Resultado da prova de Segunda etapa do CACD 2016

Acaba de ser publicado no site do CESPE o resultado das notas de segunda fase do CACD 2016. Duas surpresas marcam o resultado. Em primeiro lugar, para a surpresa dos candidatos ao concurso de admissão à carreira de diplomata (CACD), o CESPE se antecipou 1 dia, soltando o resultado por volta das 17hs de hoje, dia 25 de outubro. Isso ocorreu logo após o CESPE ter publicado um comunicado ontem em que a data provável do resultado seria dia 26 de outubro. Em segundo lugar, para a supresa dos candidatos ao concurso de admissão à carreira de diplomata (CACD), a primeira impressão é que as médias foram muito mais baixas do que em anos anteriores. Confira na tabela compilada pelo Prof. Fernando Entratice que,  gentilmente nos cedeu, e com sua autorização reproduzimos aqui no Blog:

Lembrando que os candidatos ainda não tiveram acesso aos espelhos de prova. Isso torna difícil no momento uma análise mais aprofundada sobre as causas e as consequências da banca de segunda fase do concurso de admissão à carreira de diplomata (CACD) ter pesado a mão nas correções desse ano. Dois links são fundamentais nesse momento:

1. Para entender melhor como funcionam os critérios de correção da banca de segunda fase do CACD leia este post aqui 

2. Para entender melhor como recorrer contra a banca com eficiência aqui 

O primeiro a se manifestar sobre a prova foi o Prof. Maurício Costa, cujo post no face reproduzimos com sua autorização.  

itamaraty-cacd

Logo mais o Prof. Maurício Costa publicará aqui no Blog do Clipping suas primeiras impressões sobre a prova. Volte em minutos ao post que teremos algumas palavras do Professor Maurício para acalmar o ânimo e a ansiedade dos candidatos nesse momento.  

PS: Coincidentemente saiu hoje no Clipping a lista de leituras recomendadas para a prova de Geografia do CACD 2017. Para ver como ficou, logue no Clipping clicando aqui ou na imagem abaixo

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Depoimento de um Oficial de Chancelaria: entrevista com Carlos Considera

A entrevista abaixo foi conduzida em 2016 pelo time do Clipping.

Nessa entrevista com um Oficial de Chancelaria, faremos um deep dive com relatos concretos do que é a carreira. Já faz um bom tempo que não falamos aqui sobre o concurso de Oficial de Chancelaria e muitos candidatos vem nos cobrando nesse sentido.  Cobrança perfeitamente justa, afinal, nem só de CACD vive o Itamaraty. Milhares de candidatos têm um caso de amor não com o concurso para a admissão à carreira de diplomata, o CACD, mas sim com o concurso de Oficial de Chancelaria.

Está na hora de entender um pouco melhor das dores e dos prazeres da carreira de Ofchan. Convidamos então para esse entrevista o Prof. Carlos Alexandre Considera que tem 11 anos de Itamaraty e está lotado atualmente na Diretoria do IRBr. Mas lógico que o Clipping não perderia a chance de falar um pouco sobre CACD com o Carlos, que é Prof. de Política Internacional e um dos organizadores daquela incrível Coleção Diplomata. Confira abaixo nosso bate-papo.

Depoimento de um Oficial de Chancelaria: entrevista com Carlos Alexandre Considera*

*Carlos Alexandre Considera é Ofchan desde 2005, atualmente lotado no Gabinete do Diretor-Geral do Instituto Rio Branco, Mestre em Relações Internacionais pela Universidade Federal Fluminense (2007) e graduado na mesma área. Em 2015, organizou 2 volumes da Coleção Diplomata sobre Política Internacional

O autor do consagrado That Holy Thing, um guia bem humorado e bem  completo sobre a carreira de Oficial de Chancelaria que circula em fóruns de discussões sobre o concurso de Ofchan, fala sobre como falta à carreira de Ofchan a aura mágica que  paira sobre a carreira de diplomata. Por que escolher a carreira de Oficial de Chancelaria à de Diplomata?

Muito bacana e instigante essa pergunta! Há uma máxima que diz que no Itamaraty não há carreiras, mas sim estilos de vida. Essa afirmação contém grande significado, aliás, muito bem explorado às minúcias pelo autor de That Holy Thing

No mês passado, completei 11 anos de carreira com a convicção de que, se pudesse voltar no tempo, certamente faria novamente o concurso para Oficial de Chancelaria. Trabalhar no Serviço Exterior Brasileiro lhe permite, no plano profissional, representar junto aos Governos estrangeiros os 200 milhões de brasileiros que lutam para construir este país. Seja no trabalho consular, ou na gestão administrativa dos postos no exterior, é o resultado do trabalho dos servidores do Itamaraty que mostrará em primeira mão o Brasil aos cidadãos e aos governantes do outro país. E, além de ser uma honra ser designado para uma missão no exterior, a carreira ainda lhe permite ter uma vivência da realidade de diversos outros países, muito dos quais jamais cogitaríamos sequer visitar a turismo: já pensou em conhecer a Mauritânia, o Belize ou o Cazaquistão? E que tal servir nestes países por cerca de 3 anos, dispondo desta forma de uma experiência cultural única?

Esta vivência única a que me refiro é comum às três carreiras do Serviço Exterior Brasileiro. O que torna, então, a carreira de diplomata detentora desta “aura mágica”? Desde já, permito-me dizer que esta “aura mágica” da carreira de diplomata é fruto ainda de resquícios de uma estrutura social pretérita no qual o representante do Brasil no exterior era necessariamente um fidalgo, seja na época do Império, quando o governo era composto integralmente por indicações políticas, seja no Brasil Republicano, quando, em muitos casos, eram os filhos das famílias mais abonadas que tinham acesso à educação erudita e ao ensino avançado de idiomas. É fruto, também, da forma como usualmente a sociedade vê o diplomata: uma pessoa culta, bem remunerada e de gostos nobres, exímia conhecedora de cerimonial e dedicada a jantares e recepções, nos quais se discute desde o expressionismo alemão até as fronteiras da Criméia.

No entanto, penso que a partir de meados dos anos 1990, desde o breve governo de Itamar Franco, e partir dos anos FHC, está em curso um longo processo de amadurecimento do serviço público brasileiro, que passa nos dias atuais a levar em conta cada vez mais qual a expectativa do cidadão, do tax payer, em relação à produção dos servidores. É nesse contexto que essa aura começa a se esvair, dando lugar a uma compreensão mais objetiva do papel essencial que têm o diplomata, o oficial e o assistente de chancelaria na projeção internacional do país. Para me ater à pergunta, não irei falar aqui dos asistentes, embora deixe consignado que muito do que falarei sobre os Oficiais, imagino eu, aplica-se àqueles colegas.

Não foi por coincidência que a atual carreira de Oficial de Chancelaria foi criada, justamente, no ano de 1993 (Lei 8.829/93). À época, inclusive, era a única carreira do MRE que exigia nível superior completo, uma vez que era facultado aos diplomatas ingressar no Rio Branco apenas com parte da graduação concluída. Desde o início, e sobretudo após o surgimento da Lei 11.440/2006, a carreira de Ofchan tem como objetivo aprimorar a gestão administrativa e orçamentária do MRE, bem como a prestação do serviço consular a brasileiros e estrangeiros. Com mais de 200 postos (divididos em Embaixadas, Consulados, Delegações, Escritórios), espalhados em todos os continentes, e tendo em conta a necessidade de executar os recursos públicos com os mesmos critérios de probidade e eficiência que se exige de toda a administração pública federal, a especialização da gestão administrativa do Itamaraty é um grande desafio. Já imaginou, por exemplo, conseguir no Haiti, ou na República Democrática do Congo, três orçamentos para contratar uma empresa idônea apta a instalar um sistema de automação predial para acionamento do sistema de segurança da Embaixada? Ou, ainda, viabilizar o atendimento consular por meio do sistema eletrônico de concessão de documentos em uma Embaixada localizada numa cidade na qual há falta de luz diária por cerca de 4 ou 5 horas? Pois bem, assuntos como estes são parte da rotina de trabalho dos Oficiais (e também dos Assistentes) de Chancelaria. 

Na divisão ideal do trabalho dentro do Itamaraty, conforme estabelecido na referida Lei 11.440/2006, deve o diplomata dedicar-se àquilo para o qual ele se preparou por longos anos de estudos: negociar acordos, analisar cenários políticos, identificar oportunidades de negócios bilaterais e de apoio político em organismos internacionais, cabendo aos oficiais promover a estrutura administrativa e as condições efetivas para a plena realização do trabalho diplomático. Verifica-se, portanto, que o legislador brasileiro estabeleceu uma complementariedade nas ações a serem desempenhadas pelas diferentes carreiras de nível superior do Itamaraty. Na prática, esta divisão ainda precisa ser melhor implementada; gradualmente, e em que pese as tradições de hierarquia do Itamaraty, esta divisão será posta em prática após um longo debate sobre as melhores formas de efetivamente dividir o trabalho diplomático do trabalho de gestão administrativa dentro do MRE. Deixar de fazê-lo seria anacrônico e tangenciaria a ilegalidade.

Quando isto ocorrer, esta “aura mágica” da carreira diplomática, que, do meu ponto de vista, cheira a naftalina, restará dissipada; manter-se-á, no entanto, o orgulho que temos de portar o passaporte diplomático e sermos, diplomatas, oficiais ou assistentes, a primeira imagem do Brasil no exterior. Sem dúvida, com isso ganhará o Itamaraty, os diplomatas e os oficiais, e, principalmente, o cidadão brasileiro.

Apesar de sabermos que Diplomatas e Oficiais de Chancelaria trabalham lado a lado, a ideia que se tem é que são servidores com expectativas diferentes em relação à carreira e com visões distintas sobre o Itamaraty.  Que tipo de problemas são percebidos no MRE pelo Oficial de Chancelaria mas que muitas vezes escapam aos Diplomatas?

Do meu ponto de vista, a diferença crucial entre as carreiras de oficial de chancelaria e de diplomata está no mecanismo de promoção e ascensão funcional desta última. A partir do cargo de segundo-secretário, a promoção do diplomata se dá por meio de votação vertical e deve ser precedida pela inclusão do diplomata no quadro de acesso á próxima classe da carreira. Há, ainda, critérios mínimos de tempo na classe, bem como de tempo de serviço no exterior. Assim, necessariamente, o diplomata que almeja ascender até o cargo de Ministro de Primeira Classe tem que estar afinado, ou ao menos resignado, com suas chefias e com seus superiores, e, em muitos casos, ter servido em postos localizados em países de condições de vida severas. Ok; toda regra tem exceções. Não vou fazer aqui nenhum juízo de valor quanto a este mecanismo, pois de outra forma fugiria da pergunta. 

Contudo, é necessário reconhecermos que esta estrutura da carreira faz com que o diplomata seja obrigado constantemente a tomar decisões da sua vida pessoal aliadas à vida profissional. Muitas vezes, servir em determinada divisão no Brasil, ou em determinado posto, pode ser decisivo. Explico melhor: o diplomata que está servindo em um posto localizado numa capital europeia (na Embaixada em Paris, por exemplo), caso tenha a admiração do chefe, provavelmente será incluído no quadro de acesso à promoção, dado que o Embaixador do Brasil em Paris é uma pessoa de alta estima do Ministro de Estado e do Presidente da República. No entanto, este jovem diplomata deverá, na próxima remoção, buscar um posto distante e com condições de vida mais duras, como a Embaixada em Nairóbi, por exemplo. Somente assim, ele poderá estar no quadro de acesso e ter o tempo mínimo de exterior que o habilitaria à promoção. Até aqui, estamos falando de estratégia de ascensão profissional, algo que existe em qualquer organização, pública ou privada. No entanto, pense que este diplomata tem família, cônjuge/companheiro(a), filhos em idade escolar e que sua estratégia de ascensão envolve drástica mudança de vida de seus entes queridos… é justamente no momento de conciliar as expectativas profissionais com a vida familiar que a carreira de diplomata muitas vezes é mais dura que a do oficial de chancelaria.

Aos oficiais também se aplicam critérios de tempo mínimo de serviço no exterior para promoção para as classes B, C e Especial, além de haver mecanismo de votação horizontal para as promoções. No entanto, não existe, na prática, diferenças de atribuições ou hierarquia funcional entre oficiais das classes de A a Especial. Assim, por exemplo, posso, ao terminar meu tempo de serviço na Embaixada em Paris, sem prejuízo da minha carreira, escolher entre pedir remoção para um posto difícil ou retornar para o Brasil. Com que objetivo eu iria submeter minhas filhas em idade escolar a residirem em um país cujo ensino regular é em árabe, ou no qual há surtos regulares de malária e febre tifoide? Por mais que isso me ajudasse a subir mais rápido de nível na carreira, as diferenças salariais para mim como oficial seriam muito pequenas e eu não teria nenhum ganho hierárquico. Assim, eu arriscaria dizer que os problemas vividos por oficiais e diplomatas em serviço no exterior são bastante comuns a ambas as carreiras; o que muda radicalmente é a possibilidade de resolvê-los sem prejuízo imediato da ascensão funcional.

Já no serviço desempenhado no Brasil, o problema principal é remuneratório. Como se sabe, há uma diferença salarial entre o diplomata e o oficial de chancelaria que prejudica imensamente a carreira dos ofchans. O fato é que esta disparidade salarial tem origem em 2008, quando as carreiras de diplomata, oficial e assistente foram incluídas no rol das carreiras típicas de Estado (Lei 11.890/2008); em 2012, os oficiais e assistentes passaram a ser remunerados por subsídio, sem que essa mudança resultasse no reenquadramento salarial ocorrido nas carreiras análogas, como, por exemplo, as de Analista e Oficial de Inteligência da ABIN, ou de Auditor e Analista Tributário. Devido a esta anomalia, o Oficial de Chancelaria recebe hoje no Brasil um dos menores subsídios do serviço público pago às carreiras típicas de Estado. Quando comparada à renda auferida no exterior (se convertida em Reais), o salário de um ofchan no Brasil chega a ser cerca de um terço do que recebe quando está no exterior. Alie-se a isto o fato de ser Brasília uma cidade com custo de vida extremamente alto para quem reside no Plano Piloto. Esta disparidade faz com o nível de vida do ofchan que retorna ao Brasil depois de servir uma temporada no exterior caia drasticamente – o mesmo não se observa na carreira de diplomata, que recebe subsídio similar ao de carreiras reconhecidamente bem remuneradas, como os advogados públicos, os auditores fiscais, etc. Agrega-se a esta situação, o fato de que parcela considerável de diplomatas detém cargos DAS, o que eleva ainda mais seus rendimentos, enquanto que são excepcionalíssimos os casos de ofchans que desempenham funções de chefia.

Por estas razões, verifica-se uma indesejável evasão de colegas do Itamaraty a cada concurso realizado na Esplanada. Diante desta falta de equiparação salarial, e em que pesem as diversas vantagens de ordem pessoal que temos em servir no Itamaraty, chega uma hora em que somos motivados a buscarmos carreiras com condições salariais mais condizentes com o patamar remuneratório do serviço público.

O déficit de servidores nos quadros do MRE não chegou a ser suprido com o concurso em 2015 que selecionou 60 Oficiais de Chancelaria ainda a serem nomeados. No Edital do concurso de Oficial de Chancelaria de 2015 ficou estabelecido que  O Ministério das Relações Exteriores reserva-se o direito de proceder às nomeações em número que atenda ao interesse e às necessidades do serviço, de acordo com a disponibilidade orçamentária e o número de vagas existentes. Há nos corredores do Itamaraty alguma perspectiva para que se nomeie mais aprovados no concurso de Ofchan de 2015?

No momento, creio que não haja essa perspectiva devido ao esforço do Governo Federal na aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC 241/16) que limita as despesas primárias da União aos gastos do ano anterior corrigidos pela inflação oficial (IPCA). De acordo com a Proposta, em 2017, o limite de gastos será a despesa primária federal de 2016, incluindo os restos a pagar, reajustada pelo IPCA. A partir de 2018, será usado o teto do ano anterior acrescido da inflação. A intenção é que essa regra vigore pelos próximos 20 exercícios financeiros, ou seja, até 2036. Porém, a própria PEC prevê que legislação infraconstitucional flexibilize essa regra, e, na minha opinião, isso certamente ocorrerá. O fato é que, no pacote de ajustes do gasto público estará, invariavelmente, a questão da previdência dos servidores e, nesse caso, qualquer tendência de restringir direitos atualmente vigentes provocará uma onda de pedidos de aposentadoria.

De que forma essa PEC afeta a carreira de Ofchan? Como se sabe, a carreira de Ofchan, regida pela Lei 8.829/93, dispunha, inicialmente de 1.000 cargos. Em 2012, a Lei 12.601 criou mais 893 novos cargos com o objetivo de fortalecer a prestação do serviço consular por parte do Itamaraty. O problema é que, segundo o art. 4º, “o provimento dos cargos criados por esta Lei dar-se-á de forma gradual, mediante autorização do Ministério do Planejamento, observada a disponibilidade orçamentária, devidamente comprovada no anexo específico da lei orçamentária anual”. Ou seja, caso a PEC vire Emenda Constitucional, a comprovação de disponibilidade orçamentária será muito mais difícil de ocorrer do que nos dias atuais, inviabilizando o Itamaraty de nomear novos Ofchans.

Assim, destes 1.893 cargos hoje existentes, menos de 50% encontram-se ocupados – não tenho dados exatos, mas, em 2014, éramos cerca de 850 oficiais na ativa. Para agravar a situação, aproximadamente 40% destes oficiais têm mais de 50 anos de idade e, de acordo, com as regras previdenciárias atuais, poderão se aposentar nos próximos anos. E se estas regras mudam com a reforma previdenciária e com isso ocorre uma corrida para aposentar? Devido a esta combinação de fatores, haverá um momento em que o Itamaraty precisará conscientizar o Ministério do Planejamento de que temos a urgência de nomear um número expressivo de Oficiais ou, invariavelmente, ocorrerá desvio de função da carreira de diplomata, uma vez que estes serão obrigados e dar conta do trabalho próprio dos Ofchans.

Nesse contexto, embora os corredores do Itamaraty repercuta hoje o discurso de austeridade e impossibilidade de nomeação de novos funcionários, há neles espectros que sussurram uma inadiável leva de novas contratações no médio prazo. Por isso, quem está na lista de aprovados do último concurso: keep praying!

Fazemos a você agora aquela pergunta clássica que fazemos a todos convidados: se lhe fosse dada autonomia para mudar completamente o CACD. O que mudaria e o que ficaria?

Essa é a pergunta do milhão; a verdadeira vox populi, ou melhor, vox ratio! Rsrsrs… 

Bem, no formato da prova, eu aumentaria o tempo de execução do TPS em 30 minutos para cada turno de prova, ou reduziria o tamanho dos textos de Português, pois, da forma como está, muitos candidatos bem preparados estão sendo prejudicados pelo fator tempo. Ademais, se estivesse à frente da organização do concurso, eu lançaria o edital com, no mínimo, 75 dias para o TPS, a fim de que os candidatos possam organizar sua vida pessoal para realizar a prova e para que os professores possam organizar cursos de revisão com menos correria – o ideal mesmo seriam 90 dias antes do TPS. 

Já em relação ao conteúdo, eu proibiria as bancas de aplicar questões cujo assunto é objeto de múltiplas historiografias. Concurso público é coisa muito séria, pois mexe com a vida, com a saúde, com a expectativa de milhares de candidatos e suas famílias; assim, não pode ficar o candidato sujeito a interpretações, por vezes não consensuais, que os membros da banca têm acerca de determinados assuntos. Por maior que seja a trajetória profissional do acadêmico que participa da banca, não lhe é facultado o direito de decidir qual a interpretação deve ter o candidato para determinado fato histórico em análise. Afinal, é Certo ou Errado? Se não dá reduzir a resposta da questão a este binômio, ela deve ser retirada da prova. Da subjetividade, virá o recurso, e do recurso a incerteza para aquele enorme número de candidatos que rondam a nota de corte. Sobre as disciplinas em si, eu incluiria o Direito Administrativo no rol das Noções de Direito, e reduziria o programa de História do Brasil no que tange ao Brasil Império, dando ênfase à nossa experiência republicana para frente. Não se justifica que ao diplomata, como membro de uma carreira típica de Estado, não seja exigido saber como se gere e se organiza a máquina pública. Sendo mais radical, eu cogitaria extinguir a prova de Geografia do TPS, transladando para o programa de Política Internacional, os aspectos sobre geopolítica, meio ambiente e geografia da população.

Uma mudança bem bacana que vi este ano foi a divulgação da nota do TPS de todos os candidatos que atingiram o mínimo exigido para a aprovação. Houve candidatos que não gostaram pois os rankings apontaram qual o nível de desempenho de cada um – e, no passado, sempre tinha um ou outro que, mesmo sabendo que não tinha nota mínima para passar, dizia ao colega que tinha feito uns pontinhos a mais para não ficar mal na fita… rsrsrsrs… porém, o novo formato é inegavelmente mais transparente e ajuda a dar ânimo àqueles que não estão dentro dos 300, mas que estão quase lá.

O Sr., que desempenha suas funções de Oficial de Chancelaria junto ao Gabinete da Diretoria do Instituto Rio Branco, pensa que a mudança institucional pela qual passa o governo e o Itamaraty atualmente enseja mudanças, ainda que de ênfase, no concurso de admissão à carreira de diplomata, o CACD?

Em certa medida, creio que sim, mas não deverá ser uma mudança radical, uma ruptura: nos próximos concursos do CACD poderá haver ênfase em determinados temas que, embora já fizessem parte da agenda de negociações do Itamaraty, não tinham alta prioridade dentro do Ministério. Porém, estas mudanças serão tênues, e entendo que refletem muito mais o atual contexto em que se encontram as negociações nos organismos internacionais dos quais o Brasil participa e a necessidade de o país expandir seu comércio exterior do que um reflexo imediato da recente chegada do Ministro José Serra ao Itamaraty e da incorporação da Secretaria Executiva da Camex ao Ministério das Relações Exteriores, legalmente efetivada em 5/8 (Decreto 8.823/2016).  

Eu arriscaria dizer, inclusive, que parte destas mudanças já puderam ser vistas no TPS de 2016. Um rápido balanço das questões de Política Internacional já aponta para ênfase em temas como relações sino-brasileiras, geopolítica chinesa, mecanismos de concertação político-militar europeus, política externa alemã e norte-americana, isto sem contarmos com as questões de fundo conceitual relativas ao Realismo Periférico e aos efeitos sistêmicos da globalização. Algo similar se viu na parte de Economia do TPS onde uma das questões – aliás uma das mais inteligentes da prova – cobrava conceitos de macroeconomia ao simular o trabalho de um diplomata lotado numa Embaixada agindo como analista de economia e de comércio exterior. O que estas questões apontam? Eu penso que elas estão em sintonia com a ênfase que o Brasil deverá dar nos próximos meses ao avanço no acordo Mercosul-União Europeia, às relações comerciais bilaterais com a China e, sobretudo, à atração de investimentos chineses para o iminente programa de concessões de exploração de serviços públicos e de privatizações. O que se espera que os novos diplomatas a serem aprovados tenham dentre seus conhecimentos? Creio que se esperem visões pragmáticas acerca dos efeitos da globalização sobre a economia brasileira, que deverá ser mais aberta e conectada às principais cadeias produtivas. 

Enfim, como carreira de estado, o Itamaraty não pode se furtar de representá-lo em sintonia com a agenda política e econômica do Governo que está à frente da gestão do Estado e, por isso, essas mudanças de ênfase são naturais e necessárias. Em caráter estritamente pessoal, contudo, admito que senti falta no TPS deste ano de questões relativas a temas inalienáveis do atual debate das relações internacionais, tais como o Acordo do Clima, alcançado em dezembro passado, na COP-21, em Paris, e no qual o Brasil teve papel de protagonista; a saída do Reino Unido da União Europeia; e mesmo sobre a crise dos refugiados do Oriente Médio.

Você foi responsável pelos 2 volumes de Política Internacional da Coleção Diplomata, que é a primeira coletânea voltada exclusivamente ao CACD. Quals foram as dificuldades por você encontradas na sistematização do conteúdo do Edital para esse projeto?

Para mim foi motivo de grande satisfação ter sido convidado pelo Professor Fabiano Távora para fazer parte da equipe de autores que preparou a Coleção Diplomata. Aliás, a Coleção conta com um timaço de professores, muito dos quais já são “velhos conhecidos” dos candidatos ao CACD devido ao trabalho que vêm desenvolvendo, nos últimos anos, na preparação dos jovens diplomatas. 

Na elaboração dos dois volumes de Política Internacional, penso que um dos maiores desafios foi conciliar a síntese necessária ao escopo do projeto com a densidade de conhecimentos que se espera do candidato ao CACD. Muito mais do que um “resumão” da matéria, busquei preparar, ao longo das 400 e poucas páginas, uma narrativa para que o candidato pudesse ter a “moldura” dos principais processos negociadores do qual o Brasil participa, bem como da estrutura do sistema internacional. Assim, espero ter alcançado um texto que sirva tanto para aquele candidato que está começando a se preparar para o concurso, quanto para aqueles que já estão na reta final de preparação para as provas. Para os primeiros, a “moldura” vai ajudá-los a buscar fontes complementares de aprofundamento, já para os segundos, há a vantagem de condensar em poucas páginas o conjunto de temas que envolvem determinado assunto, permitindo, assim, reativar na memória estudos já realizados ao longo do processo de preparação. 

Outra dificuldade que enfrentei na redação da obra foi a busca constante pelo “tom da banca” acerca dos diversos temas. Como se sabe, na ciência política, não existe preto e branco, tudo pode ser matizado pelas ideologias, pelas percepções próprias de cada autor quanto à dinâmica do sistema internacional. Assim, não podemos reproduzir posições de notáveis professores, ainda que conceituados pela banca do Cespe/Cebraspe sem cotejá-las com as posições oficiais do Itamaraty acerca daqueles assuntos. A verdade é que na hora de conseguirmos aqueles 0,25 pontos por meio de um recurso que irá colocá-lo na próxima fase da prova, mais vale citarmos o discurso oficial do Ministério, contido em notas à imprensa ou em declarações oficiais, do que buscarmos convencer a banca na base do “In Amado Cervo / Sombra Saraiva / Pecequilo we trust“. Diante desta realidade, nos pontos em que a posição da banca é clara, busquei ali sintetizá-la; já naqueles assuntos em que a banca ainda não deixou sua marca, recorri às Notas à Imprensa, Comunicados e Discursos Oficiais para construir minha análise. Se quando comecei a redigir a obra já existisse o Clipping CACD para reunir este material, minha tarefa teria sido mais fácil… rsrsrs…

Pelo que li dos demais volumes da Coleção, penso que todos nós adotamos esta mesma dinâmica na preparação do material. O conjunto da obra, sem dúvida, avança demais o candidato na preparação, ainda, é claro, que não tenhamos a pretensão de que a Coleção seja capaz de substituir bibliografias complementares e muito menos os cursos de preparação. 

Deixando a linguagem diplomática de lado, não são raros os casos de aprovados que relevam em off que, se por um lado a vivência no IRBr tem um importante papel socializador para o diplomata recém empossado, o conteúdo propriamente dito do curso de formação não agrega tanto quanto poderia. O que a administração do IRBr tem feito no sentido de atualizar o curso de formação às novas demandas impostas à carreira?

Sem dúvida, de parte dos candidatos recém empossados, fica a ideia que, ao entrarem no Rio Branco, serão apresentados à rationale que há por detrás dos processos negociadores brasileiros, que conhecerão os telegramas secretos que deram margem às decisões da nossa política externa e, enfim, que sairão do Instituto aptos a representar, negociar e elaborar estratégias que tornem o Brasil um global player. Não; não será bem assim, e eu arriscaria dizer que não é essa a função que o Itamaraty espera do curso de formação do Rio Branco. 

Eu penso que, em primeiro lugar, o curso de formação do Rio Branco oferece uma oportunidade para o jovem diplomata pensar e dialogar com seus colegas e professores de forma crítica sobre a política externa brasileira, o direito e a economia internacional. Embora o IRBr não seja mais uma escola que ofereça um curso de pós-graduação (no passado recente ofereceu a oportunidade de que os alunos defendessem dissertação de mestrado), ele segue sendo uma casa de debates de altíssimo nível, mediado por professores que foram contratados para estimular a análise sobre os grandes temas brasileiros, trazer subsídios para esse debate e apresentar posições do Governo brasileiro acerca destes temas. Essa dinâmica de atualização constante, inclusive, leva o IRBr a não ter quadro permanente de professores – como é de conhecimento público (publicado no Diário Oficial), os professores do Instituto têm contrato de apenas um ano, sendo que todo ano há algumas mudanças na lista de contratados. De certa maneira, esta possibilidade de oxigenação do quadro de professores é utilizada pela administração do IRBr para atualizar o curso. 

Quanto à parte mais, digamos, técnica, do curso, o ensino de idiomas, o Rio Branco tem buscado oferecer aulas de línguas estrangeiras não-convencionais ministradas todas elas por professores nativos, alguns, inclusive, membros do corpo diplomático estrangeiro acreditado em Brasília, tais como mandarim, russo ou árabe, além dos já tradicionais inglês, francês e espanhol. Veja que estas línguas, o mandarim e o russo, são reflexo da atualização exigida pela aproximação com os Brics. 

Em terceiro lugar, seria ingênuo de nossa parte ignorarmos que é função do Rio Branco apresentar aos novos diplomatas a linguagem diplomática, as tradições cerimoniais e os “códigos de conduta” do Itamaraty. Você já imaginou que, uma vez dentro do Itamaraty, diante, por exemplo, do agendamento de última hora de uma visita de Chefe de Estado cujo país é responsabilidade de sua área de trabalho e, por isso, você tenha “de bom tom” que alterar a data das suas férias já marcadas, teria que escrever mais ou menos o seguinte ao Diretor do departamento no qual você trabalha: “À luz dos preparativos da iminente visita ao Brasil de Sua Alteza, o Imperador do Japão, rogo a Vossa Excelência o obséquio de habilitar-me a realizar, caso possível, e com a necessária brevidade, alteração do meu período de férias do dia X para o dia Y”? A forma no Itamaraty é também parte do conteúdo e, para o bem ou para o mal, faz parte da tradição não só do Itamaraty, mas também do Quai d´Orsay (França), do Torre Tagle (Peru), etc. e das tradicionais Chancelarias ao redor do mundo.

Há, ainda, uma parte bem interessante do ensino do Rio Branco que são as palestras realizadas por professores estrangeiros e autoridades em visita ao Brasil. Com certa regularidade, vêm ao Instituto acadêmicos de alta projeção falar com os alunos sobre temas atuais das relações internacionais. Em 2016, por exemplo, já ouvimos a Diretora da Escola de Administração (ENA) da França falar sobre administração pública, o Embaixador Britânico falar sobre a saída do Reino Unido da União Europeia, o Embaixador da Macedônia falar sobre a crise de refugiados nos Bálcãs, além de autores acadêmicos como Walter Russel Mead, George Edwards II, dentre vários outros, que interagem com alunos em um ambiente muito franco, como raramente se vê nos eventos de cunho universitário ou empresarial. Penso que, de certa forma, esse conjunto de atividades seja uma maneira de manter atualizado o currículo do Rio Branco com os novos debates e as novas exigências da carreira de diplomata.

Recursos prováveis – Francês

Amigos do Clipping, dando seguimento a cobertura do CACD 2016, aqui estão possíveis estratégias de recurso elaborados pela Profa. Gilda Gama. Se você gostaria de sugerir recursos para serem adicionados a essa lista, por favor, mande para o email contato@clippingcacd.com.br que o Clipping pode carregar por aqui e dar maior visibilidade.

Lembrando que esse ano não tivemos ranking das provas de línguas, pois o ranking do ano anterior para línguas não funcionou tão bem como os rankings para o TPS. No entanto, a comunidade já se reuniu e postou por aqui uma tabela Excel com as notas aqui

Lembrando que vale a pena conferir como redigir um recurso eficiente para o CESPE aqui

Dito isso, aos recursos e não deixe de deixar seu comment abaixo:

 

Recursos possíveis para prova de Francês do CACD 2016

Por Gilda Gama

 

#Questão 26

Item 1. Nas linhas 8 e 9 do texto o autor diz “Legba, ce dieu du panthéon vaudou dont on voit la silhouette dans la PLUPART de mes romans". Não se pode, portanto, sem extrapolar o conteúdo do texto, afirmar que o deus Legba está « figurativement présent dans TOUS ses romans”.

 

#Questão 27

Item 2. Butim de guerra não é a expressão adequada para classificar a permanência da língua francesa no Haiti após a colonização. Há um sentido negativo internacionalmente reconhecido na palavra “butin”/butim, sendo assemelhado a pilhagem e roubo (dicionário Houaiss) e a “dépouille” (Dicionário Le Petit Robert). Ainda, a assimilação de um idioma por outro povo não pode ser considerada como uma perda para aqueles que o utilizavam originariamente, posto que não se priva estes de seu uso.

Segundo o dicionário Le Petit Robert: Butin – Ce qu’on prend à l’ennemi, pendant une guerre, après la victoire.

Segundo o dicionário Houaiss: Butim 1) conjunto de bens materiais e de escravos, ou prisioneiros, que se toma ao inimigo no curso de um ataque, de uma batalha, de uma guerra; 2) produto de roubo ou de pilhagem.

 

#Questão 31

Item 2. A conjunção “comme” aparece duas vezes no referido parágrafo, expressando na primeira a ideia de causa e na segunda a ideia de comparação.

 

#Questão 34

Toda a questão está prejudicada devido ao seu enunciado: “Selon M. Laurent Fabius”. O texto utilizado como referência para a questão foi pronunciado por Nathalie Loiseau, não tendo sido sequer citado o nome do ministro no mesmo.

 

#Questão 39

Item 4. “en” substitui “ancien régime développé et corrigé”, e não somente “ancien régime”.

 

#Questão 45

Item 1. Na expressão “jouer ce qui ne lui appartient pas” o verbo “jouer” não tem sentido de “laisser au hasard, abandonner aux incertitudes du sort”. O verbo “jouer” tem um caráter ativo, de arriscar, “risquer” (conf. Dicionário Le Petit Robert). Já os verbos “laisser” e “abandonner” representam uma falta de ação, assemelhando-se a “lâcher”, “renoncer”, “désister” (conf. Dicionário Le Petit Robert).

 

#Questão 46

Item 3. A expressão “avec fracas” pode ser interpretada no sentido apontado no item, considerando a etimologia e o os usos figurados da palavra “fracas” admitidos nos mais renomados dicionários da língua francesa.

Dicionário Larousse : Fracas – Bruit violent et soudain de quelque chose qui se brise, qui heurte quelque chose, de ce qui éclate, s'effondre, etc. : Le fracas des vagues. Un fracas de verres brisés. Agitation bruyante : Le fracas de la circulation sur les boulevards.

Dicionário Le Petit Robert : Fracas – Bruit qui résulte d’une rupture violente, de chocs. Par extension : bruit violent.

Prova de Direito e Direito Internacional do CACD 2016

O Clipping está cobrindo o concurso de admissão à carreira de diplomata de  2016 (CACD 2016) ao vivo.  O que rolou? O que caiu na prova de Noções de Direito e Direito Internacional? O que a banca esperava como resposta? Vamos falar um pouco sobre isso… Estamos carregando aqui no Blog já já as questões… Se você voltar ao post em 10 minutos você terá acesso aos comentários do Clipping sobre a questão 1 prova. Se você depois de ler os comentários do Clipping, você voltar em 20 minutos terá acesso a mais comentários… E assim por diante. Seguiremos, falando de da prova de Noções de Direito e Direito Internacional do concurso de admissão à carreira de diplomata e atualizando o post ao vivo pelo resto do dia. #CACDaovivo​

Enquanto carregamos as questões e os comentários, dá uma olhada nessas leituras clássicas para qualquer CACDista…

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Vamos agora ao que importa. Abaixo, você vê como foi a prova de Segunda Fase do CACD 

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#1. Questão 1

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#2. Questão 2 

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#3. Questão 3

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#4. Questão 4

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Comentários do Prof. à prova de Economia do CACD 2016

Veja aqui abaixo os comentários sobre a prova de Economia. E após… 

loading-questao-ao-vivo Clique aqui para ver as repostas modelo do Prof. João Daniel para a prova de História de terceira fase.

 

 

 

 

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#1. Questão 1

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A primeira questão fez referência ao PAEG. Não foi a 1a vez que esse período apareceu na 3a fase. Dois elementos foram cobrados: (i) o diagnóstico que é ortodoxo, ou seja, visualizava a inflação como sendo causada pelo excesso de demanda; (ii) reformas econômicas e institucionais, onde deveriam ser exploradas as reformas financeira e tributária. Era importante não deixar de mencionar as instituições que foram criadas no período, assim como o arcabouço organizacional que foi fortemente alterado.

 

#2. Questão 2 

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A segunda questão foi sobre comércio exterior. É um tema recorrente e cobrado quase todos os anos na 3a fase. Três temas foram cobrados: (i) vantagens e desvantagens de barreiras às importações. Mostrando as motivações que levam um país a adotá-las ou a removê-las; (ii) diferenciar restrições via preços (tarifas) e via quantidade (quotas) com a caracterização dos instrumentos. Os dois regimes com suas vantagens e desvantagens deveriam ser explorados. Era importante não deixar de salientar suas diferenças; (iii) explorar as justificativas para a proteção. Elementos estratégicos e econômicos seriam muito bem-vindos; (iv) apresentar o histórico da política comercial brasileira dos anos 1990 em diante. O ponto de partida seria a abertura do governo Collor.

#3. Questão 3

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A terceira questão explorava as diferenças entre concorreria perfeita e oligopólio. Todas as características das duas estruturas de mercado precisavam ser apresentadas. No caso do oligopólio, era necessário diferenciar o oligopólio cooperativo (com a formação de um cartel) e o não cooperativo.  

#4. Questão 4

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A quarta questão trabalhava balanço de pagamentos, especificamente a diferenciação entre BPM5 e BPM6. As diferenças precisavam ser apresentadas, destacando-se a lógica de fluxo financeiro (BPM5) versus patrimonial (ativo-Passivo no BPM6). No caso do déficit em transações correntes, cujo valor também ficou maior com a mudança metodológica, o Banco Central explica que novas "rubricas" passaram a fazer parte do resultado, como os chamados "lucros reinvestidos" – ou seja, os lucros auferidos por empresas estrangeiras instaladas no Brasil.

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Prova de PI e Geografia do CACD 2106

O Clipping está cobrindo o concurso de admissão à carreira de diplomata de  2016 (CACD 2016) ao vivo.  O que rolou? O que caiu na prova de Política Internacional e Geografia? O que a banca esperava como resposta? Vamos falar um pouco sobre isso… Estamos carregando aqui no Blog já já as questões… Se você voltar ao post em 10 minutos você terá acesso aos comentários do Clipping sobre a questão 1 prova. Se você depois de ler os comentários do Clipping, você voltar em 20 minutos terá acesso a mais comentários… E assim por diante. Seguiremos, falando de da prova de Política Internacional e Geografia do concurso de admissão à carreira de diplomata e atualizando o post ao vivo pelo resto do dia. #CACDaovivo​

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Vamos agora ao que importa. Abaixo, você vê como foi a prova de Segunda Fase do CACD 

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#1. Questão 1

 

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A primeira questão tinha um espaço temporal muito bem definido: do período que compreende a criação do Mercosul, em 1991, até o momento atual. A informação de partida é que, ao longo de todo este período, o tema da democracia esteve muito presente em todos os discursos e projetos desenvolvidos pela política externa brasileira. A recente democratização demandava da América Latina a construção de credenciais democráticas, que poderiam aparecer na introdução da questão, para mostrar a centralidade do tema para o bloco. Se o objetivo do Mercosul era permitir a inserção dos seus integrantes no mundo, credibilidade é um atributo indispensável. A democracia oferece esta credibilidade, assim como a transparência, estabilidade econômica e abertura comercial – todas, preocupações do Mercosul. Estas são as bases do bloco, e a democracia é um de seus pilares.

A próxima parada da resposta poderia ser a inclusão da democracia como uma regra. A afirmação de que a democracia é crucial para o Mercosul não impediu que o general paraguaio Lino Oviedo tentasse um golpe sobre o presidente Juan Carlos Wasmosy, em 1996. A participação brasileira na frustração do golpe foi importante, e o legado foi a necessidade de uma estruturação mais clara do sistema de preservação da democracia no Mercosul. Em 1998, esta preocupação materializou-se na aprovação do Protocolo de Ushuaia, que tinha que aparecer na resposta. Este protocolo – a primeira Cláusula Democrática do MERCOSUL  – previa a possibilidade de suspensão de qualquer integrante do bloco que violasse a democracia, ainda que não apresentasse qualquer definição clara acerca do que considera uma democracia. O documento faz menção à “ordem democrática”, tida como condição necessária para o bom funcionamento do bloco. E a suspensão é matizada: desde o impedimento da participação do estado nos trabalhos do bloco, até a suspensão dos direitos e obrigações resultantes do funcionamento do bloco.

A essa altura, era necessário que sua prova já tivesse mostrado os fundamentos da cláusula e sua materialização, num primeiro passo evolutivo.

Em 2010, a Unasul passava pelo seu processo de estruturação: fora criada em 2008, depois de anos de negociações, e precisava criar sua base institucional, em um movimento parecido – guardadas as devidas proporções – com aquele feito pelo Mercosul 10 anos antes. Neste ano, os presidentes sul-americanos se reuniram em Georgetown e aprovaram uma cláusula democrática para a Unasul. O conteúdo deste protocolo adicional era uma atualização da ideia de democracia na América Latina, e previa medidas mais duras do que o Protocolo de Ushuaia. As punições passavam de possíveis suspensões do Unasul, podendo evoluir até sanções econômicas, corte do fornecimento de energia e fechamento de fronteiras. 

O impacto no Mercosul foi instantâneo. Os quatro membros do Mercosul – naturalmente incluídos nos debates de Georgetown, importaram o novo padrão de cláusula democrática, e criaram o Protocolo de Montevidéu, em 2011. O Protocolo de Ushuaia não estava revogado, mas surgia um documento com termos mais fortes, um cláusula democrática 2.0 (não por acaso, chamado de Ushuaia II). 

Aqui, começam os problemas: o presidente paraguaio, Fernando Lugo, concordou com os termos do Protocolo de Montevidéu, o que levou a uma reação negativa por parte do senado daquele país. Lugo tinha uma rejeição altíssima em meio ao legislativo e, em 2012, teve contra si a abertura de um processo de impeachment. Uma das alegações deste pedido era que Lugo violara a soberania paraguaia ao assinar o Protocolo de Montevidéu, que punha nas mãos dos vizinhos a avaliação sobre o que era a democracia paraguaia. O impeachment foi aprovado e as consequências para o MERCOSUL foram intensas: o bloco se reuniu para debater a aplicação do Protocolo de Ushuaia, pela primeira vez, e o Paraguai foi suspenso do Mercosul. 

O debate sobre o conceito de democracia era intenso. Lugo e seus partidários ressaltavam o fato de o presidente ter sido afastado depois de um processo que durara menos de dois dias. Seus detratores argumentavam que a constituição permitia tal manobra – resquício da abertura democrática, que deu amplos poderes ao congresso, para evitar um presidente centralizador, como Stroessner.

A destituição de Fernando Lugo veio em um momento no qual a Venezuela tentava ingressar no Mercosul, e contava com resoluto apoio de Brasil, Argentina e Uruguai. O Paraguai resistia a aprovar, no senado, o ingresso do país de Hugo Chávez, em grande medida contrariando a preferência de Fernando Lugo. Quando o impeachment foi aprovado, houve hesitação: com a suspensão do Paraguai, como ficaria o processo decisório do bloco? O voto paraguaio ainda contaria ou poderia ser ignorado?

Sem que houvesse uma resposta nítida para o dilema, já que o Protocolo de Ushuaia silencia sobre os efeitos da suspensão, a Venezuela foi admitida no bloco.

A resposta tinha que deixar claro que a suspensão do Paraguai se deu por meio do Protocolo de Ushuaia, já que o de Montevidéu ainda não está em vigor. Ainda falta a aprovação por parte do… Paraguai.

O debate final da questão poderia ser centrado na atual conjuntura da Venezuela. Ainda que não tenha havido um golpe no país, há indícios – reforçados pelo atual governo brasileiro, de que o país não possui uma democracia plena. O Paraguai vem pressionando para que o Protocolo de Ushuaia seja aplicado contra o governo de Nicolas Maduro, o que parecia uma quimera há alguns meses. Mas, com a ascensão de Macri e Temer à presidência de seus países, esta possibilidade já não parece tão remota. 

O desafio central na aplicação das cláusulas ainda são a dificuldade de caracterizar uma violação à ordem democrática e a demora em aprovar o Protocolo de Montevidéu. As perspectivas a serem apresentadas na questão dependem da argumentação definida ao longo da questão, que era trabalhosa, mas não difícil para quem dominasse os debates mercosulinos em torno da democracia nos últimos anos. 

 

#2. Questão 2 

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#3. Questão 3

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#4. Questão 4

 

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Respostas modelo à prova de História do CACD 2016

Candidata ao CACD enviar mensagem à noite da véspera da prova para a carreira de diplomata para o Prof. João Daniel, você não acredita o que aconteceu! A troca de mensagens, com autorização do candidato e do Prof. João Daniel foi reproduzida na correção da questão 4 de História. Veja abaixo>

Mas antes de ir a fundo nessa história, vale a pena favoritar essa página no seu navegador para ler depois, pois como disse o candidato nos comentários desse post, essas respostas valem um curso inteiro no valor de 2.000 reais. Concordas? Dê uma olhada e deixe seu comment abaixo>

Comentários gerais do Prof. João Daniel 

Trata-se aqui de algumas breves sugestões que não esgotam o tema mas tem por objetivo tranqüilizar (ou desesperar ainda mais) os candidatos que realizaram a prova de ontem em relação ao que me parece que seria esperado pela banca em termos de conteúdo.

Minha percepção é que foi uma prova simples. Ainda mais fácil que a do ano anterior que à exceção da primeira questão (muito difícil) cobrou temas bem fáceis. Nessa prova qualquer candidato minimamente preparado fez a festa. Prevejo notas com media em torno de 70%.

Reitero que esses comentários são apenas de conteúdo. Não é possível analisar a forma de cada candidato, exceto quando as corrigimos ou temos acesso ao espelho. A verdade é que em provas fáceis ou muito difíceis ocorre um certo nivelamento dos candidatos preparados e nesses casos a forma, em minha opinião (e eu sei que muitos dos meus colegas discordam dessa minha opinião frontalmente), é determinante.

Nesse sentido esses comentários podem e devem servir de guia para eventual elaboração de recursos. Esse ano infelizmente não estarei disponível para ajudar (como nos últimos 12 anos) na leitura desses espelhos, mas espero que esses apontamentos cumpram parcialmente essa tarefa.

1. Questão 1 de História do Brasil do CACD 2016  

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A apresentação foi criativa. Há muitos e muitos anos eu não vejo uma questão tão bem elaborada. Fiquei até com uma certa inveja (como não fui eu quem pensou em cobrar uma questão assim). Cobra toda a primeira república e transfere aos candidatos a responsabilidade de escolher os conteúdos que preencham as hipóteses (argumentos) do Ricupero. Ainda assim é fácil, pois tira metade do trabalho dos candidatos que é pensar os argumentos, que já estão dados. Os candidatos mais espertos ou mais cautelosos vão construir sub-argumentos dentro dos três eixos apresentados no texto (o ideal é um para cada página) os demais vão simplesmente encher as 90 linhas com fatos e mais fatos. Eis uma questãozinha que estou convicto que o modo pelo qual vc organizar sua resposta será determinante em sua nota.

Eu organizaria assim como estou organizando esses comentários. Um parágrafo ou dois de comentários gerais discutindo os eixos do Ricupero e inclusive ousadamente sugerindo mais um ou dois pontos que a Primeira República inovou em sua PEB, tal qual a diplomacia do prestígio ou a diplomacia militar (ambos tratados por Ricupero e por Doratioto) e depois uns  quatro parágrafos para cada sub-item. Se a sua letra for grande teriam que caber em 3 ou até 2. Letras pequenas mais conteúdo.

A)    Aliança não-escrita.

1 §  Discutiria a origem dessa expressão (BURNS no artigo do HGCB e depois no livro desse mesmo nome) criticaria essa expressão dizendo que autores como Villafañe e mesmo Doratioto já superaram essa visão de “aliança” em prol de uma idéia de convergência de interesses pontuais mais de algumas divergências (Alsop, posição dos EUA na questão de Trindade, o Discurso do Barão na conferencia de 1906 e Haia, são alguns exemplos). Depois mencionaria a história dessa “aliança” na primeira república.

2 §  Citaria o bom momento das relações bilaterais no fim do império com a visita do Imperador à Filadélfia e sua escolha para arbitrar uma questão entre EUA e França, mencionaria a mudança que ocasionou a decisão do Império de participar da conferencia de Washington inicialmente prevista para 1881 que ocorreria em 1889 e discutiria os impactos que a República recém proclamada teve na aproximação intensa do governo provisório com Washington. Mencionaria o reconhecimento quase imediato da república (anterior aos europeus), a mudança de entendimento sobre tratados comerciais com a assinatura do Blaine-Mendonça de 1891 e o arbitramento da questão de Palmas decidido em 1890 e realizado a favor do Brasil em 1895 ambos como conseqüências de curto prazo da Conferencia. Depois discutiria o momento florianista de ressignificação pragmática de uma PEB inicialmente kantiana com a Esquadra Flint apesar da denuncia do tratados pelos dois países. (vai ficar grande, talvez tivesse que cortar algumas coisas, sublinhei o que acho essencial)

3 § O Barão.

Como o americanismo construído pelo Barão o ajudou pragmaticamente a encontrar soluções para outras questões como das fronteiras, do relacionamento com os vizinhos e, acima de tudo na defesa contra o imperialismo europeu (lembrar que o Barão serviu na Alemanha da Weltpolitik e inclusive casou a filha dele com um alemão alcoólatra, sabia intimamente dos perigos do imperialismo europeu: fazer a banca rir também pode te dar ponto[1]) que a questão de Trindade e sobretudo o caso Panther mostraram que era real. A nomeação de Nabuco quando da elevação da legação de Washington à categoria de 1aembaixada brasileira é significativa. Com Nabuco o americanismo pragmático ganha muita força (tese de doutorado do professor Luigi Bonafé) à exemplo da resolução do caso Panther, da questão Alsop e principalmente da organização da III Conferencia interamericana no Rio de Janeiro com a visita de Elihu Root, primeira vez que um secretário de Estado norte-americano viajava para o exterior.

4  § Os legados do americanismo pós barão do Rio Branco. O episodio de desinteligência entre Lauro Muller e o embaixador Domício da Gama, sucessor de Nabuco em Washington e a vida toda braço direito do barão sobre a guerra civil paraguaia pode servir de gancho para discutir pragmatismo vs idealismo no pós-barão. Eugênio Garcia acha que é pragmatismo e eu seguiria por aí. Mencionaria o convite dos americanos para a mediação do ABC da crise com o México, a entrada na Grande Guerra em parte devido a decisão americana de Abril de 1917 e sobretudo o papel do Brasil nas conferencias interamericanas de Santiago (1923) e Havana (1928) onde o Brasil sempre tentava servir de algodão em relação às criticas à Washington no tema do imperialismo e das intervenções. Se sobrar espaço da pra mencionar a missão naval americana de 1922 e a visita de Hoover ao Brasil em 1928.

B)    Fronteiras e cooperação com os latino americanos.

Essa é mais simples. O argumento sistematiza o factual.

1  § Duas fases: Arbitramento (1889 – 1904) que representa uma mudança em relação ao Império e negociação bilateral (1902 em diante) implementada pelo Barão a partir da questão do Acre e reafirmada depois do relativo revés da questão do Pirara com a Inglaterra em 1904. Isso explica a dissociação das datas. A primeira fase termina depois (1904:Pirara) que a segunda fase começa (1902: O Barão, muda o entendimento e torna a questão do Acre em duas negociações bilaterais com a Bolívia e o Peru, neutralizando os EUA e indo contra a sugestão de arbitragem de Rui Barbosa um dos ministros plenipotenciários e senador de prestígio). Um inicio assim conceitual garante certamente uma nota alta.

2 § Fase um: arbitragem. Posição kantiana do Quintino e fracasso interno do tratado de Montevidéu não ratificado. Sucesso do Barão nos dois arbitramentos (1895 e 1900) e relativo insucesso de Nabuco (1904), explicando brevemente suas diferenças (questões mais geográficas nos casos do barão e aspecto mais jurídico com um arbitro preconceituoso no segundo caso. Barão retoma a tradição imperial de negociação bilateral, até pq os casos que sobraram eram contra países menos fortes que os que foram arbitrados. Pragmatismo.

3 § Fase dois: O caso do Acre como divisor de águas. Neutralização do Bolivian Syndicate e separação da questão entre a Bolívia e o Peru. Sucesso do tratado de Petrópolis se torna nova norma da PEB a ser implementada com Peru, Guianas, Venezuela e Colômbia. Citar o caso Uruguaio de 1909 e usar isso como gancho para a aproximação dos vizinhos.

4 § Mencionar que se por um lado a controvérsia das fronteiras nos afastava, por outro o regime republicano buscou aproximação com os vizinhos e com os países do hemisfério. Citar o ABC (1914) e a participação nas 5 conferências interamericanas (1889-90 Washington; 1900, México; 1906, Rio de Janeiro; 1923, Santiago e 1928, Havana). Mencionar as idas e vindas na relação bilateral com a Argentina (tensões sérias em 1908-1909 e 1922-23 em meio a momentos de maior aproximação desde 1904), o “gambito do rei”. Recusa à Doutrina Drago em 1906. Não caberia tudo mais esses são alguns dos elementos mais relevantes.

C)    Multilateralismo: global e regional

Mais simples ainda: Global Liga das Nações regional, Conferências interamericanas e Pacto ABC (não vai me dizer que você esqueceu do ABC e de Niágara Falls, 1914? Esqueceu?) Dá até pra fazer só em 2 paragrafos e compensar a verborragia dos itens anteriores. E fazer o ultimo Parágrafo da letra B menorzinho, dizendo que essas questões se confundem (multilaralismo regional e cooperação com os latino americanos)

1 § Liga. Participação do Brasil na Guerra, Motivos e a controvérsia pelo assento permanente até 1926. (ver meu vídeo no YouTube de 2009

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Locarno e a questão alemã. “Vencer ou não perder”. Nesse caso dá até pra debater isso sem precisar recordar o factual, só analisando os fatos que tanto vocês como a banca já sabem. Um bom argumento é do Garcia, uma indefinição entre a America e a Europa. Em 1926 fica claro que a America venceu.

2 § Conferências. A primeira foi discutida na letra A (virada pro americanismo, comércio e arbitragem). A segunda (México 1900) o delegado brasileiro morreu, nossa participação ficou comprometida. A terceira foi no Rio (1906) da pra falar de diplomacia do prestígio, do Root, das reformas do Pereira Passos, do discurso do Barão e da recusa à doutrina Drago. A 4a. De Santiago (1923) são as controvérsias sobre a questão do rearmamento naval. O Brasil fica na berlinda quando em meio a tentativa chileno-argentina de limitação da tonelagem da armada brasileira descobre-se que encomendamos uma missão naval com Washington e que o tratado era secreto. O pacto Gondra de solução de controvérsias salva a conferência. A 5a de Havana (1928) quem está na Berlinda são os EUA por conta das criticas ao Big Stick. A posição brasileira é de não se indispor com os EUA. Seria interessante lembrar que o representante brasileiro tanto na conferencia de 1923 quanto na de 1928 é o mesmo embaixador que nos representou na Liga, Afrânio de Melo Franco. Indicar que ele foi escolhido para ser o chanceler do governo provisório pós 1930, seria uma formidável maneira de concluir essa questão indicando as continuidades do Período da Primeira República para a Era Vargas (aquele papo de sempre de política de estado versus política de governo que sempre agrada a banca).

[1] A titulo de curiosidade Maria Amélia do Rio Branco se separou do Barão Werther depois que o pai morreu e, segundo especulações da imprensa da época talvez tenha matado ele à tiros em 1915 quando ele foi a casa do medico Nabuco de Gouveia (sobrinho de Joaquim) tentar resgatar seus cinco filhos. Amélia, que era mulher de verdade, depois se casaria com o Dr. Nabuco, deputado federal. A Alemanha já estava mergulhada nas trincheiras da Grande Guerra, mas esse alemão morreu na Gávea mesmo, antes do Brasil entrar na guerra.

2. Questão 2 de História do Brasil do CACD 2016  

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Trata-se de outra questão fácil. Deve ser o período mais estudado de HB. A gente estuda isso quase desde que entra na escola. A dificuldade aqui é fazer isso caber em 90 linhas. O Clipping já tinha previsto a questão, ao analisar o professor Barbosa na banca de  HB. Todo mundo sabe escrever 90 linhas sobre esse assunto, claro que mais uma vez a organização desse conteúdo será um diferencial. A escolha sobre o que priorizar outro diferencial. Acredito que, em se tratando de Barbosa, a única coisa que não pode ficar de fora é ‘parlamento’. Longe de considerar os Parágrafos a seguir um ‘gabarito’, entendam como uma resposta possível.

Imaginemos um candidato com letra pequena que faça parágrafos simétricos. Dez Parágrafos. Uma introdução de 5 linhas. Uma conclusão de mais cinco. Podem ser seis e quatro ou até sete e três. Isso dá mais dez parágrafos de 8 linhas cada. Vamos ao que eu faria nesses oito parágrafos.

Lembrando que na minha introdução ou conclusão ideais nunca tem conteúdo. Apenas uma tese ou argumento geral. Vou sugerir alguns.

§1  Análise da constituição de 1946. Partidos ‘nacionais’. Constituinte escolheu o vice- presidente: Nereu Ramos. Onda municipalista. Viés nacionalista. Inicio dos debates sobre o petróleo. Influência dos comunistas (5% da Assembléia) na incorporação de legislação trabalhista no texto constitucional.  Mandatos de 5 anos para presidente descasados com os quatro anos dos deputados e eleições de presidente e vice separados como embrião para crises posteriores.

§ 2 Influência dos militares na política. Presentes em todas as eleições majoritárias como candidatos competitivos. Em geral da UDN (Gomes 2 vezes e Távora), mas também no PSD (Dutra e Lott). Diferenciação das três armas divididas internamente mas com a FAB marcadamente americanista e fortemente vinculada a UDN por conta de sua montagem com capital do Lend and Lease e treinamento norte-americano, alem da figura de seu ícone máximo, presidente de honra da UDN, o brigadeiro Eduardo Gomes. Apresentação da tese do José Murilo de Carvalho das Forças Armadas como ‘poder moderador’/juízes da luta política e de sua tipologia ‘soldado cidadão/soldado profissional/soldado corporação. Menção ao clube militar como termômetro dos quartéis. (talvez esse tenha que ficar um pouco maior)

§ 3 Partidos. Ideal caracterizar os maiores partidos: PTB, PSD e UDN. O primeiro herdeiro do queremismo, nacionalista e progressista tal qual menciona o texto de Ferreira (é bom citar trechos dele) os últimos mais conservadores. UDN de viés mais liberal e PSD sem grande linha programática clara mas vinculado aos interesses reacionários dos antigos interventores e caciques regionais da Era Vargas. Ferrenhamente avesso à reforma agrária e neutro e indiferente sobre modernização e industrialização exceto a ‘ala moça’ que apoiaria JK. UDN e PTB mas forte nas zonas urbanas. Se espaço houver mencionar o PSP de Adhemar de Barros, forte em SP (maior colégio eleitoral) e que lançou a candidatura de Getúlio em 1950 e os comunistas cassados em 1947 mas atuantes mesmo na ilegalidade em todo o períodos, não raro com candidatos presentes no PTB e outras legendas de esquerda.

§ 4  Um parágrafo sobre modelos desenvolvimentistas. Citaria o Jaguaribe “nacionalismo na atualidade brasileira”. O papel do ISEB desde o grupo de Itatiaia e apresentaria brevemente cada governo de Dutra a Jango na tipologia nacionalismo/cosmopolitismo dando destaque à conciliação promovida por JK (justamente o governo durante o qual o livro de 1958 foi publicado). Discutiria que JK precisou trazer o PTB ainda mais pra dentro do executivo (ainda mais que Vargas de 1951-54) para conseguir implementar sua agenda desenvolvimentista avessa ao PSD, mas congelando o pleito da Reforma Agrária. Os ministérios do trabalho e da Agricultura cedidos ao PTB em momento de intenso êxodo rural favoreceram o crescimento eleitoral avassalador do sócio menor que se tornava crescentemente sócio paritário no sistema político então vigente. Link para o argumento do §s seguintes.

§ 5 e 6 A evolução do quadro partidário com ênfase no legislativo (tesão do homem). PSD sempre seria o maior partido (52% nas eleições de 1946) mas vai perdendo força à medida que a modernização e urbanização avançam. O PTB faz o caminho inverso (começa com 9% e termina com mais de 29% do congresso nas eleições de 1962). Os motivos são os mesmos e isso estressa a aliança PTB/PSD que se deve quase unicamente à herança varguista de ambos já que ideologicamente e geograficamente eram muito distintos em suas bases. Houve ensaios de aliança PSD/UDN no governo Dutra (rompido na sucessão) e no final do governo JK (igualmente inviabilizados na sucessão) mas a força do Varguismo antes e sobretudo depois do suicídio impunha incentivos poderosos à coalização PTB/PSD em sua vertente informal (1945 e 1950) ou formal (1955 e 1960) além de garantir bancadas majoritárias à quase todos os governos exceto Café Filho e Jánio Quadros. Isso, no entanto, não evitou crises políticas (ainda que tenha ajudado à contorná-las… não eu não concordo com isso mas essa é a tese que o Barbosa defende).

 § 7 Eu faria um Parágrafo exclusivamente cultural. Mencionaria as coisas a seguir muito telegraficamente, sem analisar nada muito à fundo. A Vera Cruz. A musica viva. As rainhas do rádio. Concretismo, Bossa Nova, euforia desenvolvimentista. Apogeu do futebol nas copas de 1950 e 1958. Renovação do mercado editorial com a fase final do modernismo. Renovação da imprensa com a ultima hora e seu impacto político. Lançamento da revista Manchete que apoiou o projeto de Brasília copiando o modelo editorial de Paris Match com grandes reportagens fotográficas de Jean Manzon e David Nasser. Terminaria mencionando o surgimento da TV em 1950 que só se popularizaria no regime militar e os embriões de contestação política e social como o Cinema Novo, os CPCs da UNE que após o golpe seriam perseguidos. Vocês provavelmente falaram de política externa. Chato. Nem convém ficar repetindo aqui o que todo mundo fez blábláblá do “alinhamento automático até a PEI” blábláblá passando pela OPA. Eu faria diferente só pra ser diferente mesmo. É um risco. Mas eu gosto de me arriscar. Talvez 1% tenha feito os dois. Mas aposto que 90% no mínimo fez PEB. Aposto que metade fez uma página inteira de PEB. Vocês são chatos.

8 §  O golpe. Analisaria algumas historiografias sobre o golpe. De Dreyfuss (papel do IPES e do IBAD e da influência americana) passando pelo José Murilo e a divisão do exército que herdeiro que adotou o modelo de segurança nacional da ESG radicalizando a visão intervencionista de ‘soldado-corporação’ de Goes Monteiro. Mas daria ênfase a tese do Lavareda sobre o parlamento. Diria que a democracia era fragilizada por conta do contexto de guerra fria e por conta da constante ação desestabilizadora dos militares mas elogiaria o papel parlamentar (contribuiu para a solução das crises de 1955 e 1961) e diria que os partidos eram fortes e vinham se fortalecendo social e ideologicamente mas que a polarização levaria a uma fragmentação político-parlamentar suprapartidária entre os defensores e detratores das reformas de base (citaria de novo o texto ‘motivador’ do Jorge). Mencionaria o papel da PEI nessa polarização (criada por um governo conservador seria acusada de comunista, mas sugerindo pontes de dialogo entre udenistas moderados como Arinos com petebistas moderados como San Tiago Dantas) mas que foram engolidos pela radicalização, em particular pela decisão de incorporar às massas ao debate político por meio de comícios com o apoio de comunistas e das Ligas Camponesas.

Em quase todos esses parágrafos há teses. Você poderia escolher uma ou duas e desenvolvê-las mais do que eu o que eu fiz aqui. Você poderia inclusive – e provavelmente fez – escrever cronologicamente e ir falando governo à governo. Chato. Mas possível. Eu menciono a chatice não apenas como uma cruzada pessoal contra o enfado, mas sobretudo, por que se a banca ler 200 provas cronológicas com Dutra – Vargas – Café – JK – Jânio  e Jango, a primeira prova que sair desse modelinho vai chamar muita atenção positivamente e isso eu acho muito bom. Era para discorrer sobre a experiência republicana não fazer o almanaque Abril ou a retrospectiva da década. Acho que quanto mais parecido com um dissertação melhor e desse outro jeito fica com cara de narrativa. Mas, como acho que essa deve ter sido a opção de 80% dos candidatos, esse acabará se impondo como o modelo default o que naturalmente será positivo e favorecerá notas altas para todos que conseguiram, dentro desses governos analisar mais do que descrever alguns dos pontos que mencionei nas minhas sugestões de parágrafo.

3. Questão 3 de História do Brasil do CACD 2016  

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Trata-se de outra questão fácil, ainda que longa. Como alias é a característica dessa prova. Esse mesmo assunto de modo muito parecido já caiu três vezes nos últimos 20 anos, sendo duas vezes na ultima década. A resposta esta quase toda no capitulo II do livro “Teatro das Sombras” de José Murilo de Carvalho. Bibliografia obrigatória para qualquer curso regular de HB. Não precisa saber muito pra fazer. Acho que quase todo mundo deve ter conseguido dar boas respostas aqui.

São quatro as peças legislativas que o comando da questão pede: A Lei Euzébio de Queiroz de 1850, a Lei Rio Branco ou lei 28 de Setembro ou ainda Lei do Ventre Livre de 1871, a Lei Saraiva-Cotegipe ou dos Sexagenários de 1885 e a Lei Áurea. Se o candidato lembrar que todas essas ‘peças legislativas foram aprovadas em gabinetes conservadores e discutir um pouco o efeito “Nixon vai à China” dessas peças legislativas (só gabinetes conservadores tem coesão e força suficiente para aprovar medidas reformistas e progressistas contra o interesse de grupos poderosos) já larga disparado na frente. Argumentos, argumentos, argumentos.

O homem gosta mesmo de parlamento. Vamos uma a uma.

1850:

A) Debate legislativo: Vinha desde sempre a discussão sobre abolir o tráfico. D. João prometeu, D. Pedro I prometeu e aceitou no tratado de reconhecimento, Feijó fez lei em 1831. A Lei foi sabotada pelos conservadores e apos sucesso inicial vira letra morta no Regresso Conservador. O debate aqui é que todo mundo liberais e conservadores concordavam com o fim do tráfico mas achavam que seria a “ruína da agricultural” então adiavam. A Inglaterra cansa de negociar em 1845 depois da Lei Alves Branco e decide retaliar com o Bill Aberdeen. Logo todo o debate parlamentar se deu sob a pressão inglesa. Há aí um debate historiográfico acirrado. Cito José Murilo:

“A subida dos conservadores em fins de setembro de 1848 levou à precipitação dos acontecimentos, devido a fatores que variavam de acordo com a versão que se adote, se dos conservadores brasileiros e da oposição inglesa, se a dos liberais brasileiros e do governo inglês. Parece claro, no entanto, que desde o inicio de 1849 o governo conservador começou a pensar seriamente numa lei brasileira em oposição a novo tratado como solução para o problema do tráfico”. 

Enquanto isso o governo de Palmerston autorizava os navios do almirante Reynolds a apreender e afundar navios nacionais em portos brasileiros despertando indignação popular. É meio óbvio que a pressão inglesa foi determinante para a lei. Mas Euzébio discorda, e Amado Cervo concorda com ele. Então você como bom futuro diplomata naturalmente apresentou a controvérsia sem tomar partido. Citou Bethell (cuja tese de doutorado é exatamente sobre isso) e José Murilo do lado das pressões inglesas e citou Cervo e o discurso de justificativa de Euzébio na Câmara quase dois anos depois em 1852 minimizando as pressões como motivadora da lei e argumentando que a pressão britânica só fez adiar a Lei, dado que o preço aumentava com a repressão estimulando ainda mais a economia do ‘infame comércio’. Mencionou ainda Euzébio no discurso de 1852 a crescente população cativa nas províncias próximas à corte fomentando o desequilíbrio perigoso entre livres e escravos. Lembrem-se que Euzébio era ministro da justiça. O fato da lei ter seu nome é ênfase no caráter nacional da Lei, e não um novo tratado com os ingleses.

O governo apresenta a lei em 12 de julho de 1850, um dia depois do conselho de Estado considerar que é impossível resistir aos ingleses moral ou materialmente e que manter o conflito com os britânicos prejudicaria muito a posição da armada brasileira em conflito quase iminente com Buenos Aires. A Lei incorporava projetos anteriores (de 1837 e 1848). Foi aprovado em cinco dias em sessões secretas. A razão da rapidez, alem da pressão britânica foi o fato de que havia apenas um liberal nessa câmara (eles boicotaram as eleições) e a ampla maioria conservadora não era dada a dissidências (ao contrario dos liberais). Tudo isso é detalhe. O que importa é que foi rápido. E o Rosas, o Rosas importa. (vale a pena reler essas páginas do “teatro das sombras” 273-276)

B) Efeitos imediatos: Acabou o tráfico. Dessa vez de verdade. Logo. O governo impôs a Lei. Pela lei os compradores de escravos seriam julgados pelo júri popular que na prática eles mesmos controlavam, logo a lei quase anistiava esses compradores e legalizava quase a propriedade desses escravos ilegalmente importados entre 1830 (data do tratado de reconhecimento que proibia pela primeira vez o tráfico) e 1850.  O governo conservador teve forças para reprimir, sobretudo na Bahia e em Pernambuco a ação dos traficantes com eficácia que fora impossível durante a regência, institucionalmente fragilizada. O governo nos anos seguintes substituiu, demitiu e aposentou desembargadores que não confirmaram sentenças condenatórias e o ministro da justiça Nabuco de Araújo chegou a substituir o presidente da província de Pernambuco quando veio a público um desembarque em Serinhaém (1855), considerado o último tumbeiro atlântico a chegar em praias nacionais.

Durante 20 anos propostas de legislação abolicionistas não eram sequer julgadas objeto de discussão. Só voltam à pauta agora por iniciativa da coroa durante a Guerra do Paraguai.

1871:

A)    Debate legislativo:

A coisa começa em 1866. A Coroa encomenda a Pimenta Bueno cinco projetos abolicionistas que o chefe de gabinete Marques do Olinda sequer admite discutir. Aí a Junta Francesa pela emancipação faz um apelo pessoal à D. Pedro II e ele responde que era (passo a citar José Murilo)

uma questão de forma e de oportunidade e que assim que terminasse a guerra o governo lhe daria prioridade. Segundo Nabuco teve o efeito de um raio caindo de céu sem nuvens. Ninguém esperava tal pronunciamento. Tocar assim na escravidão pareceu a muitos, na perturbação do momento, uma espécie de sacrilégio histórico, de loucura dinástica, de suicídio nacional. ” (CARVALHO, op. Cit. 280)

Em suma ninguém falava no assunto e o Imperador foi acusado de se curvar a seus amigos intelectuais franceses (Victor Hugo lhe escreveu). Nenhum partido tratava do assunto. A iniciativa foi da coroa e esse é o ponto relevante. O conselho de Estado consultado em 1867, foi favorável a abolição do Ventre (exceto o próprio marques de Olinda e o Barão de Muritiba) mas achavam que o momento não era propício.

A coisa se arrastou nos gabinetes liberais e nos conservadores até o fim da guerra. A escolha de Rio Branco para chefiar o gabinete de Marco de 1871 daria inicio a duríssima batalha parlamentar pela aprovação da Lei frente a um partido conservador cindido justamente por conta dessa proposta que já havia derrubado dois presidentes antes (Itaboraí que era contrario a abolição do Ventre e se recusou a apresentá-la e o próprio Pimenta Bueno, Marques de São Vicente que não teve talento político para levar a cabo a tarefa de fazer o projeto virar lei). Os liberais, reorganizados apos a queda do gabinete Zacarias no clube da Reforma, colocavam a abolição do ventre em expressamente em seu programa.

José Murilo diz que foi “a mais virulenta oposição já vista na Câmara”. Confusão. Tumulto. Invasão do plenário por espectadores. Apesar da câmara ser majoritariamente conservadora a oposição vinha do próprio partido sobretudo nas bancadas paulista, mineira e fluminense. A divisão geográfica era naturalmente explicada pelo tráfico interprovincial que sucedera à Lei Euzébio de Queiroz e esvaziara de cativos o norte e nordeste do pais concentrando os braços no sudeste. O grande numero de deputados que eram funcionários públicos – sujeitos à retaliação do governo – também contribuiu para a aprovação da Lei, debatida ao longo de todo o ano legislativo (Rio Branco discursou 21 vezes no parlamento). O imperador foi acusado de tirania o que era grave, já que o monarca não podia ser pela constitução responsabilizado politicamente. A cisão interna do partido conservador levaria no ano seguinte a dissolução da câmera, pedida pelo próprio Rio Branco, apesar da ampla maioria conservadora. Os liberais também criticavam, não a idéia, da qual tinham a paternidade, mas a execução, que julgavam justa que fosse implementada por eles. Tal roubo da fala estimulou significativamente a dissidência liberal para o republicanismo que começava a renascer nos anos de 1870. Segundo Carvalho, o governo se descolava das bases sócio-econômicas do Estado.

B)    Impacto imediato: Enorme. A lei dava personalidade jurídica ao escravo que podia processar seu senhor por maus-tratos ou obrigá-lo a fixar na justiça preço de sua alforria. O estado se imiscuía em uma relação que até então era privada. Isso motivou muita oposição que nas palavras de um debutado “abria na alma do escravo a perspectiva de direito”. A partir dos oito anos de idade os chamados “ingênuos”, crianças livres filhas de mãe escrava poderiam permanecer aos cuidados do senhor de sua mãe e trabalhariam para custear suas despesas ou poderiam ser entregues ao governo que se encarregaria de sua educação em troca de títulos públicos com juros de 30 anos. Pouquíssimos o fizeram. Ao contrario das leis anteriores não houve grande dificuldade de aplicar a lei, mas se estimulou a partir dos seus debates a organização crescente do movimento abolicionista urbano, tal qual conta Ângela Alonso em “Flores, Votos e Balas”. A participação popular será exatamente o elemento novo das duas últimas ‘peças legislativas’

1885:

A)    Debate legislativo: O ministério Liberal de Souza Dantas tentou passar o projeto dos sexagenários em 1884 em meio a organização da Conferencia Abolicionista que reunia várias sociedades com fins emancipatórios, mas nas duas tentativas foi derrotado. Alonso conta que o grande nêmesis do abolicionismo, líder do “partido escravocrata” era o filho do Visconde do Uruguai, Paulino José Soares de Souza. O projeto passaria na câmara em 1885 já no gabinete Saraiva (Liberal) e no Senado na presidência de Cotegipe (conservador).

B)    Impacto de curto prazo: quase nenhum. Eram pouquíssimos os escravos que alcançavam essa idade. Serviu apenas para enfraquecer temporariamente o abolicionismo (Nabuco escreveu em 1886 “O Eclipse do abolicionismo”) mas voltaria com força total em 1887, sobretudo depois que o clube militar publicou um manifesto se recusando a perseguir escravos fugidos.

1888:

A)    Debate Legislativo: Não houve. A coisa já estava de tal modo encaminhada que a aprovação foi quase unânime. O ambiente abolicionista era absolutamente hegemônico. Apenas nove deputados e um senador votaram contra a Lei Áurea. Alem da ‘opinião pública’ o peso da coroa também não é desprezível. O imperador dava títulos de nobreza aos que alforriavam seus cativos e a própria casa imperial já alforriara seus escravos. Os netos do imperador editavam um jornal abolicionista dentro do palácio. Tudo isso encorajava uma ação crescentemente ousada dos abolicionistas. Carvalho especula que a própria substituição de Cotegipe (conservador, critico da interferência da coroa no processo abolicionista) por seu correligionário João Alfredo, nada mais foi que um pretexto (incidente policial menor) para remover o ultimo obstáculo à abolição. Dos nove deputados, oito eram do Rio de Janeiro. Todas épocas tem seus Bolsonaros e Cunhas. Infelizmente eles estão quase sempre no meu estado. O peso da demografia é, é claro, determinante. Não por acaso o Ceará e o Amazonas, quase sem cativos foram os pioneiros em 1884 a abolir a escravidão.

B)    Impacto imediato: Concessão de 188 títulos de nobreza (inclusive à Paranhos Jr.) em comemoração (ou seria pagamento) pela Lei Áurea. Nunca antes na história desse pais (nem depois) tanta gente foi nobilitada. O debate sobre indenização (Rui Barbosa após o 15 de novembro mandou queimar os arquivos de registro da escravidão para evitar ações judiciais indenizatórias), e é claro, o abandono da questão negra, com a negligência da população escrava que não viu, reforma agrária, investimento em educação ou algum tipo de política social que lhe incorporasse em direitos de cidadania. Livre do açoite e da senzala, preso na miséria da favela. Do ponto de vista político, o Vale do Paraíba se tornou alheio a sorte da monarquia, enquanto que alguns senhores da noite pro dia se tornaram republicanos, que até então não passava de um punhado no interior da província fluminense. É forte a hipótese historiográfica da dissociação entre o regime e seu sustentáculo sócio-econômico escravista após a abolição e acredito que o candidato deve  mencionar necessariamente essa tese.

4. Questão 4 de História do Brasil do CACD 2016  

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Novamente uma questão bastante longa para o escopo de apenas 60 linhas. Já no item um, o comando pede uma descrição sobre duas décadas inteiras da PEB (anos 40 e 50) que já seria complicado de fazer em 90 linhas que dirá em 1/3 de sessenta. Minha recomendação é focar no gabinete saquarema, em particular na gestão Paulino cujas prioridades eram a questão do Tráfico (ver questão 3, sobre a lei Euzébio de Queiroz), a questão platina e a questão das fronteiras, que no caso da missão de Duarte da Ponte Ribeiro são essenciais.

Esse gabinete modifica as diretrizes liberais vigentes de 1844-48 em cada uma dessas questões e estabelece novos padrões de conduta internacional para a década seguinte (1850) marcada pela Conciliação entre os partidos gestada pelo Marques do Paraná (1853-57) e seu ocaso (1857-61). Dentre as novas diretrizes estão a implementação de uma política mais firme no Prata, o fim da negociação com os ingleses e a decisão interna de encerrar definitivamente o tráfico atlântico e o estabelecimento do Uti Possidetis como doutrina de definição de fronteiras.

Em relação ao Prata depois de anos de apaziguamento com Rosas (imobilismo) o novo gabinete conservador, já tendo herdado do qüinqüênio liberal a resolução da farroupilha e com a crescente pressão gaucha e parlamentar pelo retorno do intervencionismo platino adota uma política externa firme de oposição à Oribe (Blanco) no Uruguai o que ocasiona a declaração de guerra de Rosas ao Império em 1861. Dirá Villafañe:

“A missão especial para as Repúblicas dos Pacífico, cujas instruções datam de 1 de março de 1851, foi projetada inicialmente para afastar alianças e dissipar as eventuais simpatias por Rosas no resto do continente, inclusive atuando junto à imprensa desses países para a publicação de matérias favoráveis ao Império. (…) A presteza com que a campanha contra Oribe e Rosas progredia e a pouca simpatia que o argentino despertava tanto no Chile quanto no Peru permitiram que Ponte Ribeiro se concentrasse em suas negociações sobre limites, comércio e navegação com o governo de Lima apos uma breve estada no Chile”

Uma vez neutralizadas as pressões britânicas com a Lei do fim do tráfico e com a campanha platina caminhando para seu desfecho favorável em 1852 (Monte Caseros) restam as questões de fronteiras, que foi onde se concentrou Ponte Ribeiro, permitindo que se responda aos itens 2 e 3.

O desenvolvimento da Missão especial às Republicas do Pacífico e Venezuela se dá, então, inicialmente por conta da mudança de seu objetivo inicial de contenção das simpatias – quase inexistentes – ao rosismo e a implementação de uma nova política de fronteiras que viria a se tornar a política de estado do Império e da futura república. Uti possidetis mediado pelo principio das fronteiras naturais.

Foi difícil para Ponte Ribeiro conseguir convencer o governo peruano a adotar o uti possidetis. Eles queriam se firmar no acordo de Santo Ildefonso, mas ele acabou os convencendo. Seu argumento para que o uti possidetis fosse aceito pelo governo Imperial (já havia sido recusado em 1841 quando tratado semelhante não foi ratificado) é de que naquele momento do século XIX  o movimento demográfico que já havia sido na colônia de Leste para o Oeste, se invertera. O movimento das populações agora se tornara desfavorável ao Brasil e muitos povoados e habitações prósperos no período de ouro colonial estavam em flagrante abandono. Tal justificativa se encontra na pena do próprio Paulino, ministro dos negócios estrangeiros em seu relatório de 1852 ao parlamento.

Outro ponto importante que o candidato não poderia deixar de mencionar na negociação desta convenção foi a questão da navegação fluvial que Ponte Ribeiro resgatou do tratado de 1841, por ele proposto. Propunha no tratado que ao fim de 10 anos embarcações peruanas poderiam navegar de e para o Atlântico, ainda que tenha deixado a decisão final ao governo brasileiro por não possuir poderes para negociar o assunto (alias em 1841 ele não tinha autorização para negociar nem as fronteiras). Ele alertava no entanto que se negássemos ao Peru tal direito não teríamos qualquer autoridade para exigir o mesmo dos argentinos e uruguaios. O tratado de 1841 não foi ratificado mas em 1851 as circunstâncias eram outras. A crescente pressão européia e sobretudo estadunidense para a abertura da navegação amazônica trouxe novamente o assunto à baila. Enquanto endurecia em defesa da soberania na questão fluvial, o império do Brasil, graças à Ponte Ribeiro, ressuscitava esta tese no Convênio de 1851, inclusive como forma de multilateralização da defesa amazônica contra forças muito mais poderosas.

A Convenção especial de Comércio, Navegação Fluvial , Extradição e Limites entre o Brasil e o Peru foi assinada em outubro de 1851 e ratificada pelos dois países no ano seguinte. Na Bolívia Ponte Ribeiro tentou, sem sucesso, acordo similar. A missão foi dividida em duas e no Equador, Nova Granada (Colômbia) e Venezuela, o negociador foi José Maria Lisboa, futuro barão de Japurá. Assinou convenções com Colombianos e Venezuelanos que depois não seriam ratificadas pelos parlamentos destas nações.

Duarte da Ponte Ribeiro foi chamado por um de seus biógrafos o “fronteiro-mor do Império” (Castilhos Goycochea). Para alem de sua participação direta nas negociações de 1841 e 1851 com os peruanos que restabeleceram o uti possidetis como doutrina de Estado que perdura até nossos dias, este diplomata, apos se aposentar (1853) prestará serviços ainda mais duradouros à instituição até sua morte em 1878. Se torna um memorialista e geógrafo do território brasileiro participando de debates no IHGB, organizando a mapoteca do Itamarati (inclusive negociando permuta com os arquivos portugueses de mapas coloniais), mais do que triplicando o numero de mapas (de 127 em 1852 para 433 em 1876) e escrevendo sucessivas resenhas, memórias e trabalhos sobre as fronteiras. Isso foi feito em paralelo a recuperação do arquivo do Itamarati, ajudando no trabalho de catalogação dos mapas e documentos, subproduto da participação de Ponte Ribeiro na elaboração da Carta Geral do Império publicada em 1875.

Villafañe aponta ainda que Ponte Ribeiro, na contramão de parte importante da opinião letrada do império, julgava importante a participação e protagonismo do Brasil em congressos continentais nos moldes daquele imaginado por Bolívar no Panamá. Sugeria ele a criação de um sistema uniforme de política e direito público externo (debates que de fato surgirão nas conferencias interamericanas do final do século XIX e inicio do século XX). Ele tinha um prognóstico muito otimista sobre o assunto o que para Villafañe permite que

“Duarte da Ponte Ribeiro pode, também, ser visto como um precursor da idéia de integração sul-americana. Foi, durante o Império, uma das poucas vozes que se mostrou simpática a participação do Brasil nos congressos americanos.”

O mais surpreendente de tudo nessa questão não tem qualquer relação com o conteúdo. Faço questão sempre de divulgar nas aulas que dou de preparação para a terceira fase de que não acredito em bruxas. Mas a verdade é que elas existem a assombram com freqüência os sonhos dos candidatos. Em particular na véspera da prova de História do Brasil. O caso mais notório e curioso foi da diplomata Claudia Assaf que me ligou na véspera da prova de 2006 (ano em que foi aprovada) tendo sonhado com Dutra e a aparente contradição de sua posição internacional durante o Estado Novo e ao longo de seu mandato posterior. Conversamos quase uma hora e no dia seguinte uma questão inteira sobre Dutra. Era meu ‘causo’ mais impressionante.

Não é mais. Com a autorização do candidato reproduzo aqui os prints das mensagens que recebi no sábado anterior à prova de HB.

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Se valer o precedente, sonhar dá sorte e já temos pelo menos, um merecidíssimo, aprovado. Espero sinceramente que o sucesso da Cláudia Assaf no concurso e à serviço do Brasil nesses últimos 10 anos inspire todos vocês que sonham dormindo ou acordados, com Missões, barões, possidetis e um futuro melhor para o Brasil.

Se sonhar com alguma coisa, me liga!

Quer começar a estudar para o concurso da diplomacia tendo acesso a toda a bibliografia, Edital Esquematizado e, em breve, um banco de questões*

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Modelos de recursos para prova de Inglês do CACD 2016

Caro candidato ao CACD. Neste post você encontra subsídios para recorrer na prova de Inglês do CACD 2016 disponibilizado pelos professores abaixo. Para navegar no post clique abaixo:

*Ferramenta desenvolvida pelo Clipping

** Divulgação com autorização e apoio dos professores envolvidos

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1. Comparação de respostas por meio do gabarito colaborativo

  

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Modelo de resposta prof. Cléo Franco

Translation – Part A

Sugestão de resposta Prof. Cléo Franco:

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Sugestão de tradução: A tradução deve refletir fielmente as ideias do texto original. Às vezes, a tradução literal é possível e natural, porém, outras vezes, o tradutor precisará encontrar fórmulas mais naturais na língua alvo, que não distorçam o sentido. Algumas vezes, deve-se trocar a ordem das frases e encontrar estruturas e palavras equivalentes.

Ao ler estas palavras, você está participando de uma das maravilhas do mundo natural. Porque você e eu pertencemos a uma espécie com uma habilidade notável: podemos moldar eventos nos cérebros uns dos outros com uma precisão extraordinária. Não estou me referindo a telepatia ou controle da mente ou a outras obsessões das ciências alternativas; mesmo nas descrições daqueles que nelas acreditam, estes são instrumentos grosseiros comparados a uma habilidade que está inquestionavelmente presente em cada um de nós. Essa capacidade é a linguagem. Simplesmente produzindo ruídos com nossas bocas, podemos, com segurança, fazer com que novas combinações de ideias surjam nas mentes uns dos outros. Essa habilidade acontece tão naturalmente, que esquecemos que se trata de um milagre. Em qualquer história natural da espécie humana, a linguagem se destaca como a característica preeminente. Certamente, um ser humano solitário é um impressionante solucionador de problemas e engenheiro. Mas o que realmente atrapalha a nossa espécie pode ser melhor traduzido na história da Torre de Babel, em que a humanidade, falando uma única língua, chegou tão perto de alcançar o céu que o próprio Deus se sentiu ameaçado.

 

Translation – Part B

Sugestão de resposta Prof. Cléo Franco:

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Sugestão de traduçãoA tradução deve refletir fielmente as ideias do texto original. Às vezes, a tradução literal é possível e natural, porém, outras vezes, o tradutor precisará encontrar fórmulas mais naturais na língua alvo, que não distorçam o sentido. Algumas vezes, deve-se trocar a ordem das frases e encontrar estruturas e palavras equivalentes. Na língua inglesa, as frases não devem ser muito longas. Às vezes, é necessário dividi-las.

With the end of slavery and the ensuing disruption of the labor system, a series of efforts were made to attract immigrants, especially European ones, to Brazil. The experience came from the Empire period, but would be increased in the First Republic. Because of countries such as Argentina, Cuba, Mexico and the United States of America, the Brazilian government had to work hard to sell the idea of "earthly paradise". This contingent of immigrants was largely bound for the countryside, in order to set up official colonial nuclei in the southern states and especially coffee farms in the Southeast. However, they would eventually be absorbed by the dynamics of cities that grew and offered jobs and services. As there were large unoccupied areas in the south of the country, an immigration model based on small polyculture properties was installed there. The land was sold on credit, in lots of twenty to twenty-five hectares, usually distributed along the waterways. The properties were, however, very isolated, and their new inhabitants were subject to all kinds of adversity: indigenous attacks, ill-treatment by the local population, tradedifficulties.

 

Summary

Sugestão de resposta Prof. Cléo Franco:

*Marcadas em amarelo estão as principais ideias para o resumo

Economists are sometimes criticized for concentrating too much on efficiency and too little on equity. There may be some ground for complaint here, but it must also be noted that inequality has received attention from economists throughout the history of this discipline. Adam Smith, who is often thought of as “the Father of Modern Economics”, was deeply concerned with the gulf between the rich and the poor. Some of the social scientists and philosophers who are responsible for making inequality such a central subject of public attention were, in terms of substantive involvement, devoted economists, no matter what else they might also have been. In recent years, economics of inequality as a subject has flourished. This is not to deny that the focus on efficiency to the exclusion of other considerations is very evident in some works in economics, but economists as a group cannot be accused of neglecting inequality as a subject. If there is a reason to grumble, it rests more on the relative importance that is attached, in much of economics, to inequality in a very narrow domain, viz. income inequality. This narrowness has the effect of contributing to the neglect of other ways of seeing inequality and equity, which has far-reaching bearing on the making of economic policy. Policy debates have indeed been distorted by overemphasis on income poverty and income inequality, to the neglect of deprivations that relate to other variables, such as unemployment, ill health, lack of education, and social exclusion. Unfortunately, the identification of economic inequality with income inequality is fairly common in economics, and the two are often seen as effectively synonymous. If you tell someone that you are working on economic inequality, it is quite standardly assumed that you are studying income distribution.

The distinction, however, between income inequality and economic inequality is important. Many of the criticisms of economic egalitarianism as a value or a goal apply much more readily to the narrow concept of income inequality than they do to the broader notions of economic inequality. For example, giving a larger share of income to a person with more needs can be seen as militating against the principle of equalizing incomes, but it does not go against the broader precepts of economic equality.

Empirically, the relationship between income inequality and inequality in other relevant spaces can be rather distant and contingent because of various economic influences other than income that affect inequalities in individual advantages and substantive freedoms. For example, in the higher mortality rates of African Americans vis-à-vis the much poorer Chinese, or Indians in Kerala, we see the influence of factors that run in the opposite direction to income inequality, and that involve public policy issues with strong economic components: the financing of health care and insurance, provision of public education, arrangements for local security and so on.

Mortality differences can, in fact, serve as an indicator of very deep inequities that divide races, classes and genders. Statistics on mortality rates as well as other deprivations (such as undernourishment or illiteracy) can directly present a picture of inequality and poverty in some crucial dimensions. This information can also be used to relate the extent of relative deprivation of women to the existing inequalities in opportunities (in earning outside income, in being enrolled in schools and so on). Thus both descriptive and policy issues can be addressed through this broader perspective on inequality and poverty in terms of capability deprivation.

Despite the crucial role of incomes in the advantages enjoyed by different persons, the relationship between income (and other resources), on the one hand, and individual achievements and freedoms, on the other, is neither constant nor in any sense automatic and irresistible. Different types of contingencies lead to systematic variations in the “conversion” of incomes into the distinct “functionings” we can achieve, and that affects the lifestyles we can enjoy. I have tried to illustrate the different ways in which there can be systematic variations in the relationship between incomes earned and substantive freedoms (in the form of capability to lead lives that people have reason to value). The respective roles of personal heterogeneities, environmental diversities, variations in social climate, differences in relational perspectives and distributions within the family have to receive the serious attention they deserve for the making of public policy.

The argument is sometimes made that income is a homogeneous magnitude, whereas capabilities are diverse. This sharp contrast is not entirely correct, in the sense that any income evaluation hides internal diversities with some special — and often heroic — assumptions. Also, interpersonal comparisons of real income give us no basis for interpersonal comparisons even of utility. To get from the comparison of the means in the form of income differences to something that can be claimed to be valuable in itself (such as well-being or freedom), we have to take note of circumstantial variations that affect the conversion rates. The presumption that the approach of income comparison is a more “practical” way of getting at interpersonal differences in advantages is hard to sustain.

Furthermore, the need to discuss the valuation of diverse capabilities in terms of public priorities is an asset, forcing us to make clear what the value judgments are in a field where value judgments cannot be — and should not be — avoided. Indeed, public participation in these valuational debates is a crucial part of the exercise of democracy and responsible social choice. In matters of public judgment, there is no real escape from the evaluative need for public discussion. That evasion becomes transparent when we supplement income and commodity data with information of other types (including matters of life and death).

The issue of public discussion and social participation is thus central to the making of policy in a democratic framework. The use of democratic prerogatives — both political liberties and civil rights — is a crucial part of the exercise of economic policy making itself, in addition to other roles it may have. In a freedom-oriented approach, participatory freedoms cannot but be central to public policy analysis.

 

No resumo, o candidato deverá:

1)  Deve-se focar em 6 (seis) pontos principais do texto, evitando-se redundâncias.

2)  Não é preciso fazer referência ao autor do texto, datas ou títulos.

3)  Não se deve exceder o número de palavras (200).

4)  As seis ideias principais podem ser distribuídas em dois ou três parágrafos.

5)  Deve-se evitar a repetição dos termos usados no original 

 

Sugestão para resumo:

* as diferentes cores representam cada ideia

Scientists complain about the gap existing in the focus between efficiency and equity, being the former more valued than the latter. Nowadays, there has been a movement towards the economics of inequality. However, greater importance has been placed on income inequality. Moreover, the emphasis on income poverty and income inequality disregards other parameters involving jobs, health, education, social exclusion. In fact, economists usually compare economic inequality with income inequality. But, it is key to distinguish between them. Economic inequality has a larger scope.

Inequality in other areas should also be considered, as it is affected by other different economic forces, such as health care and insurance, public education, local security, and so on. Some policies should be enhanced to contemplate fairness to all, considering a more comprehensive outlook involving poor people’s needs. There are other elements that clearly show inequality and poverty, like mortality rates, poor nutrition, as well as the issues involving women’s status in society.

Capabilities that bring freedom and value to the individual should be factored in, but some think that whereas capabilities are varied, income is comparable. Public participation in value-judgement discussions about such diverse capabilities is a democratic right and fosters the public policy-making process. 

 

Essay

Sugestão de resposta Prof. Cléo:

A redação do CACD deve ser feita, levando-se em consideração as seguintes características:

1-  Deve-se atentar para o número de palavras (entre 400 e 450);

2-  O número de parágrafos deve ser 5 (cinco): Introdução, três parágrafos centrais e conclusão;

3-  Deve-se responder à pergunta proposta.

4-  A introdução deve conter: (i) apresentação do tema, (ii) a tese (a posição do candidato em relação ao tema), e (iii) três

ideias de apoio ao tema (de preferência apresentadas em estruturas paralelas).

5-  Os parágrafos centrais (2o, 3a e 4o) devem se referir às ideias de apoio, na mesma ordem em que foram declaradas na introdução.

6-  Devem-se incluir “Topic sentences” em cada parágrafo central, que resumem a ideia de apoio que será desenvolvida nos mesmos.

7-  A conclusão deverá reafirmar o que foi dito na introdução e nos parágrafos centrais, evitando-se a repetição de palavras e estruturas, isto é, parafraseando.

8-  O nível linguístico deve ser avançado, contemplando estruturas mais complexas, porém, em estilo acadêmico, direto e objetivo. As frases não devem ser muito longas, assim como os parágrafos.

Os pontos são assim divididos:

USE OF ENGLISH: 20

QUALITY OF LANGUAGE: 10

PLAN AND DEVELOPMENT:20

TOTAL: 50

Se o candidato zerar a parte gramatical, ficará com zero. As outras partes não serão consideradas. 

 

Esquema de redação

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3. Modelo de resposta prof. Rodrigo Armstrong 

Translation – Part A

Sugestão de resposta Prof. Rodrigo Armstrong: 

*grifos feitos pelo Clipping 

À medida que você lê essas palavras/Enquanto você lê essas palavras, você participa de uma das maravilhas do mundo natural, porque eu e você pertencemos a uma espécie que tem/com uma habilidade notável/impressionante: nós podemos moldar/influenciar/determinar eventos nos cérebros um do outro com precisão primorosa/impressionante/extraordinária/admirável/notável. Não estou me referindo à telepatia ou ao controle da mente ou a outras obsessões da ciência obscura/pouco ortodoxa/alternativa; até mesmo nas descrições/representações de seus seguidores/daqueles que acreditam nela, estes são instrumentos pouco precisos/imprecisos/grosseiros/toscos quando comparados a uma habilidade que está incontestavelmente/indubitavelmente presente em todos nós. Essa habilidade é a linguagem. Por meio de simples barulhos feitos com nossas bocas, podemos, com precisão/segurança/de maneira consistente, fazer que novas combinações precisas de ideias surjam/apareçam nas nossas mentes/mentes um do outro. Essa habilidade nos é tão natural que podemos/somos capazes de esquecer/costumamos esquecer o milagre que ela é. Em qualquer história natural da espécie humana, a linguagem seria destacada /destacar-seia/distinguir-se-ia como o traço/a característica proeminente/principal. Deve-se reconhecer/É verdade que um humano solitário é um solucionador de problemas e um engenheiro impressionante/extraordinário. Mas o que é realmente comovente/cativante/impressionante sobre nossa espécie é melhor apreendido/mais bem descrito/fica mais claro/fica evidente na história da Torre de Babel, na qual a humanidade, ao falar uma só língua/falando a mesma língua, chegou tão perto do paraíso/aproximou-se tanto do paraíso que mesmo Deus/o próprio Deus/até mesmo Deus sentiu-se ameaçado. 

 

Translation – Part B

Sugestão de resposta Prof. Rodrigo Armstrong:

*grifos feitos pelo Clipping 

With the end of slavery and the ensuing/resulting momentary disruption of the labor system/system of labor, many efforts were made in order to attract/bring immigrants, especially/above all/ mostly Europeans, to Brazil. This effort had been made/enterprise had been undertaken/project had been carried out at the time of/during the Empire, but it was strengthened/intensified during the First Republic. Due to competition from countries such as Argentina, Cuba, Mexico and the United States, the Brazilian government had to try hard/work hard/be diligent to sell/promote the idea of “earthly paradise”. Although they were largely destined to the countryside/to rural areas – to the formation of official colonial communities in southern states and, especially, to the coffee farms of the Southeast region of the country -, these immigrants would end up absorbed/taken in/captured by the dynamics of the cities that grew and offered work/jobs and services. Since there were large unoccupied areas in the country’s South, an immigration model based on small properties that planted many crops was installed/implemented there. Land was sold in instalments, in lots/areas of/that ranged from twenty to twenty-five hectares, usually distributed along rivers/watercourses. These properties were, however, very isolated, and their new inhabitants were subject to all kinds of adversities: attacks by Indians, animosity/hostility by/from the local population, difficulties in trade/commerce

 

Summary:

Sugestão de resposta Prof. Rodrigo Armstrong:

Economists are sometimes criticized for concentrating too much on efficiency and too little on equity. There may be some ground for complaint here, but it must also be noted that inequality has received attention from economists throughout the history of this discipline. Adam Smith, who is often thought of as “the Father of Modern Economics”, was deeply concerned with the gulf between the rich and the poor. Some of the social scientists and philosophers who are responsible for making inequality such a central subject of public attention were, in terms of substantive involvement, devoted economists, no matter what else they might also have been. In recent years, economics of inequality as a subject has flourished. This is not to deny that the focus on efficiency to the exclusion of other considerations is very evident in some works in economics, but economists as a group cannot be accused of neglecting inequality as a subject.

Although economists are generally criticized for focusing on efficiency and disregarding income inequality, there has been substantial work, from Adam Smith to modern economists, regarding the subject.

If there is a reason to grumble, it rests more on the relative importance that is attached, in much of economics, to inequality in a very narrow domain, viz. income inequality. This narrowness has the effect of contributing to the neglect of other ways of seeing inequality and equity, which has far-reaching bearing on the making of economic policy. Policy debates have indeed been distorted by overemphasis on income poverty and income inequality, to the neglect of deprivations that relate to other variables, such as unemployment, ill health, lack of education, and social exclusion. Unfortunately, the identification of economic inequality with income inequality is fairly common in economics, and the two are often seen as effectively synonymous. If you tell someone that you are working on economic inequality, it is quite standardly assumed that you are studying income distribution.

The problem is the overwhelming focus on income inequality, instead of inequality more generally, such as that pertaining to lack of access to health and education. Indeed, economic inequality is assumed to be synonymous to income inequality.

The distinction, however, between income inequality and economic inequality is important. Many of the criticisms of economic egalitarianism as a value or a goal apply much more readily to the narrow concept of income inequality than they do to the broader notions of economic inequality. For example, giving a larger share of income to a person with more needs can be seen as militating against the principle of equalizing incomes, but it does not go against the broader precepts of economic equality.

Nonetheless, most challenges to economic egalitarianism pertain to income inequality, but not to wider economic inequality.

Empirically, the relationship between income inequality and inequality in other relevant spaces can be rather distant and contingent because of various economic influences other than income that affect inequalities in individual advantages and substantive freedoms. For example, in the higher mortality rates of African Americans vis-à-vis the much poorer Chinese, or Indians in Kerala, we see the influence of factors that run in the opposite direction to income inequality, and that involve public policy issues with strong economic components: the financing of health care and insurance, provision of public education, arrangements for local security and so on.

In fact, income inequality and general inequality can be very different. For example, the higher mortality rates of African Americans, when compared to the poorer Chinese, reveals that issues such as financing of health care and local security can be even more important than income distribution in determining this statistic.

Mortality differences can, in fact, serve as an indicator of very deep inequities that divide races, classes and genders. Statistics on mortality rates as well as other deprivations (such as undernourishment or illiteracy) can directly present a picture of inequality and poverty in some crucial dimensions. This information can also be used to relate the extent of relative deprivation of women to the existing inequalities in opportunities (in earning outside income, in being enrolled in schools and so on). Thus both descriptive and policy issues can be addressed through this broader perspective on inequality and poverty in terms of capability deprivation.

Data on deprivations such as undernourishment or illiteracy indicate profound inequities between races, classes and gender, going beyond mere income inequality. Thus, profound matters can be addressed in terms of such capability deprivation.

Despite the crucial role of incomes in the advantages enjoyed by different persons, the relationship between income (and other resources), on the one hand, and individual achievements and freedoms, on the other, is neither constant nor in any sense automatic and irresistible. Different types of contingencies lead to systematic variations in the “conversion” of incomes into the distinct “functionings” we can achieve, and that affects the lifestyles we can enjoy. I have tried to illustrate the different ways in which there can be systematic variations in the relationship between incomes earned and substantive freedoms (in the form of capability to lead lives that people have reason to value). The respective roles of personal heterogeneities, environmental diversities, variations in social climate, differences in relational perspectives and distributions within the family have to receive the serious attention they deserve for the making of public policy.

Differences in the environment, social climate, and family structure, for example, should be integral to public policy aimed at promoting substantive freedoms.

The argument is sometimes made that income is a homogeneous magnitude, whereas capabilities are diverse. This sharp contrast is not entirely correct, in the sense that any income evaluation hides internal diversities with some special — and often heroic — assumptions. Also, interpersonal comparisons of real income give us no basis for interpersonal comparisons even of utility. To get from the comparison of the means in the form of income differences to something that can be claimed to be valuable in itself (such as well-being or freedom), we have to take note of circumstantial variations that affect the conversion rates. The presumption that the approach of income comparison is a more “practical” way of getting at interpersonal differences in advantages is hard to sustain.

The argument for focusing on income inequality is that this is a practical way to understand differences in advantages. However, this is hard to defend, since income reveals little even about utility.

 Furthermore, the need to discuss the valuation of diverse capabilities in terms of public priorities is an asset, forcing us to make clear what the value judgments are in a field where value judgments cannot be — and should not be — avoided. Indeed, public participation in these valuational debates is a crucial part of the exercise of democracy and responsible social choice. In matters of public judgment, there is no real escape from the evaluative need for public discussion. That evasion becomes transparent when we supplement income and commodity data with information of other types (including matters of life and death).

In addition, the need to discuss issues that involve matters of life and death contribute to democratic debate and public policy in ways that mere information income and commodity does not. There are vital value judgements to be made.

The issue of public discussion and social participation is thus central to the making of policy in a democratic framework. The use of democratic prerogatives — both political liberties and civil rights — is a crucial part of the exercise of economic policy making itself, in addition to other roles it may have. In a freedom-oriented approach, participatory freedoms cannot but be central to public policy analysis.

Political debate is crucial in democracies.

 

Items da resposta, divididos cromaticamente:

Although economists are generally criticized for focusing on efficiency and disregarding income inequality, there has been substantial work, from Adam Smith to modern economists, regarding the subject. The problem is the overwhelming focus on income inequality, instead of inequality more generally, such as that pertaining to lack of access to health and education. Indeed, economic inequality is assumed to be synonymous to income inequality.

Whereas most criticism to economic egalitarianism pertains to income inequality, income inequality and general inequality can be very different. For example, the higher mortality rates of African Americans, when compared to the poorer Chinese, reveals that issues such as financing of health care and local security can be even more important than income distribution in determining this statistic. Data on deprivations such as undernourishment or illiteracy indicate profound inequities between races, classes and gender, going beyond mere income inequality. Thus, differences in the environment, social climate, and family structure, for example, should be integral to public policy aimed at promoting substantive freedoms.

The argument for focusing on income inequality is that this is a practical way to understand differences in advantages. However, this is hard to defend, since income reveals little, even about utility. In addition, the need to discuss issues that involve matters of life and death contribute to democratic debate and public policy in ways that mere information income and commodity does not. There are vital value judgements to be made, and political debate is crucial in democracies. 

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CACD AO VIVO: O que caiu na prova de Português?

O Clipping está cobrindo o concurso de admissão à carreira de diplomata de  2016 (CACD 2016) ao vivo.  O que rolou? O que caiu na prova de Português? O que a banca esperava como resposta? Vamos falar sobre a prova de Português pelo resto do dia, compilando as opiniões dos Professores especialistas na prova de línguas do concurso de admissão à carreira de diplomata (CACD) Estamos carregando aqui no Blog já já as questões… Se você voltar ao post em 10 minutos você terá acesso aos comentários do Clipping sobre a questão 1 prova. Se você depois de ler os comentários do Clipping, você voltar em 20 minutos terá acesso a mais comentários… E assim por diante. Seguiremos, falando de da prova de Português do concurso de admissão à carreira de diplomata e atualizando o post ao vivo pelo resto do dia. #CACDaovivo​

Enquanto você aguarda o carregamento dos comentários do Clipping, dá uma olhada em alguns insights sobre a prova colhidos pelo Prof. e diplomata Maurício Costa, também diretor do filme Era dos Gigantes, na saída da prova com alguns candidatos.  

Youtube video

 

E também nessas leituras clássicas para qualquer CACDista…

1Leitura recomendada para quem nunca foi para a Segunda Fase: A 2ª fase é de longe o tema mais polêmico do CACD. Por isso mesmo merece um post à parte! Vamos falar um pouco mais sobre a 2ª fase do CACD? Antes fica o pedido de que ao faz… Ler mais

 

 

1Leitura recomendada para quem está este ano na Segunda Fase: Verdadeiro manual de como redigir recursos contra a banca do CACD e garantir aquele pontos que falta, esse post trata com detalhes a arte de fazer recursos eficientes. Ler Mais 

 

 

Quer começar a estudar para o concurso da diplomacia tendo acesso a toda a bibliografiaEdital Esquematizado e, em breve, um banco de questões

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Vamos agora ao que importa. Abaixo, você vê como foi a prova de Segunda Fase do CACD 

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#1. Redação do CACD 2016

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Questão complicadíssima que exigia do candidato uma boa dose de abstração para relacionar 

um fato relevante da cultura brasileira no século XX ou

um fato relevante da história mundial no século XX

à frase

Antes cair das nuvens, que de um terceiro andar

Antes de qualquer coisa essa questão é tudo menos original. Basta jogar a expressão no Google que você verá uma série de concursos públicos e vestibulares exploram à exaustação a interpretação dessa citação. Essa frase machadiana é tipo um best-seller de concursos públicos.

Ah Clipping mas não li o livro!

Sorte a sua nesse caso. Na verdade, esse excerto é completamente descontextualizado de todo o enredo da obra. O Capítulo CXIX de Memórias Póstumas de Brás Cubas, de onde saiu a frase é nada mais nada menos do que uma série de aforismos compilados pelo autor sem muita relação com o enredo desse consagradíssimo romance. Começa se colocando em risco quem tenta interpretar o excerto à luz do enredo da obra em si, portanto. Não era essa a ideia…

A banca no CACD 2016 dá um passo significativo ao se afastar de temas de Política Internacional. Algo em que boa parte da comunidade do CACD já vinha apostando há algum tempo e volta-se a temas culturais.

No entanto, as relaçoes que poderiam ser feitas pelo candidato tendem ao infinito. A questão é extremamente ampla e justamente por isso demanda cuidado para não se incorrer em  fuga de tema.  A banca tem-se mostrado a avessas a viagens além da conta nas questões de Português e anualmente 3 ou 4 candidatos costumam ser penalizados com o temido 0 por fuga do tema.

Sobre o que a maioria dos candidatos falou?

Modernismo. 

Muita calma nessa hora.. Valem aqui algumas considerações. Quando se aprofunda muito o estudo em determinado tema (modernismo é o tema mais estudado para a segunda fase) há sempre o risco de ir para prova com o olhar viciado e ver relações com o tema onde não existe. Puxar a sardinha para o lado do Leituras Brasileiras, que ele e todo mundo leu, é um instinto de preservação dos candidatos. Essa questão não é uma questão para se discorrer genericamente sobre Modernismo. Era perfeitamente possível escolher o viés do modernismo para a redação. Muitos assim fizeram e assumiram 2 desafios: o de mostrar originalidade para uma banca que possivelmente lerá centenas de redações inevitavelmente parecidas e o de tecer uma argumentação que relacione o movimento modernista à frase Antes cair das nuvens, que de um terceiro andar. 

Ah, Clipping então se eu falei de Modernismo eu fiz mal?

De forma alguma, você só fez uma escolha que acabou sendo, para o bem ou para o mal,  a escolha da maioria. Mas calma… Está tudo bem. Sobre o que você falou não define sua nota. O que importa no fim das contas é a demostração da sua capacidade de argumentar, analisar, e usar a norma culta impecavelmente. 

Outros candidatos escolheram relacionar a questão a um fato histórico do século XX falando sobre o fim das utopias, a queda do Muro de Berlim, etc. A princípio parece uma escolha mais tranquila, na medida de que essa relação desses eventos com a frase pode ser mais claramente estabelecida. No entanto, ressalta-se novamente: não há resposta certa ou errada. Há escolhas. Fugir da modernismo era uma escolha difícil e que, no calor do momento, pareceu arriscada a muitos candidatos. Foi um

Lembrando que a originalidade na elaboração da redação é um plus. O que importa no fim das contas é a demostração da sua capacidade de argumentar, analisar, e usar a norma culta impecavelmente. 

Ah, por último vale lembrar que o aforismo completo é:

Não te irrites se te pagarem mál um benefício; antes cair das nuvens, que de um terceiro andar.

Fica a título de curiosidade! 

—post em atualização—

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#2. Exercício 2 do CACD 2016

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Aguarde o Clipping está analisando a questão, volte em alguns minutos ou enquanto isso aproveita para essa resposta curiosa que saiu em uma daquelas matéias sobre a carreira diplomática. Estamos compilando essas matérias todas no nosso canal. Aproveita e assina aqui o canal do Youtube para receber vídeos sobre a carreira no seu email

 

 

 

 

 

#3. Exercício 3 do CACD 2016

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Aguardando os comments do Clipping? Volte em alguns minutos.

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Quer começar a estudar para o concurso da diplomacia tendo acesso a toda a bibliografia, Edital Esquematizado e, em breve, um banco de questões

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cotas no CACD: 7 mistérios sobre o resultado das cotas

CACD 2016: Saiu o resultado das cotas e muito mistério permanece no ar.

A política de cotas para negros e pardos no concurso do Itamaraty ainda é um mistério. Muito ainda há que ser definido. Entre o branco e o preto, há uma imensa área cinzenta que vem sendo terreno fértil para todo tipo de polêmica que começa nas discussões entre os candidatos nos grupos do facebook e que tem acabo mobilizado também boa parte da imprensa.

Quem é, para efeitos de cota, considerado negro ou pardo? Opiniões é o que não faltam, polêmicas também não. 

A decisão da Comissão Verificadora sobre quem pode ser considerado negro (preto ou pardo)  acaba de sair no site do Cespe, lançando um suspense mórbido sobre os CACDistas:

quem vai ser convocado a fazer a prova de segunda e terceira fase,  afinal?

Antes de responder essa pergunta analisamos com os mistérios dessa decisão que acaba de sair no site do CESPE 

 

Mistério 1: As degolas da Comissão Verificadora

Este ano nada menos do que 47 candidatos  não foram reconhecidos  como negros. Lembrando que por negros entende-se: pretos ou pardos (veja aqui) . Essa discrepância por si já daria o que falar e é o primeiro mistério nessa longa série de perguntas sem respostas. Peguemos o número de eliminados deste ano 47 e invertamos a ordem dos numeros. 47 ao contrário é 74, que é exatamente a idade de:

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E isso não é tudo. Há outras coisas estranhas nesse resultado:

Peguemos o número 47 e façamos a conta 4 + 7 

4 + 7 dá…

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11 (Eleven), que é exatamente o número de candidatos que não compareceram perante a Comissão Verificadora. Nada menos do que 11 candidatos não compareceram esse ano para fazer a confirmação da autodeclaração. Mas isso ainda não é tudo… Peguemos novamente o número de não reconhecidos como negros pela Comissão Verificadora no processo de degola: 47.

Esse número e composto dois números cabalísticos 4 e 7.

  • 4 foi exatamente o número de candidatos degolados pela Comissão Verificadora no ano passado (se está duvidando veja aqui). 
  • 7 é exatamente o número de candidatos de negros e pardos de candidatos que ficam faltando para completar os 60 negros e pardos da cota, já que esse ano apenas 53 candidatos foram aceitos como negros e pardos. 

Ou seja: esse ano dos 60 da cota, apenas 53 foram preenchidos. Faltam 7, o que nos leva a nosso próximo mistério.

 

Mistério 2:  O estranho caso dos 7

O Edital prevê 60 candidatos negros (pretos ou pardos)  para a segunta fase e terceira fase pelo sistema de cotas. No entanto, apenas 53 foram confirmados pela Comissão Verificadora como negros (pretos ou pardos) . O que nos leva à pergunta que não quer calar? 

 

Haverá preenchimento dessas 7 vagas por candidatos da ampla concorrência?

Ou serão convocados novos candidatos declarados negros para passarem por uma entrevista de repescagem da Comissão Verificadora? 

Ninguém ao certo o que vai acontecer daqui para frente. Os candidatos debruçam-se sobre o Edital e o Clipping fez o mesmo.

O Edital prevê que em caso de desistência de negro aprovado em vaga reservada a vaga seja preenchida por outro candidato negro (ponto 4.2.5  do Edital) e que na hipótese de não haver negros aprovados  em número suficiente, as vagas remanescentes serão revertidas para a ampla concorrência (ponto 4.2.6  do Edital). Essas regras, valem para caso de desistência. O que ocorre é  desistência é  bem diferente do caso em questão. Poderia haver interpretação extensiva nesse ponto? Mistério. Aguardemos.

 

 

Mistério 3: Os embranquecimentos súbitos

 

Outros mistério no estranho caso das cotas é o embranquecimento súbito de vários candidatos.

O que ocorre é que alguns candidatos que foram reconhecidos por unamimidade como negros no CACD 2015 subitamente foram considerados por unanimidade como brancos pela Comissão Verificadora do CACD 2017.

Ou seja: de acordo com a Comissão Verificadora, mais de um candidato embranqueceu subitamente de um CACD para o outro no que já pode ser considerado o caso de mudança de cor mais bem sucedido desde Michael Jackson:

 

 

Mistério 4: Os recursos milagrosos

Quem formulou o Edital certamente não contava que com tantas degolas ( muitas delas consideradas por grande parte dos candidatos injutas, diga-se de passagem ) feitas pela Comissão Verificadora, faltariam 7 candidatos cotistas para preencher o número de 60 cotistas estabelecidos em Edital. Muito se especula já que a saída perfeita para essa saia justa seria que a Comissão Verificadora, que por unaminidade não reconheceu 47 candidatos como negros, recebesse recursos tão convincentes a ponto de, por unanimidade passar a reconher como negros ou pardos pelo menos 7 ou mais candidatos.

Será que pelo menos 7 recursos milagrosos intervirão em prol de uma saída para essa saia justa? 

 

 

Mistério 5: O desaparecimento da Bolsa Afirmativa

Esse é outro mistério. O último rastro que se tem do programa de Bolsa Afirmativa, que já conta com mais de 11 edições e um processo seletivo bem organizado e com um funcionamento muito bem estruturado no que se refere à entrevista de averiguação ( veja neste post aqui as diferenças ) data de 2015, do site do CESPE (veja aqui).

A propósito hoje faz exatamente 1 ano que o Clipping escreveu uma matéria detalhada sobre o processo seletivo para a prova da Bolsa Afirmativa.

 

 

Mistério 6 : o desaparecimento do resultado

Outro mistério é o do desaparecimento do resultado. Lembrando que hoje, às vésperas da prova de segunda e terceira fase,  o mais próximo que temos de um resultado sobre quem segue para a terceira fase é uma tabela de Excel feita pela colaborativamente pela própria comunidade de candidatos à diplomacia. Ou seja: assim como já não há mais Bibliografia oficial, mas bibliografia oficiosa do concurso (  veja este post sobre a bibliografia oficiosa ), não temos resultado oficial, mas resultado oficiosoFica abaixo a tabela conforme postada no post de resultado de primeira fase do CACD 2016 

Resultado oficioso ampla concorrência > créditos a Pip Elo, pela organização da tabela.

 

Resultado cotas antes da verificaçao > créditos a Pip Elo pela organização

 

Mistério 7: A queda do corte

O corte vai cair? Quem vai para as próximas etapas, afinal? Nesse vespeiro o Clipping não mexe. As tabelas estão aí acima. Tirem suas próprias conclusões. Daqui para frente é 

Cada um por si e o CESPE contra todos

Seria cômico, não fosse trágico… Fato é que poucas vezes na história do CACD um resultado, ou a falta dele, gerou tanta insegurança entre os candidatos.

Lembrando que pode sim haver reviravoltas e o corte pode abaixar alguns décimos, pessoas que não previram serem convocadas para a segunda e terceira fase podem se surpreender ao verem seus nomes nos resultados finais. É possível que um amigo seu esteja nessa situação e ainda não saiba. Clique no botão abaixo e envie esse post a alguns amigos seus que podem se interessar pela notícia pelo inbox do Facebook.

 

 

 

 

 

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