Guia completo do Concurso de Diplomata: confira aqui!

Se você está buscando entender tudo sobre o concurso diplomata, então está no lugar certo! Neste post, responderemos as maiores dúvidas relacionadas com esse assunto, que tiram o sono de muitas pessoas que sonham em se tornar diplomatas. 

O concurso para diplomata ou concurso CACD, como é chamado, tem a fama de um dos concursos mais difíceis do Brasil. No entanto, é possível quebrar esse “dilema” ao seguir nosso guia completo com tudo o que você precisa saber sobre o concurso de diplomata. Confira logo abaixo!

Índice

Concurso diplomata: o que é?

Se as primeiras dúvidas que surgem na sua cabeça for: “o que é o concurso de diplomata?” ou “concurso diplomata”, então vamos responder pra você! Primeiramente, o concurso diplomata é chamado de CACD, abreviação para Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata.

Esse importante concurso foi reformulado em 1996, nos moldes que conhecemos atualmente. No entanto, ele é feito anualmente desde 1945. 

Desde então, a regularidade do concurso de diplomata foi respeitada pelo menos uma vez ao ano, exceto em 2020, ano em que precisou ser adiado por conta da pandemia causada pela Covid-19.

O concurso para diplomata é único caminho?

Muitas pessoas após descobrirem o que é CACD questionam se esse é o único caminho para se tornar um diplomata. Será? A resposta para essa pergunta é SIM

O Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata é, de fato, a única maneira possível de ingressar no Itamaraty como diplomata. Portanto, quem possui esse objetivo precisa ser aprovado nesse concurso e preencher alguns requerimentos, que falaremos a seguir.

Pré-requisitos do concurso de diplomata

Quais são os pré-requisitos para fazer o concurso de diplomata? O que o candidato precisa ter ou ser para ingressar no concurso de admissão à carreira diplomática? Veja abaixo:

  • Ter no mínimo 18 anos completos (não há limite de idade);
  • Ser brasileiro nato;
  • Estar com as obrigações eleitorais em dia;
  • Estar correto com as suas obrigações militares (apenas candidatos do sexo masculino);
  • Possuir formação em qualquer curso superior reconhecido pelo MEC (cursos tecnólogos também são aceitos, porém, cursos técnicos não).

Quem não pode ser diplomata?

Apesar de estar claro, vale ressaltar que os indivíduos impedidos de seguir a carreira diplomática, são: 

  1. Brasileiros naturalizados (estrangeiros que conseguiram a cidadania brasileira);
  2. Pessoas maiores de 18 anos que não possuem título de eleitor ou não cumprem seus direitos eleitorais;
  3. Homens que não cumpriram suas obrigações militares;
  4. Aqueles que não possuem uma formação em um curso superior ou técnico reconhecidos pelo MEC no momento de assumir o cargo. 

No entanto, para se inscrever e participar do concurso não é exigido nenhuma comprovação de estudo superior ou técnico. 

Sendo assim, apenas os brasileiros naturalizados não podem de maneira alguma assumirem o cargo de diplomata, caso sejam aprovados no concurso. Afinal, pessoas a partir dos 18 anos que não possuem título de eleitor ou não cumprem seus direitos eleitorais podem resolver esses problemas para ingressar no concurso.

Assim como os candidatos do sexo masculino que não cumpriram suas obrigações militares devem procurar a regulação antes de iniciar o caminho rumo à diplomacia. 

Pessoas que não possuem uma formação em um curso superior ou técnico reconhecidos pelo MEC precisam também conquistar um diploma, independentemente do curso escolhido.

Como é o exame para o concurso de diplomata?

O Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD) possui abrangência nacional, ou seja, todas as fases desse exame são aplicadas em todas as capitais estaduais e no Distrito Federal. 

Mas como é a prova do concurso diplomata? Separamos as principais informações sobre as fases desse importante concurso. Veja, a seguir:

Número de fases do exame para se tornar um diplomata 

Primeiramente, é pertinente saber que o exame para o concurso de diplomata é composto por três fases. Entenda melhor:

1ª Fase: prova objetiva

A 1ª fase do concurso diplomata é composta por um prova objetiva realizada em um único dia, com provas pela manhã e à tarde. A prova cobre 8 matérias (Língua Portuguesa, História do Brasil, História Mundial, Geografia, Língua Inglesa, Política Internacional, Economia e Direito) em itens do tipo CERTO/ERRADO.

A primeira fase da prova para concurso para a diplomacia brasileira também é conhecida popularmente como Teste de Pré Seleção (TPS)

Segundo o edital, a prova do CACD 2026 traz 240 itens. Bastante coisa, né?

Mas calma, você pode saber com mais detalhes sobre o edital do CACD 2026 nesse post aqui!

No entanto, apesar de a primeira fase do exame para o concurso diplomata ser composta por certo ou errado parecer simples, os candidatos precisam saber que essa etapa conta com um sistema de penalização de itens errados. Falaremos sobre o sistema de pontuação da prova ainda neste texto.

Saiba como fazer resumo de estudos das matérias para o concurso de diplomata!

2ª Fase: provas discursivas

A segunda fase do concurso de admissão à carreira diplomática é uma prova com questões dissertativas, que demandam dos candidatos a exposição de suas respostas em formato escrito.

Até 2023 a segunda fase do concurso envolveu apenas as provas discursivas de Português e Inglês, enquanto a terceira fase abrangia as provas de outras disciplinas.

Contudo, desde 2024 o CACD tem sido dividido em duas fases: a primeira com o TPS e a segunda com as provas discursivas, essas sendo feitas em dois finais semanas diferentes.

A segunda fase abrange provas das seguintes disciplinas:

  • Língua Portuguesa
  • História do Brasil
  • Geografia
  • Língua Inglesa
  • olítica Internacional:
  • Economia
  • Direito
  • Língua Espanhola ou Língua Francesa: prevista para o dia 03 de maio

Vale ressaltar que nessa etapa, o exame possui caráter eliminatório e classificatório. Sendo assim, o candidato pode ser eliminado do processo ou ser classificado para a próxima fase. 

Veja o exemplo de uma prova de Inglês do CACD!

Matérias que caem no concurso para diplomata

Para organizar melhor os estudos, os candidatos ao Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata desejam saber quais são as disciplinas cobradas no CACD. Veja quais são elas:

  • Língua portuguesa;
  • Língua inglesa;
  • Língua francesa;
  • Língua espanhola;
  • História do Brasil;
  • História mundial;
  • Política internacional;
  • Geografia;
  • Economia;
  • Direito Internacional Público;
  • Direito Interno.

Saiba mais sobre a história brasileira: os 200 anos da independência do Brasil.

Pontuação do concurso de diplomata

Quanto precisa tirar para passar no concurso para se tornar diplomata? Existe um sistema de pontuação para cada fase da prova conforme o candidato avança no processo. Veja como funciona: 

Pontuação da 1ª Fase

No CACD 2026, a pontuação da primeira fase (TPS – Teste de Pré Seleção) do concurso de diplomata pode acrescentar ou subtrair os pontos dos candidatos, conforme 3 cenários diferentes. Confira: 

  • 1 ponto: para cada resposta marcada como correta no gabarito oficial definitivo da prova;
  • 0,25 ponto negativo: para cada resposta errada; 
  • 0,00: se não marcação em nenhuma alternativa ou houver marcação de mais de uma alternativa.

Pontuação da 2ª Fase

A segunda etapa do concurso diplomata também possui um sistema de pontuação para classificar os candidatos. Confira como funciona a contagem dos pontos segundo o CACD 2026:

  • Língua Portuguesa:
    • Redação sobre tema geral, com extensão de 65 a 70 linhas, valendo 70 pontos;
    • Resumo de 30 linhas, valendo 30 pontos.
  • História do Brasil:
    • 2 questões discursivas de até 60 linhas, valendo 30 pontos cada;
    • 2 questões discursivas de até 40 linhas, valendo 20 pontos cada.
  • Geografia:
    • 2 questões discursivas de até 60 linhas, valendo 30 pontos cada;
    • 2 questões discursivas de até 40 linhas, valendo 20 pontos cada.
  • Língua Inglesa:
    • Redação sobre tema geral, com extensão de 65 a 70 linhas, valendo 70 pontos;
    • Versão de um texto do português para o inglês, com extensão de 20 a 40 linhas, valendo 30 pontos. 
  • Política Internacional:
    • 2 questões discursivas de até 60 linhas, valendo 30 pontos cada;
    • 2 questões discursivas de até 40 linhas, valendo 20 pontos cada.
  • Economia:
    • 2 questões discursivas de até 60 linhas, valendo 30 pontos cada;
    • 2 questões discursivas de até 40 linhas, valendo 20 pontos cada.
  • Direito:
    • 2 questões discursivas de até 60 linhas, valendo 30 pontos cada;
    • 2 questões discursivas de até 40 linhas, valendo 20 pontos cada.
  • Língua Espanhol ou Língua Inglesa:
    • Resumo, no idioma escolhido, a partir de um texto do idioma, com extensão de 60 linhas, valendo 50 pontos;
    • Versão de um texto do português para o idioma, com extensão de 20 a 30 linhas, valendo 50 pontos.

Saiba como também ganhar mais pontos nos recursos do concurso para diplomata!

Aprovação no concurso de diplomacia

A aprovação concurso diplomata requer algumas vitórias alcançadas. Como a primeira fase do exame tem caráter apenas eliminatório, a pontuação obtida na prova objetiva não conta para a nota final no CACD. 

Sendo assim, os candidatos que alcançarem as melhores notas na 1ª fase são aprovados para a segunda etapa.

Finalmente, após ser aprovado no concurso diplomata, o candidato estará habilitado a entrar no cargo de terceiro-secretário da carreira de diplomata e precisará realizar o curso de formação no Instituto Rio Branco (IRBR), que também possui um requisito de aprovação.

O que faz um diplomata?

Agora que você sabe sobre o concurso diplomata, vale lembrarmos o que faz um diplomata, de fato. Basicamente, um diplomata é uma pessoa que passou no concurso para diplomacia e se tornou apto ao cargo de diplomata.

Sendo assim, o diplomata se torna responsável por representar os interesses de uma nação diante de outros países no exterior. Além disso, um diplomata também possui a função de determinar e manter as relações internacionais.

Portanto, um cidadão ou cidadã diplomata deve realizar diversas atividades relacionadas com os consulados e embaixadas do Brasil, representando, negociando, informando e protegendo todos os direitos dos brasileiros no exterior.

Apesar de muitas pessoas acreditarem que os diplomatas só podem representar o Estado Brasileiro em países estrangeiros (consulados e embaixadas), eles também podem exercer suas atribuições no Brasil. 

Em solo brasileiro, um diplomata pode trabalhar em departamentos relativos ao Ministério das Relações Exteriores, em Brasília, em escritórios regionais do Itamaraty, que estão espalhados pelos estados, ou em entidades da Organização das Nações Unidas (ONU) com atuação no país.

Você também gostará de ler nosso post sobre como ser diplomata?

Situação atual do concurso de diplomata

O edital do Concurso Diplomata 2026 foi publicado, as incrições vão até 25 de fevereiro de 2026 no site oficial do CEBRASPE.

A primeira fase do certame ocorre no dia 29 de março de 2026, e a homologaçaõ do concurso está previsto para até a 1º quinzena de junho de 2026.

Após a aprovação, os novos diplomatas recebem salários de R$ 22.558,56.

O salário da carreira diplomática é:

  • Terceiro Secretário: R$ 22.558,56
  • Segundo Secretário: R$ 25.659,15
  • Primeiro Secretário: R$ 27.564,05
  • Conselheiro: R$ 29.616,38
  • Ministro de Segunda Classe: R$ 31.815,03
  • Ministro de Primeira Classe: R$ 33.086,10

Resumo sobre o concurso de diplomata

Achou muita informação sobre o concurso diplomata? Calma que podemos resumir para você as principais informações desse artigo, caso não tiver tempo para lê-lo completamente. 

O concurso diplomata acontece anualmente e oferece vagas para o cargo de Diplomata (Terceiro-Secretário), cargo inicial da carreira de diplomacia. Para isso, é preciso conferir o edital CACD e verificar quais são os pré-requisitos do concurso de diplomata.

Participar do concurso para diplomata é o único caminho para quem deseja seguir a carreira diplomática. Esse concurso possui 2 fases, classificatórias e eliminatórias, que verificam o conhecimento em matérias específicas e diferentes línguas estrangeiras. 

Ao atingir as pontuações classificatórias no concurso para diplomata e ser aprovado na terceira fase, o candidato deverá realizar o curso de formação no Instituto Rio Branco (IRBR).

Qual a diferença entre o consulado e a embaixada

Consulados e embaixadas são dois dos principais locais de trabalho do Diplomata fora do Brasil. O que muita gente não sabe é que as suas funções são distintas e atendem a públicos diferentes.

No artigo de hoje vamos entender todas as diferenças entre os consulados e embaixadas e acabar com todas as suas dúvidas a respeito do tema. Vamos lá?

As embaixadas são responsáveis pelas relações bilaterais de determinado país. Possuem funções culturais, econômicas e políticas. Já os consulados são responsáveis pela assistência a nacionais de determinado país que vivem no exterior. Possuem funções sobretudo civis e administrativas. 

O que é o consulado?

O consulado, de forma resumida, irá atender os cidadãos brasileiros que residem no exterior e são subordinados às embaixadas, não havendo representação política, ficando responsável apenas pela assistência, promoção comercial e da cultura do Brasil.

Eles são encontrados nas capitais ou maiores cidades dos países estrangeiros e sua existência é garantida pela Convenção de Viena sobre Relações Consulares.

O que faz o consulado?

Como vimos, a função do consulado é prestar assistência aos cidadãos brasileiros no exterior, então você encontrará serviços como:

  • Emissão de vistos;
  • Passaportes e documentos de viagem;
  • Certidão de nascimento, casamento ou óbito;
  • Permissão do direito de voto;
  • Proteção contra atos discriminatórios;
  • Garantia dos direitos humanos;
  • Orientação jurídica;
  • Auxílio na repatriação de brasileiros;
  • Elaborar planos de contingência para catástrofes naturais ou tensões políticas.

O site oficial do Ministérios das Relações Exteriores também dá ênfase ao que os consulados não podem fazer, e destaca-se:

  • Emitir Carteira de Identidade ou CNH;
  • Ser parte ou procurar em processos judiciais;
  • Interferir em outros consulados ou embaixadas;
  • Traduzir ou atuar como intérprete;
  • Oferecer empréstimo a brasileiros, entre outros.

Vendo o que o consulado pode e não pode fazer, nos ajuda a entender melhor sobre a questão da assistência. Ele pode ajudar os cidadãos, mas nunca oferecer vantagens, sejam políticas, sociais ou monetárias.

Portal Consular

O governo do Brasil criou o Portal Consular, um site que reúne informações oficiais sobre tudo o que pode afetar a vida dos brasileiros no exterior.

É interessante entrar e ler as notícias encontradas por lá, assim você terá uma noção prática do dia a dia de um consulado e do que acontece com os cidadãos brasileiros fora do país.

Diferença do consulado para embaixada

Enquanto o consulado cuida da assistência de moradores, o papel da embaixada é outro. Ali são tratados assuntos da Política Externa Brasileira e relações entre as nações, como comércio, economia e meio ambiente.

Diferentemente dos consulados, que podem ter vários no país, situados nas grandes cidades e de acordo com a população brasileira ali, as embaixadas normalmente encontram-se nas capitais, com objetivo de facilitar as conversas.

Sendo assim, para quase todos os motivos, você precisa ir até um consulado, enquanto a embaixada fica mais para assuntos governamentais ou de pessoas específicas.

Quem pode trabalhar em um consulado?

Os cargos dentro do consulado são diversos, podendo receber diplomatas, como secretários e conselheiros, além de empregados para cuidar do funcionamento do dia a dia da repartição.

De acordo com o site oficial do governo, dentro de um consulado encontramos:

  • Chefe de repartição;
  • Funcionário consular, que é toda pessoa que presta serviços ali dentro;
  • Empregado consular, que são todos de cargos administrativos ou técnicos;
  • Membro do pessoal de serviço, que prestam o serviço doméstico;
  • Membro do pessoal privado, representado por quem presta um serviço particular de um dos membros da repartição.

Com isso, percebemos que nem todos que trabalham nos consulados e embaixadas devem ser diplomatas. É necessário pessoas que conheçam a língua e costumes locais, que são conhecidas como “Auxiliar Local”, que podem ser brasileiros e também estrangeiros.

Relação entre o diplomata e o consulado

Para os cargos principais dentro dos consulados, é preciso ser aprovado no CACD, o Concurso de Admissão à Carreira Diplomática, além de passar por alguns requisitos, como tempo de serviços prestados.

Sendo assim, para os diplomatas, são 3 diferentes cargos que podem ser almejados. Vamos conhecê-los:

  • Cônsul-Geral: chefe do Consulado-Geral nas maiores cidades do país no exterior, não apenas na capital;
  • Cônsul: quem dirige o consulado, mas normalmente são de menor expressão ou em cidades menores.
  • Vice-Cônsul: subordinado do Cônsul;

Há também o cargo de Cônsul-Honorário, que é concedido para não diplomatas e o trabalho é voluntário, para servir de auxiliar no consulado.

Quero trabalhar no consulado, como faço?

Para virar um Cônsul, a primeira etapa é ser aprovado no Concurso de Admissão à Carreira Diplomática, o CACD.

O concurso ocorre normalmente uma vez ao ano e o Clipping é uma plataforma de estudos completa para candidatos de todos os níveis, onde 9 a cada 10 aprovados estudaram conosco.

Clique aqui para conhecer a nossa plataforma.

Lançamento da HQ Esquadrão do Tempo 2122: Quem criou o Brasil?

As comemorações do Bicentenário da Independência do Brasil ainda não acabaram. A data é especial e significativa para os brasileiros, que se inspiram no fato e criam novas formas de contar a história do país.

Conheça a história em quadrinhos (HQ) que irá contar as aventuras de três alunos do ano 2122 que odeiam história, mas viajaram no tempo e viram de perto a independência do Brasil.

A HQ foi criada a pedido do Consulado-Geral do Brasil em Houston, escrita por João Daniel e conta com ilustrações de Nestablo Ramos. O material possui distribuição gratuita. 

O Clipping entrevistou os três responsáveis pelo projeto, conversa que você pode conferir a seguir.

Os três responsáveis pelo projeto: João Daniel, Nestablo Ramos e Daniel Guilarducci.

Como surgiu a ideia?

O material foi elaborado a pedido do Consulado-Geral do Brasil em Houston e seu Setor Cultural e Educacional, chefiado pelo diplomata Daniel Guilarducci. A HQ foi pensada como um programa cultural do Consulado para 2022, pois, devido a Covid-19, não haviam certezas quanto às possibilidades de eventos presenciais. 

Além disso, o material foi pensado para celebrar o bicentenário e ser usado em diversos postos no exterior, pelos centros culturais do Instituto Guimarães Rosa, por professores e familiares. 

“Um evento é importante, é legal, mas ele passa. Uma publicação pode ser redescoberta para sempre. Como sou fã de histórias em quadrinhos desde criança e sei que o Brasil tem uma produção cada vez mais significativa nessa arte, resolvi propor a ideia para Brasília e fico feliz de ter podido implementá-la. Fico mais feliz ainda por ter trazido duas pessoas extremamente competentes (e meio doidas…) para criar o projeto”, declara D.G.Ducci. 

A versão em língua portuguesa da HQ atende as iniciativas de diplomacia cultural voltadas para a difusão do português, seja como língua de herança ou como segunda língua. Segundo D.G.Ducci, a versão inglesa será lançada em breve, e poderá alcançar leitores de vários países, além de mostrar o talento do Nestablo e do João Daniel, e também mais informações e curiosidades ligados à Independência do Brasil. O Instituto Guimarães Rosa recebeu uma versão editável, onde outras Embaixadas e Consulados poderão traduzir a história e as notas para outras línguas.   

“Esse tipo de exposição a um produto cultural brasileiro, especialmente na infância e na juventude, pode estabelecer laços afetivos com o Brasil e ajudar a reforçar nossa imagem de formas mais profundas – embora talvez menos óbvias – do que a ‘alta política’ ou as relações comerciais com os países. Eu sou um entusiasta da diplomacia cultural”, comenta o diplomata. 

O processo criativo da HQ 

Para o professor João Daniel, escritor da história, escrever uma HQ era um sonho pois é fã dos quadrinhos e até aprendeu a ler com as histórias do Pato Donald e da Turma da Mônica. Mesmo conhecendo a linguagem deste gênero textual, João Daniel também leu obras sobre como escrever quadrinhos, por exemplo “Arte Sequencial” do Will Eisner. 

O professor também teve ajuda da quadrinista brasileira Luciana Cafaggi, a qual compartilhou trabalhos inéditos, bibliografias e colaborou na revisão do texto. E também contou com o auxílio da escritora Socorro Acioli, que possui uma oficina de leitura e escrita criativa no Ceará, ganhadora do prêmio Jabuti e que fez curso com o escritor Gabriel García Márquez.

“Embora como escritor este seja o meu primeiro trabalho em quadrinho, eu já estudava isso há bastante tempo, mas eu tive ajuda (…), então eu fui mais longe porque estava sobre o ombro de gigantes”, complementa o professor. 

O artista Nestablo Ramos, ilustrador do Esquadrão do Tempo 2122, começou sua carreira em 1993 e se dedica a projetos sobre conscientização ambiental por meios de quadrinhos e animações. A maioria dos seus trabalhos, como Aventuras na Hidrosfera, possuem a temática de aventura, que, para o ilustrador, é um “ingrediente perfeito para uma história de viagem no tempo brasileira”. 

Marcado por muitas reuniões, o trio conversou bastante para definir qual seria o universo do Esquadrão do Tempo 2122, além de apresentar esboços e estabelecer as linhas narrativas. 

“Nas primeiras reuniões falamos sobre os gêneros que poderíamos abordar. Viagem no tempo foi o que mais se destacou pela relevância que teria para o projeto e por não haver nada publicado nesse estilo, aparentemente. Era a chance perfeita de inovar. A ideia é incrível e dá muito certo”, afirma Nestablo.

A presença da identidade cultural brasileira na história

Os personagens e diversos detalhes da história possuem grande influência da cultura popular brasileira, seja nos nomes e traços físicos dos personagens, quanto nas camisas de times de futebol e no clássico vira-lata caramelo. 

O trio de personagens da HQ: Brasília, Salvador e Sebastião.

Conforme apontou Nestablo Ramos, essas referências foram necessárias para estabelecer a ligação com o leitor brasileiro, além de ser importante para os criadores. “Elas também auxiliam a diferenciar em que época os personagens estão, fazem parte da história do Brasil, não apenas da independência dele”, comenta o ilustrador.

O Prof. João Daniel nos conta que o vira-lata caramelo entra na história por meio de um pedido da diplomata Sarah Venites, que quando soube que o professor iria escrever uma história em quadrinhos, pediu para incluir o animal no enredo. 

Caramelo, o cachorro que participou do Grito do Ipiranga na HQ.

Para adicionar as músicas da época, o professor buscou no Dicionário da Música Popular Brasileira quais eram as canções tocadas nas rádios em 1972, onde duas delas lhe chamaram a atenção, “Águas de março” e “Expresso 2222”. “Eu fiz até uma playlist sobre 1972 que eu ficava ouvindo enquanto fazia o roteiro, mas várias dessas músicas tiveram que sair por causa do tamanho”, explica João Daniel. 

Por se tratar de uma viagem no tempo, a história se inicia no futuro, em 2122, por isso percebemos nas ilustrações uma mescla da cultura brasileira com os elementos futurísticos. Nestablo afirma que as referências brasileiras são abundantes, sendo o povo e a diversidade o seu principal, pois mostrar que a nossa diversidade continua firme e forte no futuro, nos dá uma sensação de tranquilidade. “Outra de minhas inspirações favoritas é a nossa versão do futuro. Era óbvio usar o nosso famoso arquiteto Oscar Niemeyer como referência para as cidades brasileiras futurísticas. Ele estava à frente de seu tempo”, pontua o Nestablo. 

Representações arquitetônicas na HQ.

As ações do MRE para as comemorações do bicentenário

O diplomata D.G.Ducci declara que o Itamaraty é um dos ministérios no mundo pioneiro no estabelecimento da diplomacia cultural, que desde a década de 1920 já pensa na diplomacia cultural como um instrumento de inserção e forma de defesa dos interesses do Brasil no mundo. “Claro que muita coisa mudou ao longo das décadas, e este ano de 2022 marcou mais um passo na maturação dessa ação cultural diplomática, com a criação do Instituto Guimarães Rosa”, complementa Daniel Guilarducci. 

Entre as iniciativas tomadas para a comemoração do Bicentenário da Independência que ele destaca estão a apresentação das dezoito “Cartas Celestes” de Almeida Prado feita por cinco pianistas durante as Jornadas do Patrimônio da Embaixada do Brasil em Paris. As cartas nunca haviam sido apresentadas na íntegra em formato de concerto. 

Além dela, o diplomata comenta sobre a tradução de cinco obras inéditas da literatura brasileira para o japonês, produzida pela Embaixada do Brasil no Japão. Entre as obras estão “Vidas Secas” de Graciliano Ramos e “As meninas” de Lygia Fagundes Telles. 

E também, a inauguração de um painel de Eduardo Kobra em uma das fachadas do prédio da ONU. 

Youtube video

“Aqui mesmo em Houston teremos novidades em breve: o lançamento de um jogo de cartas para estímulo do português como língua de herança; um e-book com biografias de doze grandes personalidades brasileiras nos últimos 200 anos; um musical baseado na literatura de cordel que contará ‘A grande peleja desta brava gente brasileira até a Independência’”, conclui D.G.Ducci.

Ressaltamos que a história em quadrinho foi feita com recursos públicos e deve ser distribuída gratuitamente, sendo terminantemente vedada a sua comercialização.

E aí, o que você achou deste novo formato de comemoração do bicentenário?

Comenta aqui com a gente!

A festa à fantasia da turma de 2021-2023

Nem só de estudos vive um CACDista, na rotina intensa de aulas é preciso descansar e se divertir. Em breve teremos mais uma edição da tradicional festa de boas vindas aos recém-ingressos na academia diplomática. 🎉

Chega mais que nós vamos te explicar tudo sobre a tradição da Festa à Fantasia do IRBr. Qual é o tema? Quais serão as novidades? Como os diplomatas estão organizando tudo?

A tradição da Festa à Fantasia do IRBr

A festa à fantasia também faz parte do panteão de tradições diplomáticas. O objetivo do evento é dar um boost no processo de socialização dos diplomatas recém-ingressos na carreira e reforçar os laços entre as turmas anteriores e a recentemente aprovada no CACD.

Festa Preferia Star Morta – 2017

E como parte da tradição, a festa é organizada pela turma de diplomatas que irá se formar no Instituto Rio Branco, oferecida para quem chega à academia.

Alguns anos atrás, essa recepção era feita por meio de um jantar restrito àqueles que faziam parte da carreira diplomática. No entanto, desde o início da década de 2000, esses jantares formais foram substituídos pela festa aberta a todos, inclusive pessoas de fora da carreira.

E para os diplomatas, como conciliar o planejamento do evento com os estudos?

Em razão da COVID-19, a turma organizadora da festa deste ano ainda não se formou. Esta é a primeira vez que uma turma concilia os desafios logísticos da preparação da tradicional festa com o corre da vida acadêmica no IRBr. Para Daniel Lodetti e Sofia Hauschild, diplomatas que fazem parte da comissão organizadora, a contratação de cerimonialistas profissionais tem ajudado a conciliar o planejamento do evento e a rotina na academia.

Uma Noite na Floresta: a festa de 2022

O tema: Uma Noite na Floresta! Inspiração: duas. O vira e os guias.

Para além do clássico “O Vira”, canção dos Secos&Molhados, que fala sobre criaturas que bailam no fundo do azul na noite da floresta, o tema é sobretudo uma homenagem à tradição dos guias de estudos do CACD. A turma aprovada no CACD 2020-2021 foi a responsável pela produção do guia do Jacaré Esmerado 🐊.

Habitat de muitos animais, a floresta representa a comunhão dos animais que serviram de símbolo a cada guia de estudo publicado pelas turmas do IRBr.

Dicas para fantasias

Mula diplomática, leão onusiano, diplig noturno, lobo consular ou até mesmo aquele estóico clichê havaiano. Tudo é válido numa festa à fantasia, então abuse da sua criatividade e se inspire no tema da festa!

Mas caso você não tenha muito tempo ou apreço para criar sua fantasia em casa, a comissão da festa conseguiu uma parceria que te dará descontos de 15% a 20%.

De acordo com Hauschild, que integra a comissão da festa, por meio da parceria fechada com a Arte em Fantasias, para quem optar por alugar fantasias, será possível recorrer ao acervo de mais de 15.000 opções do parceiro. Todos os convidados da festa ganham 15% de desconto em aluguéis de fantasia de R$60,00 a R$ 119,00, e 20% de desconto em aluguéis de R$120,00 ou mais. Para isso, basta mostrar o seu convite na loja e utilizar o cupom “JACA”🐊.

As novidades da festa

Aqui no Clipping também é tradição cobrir todas as novidades da festa à fantasia. Em edições anteriores do evento tivemos open bar, foodtrucks e até a participação do ex-bbb e diplomata Rômulo Neves.

Neste ano, a Turma de 2021 🐊 tem se empenhado para trazer novidades. Na festa “Uma Noite na Floresta” contaremos com:

  • Open bar de drinks
  • Pista de dança com DJ
  • Rodízio de Pizzas Creck

Segundo Lodetti, diplomata e um dos organizadores, quem for para a festa “não precisará se preocupar em gastar mais dinheiro com comida e não perderá tempo esperando na fila enquanto toca sua música preferida, pois as pizzas serão servidas por garçons”.

Os drinks terão um toque especial na festa. Dispostos em sete opções, todos eles foram nomeados especialmente para a festa. São eles:

  • Na Noite da Floresta: o drink oficial da festa
  • Boto Cor de Rosa: delicioso drink de gin, gengibre e extrato de rosas
  • Mula sem Cabeça: o melhor Moscow Mule de Brasília
  • Curupira: a brasileiríssima Caipirinha
  • Pirilampo: um Cosmopolitan brilhante
  • Saci Salvaje: o Mojito da selva
  • Cuca de La Jungla: a clássica Margarita

Quem aí gosta de beber um curupira? Ou uma mula sem cabeça?

Os ingressos para o evento podem ser adquiridos pelo link disponível no Instagram da festa (@jacaparanhos).

  • Data: 08/10/2022
  • Local: Clube das Nações
  • Valor: R$250

Para mais informações e detalhes, siga a festa no Instagram (@jacaparanhos) e fique por dentro de todas as novidades!

E aí, bora? Já sabe qual será a sua fantasia? Comenta aí com a gente!

200 anos da independência do Brasil

Todos os candidatos ao Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD) devem conhecer profundamente o processo de independência do Brasil.

Em uma aula aberta do Curso Extensivo CACD 2023, o Prof. João Daniel trouxe para a mesa um debate incrível sobre o processo histórico da independência do Brasil, como os historiadores interpretaram e continuam interpretando o processo de emancipação e como foram as comemorações de 50, 100, 150 anos do Sete de Setembro.

Faltando, apenas dois dias para a comemoração do bicentenário da independência, o Professor afirmou que:

As efemérides têm um papel essencial para a discussão historiográfica e para a construção da historiografia brasileira.

Veja abaixo os principais destaques da aula aberta:

  • Os 5 equívocos mais comuns que aprendemos sobre a independência do Brasil
  • As interpretações historiográficas da independência do Brasil
  • O saldo da independência
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Os 5 equívocos mais comuns que aprendemos sobre a independência do Brasil

1. A independência não ocorreu (apenas) no dia 7 de setembro

A data de 7 de setembro de 1822 marca o dia do famoso “Grito do Ipiranga” de Dom Pedro I. Afinal, seria esse o momento em que o Brasil se separou, de fato, de Portugal?

Primeiramente, é necessário entender que a resposta para essa pergunta não é consensual, pois no decorrer do processo de independência, outras datas foram tão importantes quanto a de 7 de setembro de 1822.

6 de agosto de 1822

6 de agosto de 1822 foi o dia em que Portugal e Brasil assinaram o Manifesto das Nações Amigas. Nesse documento, D. Pedro convida-os a “continuarem com o Reino do Brasil as mesmas relações de mútuo interesse e amizade” e expressa pela primeira vez a autonomia do Brasil em relação a Portugal.

Diferentemente de 7 de setembro e 12 de outubro, a figura principal do 6 de agosto de 1822 foi José Bonifácio, responsável por afirmar que “o Brasil se considera tão livre quanto o Reino de Portugal”.

12 de outubro de 1822

Em 12 de outubro de 1822, Dom Pedro I foi aclamado imperador junto ao povo na cidade do Rio de Janeiro. Até 1825, 12 de outubro era considerada tão importante quanto o 7 de setembro quando se tratava da independência. Nesse dia, Dom Pedro I foi importante, mas a sua figura não foi a principal.

Por que comemoramos a independência, então, no dia 7 de setembro? Vejamos no próximo tópico.

7 de setembro de 1822

Em 7 de setembro de 1822, Dom Pedro I realizou o emblemático Grito do Ipiranga. No entanto, o motivo para associarmos o processo de independência a esse dia advém de uma construção política da narrativa histórica.

No fim do século XIX e início do século XX, o interesse em centralizar a imagem de São Paulo influenciava a historiografia do Instituto Histórico Geográfico Brasileiro (IHGB).

Esse interesse surgiu devido à crescente ascensão econômica por qual passava a economia cafeeira paulista, o que resultou na associação do dia da independência ao episódio do Grito do Ipiranga, cujo plano de fundo era São Paulo.

2. A independência não foi pacífica

Outro equívoco que cometemos ao mencionar a independência do Brasil é a ideia de que foi um processo pacífico e que a independência não passou de um mero “acordo entre Dom Pedro I e Dom João”. Segundo o historiador José Honório Rodrigues, essa percepção omite o fato de que houve mais de 5 mil mortes no processo de independência. Similarmente, o diplomata Hélio Franchini Neto também aborda o “aspecto sangrento” da independência no seu livro “Independência e Morte”.

Assim, um exemplo do caráter violento do processo de independência foi quando Lorde Thomas Cochrane, mercenário britânico, juntamente com outros oficiais, chegou ao Rio de Janeiro em 1823 para organizar uma força naval brasileira contra as províncias ainda leais a Portugal. Nesse episódio, o Exército brasileiro contou com a colaboração do general Pierre Labatut.

3. A cidade protagonista da independência não foi São Paulo

Assim como inúmeros países latino-americanos, os processos de independência foram marcados por conflitos. Assim, ideia de que a independência do Brasil teve palco em uma zona pacífica como São Paulo é um equívoco.

A maioria das batalhas ocorreram na Bahia. Um exemplo da importância dessa região no processo de independência foi quando os portugueses, comandados pelo general Madeira de Melo, deixaram a Bahia, sob ataque das forças brasileiras, e se renderam no Maranhão.

4. O responsável pela independência não foi (apenas) Dom Pedro I.

Sessão do Conselho de Estado, quadro de Georgina de Albuquerque. 1922. Museu Histórico Nacional, Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil.

Outro equívoco comum é a centralização da imagem de Dom Pedro como protagonista da independência. De acordo com historiografias recentes, a imagem de Maria Leopoldina é tão importante quanto a de Dom Pedro I para a independência do Brasil.

A imperatriz participou da reunião com o Conselho de Estado que resultou na assinatura do documento de desagregação de Brasil e Portugal. Só após o documento chegar nas mãos de Dom Pedro alguns dias depois é que o imperador realiza o Grito do Ipiranga.

5. Foi independência?

Para falarmos de independência, é necessário que o ator seja uma colônia cujo interesse principal é se desvincular da metrópole. No entanto, desde 1815, o Brasil tinha o status de Reino Unido de Portugal e Algarves. O Brasil era sede do império português cuja capital era o Rio de Janeiro.

Nesse sentido, não houve uma dinâmica de insatisfação por parte da colônia que levou ao desmembramento da metrópole. O processo de independência ocorreu considerando interesses portugueses. Foram os portugueses que, em 1820, fazem a Revolução Liberal do Porto para trazer de volta a família real.

Então por que nomear esse processo de “independência”?

De acordo com a explicação na aula do professor João Daniel, o sentido de nomear esse processo de “independência” está está diretamente vinculado à construção da identidade nacional: não é possível mobilizar uma identificação em massa tratando o processo como um mero “desmembramento” do império português.

“Falar em independência é como um brado de mobilização política”

Professor João Daniel

As interpretações da independência

Há duas interpretações historiográficas importantes para a prova de História do Brasil no CACD.

  • Evaldo Cabral de Mello, no livro “A Outra Independência” aborda uma visão diferente da visão tradicional do Sudeste sobre a independência. Para ele, Pernambuco tentou duas vezes um projeto de independência diferente do projeto do Rio de Janeiro, em 1817 em 1824. Pernambuco tinha interesse em fazer uma independência federalista, com autonomia para as províncias.
  • Maria Odila Leite da Silva Dias, no texto “Interiorização da metrópole e outros estudos” aborda a perspectiva de que a independência foi resultado de um processo da elite. Com a migração da elite para o Sudeste do país, a metrópole foi transferida para o centro-sul da antiga colônia e o tratamento colonial passou a ser dado às regiões periféricas do império português: Nordeste, Amazônia, África e Ásia. Dessa maneira, a independência é tratada como uma guerra civil entre portugueses na Europa e portugueses interiorizados, sem a participação do povo.

O saldo da independência

Na aula gratuita, o professor aborda 4 consequências da independência, positivas ou negativas. Para João Daniel, foram resultados negativos do processo de independência:

1. A manutenção da dinastia

A manutenção da dinastia é um dos resultados negativos da independência. Apesar da ruptura política, o desmembramento colonial do Brasil em relação a Portugal não foi completo. De acordo com o professor, devido à manutenção da monarquia, permaneceu a vinculação entre o Brasil e Portugal do ponto de vista familiar.

2. A unidade territorial

Para o professor, a unidade territorial é uma das consequências benéficas da independência. Diferentemente da desvinculação colonial ocorrida nos demais países da América Espanhola, o território brasileiro não sofreu desmembramentos na Bahia, no Sul ou em outras regiões do país. A vitória militar e política do Rio de Janeiro em relação a Lisboa resultou na unificação do território e na construção da identidade nacional brasileira.

3. Maiores condições de resistência contra o imperialismo

De acordo com João Daniel, a unidade territorial é elemento crucial para a resistência contra o imperialismo. Isso ocorre porque territórios fragmentados não gozam das mesmas condições de lutar contra as influências imperiais, sendo esse um dos resultados benéficos da independência.

4. O afastamento do Brasil em relação à América Latina

Com a manutenção da monarquia, a identidade nacional brasileira por muito tempo nos aproximou mais do continente europeu em detrimento da América Latina. Para o professor, esse desdobramento é negativo, porque o afastamento por parte da nação brasileira dos seus vizinhos latino-americanos se faz em oposição no que diz respeito à identidade cultural.

Guia de Estudos CACD: lista completa (2023-1951)

O Guia de Estudos reúne informações úteis para os candidatos ao Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD) e constitui uma importante fonte de estudo no que se refere às questões discursivas. É com base nos Guias que conseguimos interpretar o que a banca quer como resposta nas questões discursivas, etc.

Guia de Estudos

Os Guias, que eram anteriormente publicados pela Fundação Alexandre de Gusmão (FUNAG), o braço editorial do Itamaraty, passaram a ser publicados  pelas próprias turmas de candidatos aprovados no CACD,  ganharam apelidos e inovaram em trazer não só as melhores mas também as piores respostas.

A última guia dos aprovados, Guia da Ema Oblíqua e Dissimulada, reúne as melhores (e não tão melhores) respostas dos aprovados no CACD 2022. Além das respostas, também contém informações sobre o perfil dos aprovados: idade, local de nascimento, formação acadêmica, anos de preparação e até informações que mostram que os aprovados são “gente como a gente”.

Anuários do Instituto Rio Branco

De 1951 a 1990, grande parte das provas dos concursos e os conteúdos cobrados  podem ser encontradas nos Anuários do Instituto Rio Branco. Os anuários não são exatamente um guia, embora alguns funcionem como tal, na medida em que arrolam as questões discursivas e algumas respostas modelo.  Os Anuários são também uma fonte por meio da qual podemos entender a evolução do processo seletivo dos diplomatas pelo Instituto Rio Branco. Vale a pena conferir algumas provas antigas, a título de curiosidade.

Oficial de Chancelaria: como é o concurso e carreira

Nem só de diplomatas é feito o Itamaraty! O Ministério das Relações Exteriores conta com 3 carreiras: a diplomática, a de oficial de chancelaria e a de assistente de chancelaria.

Nesse post falaremos da carreira de Oficial de Chancelaria e também das expectativas para esse novo concurso alimentadas por notícias recentemente divulgadas sobre o pedido feito pelo Itamaraty em 2022 para o preenchimento de 100 vagas para os cargos de Oficial de Chancelaria e Assistente de Chancelaria.

O post está organizado dessa forma:

  1. O que faz um Oficial de Chancelaria
  2. Qual é o salário de um Oficial de Chancelaria
  3. Como é o concurso para o cargo de Oficial de Chancelaria
  4. Quando será o próximo concurso para Oficial de Chancelaria 

Bora começar? 

O que faz um Oficial de Chancelaria?

De acordo com o Itamaraty, o Oficial de Chancelaria é um servidor com formação superior que presta atividades de formulação, implementação e execução dos atos de análise técnica e gestão administrativa, necessários ao desenvolvimento da política externa brasileira.

Essa definição deriva da redação do artigo 4 da Lei 11.440/2006 , que dispões define em linhas gerais sobre as carreiras do Serviço Exterior Brasileiro (SEB):

Aos servidores integrantes da Carreira de Oficial de Chancelaria, de nível superior, incumbem atividades de formulação, implementação e execução dos atos de análise técnica e gestão administrativa necessários ao desenvolvimento da política externa brasileira. 

Como essa definição se reflete na prática diária?

De forma geral, a diferença mais marcante é o fato de que o trabalho dos oficiais de chancelaria se baseia em tarefas de cunho administrativo, voltado a atividades internas e de gestão adminstrativa.

Juntamente com os assistentes de chancelaria, formamos a espinha dorsal da burocracia que mantém o ministério em funcionamento. (YouJerks, autor to Guia “That Holy Thing” sobre a carreira de Ofchan)

Youtube video

Listar todas essas possibilidades e áreas de atuação de um oficial de chancelaria é virtualmente impossível. Afinal, a estrutura do Itamaraty espalha-se pelo exterior por mais de 200 postos (divididos em Embaixadas, Consulados, Delegações, Escritórios), o que torna a gestão administrativa dessa rede é extremamente desafiadora e complexa.

🌐 As 3 carreiras do Serviço Exterior Brasileiro

O Serviço Externo Brasileiro (SEB) é composto por 3 carreiras: diplomata (nível superior), oficial de chancelaria (nível superior) e assistente de chancelaria (nível médio).

A assistência consular é onde se torna mais evidente a atuação administrativa dos Oficiais de Chancelaria, que desempenham uma ampla gama de serviços públicos para a comunidade de brasileiros residente no exterior como alistamento militar, realização de eleições, atas notarias ou atos cartorários, certificações de documentos ou mesmo a realização de casamento civil além de fornecer assistência para casos individuais específicos, tais como falecimento, hospitalização, prisão, violência doméstica, desaparecimento, etc.

As atividades administrativas relacionadas à manutenção do posto, como manutenção de patrimônio e inventário, contratação de funcionários locais para trabalhos específicos, gestão de estoque e compras, malas diplomáticas e comunicações são também uma constante na rotina dos ofchans.

Embora seja um cargo afeto a atribuições administrativas e bastante paperwork, a rotina de um ofchan está longe de uma zona de conforto.

Já imaginou, por exemplo, conseguir no Haiti, ou na República Democrática do Congo, três orçamentos para contratar uma empresa idônea apta a instalar um sistema de automação predial para acionamento do sistema de segurança da Embaixada? Ou, ainda, viabilizar o atendimento consular por meio do sistema eletrônico de concessão de documentos em uma Embaixada localizada numa cidade na qual há falta de luz diária por cerca de 4 ou 5 horas? Pois bem, assuntos como estes são parte da rotina de trabalho dos Oficiais de Chancelaria. (Carlos Considera, Oficial de Chancelaria em entrevista ao Clipping.)

Trata-se de uma carreira que demanda dinamismo e uma abertura de espírito para aprendizados, mudanças constantes e situações adversas em ambientes multi-culturais.

Joaquim Barbosa, ministro do STF e ex-Oficial de Chancelaria

O cargo de Oficial de Chancelaria também é visto como uma porta de entrada para outras carreira pública, a diplomática inclusive. 

Gilmar Menders, STF e ex-Oficial de Chancelaria

⚔️ Adversários no STF e MRE?

Gilmar Mendes e Joaquim Barbosa ingressaram na carreira de Oficial de Chancelaria no mesmo ano de 1976. Joaquim serviu na Embaixada do Brasil em Helsinki, Finlândia, em 1978, tendo atuado na area de assistência consular a brasileiros no exterior. Gilmar Mendes serviu na Embaixada do Brasil em Bonn, entre 1979 e 1982 e, após, foi transposto para o cargo de Assistente Juridico, como Chefe da Seção de Consulta-Geral do Serviço de Legislação da Divisão de Pessoal do MRE

Embora o salário não esteja entre os maiores se comparados a outras carreiras públicas, a carreira de oficial de chancelaria traz oportunidades de vivência bem específicas que raramente encontra-se em outras carreiras públicas.

cargos que pagam facilmente o dobro do que ganho em Brasília hoje, mas todos tem uma coisa em comum: me forçariam a morar na mesma cidade e trabalhar no mesmo lugar por 20, 30, 40 anos. A carreira de Oficial de Chancelaria permite escapar disso e ir morar no exterior, em qualquer canto do mundo, pulando de país em país, e vivendo um estilo de vida que só pode ser definido como sendo dramaticamente internacional. (YouJerks, autor to Guia “That Holy Thing” sobre a carreira de Ofchan)

Caso você queira entender mais sobre a rotina de um Ofchan:

Qual é o salário de um Oficial de Chancelaria?

O salário inicial para o cargo de Oficial de Chancelaria é de R$ 9.330,06 e pode chegar até R$13.653,48. O detalhamento da progressão da carreira e salário é dado pela Lei 12.775/12, que dispõe sobre a remuneração da carreira de Oficial de Chancelaria.

Tabela de remuneração para o cargo de Oficial de Chancelaria
Tabela de remuneração para o cargo de Oficial de Chancelaria (Lei 12.775/12)

O salário de Oficiais de Chancelaria lotados no exterior é pago em dólar e seguindo um cálculo definido pela Lei 5809/72 que leva em conta, sobretudo, o custo de vida onde o servidor está lotado. O salário de um Ofchan em Tóquio não será o mesmo de outro Ofchan no Gabão.

Depois de conhecer a carreira, o próximo passo é conhecer o concurso.

Como é o concurso para o cargo de Oficial de Chancelaria?

O ingresso na carreira de oficial de chancelaria ocorre por meio de concurso público. Os requisitos básicos são:

  • Possuir nacionalidade brasileira (nato ou naturalizado);
  • Ter 18 anos completos (na data da posse);
  • Ter curso de nível superior (qualquer curso superior);

De forma geral, os requisitos para ingresso na carreira de oficial de chancelaria são os mesmos dos que os requisitos exigidos aos candidatos à carreira de diplomata, com a notável exceção que no caso de oficiais de chancelaria não é exigida que a nacionalidade seja nata (naturalizado pode ingressar na carreira).

No entanto, as similaridades no que se refere ao ingresso param por aí.

O Concurso para Oficial de Chancelaria possui diferenças substanciais em matéria de estrutura em relação ao Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD), começando pela falta de previsibilidade tanto em matéria de conteúdo quanto de periodicidade.

O concurso de Oficial de Chancelaria não é uma mera miniatura do CACD

O Concurso para Oficial de Chancelaria costuma normalmente cobrar conhecimento de Português, Inglês, Direito Constitucional, Direito Administrativo e Raciocínio Lógico e Atualidades. No entanto, a estrutura da prova varia bastante de edição para edição.

A última edição do concurso para o cargo de Oficial de Chancelaria ocorreu em 2015, tendo a Fundação Getúlio Vargas (FGV) como banca para o provimento de 60 vagas.

O último edital previa a seguinte estrutura:

  • Primeira etapa: composta por Prova Escrita Objetiva e Prova Escrita Discursiva, ambas com caráter eliminatório e classificatório
  • Segunda etapa: composta pelo Curso de Preparação (Curso  de  Preparação  à  Carreira  de  Oficial  de  Chancelaria), também de caráter eliminatório e classificatório.

A Prova Objetiva contava com 80 questões de múltiplas escolhas com cinco alternativas e apenas uma resposta correta.

Ass matérias cobradas e a distribuição de questões foi a seguinte:

DISCIPLINASQUESTÕES
MÓDULO DE CONHECIMENTOS LINGUÍSTICOS
  Língua Portuguesa20
  Língua Inglesa20
MÓDULO DE CONHECIMENTOS ESPECIALIZADOS
  Noções de Direito15
  Noções de Contabilidade15
  Raciocínio Lógico10
TOTAL80

A Prova Escrita Discursiva foi constituída de provas de Língua Portuguesa e Língua Inglesa, com pontuação máxima de 120 pontos

Cada prova escrita discursiva era composta por três questões, com o intuito de aferir competências diferentes no desempenho das línguas. Cada questão valia 20 pontos, sendo 60 pontos a pontuação máxima obtida em cada uma das provas. 

  • Primeira questão: elaboração de uma resumo, em que o candidato foi avaliado pela sua capacidade de síntese. 
  • Segunda questão: elaboração de um texto a partir de uma situação comunicativa real, sendo verificado a criatividade e a capacidade de adaptar a formulação linguística a situações comunicativas específicas. 
  • Terceira questão: atividade de possíveis interpretações de um texto, priorizando a busca e a identificação de estratégias linguísticas produtoras dos efeitos desejados.

O Curso de Preparação à Carreira de Oficial de Chancelaria é em modalidade presencial, realizado pelo Ministério das Relações Exteriores, em Brasília-DF, com duração total de 40 horas

Foram convocados para a segunda etapa (Curso de Preparação) os candidatos classificados na primeira etapa em até três vezes o número de vagas, conforme a tabela abaixo.

Ao final do Curso de Preparação, foi aplicada uma prova no formato Certo e Errado, contendo 60 questões referentes à matéria de Serviço Consular Brasileiro.

QUANTIDADE DE CONVOCADOS PARA A SEGUNDA ETAPA

CARGOAmpla ConcorrênciaCandidatos com DeficiênciaCandidatos Negros
Oficial de Chancelaria135936

Baixe aqui todas as provas e editais do concurso de Oficial de Chancelaria

Histórico de relação candidato por vaga e outros dados de concursos anteriores 

Ao contrário do Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD), que ocorre todo ano ininterruptamente desde 1946, o Concurso para Oficial de Chancelaria não tem a mesma periodicidade nem a mesma previsibilidade em matéria de estrutura

CONCURSO DE OFICIAL DE CHANCELARIA
20022004200620082015
Banca OrganizadoraESAFESAFCESPEFCCFGV
Valor das InscriçõesR$ 45,00R$ 65,00R$ 65,00R$ 111,25R$ 120,00
Total de Inscritos5.74521.8445.72210.89315.458
Total de Vagas501356615060
Relação
candidato por vaga
1151618672257
Vagas para PNE37483
Vagas Ampla Concorrência471286214245
Salário Inicial1.781,612.633,412.633,414.818,387.292,02

Como podemos notar, até 2008, os concursos mantinham uma frequência saudável de dois em dois anos. No entanto, para aqueles que esperavam um novo edital em 2010, a surpresa que os aguardava era de que naquele ano não haveria o certame. O próximo concurso só viria em 2015, com o recorde da relação candidatos por vaga de 257 (!)

O resultado do concurso foi homologado em 2016 e, em 2018, o prazo de validade do certame foi prorrogado por mais 2 anos. E em maio de 2020, dias antes de se encerrar a validade do concurso, o MRE nomeou 30 outros aprovados no concurso para oficial de chancelaria de 2015.

Essa foi a última vez que houve contratações de oficial de chancelaria pelo Itamaraty por parte do Ministério das Relações Exteriores.

Redução do Quadro e expectativas para o futuro…

Segundo dados do Itamaraty, atualizados em 2021, existem atualmente 801 Oficiais de Chancelaria atuantes, sendo que mais de 500 (63%) estão trabalhando no exterior, a maior parte (46%) em Postos A.

Não é segredo para ninguém ─ inclusive o MRE não nega ─ que existe uma tendência de que o número de Oficiais de Chancelaria tem se reduzido com o passar dos anos e que essa dinâmica pode comprometer as suas atividades do Ministério das Relações Exteriores.

Fonte: Relatório de Gestão 2020 (MRE)

Na ocasião da abertura do último concurso, em 2015, a presidente do Sindicato Nacional dos Servidores do Ministério das Relações Exteriores (Sinditamaraty), reconhecia que as vagas abertas seriam “insuficientes para a necessidade, mas a ação do governo sinaliza um começo ante as várias necessidades do Itamaraty”.

👧 Maioria feminina na carreira de Oficial de Chancelaria

Um dado digno de nota é que a incômoda disparidade de gênero que ocorre entre os diplomatas não é percebida dentro do cargo de Oficial de Chancelaria. Pelo contrário, as mulheres são maioria (52,6%).

Em Julho de 2022, o novo presidente do Sinditamaraty, João Marcelo Melo, reforçou o discurso e disse: “estimamos que tenhamos perdido mais de 500 servidores nos últimos anos. São menos de 3 mil servidores para 200 postos de representação fora do país. É um número extremamente pequeno para operar todos esses espaços. Sabemos que a gestão de pessoal passa pelo planejamento da substituição dos servidores e estamos há 13 anos sem concurso para assistente de chancelaria e há 7 anos sem concurso para oficial de chancelaria”, pontuou o presidente do Sinditamaraty, ⠀

Uma alternativa paliativa dotada para lidar com essa escassez, para além da opção de se realizar um concurso público, tem sido a opção de “emprestar” servidores de outros órgãos, algo permitido pela Lei n° 11.356, que instituiu a Gratificação Temporária das Unidades dos Sistemas Estruturadores da Administração Pública Federal (GSISTE).

A segunda saída é a realização de um concurso para Oficial de Chancelaria..

Quando é próximo concurso para Oficial de Chancelaria?

A expectativa para a realização de um novo concurso para Oficial de Chancelaria existe e vem sendo adensada.

Recentemente, vem sendo divulgado o fato de que o MRE solicitou ao Ministério da Economia em Maio de 2022 a autorização para realização de concurso público de Oficial de Chancelaria para o provimento de 100 vagas.

Uma manifestação por parte do Sinditamaraty dá contornos institucionais e mais corpo à hipótese de que o concurso de Ofchan vem por aí nos próximos meses.

Verdade ou boato? Ligando os pontos e se fiando às informações que temos até o momento, é altamente provável que nos próximos meses tenhamos Edital para o próximo Concurso de Oficial de Chancelaria.

O que sabemos com certeza:

  • Passaram-se 7 anos desde o último concurso de Ofchan, realizado em 2015;
  • Desde 2020, o último concurso de Ofchan não é mais válido e não pode ser renovado;
  • crescente déficit no quadro das carreiras de Oficial de Chancelaria e Assistente de Chancelaria;

Pedidos de informação foram encaminhados ao MRE para entendermos o contexto de forma mais clara mais detalhes o cenário.

  • Fica confirmado que foi solicitada, ao Ministério da Economia, autorização para a realização de concurso público para as carreiras de Oficial de Chancelaria e de Assistente de Chancelaria com previsão de 50 vagas para cada carreira em 2023.

Como estudar para o concurso de Oficial de Chancelaria?

A comunidade de candidatos interessados no concurso de Oficial de Chancelaria já se questiona sobre se o Clipping abrirá (como abriu em 2015) seu programa de estudos focado no concurso de Ofchan.

Sim, teremos #ClippingOfchan!

Ondjaki: o escritor angolano que caiu na prova de diplomata

Quem é Ondjaki?

Onjaki, como é popularmente conhecido Nadou de Almeida (1977), é um poeta e escritor angolano. Suas obras retratam de forma autobiográfica histórias vividas na infância e juventude com pano de fundo Angola.

Ondjaki viveu um tempo no Rio de Janeiro em 2007, fã da literatura brasileira, sobretudo da obra de Clarice Lispector e Guimarães Rosa, Manoel de Barros entre outros. Vencedor de uma série de prémios literários, como o Prémio Jabuti (2014, 2010) e Prêmio José Saramago (2013), deixou sua marca também no Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD) com uma polémica passagem.

Entenda mais em detalhes abaixo.

Como o autor caiu no Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD)?

Em edições passadas, já foi comum se esperar nas provas de Português do concurso da diplomacia a cobrança questões baseadas em trechos da obra de escritores lusófonos de outras nacionalidades que não a brasileira. Em 2009, tivemos um trecho de “Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra”, do moçambicano Mia Couto. Em 2011, foi a vez de “Os da minha rua”, do angolano Ondjaki. 

Bom, fato é que o que parecia uma tendência – a presença de escritores de outras nacionalidades que não a portuguesa e brasileira no concurso – acabou não se confirmando no longo prazo. O ano de 2011, com Ondjaki, foi a última vez que vimos na prova objetiva de Português cair uma questão baseada em obra de escritor que não seja brasileiro.

Segue um trecho cobrado de “Os da minha rua” e a respectiva questão:

questão sobre obra de Ondjaki

A polémica questão do “bué de lágrimas” teria sido anulada pela banca sob a seguinte justificativa:

A palavra “bué” tanto pode ter sido empregada, no texto, como vocábulo do português brasileiro de origem onomatopeica quanto pode ter sido empregada pelo autor angolano, com o sentido de “muito”, “grande quantidade” (vocábulo de origem portuguesa ou, talvez, originária do quimbundo, língua falada em Angola). Dessa forma, opta-se pela anulação do item.


Teria a polêmica sobre o significado de regionalismos como o famigerado “bué de lágrimas” levado a banca a não mais se aventurar para além das fronteiras nacionais? Difícil saber…

Fato é que após a questão Ondjaki em 2011 passaram-se 10 anos e nunca mais topamos com uma questão tirada da obra de um autor que não seja brasileiro na prova objetiva.

Reza a lenda que um familiar de um candidato, assistindo a um workshop ministrado por Ondjaki na França, poucos dias após o TPS de 2011, fez ali mesmo, da salinha do coffe-break, um vultoso interurbano para consolar o candidato, reprovado no CACD, com as palavras com que o angolano abriu o workshop:


“Este era para ser um workshop sobre escrita. Mas não vamos falar sobre escrita. Vamos falar a leitura. Vejam vocês que um texto meu foi cobrado em processo seletivo para um cargo de alto escalão no Brasil. Fico lisonjeado. Mas o problema é que quem elaborou a prova não entendeu bem o que eu estava a dizer…”.

As questões do CACD são polêmicas por natureza. Ainda mais polêmicas as questões de interpretação. E ainda mais polêmicas as questões de interpretação em que se cobram regionalismos. O que dizer então das questões de interpretação formuladas pela banca que cobram regionalismos de Angola, ou Moçambique? Penosa essa nossa vida de candidato, não?

Às vezes, dá até vontade de chorar… 

Resultado provisório da Terceira Fase do CACD 2022

Acaba de ser publicado no Diário Oficial da União o resultado provisório de Terceira Fase do CACD 2022.

Para facilitar a visualização das posições dos candidatos criamos
o compilado do ranking (atualizada em tempo real)

  • Esse compilado do Clipping não substitui o resultado do IADES (óbvio)!
  • Feedbacks ou reports de erro? > envie para contato@clippingcacd.com.br
  • Vai recorrer? Guia clássico com as melhores práticas para se recorrer contra a banca aqui
  • Esse documento será atualizado em tempo real até o resultado definitivo do IADES.

Enjoy! 🧡

Evaldo Cabral de Mello: quem é, principais obras e curiosidades

Quem é Evaldo Cabral de Mello?

Evaldo Cabral de Mello é um historiador, ensaísta e diplomata brasileiro. Foi autor de diversos livros, é considerado um dos mais importantes pesquisadores do período da dominação holandesa em Pernambuco no século XVII e atuou como diplomata até se aposentar, tendo servido em  representado o Brasil nos Estados Unidos, Espanha, França, Suíça, Portugal e Trindad e Tobado.

Recentemente,  tornou-se membro da Academia Brasileira de Letras (ABL), ocupando a cadeira 34.

Diz-se de um autor de sucesso que tem uma grande obra. No caso de Evaldo Cabral de Mello, é uma grande obra que tem um autor. Um autor que se apaga atrás de uma grande modéstia. Mas que tinha que ser revelado. E foi. A Academia é o lugar certo para abrigá-lo e se sente honrada com isso

Principais obras de Evaldo Cabral de Mello

  • A educação pela guerra (2014): Estudo sobre as origens do espírito rebelde que caracteriza as revoluções de Pernambuco no século XVII.
  • O nome e o sangue (2009): Estudo sobre as origens da elite colonial brasileira em Pernambuco no século XVII e suposta história de uma manipulação genealógica destinada a esconderas origens judaicas de uma importante família local.
  • Um imenso Portugal: história e historiografia (2002): Essa obra reúne 36 textos que, tendo partindo do Nordeste açucareiro, área na qual Evaldo Cabral de Mello se especializou, aborda vários temas da História do Brasil e de Portugal. Aliás, é essa obra que vem a consagrada tese de que “O Brasil se fez Império antes de se fazer nação”.
  • O negócio do Brasil: Portugal, os Países Baixos e o Nordeste, 1641-1669 (1998): Nessa sua principal obra, o autor defende a tese de que a expulsão dos holandeses do Nordeste não foi uma vitória militar, mas uma negociação na qual Portugal pagou alto valor aos Países Baixos pela volta de sua colônia.

A bibliografia completa de Evaldo Cabral de Mello pode ser encontrada no site da Academia Brasileira de Letras (ABL).

8 Curiosidades sobre o historiador e o Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD)

O que Evaldo Cabral de Mello tem a ver com o Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata(CACD)?

  1. Comecemos destacando que Evaldo  é figurinha carimbada nas provas do Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD). O clássico de Evaldo Cabral de Mello, “Um imenso Portugal”, foi texto referência para nada menos do que 12 itens da prova de História do Brasil no CACD de 2006.

  2. Não fosse o bastante, a prova do vestibular de medicina de 2015 da UNICEUB, elaborada pelo CESPE, também cobrou uma série de itens baseados em “Um imenso Portugal”.Continue reading