado realmente ajuda na aprovação no concurso da diplomacia? Vamos explorar um pouco essa dilema?
Dividimos o post assim:
1. Mestrado: vale a pena fazer?
2. Mestrado no exterior: pós e contras
3. Decidi fazer um mestrado no exterior: mas onde?
4. Os processo seletivo: como funcionam?
5. Saindo da zona de conforto para fazer um mestrado fora
6. Bolsas de estudo: onde encontrar?
7, Carreiras internacionais: que mundo é esse?
8. Conclusões sobre fazer mestrado no exterior
Vamos lá ao conteúdo desse artigo?
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1. Mestrado: vale a pena fazer?
Antes de falar sobre mestrado no exterior, é preciso fazer algumas considerações sobre mestrados em geral.
Por uma série de razões, muitos candidatos ao Concurso de Admissão à Carreira de Dipomata (CACD) acabam em algum momento apostando em um mestrado. Uma delas é que apesar do aprendizado que se adquire nos anos de estudos para o CACD, esse período de estudos não é oficialmente valorizado. A cruel realidade é que, acadêmica ou profissionalmente, você não está exatamente avançando se está “só estudando para o CACD“. Pelo menos é isso que muitos candidatos ao concurso da diplomacia relatam pensar e sentir… Você não ganha diploma de “quarto secretário” e ninguém te contrata só por que você conseguir atestar anos de experiência no Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD), certo? Por essa e por outras, um mestrado é visto com atrativo para dar um boost no seu currículo e abrir portas tanto no âmbito acadêmico quanto no âmbito das diversas carreiras internacionais que existem para além da diplomacia.
Mas Clipping, será que o mestrado fora realmente ajuda na aprovação no concurso da diplomacia?
Aí já é um outro assunto… Pode ajudar, sim. Mas não necessariamente. Existem alguns aspectos do seu mestrado (independente se feito no Brasil ou fora) que podem servir como preparação para o concurso também. Mas em geral esse aproveitamento do mestrado para o CACD acaba sendo muito incidental. Antes de mergulhar nessa tema para lá de polêmico, vale ter em mente alguns dados

Que curioso Clipping, isso então quer dizer então que um 1/3 dos candidato que passam tem já mestrado ou doutorado?
Não, não é isso. O que ocorre é que, considerando esses número de diplomatas com mestrado, pelo menos a metade deles concluiu a pós-graduação após tomar posse, geralmente de 05 a 15 anos após a posse (mais sobre esses dados e a interpretação sobre eles você encontra no artigo Alma mater diplomática: a formação acadêmica dos diplomatas brasileiros ). Esse dado demonstra que não há uma relação direta e óbvia entre aprovação no concurso da diplomacia e o domínio acadêmico profundo de um determinado tema adquirido em uma pós-graduação.
Se é verdade que
Um especialista sabe o máximo do mínimo. Um generalista sabe o mínimo do máximo.
O CACDista está mais para um generalista. O concurso cobra muito mas um conhecimento “horizontalizado” sobre uma gama variadíssima de temas do que um conhecimento “verticalizado” sobre um número limitado de questões. Nesse sentido, um mestrado ou um doutorado é, a princípio, algo que vai contra a lógica tendência generalista do concurso. Ademais, o pragmatismo nos estudos e o foco na banca (que é o que realmente conta) apenas se adquire com estudo específico para o CACD. Paradoxalmente, não é raro que candidatos com mestrados ou doutorado tirarem em questões discursivas que versam sobre seus temas de teses notas inferiores à média dos demais candidatos. Nesse sentido, a relevância de um mestrado ou doutorado para o concurso tem uma importância muitas vezes sobrestimada na perspectiva de grande parte dos candidatos.
Ah Clipping, isso quer dizer que não vale a pena eu fazer uma pós-graduação?
Isso não quer dizer, de forma alguma, que não seja interessante você fazer uma pós. O que o Clipping está tentando te dizer é que outros critérios além do um mestrado me ajuda no CACD devem ser colocados na balança. Nossos parceiros do Estudar Fora e do Na Prática fizeram isso de forma muito aberta e honesta nesse vídeo. Antes de seguir para os outros tópicos do post, confira aqui

Vamos agora destrinchar isso melhor agora, ao falar com destaque agora para os mestrados no exterior (que é o foco deste post)…
2. Mestrado no exterior: pós e contras?
Nesse post, vamos focar na questão dos mestrados no exterior.
Línguas: ganho garantido?
Para fins de CACD, mestrados no exterior tem um ganho indiscutível: o avanço nas línguas exigidas pelo concurso. Em Genebra, por exemplo, muitas disciplinas dos mestrados são ministrados em inglês, mas a sua vida cotidiana orbitará em torno do Francês. Boa parte dos cursos de pós-graduacao no exterior seguem esse lógica cosmopolita de oferecer parte das disciplinas em Inglês. Esse é definitivamente um ganho por uma série de razões.
O Clipping já vem falando há muito tempo sobre como a prova de línguas (Inglês, Francês e Espanhol) tem se tornado cada vez mais decisiva para o cálculo da nota final. Mas isso não é tudo. Se consultarmos candidatos recém-aprovados no concurso e que fazem agora o seu treinamento no Instituto Rio Branco, boa parte deles confessarão que a parte mais pesada do curso de formação no Instituto Rio Branco são as aulas de línguas. Não é por acaso que os candidatos premiados anualmente com maiores notas no curso de formação de diplomatas do Instituto Rio Branco geralmente são candidatos que tiveram em algum momento experiências de imersão no exterior que o conferiram eles um excelente domínio de línguas. Nesse sentido, um investimento em um mestrado no exterior é um investimento com retorno garantido não só no concurso, mas para a própria carreira que se seguirá.
Muitas perguntas, poucas respostas
Da mesma forma que o início da preparação para o CACD, a preparação para um mestrado envolve planejamento e perguntas do tipo “paro de trabalhar só para estudar? “, “consigo pagar pelos cursos e livros? “, etc. Você precisa se questionar sobre se essa é opção faz sentido para você hoje. Como fará para financiar esse tempo, que pode durar de um a dois anos, no geral. Muitas perguntas e poucas respostas… No entanto, quem pretende fazer um mestrado no exterior precisa se deter sobre franqueza absoluta nessa auto-análise.

Assim como a carreira diplomática, o mestrado no exterior é algo em torno do que existe uma indevida glamourização. Os riscos de se frustrar ao não cruzar suas expectativas individuas com aquilo que instituições estrangeiras realmente oferecem são altos.
Para encarar até o fim um mestrado no exterior, você vai precisar de motivações mais profundas do que meramente “passar um tempo fora do Brasil” ou “ganhar status acadêmico”. Se você está considerando um mestrado ou doutorado, você está prestes a se debruçar durante meses ou anos sobre um tema bastante específico. Parece óbvio dizer isso, mas antes mesmo de buscar a instituição é preciso buscar uma linha de pesquisa que realmente toque seu coração: Diretos Humanos? Comércio internacional? Desenvolvimento? É preciso avaliar com cuidado a grade curricular de cada curso oferecido (ela é coerente com seu objeto de pesquisa?); pesquisar com atenção sobre os professores (o que eles escreveram te inspira?) ; as linhas gerais dos posicionamentos ideológicos dessas universidades.
Vale lembrar que grande parte dos processos seletivos para mestrados no exterior dão grande peso à motivação do candidato e à coerência da escolha do curso com o histórico profissional e acadêmico candidato (vamos falar sobre o processo seletivo adiante).
Por essa e por outras, é importante entender suas reais motivações para buscar fazer uma pós no exterior. Pergunte-se o seguinte:
Ganhar fluência em línguas e me aperfeiçoar para o CACD: são só essas 2 coisas que procuro no mestrado
Se sua resposta for à pergunta acima for SIM, você provavelmente está indo para um mestrado no exterior pelo motivo errado.
3. Decidi fazer um mestrado no exterior. Mas onde?
Na hora de escolher para onde ir, vale ter em mente quais são os mais consagrados cursos de mestrado, sobretudo na área de relações internacionais (que é de longe a favorita dos candidatos ao CACD!). Alguns países, como Estados Unidos e Inglaterra, são reconhecidos por concentrarem os maiores centros de excelência acadêmica e, por consequência, boa parte das linhas de pesquisa mais disputadas para quem é da área de Relações Internacionais. Há dezenas e dezenas de rankings em que são arroladas as instituições mais procuradas. Esses ranking variam de acordo com a metodologia adotada para classificação, variam também de ano para ano.
Abaixo fizemos um breve top 5, com base no QS World University Ranking de 2016 publicado no The Guardian.

Onde fica? –> Massachussets, EUA.
Como é? –> Harvard é a universidade privada com maior dotação financeira do mundo. E esse recorde não vem por acaso… O custo anual médio para um estudante de graduação em Harvard no ano letivo gira em torno da bagatela de US$75.000. Sete presidentes dos EUA graduaram-se em Harvard, como Roosevelt, JFK e Barack Obama. Entre outros nomes influentes egressos das fileiras de Harvad estão Bill Gatese Mark Zuckeberg.
Onde saber mais? –> Harvard tem um Escritório específico para informar candidatos e estudantes estrangeiros, ver aqui no link.

Onde fica? –> Oxford, Inglaterra.
Como é? –> A universidade de Oxford é a mais antiga das universidades de língua inglesa. Ao contrário de outras universidades não tem um campus. O complexo da universidade é composto com dezenas de colégios espalhados pela cidade. Se estiver visitando Oxford, evite a gafe básica comum cometida por turistas que chegam perguntando: onde fica o campus?
Alunos famosos –> Bill Clinton, Tony Blair, C.S.Lewis (autor de Crônicas de Nárnia), J.R.R Tolkien (autor de Senhor dos Anéis), Oscar Wilde, Lewis Carroll (Alice no País das Maravilhas).
Onde saber mais? –> Veja mais sobre o processo de entrada aqui no link

Onde fica? –> Londres, Inglaterra.
Como é? –> Conhecida como LSE. A Escola é reconhecida como a principal universidade especializada nas ciências sociais do mundo. Embora esteja no terceiro lugar geral do ranking, é a primeira no critério “research impact”. Ou seja: considera-se que as pesquisas e teses produzidas na London School of Economics são as de maior potencial.
Alunos famosos –> George Bernard Shaw, Karl Popper, Anthony Giddens, Friedrich Haye.
Onde saber mais? –> Ver mais sobre a London School of Economics (LSE)

Onde fica? –> Paris, França.
Como é? –> O L’Institut d’études politiques de Paris (IEP de Paris), mais conhecido como SciencesPo, é um centro de excelência em matéria relacionadas a ciências sociais e relações internacionais conhecido também por sua vocação ecumênica e cosmopolita. Nada menos do que 46% do quadro de alunos são estudantes estrangeiros, representando cerca de 150 diferentes países.
Alunos famosos –>Marcel Proust, Christian Dior, Pascal Lamy (ex-diretor da OMC), Boutros Boutros Ghali (ex-Secretário Geral da ONU)
Onde saber mais? –> Ver mais aqui sobre a SciencesPo

Onde fica? –> Cambridge, Inglaterra.
Como é? –> A Universidade de Cambridge rivaliza com Oxford pelo título de melhor universidade do Reino Unido. Conhecida pelo recorde de ter entre seus alunos o maior número de prêmios Nobel.
Alunos famosos –> Stephen Hawking, Isaac Newton, Keynes, Bertrand Russel, Vladimir Nabokov, Hugh Laurie (protagonista da série Dr. House), entre muitas outras personalidades renomadas.
Onde saber mais? –> Ver mais aqui sobre a Universidade de Cambridge
— Ver o restante do ranking das top 25 instituições para Relações Internacionais aqui neste link —
Ainda assim, aqui vai a dica mais valiosa: não fique só em reputação dessas instituições e desses rankings. Se você já estuda relações internacionais, consulte seus professores quais são as instituições internacionais que eles consideram as mais promissoras para mestrados no exterior na área. A escolha da instituição deve ser feita com critério e muita paciência. Não opte por se candidatar a um curso de determinada universidade só porque ela encabeca a lista das top acima ou lago do tipo. Vale lembrar que mesmo a metodologia para a elaboracao dessas listas levam em conta vários fatores. A lista QS world university rankings 2016 atribui uma nota para Academic Reputation e outra para Employer Reputation. Por exemplo, a consagrada Sciences Po tem uma reputação acadêmia maior do que Harvard, por outro lado Harvard goza uma maior reputação maior junto ao mercado de trabalho. Além disso, no cálculo pessoal de cada candidato vários outros fatores devem conferir pesos diferentes na perspectiva de cada um. Vale lembrar também pelo caráter anglocêntrico de muitos desses rankings, instituições consagradas como o The Graduate Institute, em Genebra, ou a Uppsala University, em Estolcomo, acabam não ganhando o destaque que deveriam merecer do candidato a um mestrado no exterior na área de Relações Internacionais.
Os rankings das melhores instituições por área são um ótimo ponto de partida. Mas para além desses rankings há muitas escolhas interessantíssimas que devem sim estar no radar do candidato. Portanto, dê uma boa olhada nos rankings, mas não se atenha apenas a eles. É preciso ir além e buscar opiniões de quem tem vivência na área, professores, mestrandos, doutorandos…
Novamente, isso demanda tempo, paciência. Essa processo de escolha das instituições é duro. Prepare-se para uma via-sacra virtual através de inúmeros sites. Prepara-se também para o fato de que a navegação por esses sites não é extamanente intuitiva e para o fato de que as informações são confusas e muitas vezes desatualizadas e desencontradas, etc.

Prepare-se também para a burocracia que invariavelmente terás pela frente.
4. Como é o processo seletivo para um mestrado no exterior?
Cada instituição tem seu processo seletivo e cada processo seletivo tem suas peculiaridades, prazos, etc. Conhecer a fundo o processo seleção (application) da institução em que você está de olho é fundamental.
Os modelos de admissão para mestrados no exterior são bastante diferentes se comparados ao brasileiro. Ao contrário do que muitas vezes ocorre no Brasil, não se trata simplesmente de passar em uma prova de seleção de mestrado e pronto. O processo de admissão no exterior costuma ser mais longo e muito mais subjetivo do que objetivo. Explicando melhor: de forma geral, a aprovação no processo seletivo no exterior depende muito mais da forma como o candidato apresenta sua história, devendo demonstrar de forma coerente como seu percurso profissional e acadêmico o motivou a optar por aquele mestrado em específico.
Boa parte do sucesso nos processos seletivos são creditadas à capacidade do candidato de engajar a banca de admissão com storytelling que reflita de forma coerente e interessante sua trajetória pessoal, acadêmica e/ou profissional. Nesse sentido são levados em conta como sua história é contada pelo:
- currículo (suas notas falando sobre você);
- carta de motivação (você falando sobre você);
- carta de apresentação (outros falando sobre você);
Da mesma forma como um candidato ao concurso de diplomata deve entender o Cespe/Unb, candidatos a mestrado no exterior devem entender o processo seletivo da universidade para qual estão se aplicando. Esse conhecimento te dará confiança e desenvoltura para montar seu dossiê de candidatura de forma alinhada com as expectativas da instituição para a qual você está se candidatando, para redigir cartas de motivação coerentes, assim como pedir à pessoas certas cartas de apresentação, etc.

Armado com esse conhecimento sobre o processo seletivo você estára em condições de atingir com mais assertividade o discurso que é exigido de você para ingressar nos quadros dessas instituições.
Passando agora para uma outra pergunta importantíssima que você precisa se questionar..
5. Eu estou disposto a sair da minha zona de conforto para encarar um mestrado no exterior?
Pense nisso com carinho… As dificuldades envolvem muito mais do que simplesmente estudar. Saber adaptar-se é uma qualidade que ou você tem ou precisará desenvolver. Da mesma forma que a cultura brasileira tem seus meandros, seus pros and cons digamos, para aonde quer que você vá, a cultura local terá, na sua perspectiva, esses mesmos desafios. Saber ver os dois lados é exercício para se atingir esse delicado equílibrio para ser feliz longe de casa. Para você talvez isso pode soar como um cliché, mas é importante reforçar isso. Não sao poucas as pessoas que tem expectativas irreais sobre o que é de que estudar e viver fora. A vida de estudante em outro país não é uma timeline no Instagram.
Isso sem falar que essa pode ser oportunidade de vencer muitos medos – medo de ficar longe do namorado ou namorada, medo de se afastar dos amigos, medo de não fazer novos amigos, medo do clima, medo da língua… o medo, enfim, do desconhecido. Todos esses medos aí um dia precisarão ser superados . Nesse sentido, fazer um mestrado no exterior é também um exercicio de desprendimento e abertura para novas vivências que serão replicadas futuramente na carreira diplomática.
Sair da zona de conforto significa também estar disposto a apertar o orçamento e passar por perrengues. Perrengue tipo o quê? Tipo estudar um texto difícil de madrugada na cozinha de um apê minúsculo para não perturbar seu colega de quarto clandestino que está dormindo no sofá-cama da sala. Isso rola e se você duvida, tem uma anedota hilária sobre esses perrengues cotidianos. Uma delas é contadas no vídeo abaixo em que Clóvis de Barros conta como fazia para estudar em Paris para não incomodar seu colega Joaquim Barbosa, que mais tarde passaria pelo Itamaraty como Oficial de Chancelaria antes de chegar a Ministro do Supremo (todo candidato a diplomata deveria ver esse vídeo na íntegra, mas se quiser pular para a parte da anedota ela fica mais para o final)

Muito longe da visão de que estudar fora é mordomia, a vida do estudante no exterior é muitas vezes um exercício diário de austeridade.
Isso nos leva a uma questao fundamental: onde e como juntar grana para essa empreitada?
6. Bolsas de estudo para mestrados no exterior: onde procurar?
Quer estudar fora, mas não tem dinheiro para se bancar? Muita calma nessa hora… Muitos candidatos com ótimas perspectivas de aprovação em um mestrado no exterior acabam desistindo da ideia sem ao menos entender como funcionam os diversos mecanismos de financiamento.
São várias as origens das bolsas disponíveis a estudantes estrangeiros. Tanto os governos, quanto as próprias universidades e mesmo outras instituições podem ajudar a pagar a conta.
Governos de países desenvolvidos financiem programa de bolsas para estudantes internacionais. Só a título de exemplo:
No âmbito governamental, o Reino Unido, por exemplo, tem o Chevening, programa de bolsas para estudantes internacionais. A Itália tem também seu programa de bolsas , cujo processo seletivo é feito pelo próprio Ministério das Relações Exteriores italiano. O Japão, tem o seu consagradíssimo MEXT, um programa de bolsas que inclui tanto graduação quanto pós-graduação cuja seleção é feita no âmbito das Embaixadas japonesas no Brasil.
Outras iniciativas similares existem em instituições como o Banco Interamericano de Desenvolvimento que mantém um programa de bolsas de estudo chamado Academia ou o Projeto IBRASIL. Isso sem falar no famosíssimo Erasmus que concede bolsas geralmente no âmbito da União Europeia
Sério. Oportunidades não faltam para bolsas. Há centenas delas aí espalhadas pela Internet. Infelizmente, ficam muitas são desconhecidas do grande público e muitos recursos destinados a esses programas de bolsas simplesmente não são usados por falta de candidatos que topem pesquisar a fundo sobre e enfrentar a burocracia e a papelada que se deve preencher até ter a bolsa concedida.
Muitas das vezes quem leva a bolsa não é necessariamente quem tem mais mérito acadêmico, mas quem tem mais disposição de enfrentar a burocracia para levantar os papéis que são pedidos nos dossiês de candidatura.
Ah, e vale lembrar que boa parte das bolsas você também pode conseguir ao longo do curso. Se você não conseguiu uma bolsa logo de cara na entrada do mestrado, é possível ao longo do curso se aplicar novamente.
Em se tratando de bolsas, persistência é fundamental.
7. Que mundo é esse que não envolve o CACD?
Que carreiras internacionais são essas além da diplomacia que um mestrado e uma especialização pode abrir? Você já deve ter ouvido falar do conceito de governança global. Esse conceito hoje é resposável por abrir bastante as perspectivas profissionais de estudantes de Relações Internacionais e várias outras áreas. Uma das características mais marcantes da governança global do mundo que vivemos hoje é que vários atores a compõem, não somente os Estados, portanto não somente os atores diplomáticos desses Estados.
O mundo é governado por organizações internacionais, governamentais e não governamentais, atores privados, e inclusive parcerias entre eles. Esses outros atores, como qualquer outra instituição precisa de pessoal. Nesse sentido, as carreiras internacionais hoje vão muito além da carreira diplomática. Pense no Fundo Global e no Comitê Internacional da Cruz Vermelha, esses 2 com sede em Genebra. Genebra aliás tem várias instituições. Nesse link, você pode conferir todas as instituições internacionais com sede na Suíça e suas oportunidades de trabalho, muitas delas com escritórios espalhados pelo mundo.
Mas pense também para além de Genebra, como na Anistia Internacional, com sede em Londres e escritórios espalhados por todo o mundo.
No fim das contas, o que importa é sonhar alto e, com os pés no chão, correr atrás.

Vai dar certo! Mas antes de ir embora, o Clipping gostaria de te pedir para compartilhar esse post com um amigo seu que possa ter interesse em estudar fora. Para compartilhar é só clicar aqui e marcar o amigo.
8. Moral da História
Esse post foi feito para desmistificar alguns pontos com relação mestrados e sobretudo com relação a mestrados no exterior. Podemos de forma bem objetiva tirar algumas conclusões>
- Para aprovação na carreira diplomática, os mestrados em geral tem importância incidental;
- A escolha da instituição e do curso devem ser feitos com muito critério;
- Os processos seletivos para mestrados no exterior são diferentes dos processos seletivos no Brasil;
- Estudar fora demanda sair da sua zona de conforto;
- Existem várias Bolsas de Estudo
Guia de Estudos – Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD
Saiu o Guia de Estudos com as melhores (e as piores) respostas dos candidatos aprovados no Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata de 2016 (CACD 2016). Essa obra de consulta indispensável ao candidato à carreira de diplomata já está disponível e já tem nome: Guia do Texugo Melívoro.
Disponibilizado há poucas horas atrás, em pleno domingo de páscoa, o Guia de Estudos dos aprovados em 2016 (ou o Guia do Texugo Melívoro) está simplesmente incrível e já está disponível para download no site que a própria turma colocou no ar especialmente com o intuito de abrigar os Guias de Estudos que, desde 2013, passaram a ser feitos não pela FUNAG, mas pelos próprios aprovados no Instituto Rio Branco.
Está dado o recado! E está disponível para download, basta clicar na imagem abaixo e seguir para o site dos alunos do IRBr para disponibilização dos guias dos candidatos ao CACD
Fica a ressalva de que 100% dos créditos pela formulação e pela disponibilização do guia é da turma de alunos recém ingressados no Instituto Rio Branco em 2016. Lembrando também que o Guia desse ano conta ainda com participação especialíssima de Artur Lascala (vulgo @DataLascala) na confecção de gráficos e tabelas que provêm insights para lá de estratégicos sobre a evolução do concurso nesses últimos anos.
A estrutura do Guia de Estudos de 2017 segue, em linhas gerais a estrutura dos guias anteriores formulados pelas turmas de aprovados como o
- Guia do Orlando Lagartixo (turma de 2015)
- Guia do Calango Lumbrera (turma de 2014)
- Guia do FIlhote de Gnu (turma de 2013)
O Guia Texugo Melívoro é a continuação do legado de todos esses guias acima com inovação em três pontos. Para entender melhor quais são esses pontos, é preciso ler o riquíssimo prefácio do Guia de Estudos de 2017. Lá você encontra além da razão do título do Guia riquíssimas informações sobre os bastidores desse trabalho incrível
Enjoy! <3
Palácio Itamaraty: coisas que você precisa saber sobre seu futuro local de trabalho
Para candidatos ao concurso de admissão à carreira de diplomata (CACD), uma visita ao Palácio Itamaraty pode ser um divisor de águas na preparação. De acordo com o depoimento de muitos candidatos aprovados no concurso da diplomacia, mais do que um passeio de fim de semana, a visita representa um momento transformador, capaz de contribuir de forma ativa para a decisão de seguir se lançar de cabeça na preparação para o concurso de admissão à carreira de diplomata (CACD).
Provavelmente, Oscar Niemeyer não tinha noção do efeito inspirador que o Palácio Itamaraty exerceria sobre as futuras gerações de candidatos a diplomata.
Na ocasião em que o Palácio Itamaraty completa 50 anos, vale a pena dar uma olhada mais de perto nos mistérios do Palácio e da sua história.
Dividimos esse post em 4 partes:
1. Como diplomatas participaram da obra do Palácio Itamaraty?
2. Como são os principais lugares do Palácio Itamaraty?
3. Como agendar visitas ao Palácio Itamaraty?
4. Como saber mais sobre o Palácio Itamaraty?
1. Como diplomatas participaram da obra do Palácio Itamaraty?
Está rolando esse ano, comemorações do aniversário de 50 anos do Palácio Itamaraty e boa parte da história dos bastidores de sua construção ainda permanece desconhecida do grande público.
Com essa necessidade de recuperar e preservar a memória do papel dos diplomatas na obra, constata-se hoje certa ênfase nas pesquisas recentes apoiadas pelo Ministério das Relações Exteriores sobretudo no que se refere à importante atuação que os diplomatas tiveram envolvidos junto a Niemeyer no projeto de construção do Palácio do Itamarary. Vamos desvendar um pouco mais esses mistérios…
O que pouca gente sabe é que tanto no planejamento quanto na execução da obra, o Palácio Itamaraty seguiu uma lógica muito distinta da que orientou a construção dos demais prédios públicos da Esplanada, cujos projetos foram desenhados sem se saber exatamente como seriam usadas, quantas salas abrigariam, etc.
Diferentemente, o Palácio do Itamaraty foi projetado nos mínimos detalhes em estreita coordenação com a Comissão de Transferência do Ministério das Relações Exteriores do Rio de Janeiro para Brasilia.
Essa Comissão, chefiada pelo diplomata Wladimir Murtinho teve uma importância enorme na criação do Palácio Itamaraty sobretudo na transposição para o plano da arquitetura da riquíssima simbologia histórica e política que o Itamaraty carrega.

É verdade que a autoria do projeto é inegavelmente de Oscar Niemeyer, mas o diplomata Wladimir Murtinho e outros como Olavo Redig, chefe do setor de Patrimônio do Itamaraty, tiveram uma participação fundamental na obra, no sentido de garantir que a criatividade de Niemeyer e a dos demais artistas envolvidos no projeto pudesse estar sistematicamente a serviço das demandas dos seus usuários finais – os diplomatas.
Vale lembrar que esse projeto foi desenvolvido para ser o prédio que receberia visitas oficiais de autoridades estrangeiras e imprensa sob os cuidados do diplomata.
A funcionalidade dos espaços do Palácio era, portanto, fundamental e sua implementação dependia, em grande medida da participação ativa dos membros da Casa. A casa da diplomacia brasileira deveria refletir nos seus espaços as demandas das intrincadas regras hierárquicas e deveria estar à altura dos desafios logísticos que perpassam a rotina dos cerimoniais diplomáticos.
Por exemplo, as comitivas não poderiam se perder em filas de elevadores, autoridades de idade avançada não poderiam ser forçadas a subir longos lances de escada, etc.
Isso ocorreu previsto? Vejamos no próximo tópico, por meio de um passeio virtual pelo Palácio Itamaraty.
2. Como são os principais lugares do Palácio Itamaraty?
Fachada do Itamaraty
Não por acaso, o primeiro nome para o edifício seria “Palácio dos Arcos”. A grande inovação dessa construção em relação ao Palácio do Planalto e a Alvorada são suas arcadas.
A princípio, o Itamaraty seguiria o mesmo padrão desses edifícios e teria em linhas gerais a mesma estrutura que eles: a de uma “caixa de vidro” totalmente transparente ao observador externo.
Posteriormente, veio a ideia dos arcos, que funcionam dando uma sensação de se abrir e fechar ao olhar do observador e dando ainda mais força quando há seu espelhamento na superfície das águas, relevando um planalto flutuante em pleno cerrado. Veja o desenho:

Ah Clipping, mas e a escultura do Meteoro que tanto amo? Não vi ela na imagem aí acima…
Então, curiosamente, a escultura do meteoro que hoje é praticamente o símbolo do Itamaraty, nada tinha a ver com o desenho original de Niemeyer.
A propósito, essa escultura esculpida em 50 toneladas de mármore de Carrara encomendada pelo Itamaraty ao artista Bruno Giorgi foi vista com muita reserva por Niemeyer, que temia que a peça prejudicasse o delicado efeito visual dos arcos da fachada.
O arquiteto foi convencido por Olavo Redig, o arquiteto-chefe do Setor de Conservação do Patrimônio do Itamaraty já mencionado acima. Durante uma discussão com Niemeyer, o diplomata diplomaticamente amassou uma bolinha de papel, colocou-a diante da maquete do Palácio, para provar que as formas não criariam conflito.
O resultado dessa estratégica “articulação de consensos” é a imagem clássica da fachada que hoje embala corações dos candidatos a diplomata, mas que você deve estar tão cansado de ver que nem vamos colocar aqui no post.
Ah Clipping, mandou bem… Já vejo muitas fotos da fachada do Itamaraty, queria conhecer mais do interior
Ok. Só mais uma curiosidade sobre o exterior antes de passarmos para o interior… Como dissemos acima, a tendência seria que o Itamaraty seguisse o padrão “caixa de vidro” dos outros prédios. Mas para o diplomata Wladimir Murtinho essa opção eventualmente significaria riscos para autoridades. Murtinho exigia maior resguardo e maior segurança na entrada.
Foi dessa exigência de Murtinho que surgiu o jardim aquático, de Burle Marx, que isola a entrada do Palácio de forma análoga à forma como se protegia as entradas dos castelos medievais.
Essa foi uma solução provou-se extremamente funcional em 2013 na contenção de certos manifestantes no que foi até o momento a única tentativa na história de invasão do Palácio Itamaraty.

Passemos ao interior do Palácio Itamaraty…
Dentro do Itamaraty
A fachada externa do Palácio chama atenção por sua beleza, mas quando se conhece seu interior, não há como não se impressionar. Para entrar no local, os visitantes precisam se dirigir à lateral do edifício. A entrada principal é reservada apenas a solenidades oficiais. A visita, sempre guiada, começa no salão de entrada do Palácio.
O espaço impressiona sobretudo conhecedores da arquitetura por não ter pilares de sustentação. Trata-se de um dos maiores vãos abertos sem sustentação do mundo, com 2.200 metros quadrados sem uma so coluna de sustentação. Nesse espaço, localizam-se 2 obras que com certeza você já deve conhecer por fotos: a escada helicoidal e o jardim aquático de Burle Marx.

Para quem gosta de guardar recordações, aproveite esse momento para fotos. Afinal, apenas em dois espaços são permitidas fotos, um deles é essa entrada lateral.
Vale registrar não apenas sua arquitetura, mas a importância funcional do local. É nesse hall em que acontecem as recepções de autoridades internacionais. Muitas autoridades já pisaram nesse espaço, como a Rainha da Inglaterra, Elizabeth II, cuja visita ao Itamaraty, em 1968, ensejou a instalação de um corrimão móvel na escada helicoidal (cuja foto você viu acima).
Além dessa famosa escada, esse andar abriga ainda o Setor de Protocolo e Cerimonial e Assessoria de Imprensa do Ministério, não contemplados na visita. Não é possível também visitar o auditório Wladimir Murtinho (que como vimos acima foi um dos interlocutores fundamentais do MRE com Niemeyer) que fica no subsolo, e é usado em eventos com representantes de países visitantes.
Ao subir a escada, chega-se ao mezanino, local onde fica a Sala dos Tratados, em cujo centro fica a mesa em jacarandá em que a Princesa Isabel assinou a Lei Áurea.
Nessa mesa carregada de simbolismo é que são firmados e assinados os acordos internacionais. Simbolicamente, a mesa fica de frente para o Ministério da Justiça. As paredes de vidro simbolizam a visão da Justiça brasileira como testemunha sobre todos os tratados firmados pelo Brasil.

Neste andar ficam o gabinete do Ministro de Estado e do Secretário Geral, que não podem ser visitados. Há também diversas obras de arte, como Metamorfose, de Franz Weissmann, e o painel que representa os povos que formaram o Brasil, de Athos Bulcão.
Vale mencionar que o acervo do Palácio Itamaraty, a propósito, é um espetáculo a parte. Levantamentos recentes apontam para cerca de 580 obras presentes no espaço do Palácio, somando 92 pinturas, colagens e desenhos; 450 gravuras; 18 esculturas; 10 painéis e azulejos e 10 tapetes que estão exibidos pelas paredes do Palácio.
O terceiro andar abriga diversos salões decorados com obras de arte do Brasil e do mundo, recebidos como presentes, e reservados para festas de recepções das comitivas. Mas o espaço que mais chama a atenção é a varanda…

A varanda se torna um ambiente especial na dinâmica das cerimônias do Palácio do Itamaraty.
Os hábitos e os modos de vida informais, inerentes à convivência específica das varandas, contribuem para alterar o perfil comum de funcionamento do Ministério, assinalando outras possibilidades de sociabilidade e convivência nesses espaços.
Neste sentido, o diplomata Leite Ribeiro considera que “…reuniões descontraídas facilitam a vida profissional…” pois quando “…despidos da formalidade, relaxados, [os diplomatas ficam] propensos a confidências e trocas de informações…”
(Eduardo Rossetti – A Arquitetura do Palácio do Itamaraty)
Vídeo sobre o Palácio Itamaraty
Antes de você partir para o próximo tópico deste post, a Folha produziu um excelente vídeo de 5 minutos sobre o Palácio Itamaraty que vale a pena conferir clicando abaixo. É bastante curto e muito explicativo. O Clipping sugere a você conferir:

3. Como agendar visitas ao Palácio Itamaraty?
As visitas guiadas duram cerca de 1 hora e podem ser feitas guiadas nas línguas: português, francês e inglês.
Confira abaixo os horários e os dados disponibilizados no site do Itamaraty ou acesse essas informações diretamente o site do Itamaraty clicando aqui
Horário das visitas no Palácio Itamaraty:
- De segunda a sexta-feira: às 9h, 10h, 11h, 14h, 15h, 16h e 17h.
- Sábado, domingo e feriado: às 9h, 11h, 14h, 15h e 17h.
O agendamento pode ser feito pelo email visita@itamaraty.gov.br ou telefone +55 61 2030 8051.
4. Como saber mais sobre o Palácio Itamaraty?
Para fechar o post em alto estilo, compilamos algumas fontes para você que quer mergulhar mais fundo nos aspectos arquitetônicos e simbólicos do Palácio.
- Sobre aspectos arquitetônicos vale a pena ver o artigo de Eduardo Rossetti, professor da Unb cuja tese de doutorado versa sobre o Palácio Itamaraty que pode ser gratuitamente acessado clicando aqui.
- Essa matéria da Casa Vogue tem belíssimas fotos, algumas das quais utilizamos aqui no post. Confira aqui
- Sobre o cinquentenário do Itamaraty, você pode conferir esse texto do site do MRE clicando aqui.
- Para ver mais fotos oficiais, feitas pelo próprio Ministério das Relações Exteriores, você pode acessar o Flickr do MRE.
Faltou alguma informação interessante? Tem algum dado curioso que não foi mencionado ou foi tratado de forma imprecisa no post? Reporte ao Clipping! E se tiver curtido o post, por favor, deixe um comentário ou compartilhe com um amigo. O combustível do Blog do Clipping CACD, que é gratuito e sempre será, é o boca a boca de vocês.














